Artigo publicado em 30 nov 2019 | Este artigo tem 0 Comentário

“O diagnóstico de Personalidade Borderline é complexo, porém, estabelecer o diagnóstico nesses indivíduos, ou seja, pontuar onde essa alteração começou é necessário. Portanto, uma abordagem com anamnese com riqueza de detalhes é o primeiro ponto do tratamento. Sabe-se que o indivíduo inicia apresentação dessas alterações bem cedo, no final da adolescência e no início da vida adulta. Transtorno de Personalidade Borderline é um tipo de funcionamento cognitivo em que o indivíduo tem uma visão distorcida de si próprio e do ambiente à sua volta, incluindo, inclusive, aspectos do funcionamento interpessoal. Não é um indivíduo insano, que perdeu o vínculo com a realidade”. No entanto, oscila entre a neurose e a psicose, mas não são “loucos”.

Associação Psiquiátrica Americana reconhece, atualmente, de 10 a 12 tipos de transtornos de personalidade, que as pessoas costumam chamar de psicopatas. “Esse é um termo vago, impressivo, e que na verdade diz respeito ao transtorno de personalidade anitissocial. Esse transtorno é apenas um entre uma dezena de outros transtornos de personalidade. Especificamente entre o transtorno de personalidade antissocial o indivíduo é aquele que está sempre propenso a fugir das regras, a tirar proveito de outras pessoas. O indivíduo que tem pouquíssimo grau de empatia em relação as outras pessoas, incluindo, sobretudo, o sofrimento das outras pessoas. É o que chamamos de psicopata clássico”.

Entre o conglomerado de transtornos existe, também, os transtornos dependentes, evitativos, histriônico, narcisista, personalidade obsessivo-compulsivo (que é diferente do transtorno obsessivo-compulsivo), transtorno de personalidade esquizoide, esquizotípico e o paranoide. “Existem vários tipos de alterações e que tem em comum são que acompanham desde a tenra infância se manifestando de maneira mais aberta no fim da adolescência e início da vida adulta e que a pessoa resiste em reconhecer que tem esse tipo de transtorno”.

Contudo, o Borderline e/ou transtorno de personalidade emocional instável/limítrofe está entre os mais importantes, pois acaba deixando o indivíduo inconstante. “Tem uma reatividade emocional inacreditavelmente aumentada, num comportamento marcantemente impulsivo. Várias celebridades, como a Angelina Jolie tem traços ou senão tem o transtorno de personalidade Borderline manifesto, bem como Marilyn Monroe, Amy Winehouse e outros. Esse transtorno é comumente confundido com o transtorno bipolar do humor. São doenças completamente diferentes”.

O tratamento dessas doenças é considerável difícil, mas existem outras maneiras de evitar o antidepressivo. “Existe atualmente uma forma de terapia cognitivo comportamental chamada de terapia comportamental dialética que é voltada para o tratamento de transtorno Borderline – dentre outros tipos de transtorno de personalidade”.

Artigo publicado em 31 out 2019 | Este artigo tem 0 Comentário

INTRODUÇÃO

Abordamos neste artigo, um assunto relevantemente vivenciado no cotidiano – onde apresentamos características de “personas tóxicas”. 

Alguns estudiosos e especialistas relatam que vivemos uma era com alto grau de toxicidade. Hoje, com o aglomerado de informações digitais, estamos acostumamos a ouvir esse termo com frequência, porém, muitas vezes não sabemos onde está o limite. Mas, se há uma evidência, é que vivemos em um momento marcado pela instabilidade e incerteza e tudo isso é permeado em muitas situações contextualizadas no nosso cotidiano.

Portanto, utilizamos o termo “personas tóxicas”, posto que nos favorecemos do termo “persona”, como forma de representarmos os nossos papéis. Os tóxicos, no entanto, são aqueles sujeitos que exalam situações negativas, podendo carregar de maus fluídos a vida de quem cruza de forma direta e/ou indireta o seu caminho. Geralmente, são extremamente arrogantes na sua forma de atuar. Por isso, os sujeitos tóxicos, são extremamente contagiosos, bem como altamente destrutivos.

Vale ressaltar que, há uma enorme diferença entre confiança e arrogância. Confiança inspira; arrogância intimida. O sujeito arrogante advoga e defende a sua própria teoria, posto que sempre sabe mais e se sente superior àquele a quem fala. Geralmente, assim são as personas tóxicas: não importa o que estão fazendo e com quem estão fazendo, pois dentro do seu contexto acreditam sempre que estão com a razão.

