Artigo publicado em 01 ago 2014 | Este artigo tem 7 Comentários

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Nietzsche, grande filósofo alemão do século XIX, escreveu que “a maior parte da filosofia foi inventada para acomodar nossos sentimentos às circunstâncias adversas, mas tanto as circunstâncias adversas como nossos pensamentos são efêmeros”, deduzindo, então, que pensamentos e circunstâncias passam, mas os sentimentos não. O amor é um desses sentimentos que devem ser tratados pela filosofia, principalmente porque ele parece transcender a realidade.

Abordaremos neste artigo a seguinte pergunta: o que leva uma pessoa a desamar a outra a qual tanto amou? Geralmente, os primeiros sinais são percebidos com o distanciamento – isso acontece quando o outro começa a sentir o vazio na relação. Na demanda do amor, àquele que desama – começa a dar sinais de distanciamento, ou, a não mais investir na relação.
Há de se indagar: o que ocorre, então, para uma pessoa deixar de amar a outra que amou intensamente? Como duas pessoas que viviam um relacionamento intenso acabam em um relacionamento frio-distante, tornando-se um relacionamento vazio?

A pergunta em foco é uma intrigante resposta, se é que há uma resposta concreta, haja vista o amor do ponto de vista analítico é subjetivo. Mas, não enfocaremos o porquê do amante rejeitado, mas sim, aquele que rejeita.

Neste caso, há várias possibilidades que levam ao fim do relacionamento: frustrações constantes, sentimentos de raiva não verbalizadas, sentimentos de rejeição, desatenção ao parceiro, projetos e planos de vida diferentes, traições, ciúme obsessivo, arrogância, às vezes, por medo de se envolver na relação e se entregar ao outro, e vários outros fatores. É um somatório de fatores que vão acontecendo que levam o amante ao desencanto – e, assim, a relação vai perdendo dia após dia o sentido para o amante que deixa de amar. Dessa maneira, a pessoa passa a ter um olhar de indiferença. O sujeito não sente mais vontade de fazer para o seu amante o que fazia antes – não sente vontade de se cuidar como fazia-o, não sente vontade de fazer os agrados que fazia, definitivamente, deixa de dar a atenção que dava antes, não sente mais vontade de estar com o outro e passa a se incomodar facilmente.

Na psicanálise fala-se em investimento libidinal. Pode-se dizer que o amor apresenta-se em quotas, que faz investimento no próprio ego da pessoa e o investimento de objeto: surgem, então, as explicacões do psicanalista Sigmund Freud, (1856-1939) em que ele fala do “amor egoico” e “amor objetal.”

De repente todos os sentimentos investidos no amante começam a ficar contidos e, assim, a pessoa que rejeita passa a direcionar à sua vida para outros interesses, como, por exemplo, buscar amizades antigas e/ou novas amizades, passar a focar mais no profissional, buscar um novo amante. No entanto, pode acorrer que toda àquela energia que existia entre os dois, passa a ficar retida no ego da pessoa que deixa de amar, havendo uma mudança em toda à sua vida. A pessoa que está passando por esse momento, pode querer sair com amigos não para um novo relacionamento, mas sim, para libertar-se da relação, ou seja, o amante que rejeita pode não querer encontrar um novo parceiro – mesmo que seja temporário.

O fim de um amor, deixa os amantes demasiadamente desgastados: tanto psíquico quanto físico -, mas do outro ponto de vista, as pessoas envolvidas agregam as suas vivências grandes experiências. Digamos que a tempestade emocional na qual os amantes se encontram nessas situações têm objetivos: os preparar para novos recomeços.

E nisso reside o sujeito entender que quando não ama mais o seu parceiro, quando não há mais admiração, é necessário coragem para falar, para não deixar para depois, para pôr fim ao sofrimento do casal. Pode ser um momento crucial, pois o fim de um relacionamento, geralmente, é carregado de dor, mesmo sendo acometido de desamor. Por isso, muitas vezes há pessoas que persistem ficar em um relacionamento que terminou há muito tempo. A pessoa volta atrás e continua o relacionamento – e assim, só vai minando à sua própria vida. Há nesses casos um somatório de argumentos que podem ser usados para protelar a relação, por exemplo: os filhos, são fases do relacionamento, ou ainda, o medo de ficar só.  A pessoa que está insatisfeita com o amante desconstrói todas as suas queixas e insatisfações – passando a se autossabotar e, dessa maneira, começa um processo de autotraição. É como se o sujeito desistisse de focar na sua realidade. Nesse agravo, só há duas opções: a pessoa tem o direito de dar continuidade em seu processo de “autotraição” ou ser leal e comunicar ao outro falando a verdade.

