Artigo publicado em 30 maio 2019 | Este artigo tem 0 Comentário


“Gostaria que houvesse alguém
que, ouvisse minha confissão:
não um padre – não quero que me digam meus pecados;
não minha mãe – não quero causar tristeza;
não uma amiga – não entenderia o bastante;
não um amante – seria parcial demais;
mas alguém que ao mesmo tempo fosse o amigo, o amante, a mãe, o padre.
e ainda um estranho – não julgaria nem interferiria,
e quando tudo já tivesse sido dito desde o início até o fim,
mostraria a razão das coisas,
daria forças para continuar
e para resolver tudo à minha própria maneira”


Artigo publicado em 30 abr 2019 | Este artigo tem 0 Comentário


INTRODUÇÃO

Mães narcisistas são verdadeiramente perversas. Geralmente, ao que tange o relacionamento com as filhas são destemperadas, transtornando a vida de suas crias. 
Ocorre que filhas de mães narcisistas faz o possível para agradar a mãe, para se sentir querida e amada, mas todo esse esforço não surte efeito algum, porque não existe reciprocidade. Nada é suficiente para mães narcisistas. Não há carinho, não há empatia, não há compreensão.
As meninas são as vítimas mais frequentes, mas os meninos também podem sofrer o mesmo mal. Na mesma linha, há pais narcisistas também. Entretanto, neste artigo, vamos nos ater as mães narcisistas. 
Não necessariamente, todos os filhos sofrem os maus tratos – normalmente, a mãe elege um dos filhos. Aquele que na sua psique, a intimida mais, bem como sente mais inveja e ciúme.

DO MITO DE NARCISO 

“O narcisismo, conceito psicanalítico cujo nome Freud tomou de empréstimo ao mito grego de Narciso, um jovem de beleza tal que se comparava a um deus. Enamorou-se de sua própria imagem espelhada na superfície de um lago. Por isso, repudiou o amor da ninfa Eco e foi punido com a condenação de apaixonar-se apenas pela sua imagem refletida no rio. Sem alcançar o seu ideal, afogou-se nas águas ao tentar atingir o reflexo. O mito ficou associado, em nossa cultura, à ideia de vaidade que, dentre os sete pecados capitais é o mais grave, pois todos os outros derivariam deste. O narcisismo está vinculada à questão da imagem e esta, por sua vez, à noção de identidade”.

DO CONCEITO POPULAR REFERENTE A MÃE 

Antigamente e ainda hoje, as pessoas acreditavam/acreditam que amor de mãe é único e incondicional, o que não é uma verdade absoluta, pois existem mães que não amam as suas crias. Ainda assim, além de não amar, ainda praticam todos os tipos de atrocidades que se possa imaginar, como lesões corporais e abusos psicológicos. Em muitos casos praticam abusos sexuais.
Mãe narcisista, geralmente, é um ser sufocante, que só sente prazer com o sofrimento da cria. Dos traços de personalidade são: amargas, perversas, arrogantes, rudes hostis etc.

DA PERSONALIDADE X COMPORTAMENTO

Há um prazer enorme no sofrimento de sua cria. Sempre acaba por dar fim na alegria do filho (a). É a melhor narradora, quando se trata de denegrir à imagem da cria. Não sente receio, vergonha ou remorso. 
A narcisista mãe, atribui a cria todo e qualquer defeito: você é burra; não faz nada direito; não sabe se portar, se comunicar; é incompetente; inconsequente!
Ela não poupa desaforos, no intuito de sempre pôr abaixo a cria, chegando, inclusive, a agredir fisicamente, em alguns casos. Ou seja, o filho é um capacho. Poderíamos descrever ainda inúmeras formas de comportamento desse perfil de mãe.

No entanto, as pessoas que não convivem em seu entorno, a vêem como a melhor mãe do mundo. Sempre alegre, dedicada, gentil, cuidadosa, inteligente, articulada. Uma mãe, esposa e dona de casa exemplar. 
Nesse caso, quando o filho, mais precisamente a filha, que são presas mais acessíveis dessas mães – comentam o seu sofrimento com pessoas que conhecem a família, é vista como uma má filha – tendo em vista todas as narrativas já feitas por esse perfil de mãe àqueles que a conhecem e/ou mesmo àqueles que mal conhecem.
As pessoas não acreditam no sofrimento de suas crias, pois ela transmite uma imagem de mãe perfeita na frente dos outros.
O abuso psicológico e físico da cria, pode chegar no limite de não ter como se defender nem com quem falar. 