DA PERSONA

O Arquétipo Persona dá ao sujeito a possibilidade de criar um personagem que pode não ser de fato ele mesmo. Dentro de cada persona existe um conjunto de ideias que se originam da sociedade, no qual denominamos regras sociais. A Persona é muito importante para a sobrevivência humana. Através dela, nos tornamos capazes de conviver com o outro, inclusive nos ajuda a conviver com aquelas pessoas que nos são desagradáveis de maneira saudável e equilibrada. Este Arquétipo é ideal quando ele é flexível, ou seja, não é unilateral.

Ela tem o compromisso em expressar a individualidade do sujeito no contexto social rodeado por códigos sociais e as variáveis de outras pessoas.

Inicia-se através da imitação, de maneira inconsciente, dos mais próximos e aos poucos, se torna flexível e individualizado. Sua principal função é a interação de um individuo com o outro. Nossos papéis sociais constitui aspectos da persona.

Na realidade, todos nós, enquanto sujeitos nos beneficiamos das personas, pois no dia a dia, se faz necessário o uso das personas, para que possamos nos reportar aos papéis que desempenhamos. Citamos alguns exemplos clássicos de personas: a persona do profissional, a persona do pai e/ou mãe, do companheiro (a), dentre outras tantas que habitamos.

DAS CARACTERÍSTICAS DE PERSONAS TÓXICAS

A persona tóxica não necessariamente tem um só perfil pré-definido – diríamos que, existem peculiaridades em cada ser e suas subjetivas estruturas.
Vale ressaltar, que, ao falarmos das estruturas, precisamos compreender que estamos retratando o tema deste assunto: “persona TÓXICA”, ou seja, a estrutura que cada perfil habita. Com este embasamento, fica mais elucidativo o entendimento, posto que não podemos generalizar o sujeito por um único ponto de vista. Sabemos que estruturas mudam todo o entendimento e as consequências do julgamento perante a lei, muito embora, ninguém está isento de julgamentos e punições perante a lei. Cada caso deve ser analisado de forma singular.
Desse modo, retrataremos as estruturas para compreendermos cada caso. Por exemplo, em psicanálise, bem como em psiquiatria, conceituamos as três estruturas clínicas, que são: neurose, psicose e perversão e/ou psicopatia, as últimas duas têm o mesmo significado. Ou então vejamos: a imagem deste artigo retrata dois personagens de filme e série, com estruturas diferentes, porém, ambos são tóxicos.
O personagem do filme: “Coringa” – “Arthur Fleck”, se enquadra na estrutura psicótica, em contrapartida, a personagem “Zulema Zahir” da série “Vis a Vis”, é uma psicopata. São estruturas diferentes, mas dentro das suas subjetivas estruturas e formas de viver trazem suas toxicidades. Contudo, existe ainda uma terceira estrutura que são os neuróticos – esses considerados “normais” para a sociedade, haja vista o neurótico sente culpa pelos danos causados ao outro, bem como a sociedade. Ou seja, o neurótico entende as regras das leis e os julgamentos da sociedade – o que os outros dois perfis citados como exemplo, não respeitam e rompem com as leis da sociedade. Embora o objetivo do assunto seja específico – esclarecer os conceitos das estruturas é imprescindível para que possamos entender – quais são as personas que entendem perfeitamente o que estão causando ao outro e seu respectivo sentimento e entendimento do dano causado.
No caso do personagem “Coringa”, que se enquadra em um quadro de psicose – quando em surto psicótico, rompe a barreira da razão e realidade, não tendo consciência do mal que causa ao outro, no entanto, sofre muito! E de tanto sofrer e não se expressar, surta.
No caso da personagem “Zulema Zahir” que se enquadra dentro da psicopatia, a todo momento sabe exatamente o mal que faz ao outro, pois esses sujeitos, costumam ser 100% razão, e, geralmente, não sentem emoção alguma. Ou seja, não tem remorso pelo mal que causa ao outro. E tudo o que faz é muito bem planejado. Como são pura razão sabem exatamente o custo e benefício de suas ações.
No caso dos neuróticos, quando em crise, sofrem muito, pois quando perturbados sabem o mal que estão causando ao outro, ou seja, sentem culpa/remorso pelos danos causados. São sujeitos com consciência do que fazem. Assim, têm a razão e a emoção funcionando.

Portanto, entender a estrutura que cada sujeito habita faz toda a diferença na ação. Se soubermos interpretar a condição estrutural da persona tóxica, saberemos tomar a decisão mais acertada. Muito embora não seja tão simples.

