Artigo publicado em 30 out 2012 | Este artigo tem 4 Comentários

Para falar um pouco de tipos de comportamentos assim, será abordada a análise do filme: “Duas Vidas” – interpretado por Bruce Willis. (O filme é uma boa indicação para autoanálise e para entender alguns comportamentos…).

Análise do personagem principal do filme: “Duas Vidas”.

O que se percebe no início é a “máscara” que o personagem principal, (Russ Duritz) usa a todo o momento. Seu uso serve para suplantar as insatisfações e feridas geradas na sua infância. Entretanto, retrata a vida de uma pessoa muito bem-sucedida financeiramente, um executivo de sucesso, mas não tem laços emocionais com à sua família de origem. Ele também não criou vínculos para fazer uma nova família e/ou manter um bom relacionamento.

Podemos perceber que ele ao se defrontar na sua história: com à sua criança de 08 anos (o menino). Ou seja, o seu passado… O encontro com esse menino o confronta, e traça um verdadeiro desafio com as feridas emocionais, que o personagem imaginava já ter superado.

Na realidade a dor, seja qual for: se não for vivida e curada, a qualquer momento da vida pode voltar com a intensidade dos anos.

O que percebemos no contexto do filme é o confronto que o personagem principal vive na trama. Ele é compelido a rever as emoções de lembranças doloridas, representado pelo surgimento da criança. Àquelas que ele não queria lembrar. Dores que ele não admitia que existissem; sonhos que ele já abrirá mão há muito tempo. (“Lembra-se do cachorro e do avião?”).

Quais seriam os motivos dessas lembranças aparecerem quando ele está por completar 40 anos? Elas não vieram por acaso, tiveram um motivo para reaparecer. Percebe-se que eram seus conflitos. Lembrando que o personagem encontrava-se emocionalmente naquela idade (08 anos). O filme retrata claramente o problema de relacionamento muito distante dele com o pai. Afinal, seus sentimentos quando criança foram de: humilhação, rejeição e abandono. Podemos observar que esse menino cresceu usando uma proteção contra as pessoas. Possivelmente, aconteceram muitas situações em sua vida para tornar-se um Narciso. E ao confrontar-se com esta realidade passada, fizeram com que ele saísse de situações congeladas.

O processo de cura inicia-se quando nos permitimos: falar, lembrar, repetir e elaborar, isto é, entrar em catarse. (Catarse: é uma explosão emocional, baseando-se na rememorização da cena e de fatos passados que estejam ligados àquelas perturbações. É um desabafo!). Para resolver relacionamentos, com movimentos de saídas emocionais dos problemas. Enfim, é preciso de uma resolução da pessoa. Decidindo pelo movimento.
Esse processo é doloroso, pois vivemos o dilema da mudança. Nesse caso, por que mudar depois de tantos anos? No filme eram 32 anos de congelamento.

Na maioria das vezes é necessário perdoar muitas pessoas, principalmente os pais e a si mesmo. No caso do filme, o personagem resolveu os seus conflitos com o pai. Entendeu o comportamento distante do pai, em função da perda prematura da mãe, e resolveu seus conflitos com os colegas de escola.

O confronto é isso: “Entrar em contato com aquilo que nos incomoda para resolver”. Contudo, o personagem teve a oportunidade de resolver à sua história e teve o final tão desejado. Na vida real, nem sempre temos a mesma oportunidade de voltar e fazer tudo de novo e diferente. Por isso, a análise-terapia possibilita a cura das dores, que nos deixa paralisados. Basta ter coragem e força de vontade para encarar aquilo que nos paralisa de frente. Sabemos que resolver nossos sentimentos não é fácil, mas não é impossível.

4 Comentarios Quero comentar!

  • A gente nunca sabe o que está por trás das máscaras que as pessoas usam como vc cita no artigo. Adorei está análise. Parabéns Dra!

    Comentário by Amanda — 31 de outubro de 2012 @ 18:44

  • Muito interessante o artigo…muitas vezes criamos um personagem para fugirmos de nossa realidade, de nossos medos…

    Comentário by Marielle — 31 de outubro de 2012 @ 19:00

  • Parabéns pelo artigo. Foi muito esclarecedor. No meu caso, não estou ainda preparada para esta Catarse. De jeito algum. São muitas dores, muitas perdas, muitas feridas ainda abertas.
    Um grande abraço,

    Nina (Regina)

    Comentário by Regina Celia Bastos Carvalho — 1 de novembro de 2012 @ 7:23

  • Show de bola!!!
    Como citado, a dor volta com a intensidade dos anos, esta máscara é criada antes mesmo de haver a própria noção de sua construção, na infância.
    Fica bem claro o benefício da exposição da catarse, considerando o passar dos anos. Cada um tem o seu, mas cada um controla seu próprio tempo.
    Nunca é tarde, mas quanto antes melhor, mais anos de serenidade, consciência e paz…
    Abraços!

    Comentário by Thiago Augusto — 2 de novembro de 2012 @ 16:27

Leave a comment