DOS TRAUMAS X SINTOMAS

Diante de tamanha rejeição de uma mãe perversa – o ser o qual a criança se relaciona diretamente em primeiro lugar na vida. A pessoa que é tida como o sujeito mais importante na vida de um bebê – no caso a mãe narcisista – pode levar a criança a viver um calvário por toda uma vida. Na realidade, essas mães são algozes em vez de cuidadoras. Portanto, sujeitos que passaram por tamanho maus tratos adquirem traumas intensos, marcantes e dolorosos em sua psique – desencadeando assim: baixa autoestima; complexo de inferioridade; ausência total de confiança em si mesma, inclusive, não confiarão em pessoas que virão fazer parte de suas vidas.
Podendo desencadear, por exemplo, transtorno de conversão, ou seja, quando o sujeito afetado, transforma a dor emocional em dor física, apresentando alguns sintomas que em um primeiro momento serão cogitados como doenças orgânicas, mas que não são encontradas comprovações diagnósticas em exames médicos, como: dores de cabeça constantes, insônia, enjôo, dores no coração, dificuldade de respirar, visão ruim, incapacidade de falar, andar e outras.
Nesses casos existe o sintoma, mas não há doença aparente àquela sintomatologia.
Ainda sobre a sintomatologia desencadeada ao longo da vida, podemos citar outros sintomas, como: transtorno de ansiedade generalizada, síndrome do pânico, depressão e transtorno do estresse pós-traumático.

O sujeito evolui ao longo do tempo com todo tipo de consequência dolorosa em sua psique, pois todos os sentimentos referente aos abusos foram reprimidos. E toda repressão dos sentimentos negativos irão repercutir no decorrer da vida, como: infância, adolescência e vida adulta.
Assim, com baixa autoestima e ausência de confiança em si mesma, em momentos pontuais de sua vida, terá dificuldades em tomar decisões, o que levará a procrastinação e/ou recorrerá sempre a opinião alheia – de uma pessoa próxima – antes de tomar alguma decisão considerada importante para si.
Sujeitos reféns de mães narcisistas, provavelmente, irão se relacionar com parceiros inadequados, justamente pelo fato de se contentar com migalhas de afeto e não se ver merecedora de sentimentos sólidos.
Em psicanálise, falamos em compulsão à repetição, quando há repetição de comportamentos vivenciados na infância, geralmente, o comportamento e vivências se repetem, principalmente com parceiros, ou seja, pessoas assim, continuarão submissas a outros caso não consiga ajuda psicoterapeutica.
Vale ressaltar, que filhas de mães narcisistas têm predisposição a comportamentos autodestrutivos, recorrendo, por vezes, às drogas, bebidas e, em casos mais graves, ao suicídio.

CONCLUSÃO

Precisamos entender que a Personalidade Narcisista é um transtorno complexo. Os reféns de mães narcisistas, provavelmente, não encontrarão grandes soluções para reverter a condição de vida de suas genitoras. Ao tomar conhecimento de suas mazelas, é necessário tomar medidas para modificar sua situação e não permanecer mais sendo a vítima. Não será uma jornada fácil, mas é totalmente possível reverter os abusos psicológicos e emocional, bem como a autoestima estilhaçada. Como toda perda e/ou ferida exposta é preciso tempo para uma experiência emocional corretiva.

REFERÊNCIAS

Autora, Luzziane Soprani

ENGELKE, Michele, Filhas De Mães Narcisistas Conhecimento Cura
MATOS, Giorgia, psicanalista, escritora em ciúme patológico

Artigo publicado em 31 mar 2019 | Este artigo tem 0 Comentário

INTRODUÇÃO

Doença mental e criatividade não são categorias mutuamente excludentes; ao contrário, freqüentemente estão associadas. Afinal, criar significa escapar de padrões habituais, inovar, surpreender. Ora, essas características podem muito bem ser aplicadas à doença mental, a tal ponto que, para alguns artistas, são inseparáveis. O grande pintor norueguês Edvard Munch (autor do famoso O grito) era psicótico; admitia-o, mas temia que o tratamento pudesse reduzir ou suprimir seu potencial. A pergunta, pois, se impõe: existe um denominador comum entre criatividade e doença mental? A dúvida não é de hoje. Já havia sido formulada por Aristóteles, no famoso Problema XXX: “Por que razão todos os que foram homens de exceção no que concerne à filosofia, à poesia ou às artes são manifestamente melancólicos?”.

Duas doenças têm sido associadas ao processo de criação artística: a esquizofrenia e a doença bipolar. No caso específico da literatura, contudo, a conexão parece se limitar aos bipolares. O processo de elaboração mental de esquizofrênicos, com freqüência manifesto nas artes plásticas, como mostra a notável coleção de obras de pacientes reunida por Nise da Silveira, parece ser alheio ao da criação literária, já que implica uma dificuldade de interação com o mundo. Diferentemente do jornalismo, a essência da literatura não reside na comunicação, mas é preciso um mínimo de diálogo entre escritor e leitor. No caso do bipolar essa comunicação atende a uma necessidade. Como diz o psiquiatra inglês Anthony Storr em The dynamics of creation (A dinâmica da criação), os bipolares precisam de atenção e de aprovação, como os escritores.“Read me, do not let me die”(“Leia-me, não me deixe morrer”), implora a poeta americana Edna St.Vincent Milay (1892-1950). O reconhecimento de leitores, mesmo que poucos – Gustave Flaubert dizia que 100 leitores eram para ele mais que suficientes –, representa um reforço na auto-estima.
As fases da doença bipolar favoreceriam o processo de criação literária, uma vez que correspondem à alternância característica da atividade do escritor: um período de “recolhimento”, de elaboração de idéias, seguido de um período de produção (inspiração e transpiração). É claro que isso só funciona nos casos mais moderados, em que a mania não é acompanhada de manifestações agressivas, mas é, antes, aquilo que se conhece como hipomania, um estado no qual a pessoa se sente “energizada” e pode trabalhar com entusiasmo.