DA TOXICIDADE FAMILIAR

Na realidade, sabemos, que não falta esse tipo de perfil na família. Sujeitos que, devido à sua personalidade estrutural ou situação particular, expressam comportamentos prejudiciais em relação aos membros da família, bem como filhos, país, parceiros e irmãos. Nesses casos, o impacto e o desgaste podem ser maiores porque há o componente emocional, um vínculo de proximidade envolvido.

Agora, o que precisamos entender é que todo comportamento tóxico não tem lógica. Entender isso nos ajudará muito. Isso porque deixaremos de dar tanta relevância a uma série de atos e palavras sem sentido, onde quase exclusivamente se pretende projetar desconforto, frustração e emoções negativas em alguém.

Mas, vale ressaltar, que não podemos deixar de observar se o sujeito não está atravessando conflitos psicológicos. Nesses casos, há que se buscar ajuda terapêutica e psiquiátrica, haja vista o contingente de transtornos e síndromes psiquiátricas que estão envoltos pelo véu da toxidade, inclusive, apresentado no capítulo acima. Muitas vezes, estamos muito mais próximos das patologias psiquiátricas do que possamos e/ou queremos enxergar.

CONCLUSÃO

É praticamente impossível não nos depararmos com esse perfil no cotidiano. No entanto, precisamos atuar no combate as mazelas desses sujeitos de maneira eficaz. Não podemos permitir que a toxicidade desses sujeitos afete à nossa saúde. É, perfeitamente compreensível, que pôr em prática, o que advogamos na teoria não é tarefa fácil, pois, muitas vezes esses sujeitos já vêm nos emaranhando de toda uma vida. E é, por isso, pelos obstáculos que conseguem nos colocar, que devemos aprender a olhá-los pela razão. Assim, passar a possuir habilidade psíquica para se desvencilhar desses perfis psicológicos patológicos. É evidente que demandará um tempo para nos libertar, já que as personas tóxicas são peritas em em nos intoxicar. Por isso, o foco é mudar os nossos comportamentos, ou seja, nos retirar da posição de salvadores de vítimas. É impossível ajudarmos alguém que não queira assumir a responsabilidade por si mesmo.

Autora, Luzziane Soprani

Artigo publicado em 30 set 2019 | Este artigo tem 0 Comentário

INTRODUÇÃO

O objetivo deste artigo é tratar da temática da co-dependência, ou seja, daquele que depende dos sentimentos do outro. A co-dependência é uma condição específica de âmbito psicológico, comportamental e emocional, que se caracteriza por uma dependência excessiva de um indivíduo em relação ao outro.
“De acordo com Oliveira (2004), a co-dependência consiste em depender da dependência do outro em relação a si mesmo”.

Muito se fala do dependente e isolam aqueles que estão próximos que recebem influências e sofrem constantemente por sustentar um relacionamento, que as fazem olvidar suas escolhas e prioridades. O co-dependente vive a partir da compreensão do próprio indivíduo que se relaciona – em relação aos seus sentimentos – como o mesmo os percebe e de que forma esses sentimentos determinam sua vida.

MECANISMOS ESTRUTURAIS

Neste estudo, busca-se os aspectos que emergem no processo de percepção do indivíduo sobre seu estado de co-dependência, bem como fazer-nos compreender algumas indagações sobre o indivíduo que sofre por ser enquadrado como co-dependente e a sua percepção a este respeito. De antemão, identifica-se a co-dependência como uma dificuldade no âmbito psíquico. Contudo, entende-se que a co-dependência esta relacionada, também, com as causas estruturais: neurológicas e psiquiátricas.

“O co-dependente não estabelece um vínculo com o outro, ele se aproveita. Portanto sofre e promove o sofrimento justamente por apresentar dificuldade em se relacionar com o outro”. (Zampieri, 2004b).

CO-DEPENDÊNCIA X COMORBIDADES X SOCIEDADE

A co-dependência não é um caso de fácil diagnóstico. Portanto, pretende-se através deste artigo amplificar o olhar dos profissionais, bem como da sociedade na tentativa de desenvolver órgãos especializados e capacitados, a promover atendimentos em regiões menos favorecidas, haja vista os indivíduos que se beneficiam de um bom tratamento, são àqueles que têm maior poder aquisitivo – ficando à sociedade menos favorecida economicamente, desprovida dos cuidados da saúde mental.

Muito se fala sobre a depressão, mas pouco se fala sobre a prevenção da mesma. A família é a base do indivíduo por natureza? Não necessariamente, haja vista muitas famílias se formam de maneira totalmente fragmentada emocionalmente. Dessa forma, a escola é o segundo lugar mais importante para o indivíduo se estabelecer. Porém, não é surpresa alguma, que a maior parte das escolas públicas são carentes até mesmo de material para aprendizado intelectual, assim, formamos uma sociedade totalmente adoecida. Família disfuncional. Escola negligente.
Vale ressaltar, no entanto, que, àquele que paga a sua própria terapia, está à mercê do outro, o menos favorecido, que ficou à mercê de uma sociedade sócio-político-econômica egocêntrica.

