Artigo publicado em 20 nov 2017 | Este artigo tem 0 Comentário

INTRODUÇÃO:

O presente artigo tem por objetivo discorrer sobre os mecanismos de defesa, que, ficarão restritos a dois tipos clínicos: Projeção e Sombra. Falaremos de forma concisa, porém, didática e elucidativa para o entendimento do leitor.

“Algumas pessoas irão te amar e não será porque você é engraçado, será porque eles precisam rir. Algumas pessoas vão te odiar e não será porque você é arrogante, será porque você se parece com os pais delas. As pessoas não odeiam você por quem você é, elas ODEIAM a parte delas que VOCÊ REFLETE. As pessoas vão te amar, as pessoas vão te odiar, e nada disso terá nada a ver com você!” Charlotte de Abraham Hicks.

PROJEÇÃO:

A projeção é um mecanismo de defesa da psique que o sujeito “projeta” seus próprios pensamentos, desejos e sentimentos indesejáveis no outro. Para a psicanálise, trata-se de um mecanismo de defesa muito comum que todas as pessoas utilizam em certa medida.

Para entender o mecanismo de projeção, podemos considerar que determinado sujeito tenha pensamentos de infidelidade durante um relacionamento. Não conseguindo lidar com tais pensamentos indesejáveis de forma consciente, o sujeito os projeta de forma inconsciente no outro – a partir disso, passa a considerar que o outro é quem tem pensamentos de infidelidade ou, até mesmo, que o outro tenha outro parceiro (a). Nesse aspecto, podemos afirmar que a projeção psicológica está relacionada com aquilo que o sujeito recusa em si mesmo, que é o único mecanismo de defesa mais primitivo que a própria projeção. Como todos os mecanismos de defesa, a projeção psicológica fornece uma função para que o sujeito possa proteger sua mente consciente de um sentimento que, de outra forma, seria repugnante.
A partir deste exemplo podemos considerar que PROJEÇÃO são formas em que o EGO continua a dissimular que está no controle em todos os momentos, quando, na verdade, se trata da experiência humana de transferir modos de agir e/ou motivos instintivos e emocionais, com os quais o “eu” não concorda, mas encontra espaço para liberar sua “culpa,” projetando aquilo que abomina em si no outro.

Portanto, “Quando Pedro fala de Paulo eu sei mais de Pedro do que de Paulo”. Sigmund Freud

SOMBRA:

Encontramos nos escritos de Carl Gustav Jung, as melhores definições do mecanismo de defesa denominado sombra. “A sombra é aquilo que o sujeito não tem desejo de ser”. Esta afirmação traduz as repetidas referências à sombra como o lado negativo da personalidade – a soma de todas as qualidades desagradáveis que o sujeito quer esconder, o lado oculto, sem valor, e primitivo da natureza do homem. Seria o outro lado do sujeito, porém, seu próprio lado obscuro. É nítido nos escritos de Jung, a consciência da realidade do mal na vida humana.
Enfatizou que todos nós temos uma sombra, que toda coisa substancial emite uma sombra. O ego, então, está para a sombra como a luz para a penumbra, que é a sombra que nos faz humanos.

Todos nós, segundo Jung, carregamos uma sombra, e quanto menos ela está incorporada na vida consciente do sujeito, mais obscura e densa ela é. Se uma inferioridade é consciente, sempre se tem uma oportunidade de corrigi-la. Além do mais, ela está constantemente em contato com outros interesses, de modo que está continuamente sujeita a modificações. Porém, se é reprimida e isolada da consciência, nunca poderá ser corrigida, e pode irromper subitamente em um momento de inconsciência. De qualquer modo, forma um obstáculo inconsciente, impedindo nossos mais bem-intencionados propósitos.

A SOMBRA: refere-se à parte do EGO mais sombrio. A parte animalesca da personalidade humana. Para Jung, esse arquétipo foi herdado das formas inferiores de vida através da longa evolução que levou ao ser humano. A SOMBRA contém todas àquelas atividades e desejos que podem ser considerados imorais e violentos, aquilo que a sociedade não pode aceitar.

Em suma: a SOMBRA é o lado obscuro da pessoa e que ela procura ocultar.
Aquilo que denominamos sombra, é o lado que ninguém ou a maioria das pessoas nunca querem evidenciar. Exemplos têm inúmeros, mas podemos citar o caso da política atual no Brasil, com inúmeros casos de desfalques e enriquecimentos ilícitos. Procurados, nenhum dos acusados querem dar a verdadeira versão dos fatos, salve quando se encontram sob pressão e prisão.

“Conhecer sua própria escuridão é o melhor método de lidar com a escuridão dos outros”. Carl Gustav Jung

CONCLUSÃO:

A partir desta discussão, não podemos negar que a nossa psique é entrelaçada desde nossa geração intrauterina, educação que nos é dada pela família e/ou instituição, e por fim, a nossa essência que está entrelaçada em toda a nossa formação enquanto sujeitos, que é parte integrante da nossa natureza e nunca pode ser simplesmente eliminada.
Sendo assim, conhecer a sombra é essencial para que ela não seja projetada nos outros.

 

REFERÊNCIAS:

Conhecimentos científicos da autora: Luzziane Soprani

Arquétipo, Sombra e Projeção (Beth Sartore)

 

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