Honoré de Balzac, para Storr, era um bipolar típico. Nas fases mais produtivas, o escritor jantava às 6 da tarde, dormia até a 1 da manhã, levantava, trabalhava durante toda a madrugada, parando para tomar café, descansar e receber visitas. Não é de admirar que tenha escrito a gigantesca obra que é a Comédia humana. Nos períodos depressivos, contudo, pensava em suicídio, fim de escritores como Virginia Woolf e Ernest Hemingway.

A escritora inglesa teve uma vida atormentada por surtos depressivos que pareciam não afetar sua criatividade mas a levaram a entrar no rio Ouse com pedras nos bolsos de seu casacão para se afogar. Já Hemingway viveu numerosas aventuras pelo mundo, escreveu obras de enorme sucesso, mas tinha de lutar sempre contra a depressão, que também o levou à morte. E eles não foram os únicos. Entre os escritores diagnosticados – em geral depois de mortos – como bipolares estão Hans Christian Andersen, F. Scott Fitzgerald, Nicolai Gógol, Graham Greene, Henrik Ibsen, Joseph Conrad, Herman Melville, Mary Shelley e Robert L. Stevenson. A pergunta de Aristóteles não foi ainda plenamente respondida. Mas aceitar que doença mental e talento são compatíveis já é um grande progresso.

REFERÊNCIAS

Site Institucional: Editora Segmento
Grupo Conhecimento: SCIENTIFIC AMERICAN BRASIL MENTE & CÉREBRO
2016 Site Scientific American Brasil – Mente Cérebro – Editora Segmento

Artigo publicado em 27 fev 2019 | Este artigo tem 0 Comentário


Depressão, euforia

Este artigo aborda, da euforia a melancolia. Tipos de estados diferentes, porém, pode aparecer de forma isolada um sintoma do outro e/ou ambos associados.

A melancolia é um estado de tristeza vaga, de desgosto da vida, de propensão habitual ao pessimismo. É um estado psíquico de depressão sem causa específica que tem por característica a falta de entusiasmo e de predisposição para atividades em geral. Como todos os estados depressivos a melancoliapode e deve ser diagnosticada por psiquiatras e psicólogos para tratamento correto.

Segundo o DSM IV para diagnosticar a melancolia são necessários:

a) Pelo menos um dos dois sintomas: 1- Falta de prazer nas atividades diárias; 2- Desânimo como reação a um estimulo agradável que em geral causaria prazer.

b) Pelo menos três dos seguintes: 1- A falta de prazer e desanimo não estão relacionadas a um fato real que causaria tristeza natural (como no caso da morte de um próximo); 2- A depressão é agravada na parte da manhã; 3-. O despertar é adiantado pelo menos em duas horas em comparação ao usual; 4- Profunda agitação psicomotora ou languidez intensa; 5- Perda de peso significante ou anorexia; 6- Sentimento de culpa constante e inapropriado.

A euforia, ao contrário, é uma sensação de alegria intensa, agitada, exagerada, expansiva, contagiante.

Uma pessoa eufórica é muito ativa e entusiasmada, ficando sempre ansiosa quando nesse estado.

Podemos mudar instantaneamente de uma sensação, normal, de alegria para uma sensação, normal, de tristeza, e vice-versa. Não acontece o mesmo, porém, quando se trata de um estado típico de melancolia para um estado típico de euforia.Da melancolia à euforia há uma grande distância que implica em fatores e fundamentos complexos, muitos dos quais ainda não explicados cientificamente: a natureza da pessoa, sua formação educacional, seu estilo de vida, suas convicções, relacionamentos, etc.Podemos considerar que: tanto a melancolia como a euforia podem afetar o nosso equilíbrio emocional e prejudicar o nosso bem viver; a superação de uma e de outra depende muito da conscientização a respeito do problema, além de um tratamento adequado.

REFERÊNCIAS

Autora, Luzziane Soprani

FERREIRA, Luiz Gonzaga S.  – Melancolia e Euforia 

DEPRESSÃO, MELANCOLIA E MANIA SOB A ÓPTICA PSICANALÍTICA