DEPRESSÃO

Embora no mês de setembro, celebra-se a campanha para a prevenção da depressão, inclusive, muitíssimo divulgada nas redes sociais, com postagens estratosféricas. No entanto, se não houver uma comoção de âmbito nacional, de forma a se estabelecer mecanismos de atuação concreta, os casos de co-dependência, seja ele sobre o tema do “Setembro Amarelo” e/ou outros temas relacionados as doenças psiquiátricas, onde o co-depende está imerso, porém, invisível, as campanhas ficarão somente no âmbito da teoria.

“Um ambiente perturbador ou em desordem é propício para a existência de um co-dependente, neste caso alguém é afetado por esta desordem e conseqüentemente passa a afetar os demais, e vice-versa. Assim como o ambiente sustenta o co-dependente, este próprio ambiente é o criador do co-dependente” (Ferreira, 2008). Trata-se de dependências paralelas. “Oliveira (2004) explica que o dependente desenvolve uma ligação incontrolável com o seu objeto de desejo e o co-dependente estabelece uma relação incontrolável de sujeição com o outro (dependente)”.

DA CO-DEPENDÊNCIA X COMPULSÕES X TRATAMENTOS

A co-dependência envolve inúmeras doenças, bem como vícios compulsivos: álcool, drogas, compras, sexo, furto, etc. Todavia, esse campo não será explorado, posto que o propósito neste artigo é atentar-se a temática concisa e específica da co-dependência. Deixaremos esse campo em aberto para uma discussão em um próximo artigo, com abordagem específica nesses tópicos.

DA TERAPIA

É muito importante uma equipe terapêutica como ativadora desse processo de competência social. Com todas as áreas de relacionamentos sendo atingidas, inclusive, fortemente a financeira – desencadeia-se muitos sentimentos negativos, bem como angústia, tristeza, medo, ou seja, sentimentos diversos de impotência. Portanto, uma equipe terapêutica, vem para auxiliar nas diversas situações que podem ser enfrentadas.
Sendo assim, fica claro a importância de tratamento para uma sociedade desamparada, uma vez que estão todos reféns uns dos outros.

CONCLUSÃO

Com esse círculo psicossomático, perigoso, exaustivo e interminável, chegamos a conclusão que: a co-dependência não se trata apenas do indivíduo, mas envolve a todos: à família, a escola, os mais próximos do convívio social do mesmo, que, conjuntamente, convivem com o medo, muitas vezes pelos próprios problemas atribuídos a sociedade, porém, co-dependente de sua própria omissão.

Autora, Luzziane Soprani

REFERÊNCIAS

Oliveira, A.P. (2004). Co-dependência é um distúrbio mais frequente do que se imagina. Folha de São Paulo. São Paulo, 12 de agosto de 2004.

Codependência – O Transtorno e a Intervenção em Rede. Editora: Agora, 2004, Zampieri, Maria Aparecida Junqueira

Ferreira, D.E. (2008). Alcoolismo e codependência: A interferência do alcoolismo na dissolução da relação conjugal. Trabalho de conclusão de curso (Monografia). Faculdade do Sul de Santa Catarina, Palhoça.

Artigo publicado em 31 ago 2019 | Este artigo tem 0 Comentário

INTRODUÇÃO

O Transtorno de Personalidade Borderline pode ser confundido com Depressão. Na realidade, a depressão é um dos sintomas que, mascaram inúmeras outras doenças, que, concomitantemente, a depressão está associada, mas, geralmente, só ouvimos falar na depressão, mascarando os demais sintomas e transtornos associados. No Transtorno de Personalidade Borderline, por exemplo, o sujeito tem emoções perturbadas, bem como comportamentos impulsivos e oscilação de humor.

Pesquisas afirmam que, o Transtorno Borderline é mais comum entre mulheres.
Ou então vejamos: a pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline sente tudo com maior intensidade. Se o Borderlaine discutir com um familiar e/ou um amigo, a situação não será resolvida com uma conversa. No entanto, para uma pessoa com depressão, a discussão pode desencadear apatia por um período curto de tempo, mas a situação será resolvida com uma conversa – esclarecendo o que não gostou – e, assim, se reconciliaram novamente. Já para uma pessoa Borderline, a situação pode parecer um terremoto. Motivada pela impulsividade que essas pessoas sentem, a reação pode se tornar exagerada, recorrendo até a automutilação.