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Mas vale lembrar uma canção de Cartola (Acontece) Cartola foi cantor, poeta e compositor brasileiro Agenor de Oliveira (1908-1980) em que ele canta e fala do amor e do coração que se tornou frio e que não consegue mais dissimular amor. A canção diz:
“Esquece o nosso amor, vê se esquece./ Porque tudo no mundo acontece./ E acontece que eu já não sei mais amar./ Vai chorar, vai sofrer, e você não merece./ Mas isso acontece./ Acontece que o meu coração ficou frio./ E o nosso ninho de amor está vazio./ Se eu ainda pudesse fingir que te amo./ Ah, se eu pudesse./ Mas não quero, não devo fazê-lo./ Isso não acontece”.

Nesta canção podemos entender que por mais que a natureza humana tenha bons motivos para ser moldada de forma que possamos sofrer menos pelo fim do amor que aos poucos vem sendo desconstruido dentro de nós – por razões diversas – e que no início, muitas vezes ainda tentamos protestar para tentar recuperar o amante de nosso afeto, por fim, quando nada disso funciona, é saudável, é leal, que deixemos para trás o amante rejeitado e possamos recomeçar com dignidade e sem culpa.

7 Comentarios Quero comentar!

  • O Amor é a fonte da vida !!
    Ah ! Amor…
    Nenhuma palavra o descreve, somente o sentir,o permitir e o realizar este sentimento tão puro e inconsequente, pode simplificar a emoção de sentir o amor.
    Parabéns pela matéria minha querida amiga Dra. Luzziane.
    Beijos na alma

    Comentário by Célia maria Obeid — 3 de agosto de 2014 @ 16:52

  • Acho que como as substâncias químicas, têm relações amorosas que são perigosas, pois são tóxicas e muitas pessoas acabam viciadas, pois não reconhecem o limite entre o amor e a dependência afetiva, mas nem sempre é fácil… Os principais problemas atrelados ao apego excessivo ainda vem da cultura da sociedade. Acho que nos dias de hoje, melhorou muito, porém têm muitas pessoas que estão atreladas a aparecer sem ser amadas. Esse texto nos ensina que a “cura” não só existe como está ao alcance de todos. Amar-se sempre! Tudo passa, só não passa para quem não tem amor próprio e persiste. Fingem para elas mesmas… E têm pessoas que ridicularizam esses trabalhos, pois toca o dedo na ferida.

    Comentário by Cecilia — 4 de agosto de 2014 @ 12:52

  • Texto excelente. Compartilhei. Parabéns!

    Comentário by Mariah Belizario — 4 de agosto de 2014 @ 13:41

  • Fiquei muito pensativa nessa visão sua, Luzziane. É perfeita, quando o amor acaba tudo perde a graça, mas devemos ser maduros pra dizer a verdade e seguir a nossa vida sem o amor que nos deixou. Mas e isso a vida sempre acontece coisas boas. Grata.

    Comentário by kesia martins — 4 de agosto de 2014 @ 21:06

  • Vivenciando…

    Comentário by Thiago — 6 de agosto de 2014 @ 3:21

  • “O fim de um amor deixa os amantes demasiadamente desgastados: tanto psíquico quanto físico -, mas do outro ponto de vista, as pessoas envolvidas agregam as suas vivências grandes experiências. Digamos que a tempestade emocional na qual os amantes se encontram nessas situações têm objetivos: os preparar para novos recomeços…”

    Comentário by Thiago — 6 de agosto de 2014 @ 3:24

  • Quando encontramos a necessidade de compartilhar nossas experiências diárias, triunfos, derrotas eo futuro que sonhamos parceiro, o que queremos é que isso seja feito. No entanto, vemos todos os dias, dezenas de casais que parecia perfeito, o fim de noite separados. E, obviamente, isso nos enche de pavor, e que sob nenhuma circunstância nós esperamos que nós passamos o mesmo.