Enquanto o sujeito com depressão fica mais fragilizado diante de algumas situações, o borderline costuma ser reativo. Eis um ponto expressivo entre ambos os transtornos.

“Reações exageradas – são frequentes em pessoas com esse transtorno – tornando isso um padrão comportamental, o que diferencia de comportamentos esporádicos.

O Borderline, conhecido também como: Transtorno de Personalidade Limítrofe (fronteiriço) se encontra no limite da fronteira entre a loucura e a sanidade. É um transtorno de personalidade em que a pessoa não consegue lidar de maneira adequada com seus sentimentos. No passado, o termo era conhecido como uma situação pré-esquizofrênica, sendo um limite entre a esquizofrenia (“loucura”) e a sanidade e/ou personalidade (“normal”). Com a evolução do diagnóstico, entendeu-se que eram transtornos diferentes, mas a nomenclatura continuou a mesma.

Segundo pesquisas, atualmente, existem cerca de 10 tipos de transtornos de personalidade diagnosticados. Esses transtornos possuem características comuns, como atitudes inflexíveis frequentes que causam prejuízos para a vida do Borderline.

“O Borderline pode trazer sintomas depressivos, o que pode levar a uma confusão no diagnóstico. Pessoas com transtornos de personalidade – em função do sofrimento que o transtorno causa – podem estar mais sujeitas a ter também a depressão. Entre as características do Transtorno Borderline estão a instabilidade — grande sensibilidade com oscilação entre a idealização, raiva, desprezo, impulsividade, esforços intensos para evitar o abandono, seja esse real ou temido – e, devido a esse medo, ter ideias paranoides, alucinações e momentos dissociativos”.

Outras particularidades do transtorno estão relacionadas à definição da autoimagem, comportamentos ligados à automutilação e ao suicídio e sentimento crônico de um vazio.

Embora possam ser confundidos, o transtorno de Personalidade Borderline é diferente do Transtorno Afetivo Bipolar. Para psiquiatras pesquisadores/estudiosos, a Bipolaridade é caracterizada por fases em que o paciente sente depressão, agitação ou impulsividade, enquanto o Borderline ocorre de maneira constante.

O Transtorno de Personalidade Borderline acomete de 1,5% a 3% da população, sendo mais comum entre mulheres e com a maioria dos diagnósticos realizados entre o final da adolescência e o início da vida adulta. Esse diagnóstico, geralmente, só pode ser confirmado, após os 18 anos, porque, entende-se que o sujeito esteja com sua personalidade formada. O diagnóstico, então, é realizado em clínica por meio do histórico do paciente. 

“Diferentemente de outros transtornos psiquiátricos, os transtornos de personalidade não possuem a característica de falta de substâncias neuronais e falha na recepção de serotonina (neurotransmissor que regula a sensação de bem-estar), como a depressão”.

As causas do transtorno são múltiplas, sendo mais frequentes em pessoas que sofreram traumas, como agressões, abandono e abusos (emocional ou sexual) ainda na infância.

“Segundo estudiosos, não há cura para o Transtorno de Personalidade Borderline, mas existe tratamento, sendo a psicoterapia obrigatória e medicamentos, como antidepressivos a estabilizadores de humor, recomendados de acordo com cada caso. O tratamento psicoterápico é fundamental para que o paciente possa ter controle emocional, além de ajudá-lo a amadurecer. “Ele consiguirá perceber e modular suas reações”.

O transtorno tende a melhorar com tais abordagens e com o passar da idade, podendo estabilizar em torno dos 40 anos. Porém, alguns sentimentos podem ser contínuos ao longo da vida, como a sensação de vazio, e podendo necessitar da continuidade do acompanhamento psicológico para a manutenção dos sintomas.

CONCLUSÃO 

Portanto, para ajudar pessoas com o Transtorno de Personalidade Borderline, é importante que amigos e familiares tenham conhecimento do comportamento e o nível de tolerância dos acontecimentos no cotidiano. Evidentemente, é importante demonstrar amorosidade, atenção e ter posicionamento firme, quando necessário.

REFERÊNCIAS

Autora, Luzziane Soprani

  • Fernandes, Fernando – Programa de transtornos do Humor – Instituto de Psiquiatria – HCFMUSP – Médico Pesquisador – Hospital das Clínicas de São Paulo
  • Bottura, Henrique Moura Leite – Compêndio de Clínica Psiquiátrica Colaborador nos capítulos – Impulsividade e Transtornos do Controle dos Impulsos e Transtornos de Personalidade.