    A questão é tão sensível para os envolvidos seria um descriterio colocar o dedo sobre ele. Por isso, tentamos investigar com cautela no que foram as razões para um fim tão abrupto e inesperado. Mas nunca saberemos ao certo o que aconteceu dentro desse relacionamento parecia perfeito. Digress, assumimos infidelidade e procurar explicação para o inexplicável. Basicamente, nós queremos saber é o que aconteceu para não repetir esses erros no nosso caso. Bem, então você já não se desesperam investigando a causa da falha de que o parceiro de sonho, nós dizemos-lhe quais são os fatores mais comuns que levam a um colapso são. A idéia não é psicosearte mas agir sob a premissa de que “conhecer o inimigo, você vai saber como atacá-lo.” Então, tome nota!

    1. infidelidade. Como intuías, isso geralmente é a causa mais comum para colapsos emocionais porque uma vez que a confiança é perdida entre os parceiros é extremamente difícil de recuperar. Alguns pensamento tem ido dessa maneira, mas mais cedo ou mais tarde o seu preço da infidelidade “perdoado”, quando o medo de recorrência não deixá-los viver em paz.

    2 incompatibilidade sexual. Embora o sexo é apenas um suplemento para o amor, é de enorme importância para o sucesso da relação. Portanto, se um dos parceiros se sente rejeitada ou “indesejáveis​​” por seu parceiro, auto-estima diminui, ea desconfiança vem cedo ou tarde, ficar mais fraca.

    3 Mau relacionamento com a vizinha. Família e amigos são afetos primordiais para cada indivíduo. Assim, o casal não respeita a rejeitar abertamente ou é um mau sinal. Há muito a considerar dar ao nosso namorado amigos como um grupo de “bolos” que não fazem nada, mas assumir um caminho torto. No entanto, armar-se de paciência com eles, a saúde do relacionamento. Lembro-me que são importantes para ele e tenta avaliar isso.

    4 tempo parcial Love. É característico dos romances à distância, que, embora eles têm suas vantagens (como a reunião a ser mais impetuoso e relação precoce não sucumbir à devastação de convivência), eventualmente, tem o seu preço. Afinal de contas, em diferentes momentos da nossa vida, precisamos ter o amor eo apoio de nosso parceiro. E se ele está longe, logo vai se sentir sozinho mesmo quando a solo.

    5 poucos sinais de afeto. Os homens são relutantes em demonstrar afeto por meio de afagos, beijos e apapachos em público. No entanto, somos por essência amorosa: nós gostamos de abraçar e expressar o que sentimos. O fato de que eles estão relutantes em amar nossas amostras, porque no fundo impressão em nós: que se sentem negligenciados, o que não é saudável em qualquer relacionamento. Fale com ele sobre o que está acontecendo e pedir-lhe para ser mais carinhoso. Ou, pelo menos, chegar a um consenso.

    6 Singles endurecido. Há homens que, se eles são o amor bem e muito feliz com sua esposa, estão aterrorizados se comprometer. Eles temem estar despreparado, assustado com as mudanças e preferem evitar-los, sendo esta a causa de muitos relacionamentos quebrar na aparência idílica. Isso ocorre porque o pânico do sexo masculino corresponde a uma idade em que as mulheres anseiam seriedade e estabilidade em nossas afeições; clareza e sem meias medidas.

    7 Falta de amor. Esta causa é lapidar e implica que não há mais o que fazer para resolver a situação com dignidade, capturando os belos momentos passados ​​e deixar ir. Dê liberdade ao seu parceiro também faz parte do amor. Certamente, ele achou difícil comunicar a sua decisão de chegar a esta conclusão e causou-lhe dor e muitas noites sem dormir. Enfrentá-lo, reconstrúyete aprecia a sinceridade ea seguir o seu caminho. A felicidade vai encontrá-lo novamente quando você menos espera.

    Se você acha que se encaixa uma ou mais dessas causas quebrar, você está tateando tempo fora e jogar para salvar o que você construiu. Converse com seu parceiro e encontrar soluções. Todas as causas (exceto No. 7) podem ser resolvidos se detectado precocemente. Por isso, é e

    Comentário by MARIANO PARRA — 8 de agosto de 2014 @ 5:05

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