Artigo publicado em 30 mar 2018 | Este artigo tem 0 Comentário

“Tal qual as questões físicas, as psíquicas não são necessariamente aquilo que parecem ser na realidade”( Sigmund freud)

Algumas pessoas carregam consigo o seguinte lema: “sou feliz fazendo o outro feliz”. Empenham seu tempo em ajudar, cuidar e resolver problemas do outro. Dedicar-se ao próximo é, sem dúvida, uma característica positiva, sobretudo nos dias de hoje onde grande parte das pessoas está cada vez mais preocupada com o próprio umbigo. Contudo, existe outro ponto a ser observado. Muitas vezes, o nobre ato da bondade pode esconder uma carência afetiva, vaidade e desejo de manipulação.
Não podemos desprezar as pessoas cujo o dom genuíno é o altruísmo. Estes, dedicam-se à alguma causa, abnegando suas necessidades e abstendo-se de qualquer benefício. Não há contra partida. A doação é o próprio retroalimento da reciprocidade. Não esperam e não querem absolutamente nada em troca . Mas sejamos honestos: pessoas com esse perfil são raras, verdadeiras ” pedras preciosas” e por conseguinte costumam ser canonizadas.
Já na dinâmica que rege a maioria das relações interpessoais, o “dar sem pensar em receber” é inconscientemente falso. A doação vem sempre acompanhada de uma expectativa de retribuição ; nem que seja a gratidão ou o reconhecimento. Porém, sem se dar conta disso, muitos tornam-se exímios doadores acreditando ser despretensiosos. É aquele que na família se oferece para organizar a festa, para dormir no hospital, para buscar e trazer alguém, para cuidar do que precisar.
Viram motoristas, babás, arrumadores. Doam-se excessivamente, muitas vezes em detrimento de si. São pro-ativos na solução do problema alheio – ajudam até quem não quer ser ajudado. Sentem-se responsáveis por levantar o astral dos demais. São, além de tudo, provedores do bem estar e da alegria.
Tamanha bondade e generosidade pode ser muito bem vista socialmente, contudo, psicologicamente a história é outra. Geralmente, os “bonzinhos” são vítimas de suas próprias fraquezas. São elas:
Carência afetiva: O tamanho da carência é proporcional à doação. Quanto mais carente, mais doador. A oferta é uma tentativa inconsciente de ser retribuído.
Baixa autoestima: Um “self” fraco tende a se completar no outro. Isso explica a necessidade de ser útil, prestativo, assim como a dificuldade em falar “não”.
Vaidade: Apesar de parecer contraditório, o “bonzinho” é vaidoso. Ser visto como “salvador da pátria” o faz sentir especial, uma competência que lhe confere status. Gabam-se de sua tolerância excessiva e de ser o provedor da felicidade alheia.
Vitimismo: De forma sutil, faz o claro papel da vítima, ora se mostrando cansado de ser o ponto de apoio: “faço tudo pelos outros, mas ninguém faz por mim”; ora se colocando como o único responsável pelo bem estar comum: “se eu não fizer, ninguém faz”.
Passionais: Quando algo não tem a resposta esperada ficam magoados e ressentidos. Passam a tratar o outro como indigno do seu amor. Muitas vezes, tem pensamentos vingativos e torcem para algo dar errado só para sentirem o doce gosto de serem solicitados.
A autoanálise é um processo árduo. A anomalia se desenvolve à espreita: despoja o afetado de lucidez deixando-o acreditar que todos estão errados, menos ele.

 

Por Viaviane Guimarães Psicanalista

Artigo publicado em 25 fev 2018 | Este artigo tem 0 Comentário

INTRODUÇÃO:

Este artigo tem por objetivo abordar de forma objetiva a singularidade da condição de desamparo e de dor psíquica, considerando os aportes da Psicanálise. A escuta analítica torna-se instrumento fundamental na intervenção de situações de desamparo e dor psíquica. Na transferência, instala-se um campo de ancoragem e de acolhimento, que possibilita que o excesso, nomeado como dor psíquica, seja simbolizado, retirando o sujeito do terreno do mortífero e do irrepresentável. Sabemos que as dores não simbolizadas no físico, geralmente, são ignoradas pelos profissionais da ciência médica. Muito embora, hoje, exista uma gama menor de profissionais de saúde, que ignoram a dor não simbolizada no físico. Discorremos neste artigo, as dores silenciadas, ou seja, não simbolizadas fisicamente.

DO AVANÇO AO CONHECIMENTO DAS DOENÇAS NA ERA DIGITAL:

Cada vez mais, a psicanálise vem participando no avanço de novos caminhos para à saúde. Atualmente, os temas epidêmicos de saúde são discutidos em espaços mais expansivos, advindo, inclusive, com a era digital, que possibilitou a todos os que queiram se informar sobre diversos temas, bem como, os temas relacionados à saúde psíquica. Assuntos como: síndrome de fibromialgia, síndrome do pânico, transtorno de ansiedade generalizada, depressão, entre outros temas relacionados às doenças psicossomáticas, deixam claro a influência que o psiquismo possui na criação e agravamento de sintomas. Pressões psicológicas cotidianas, por exemplo, a que estamos submetidos, assim como, o assédio moral confirmam a influência do meio social no psiquismo e sendo assim, na produção de novos sintomas.

DA DOR E SUA REPRESENTATIVIDADE:

No livro A DOR FISÍCA (J. D. Nasio) o autor distingue a dor em 3 tipos: Dor Corporal, Dor Psíquica e Dor Psicogênica. Em se tratando de dor psicogênica, ele definiu como uma dor (nesse caso sintoma) de origem psíquica que vem exprimir-se no corpo. Neste caso, as situações de vida que não conseguimos elaborar, como também os sentimentos são dirigidos ao nosso Inconsciente e se tornam uma força psíquica poderosa. Com embasamento neste ponto de vista, basta observar as lesões psíquicas e, também, físicas, do sujeito que procura ajuda médica e psicológica. Portanto, em se tratando de lesões, não necessariamente, essas aparecerão em formas de feridas físicas, posto que em grande parte essas lesões não estão visíveis aos exames clínicos ou laboratoriais.

Outro ponto de vista de importante relevância, é a tese do fisiatra americano John Sarno: “a dor psicogênica é uma estratégia da mente para desviar nossa atenção do conteúdo psíquico que deseja emergir”. Sarno na elaboração de sua teoria inspirou-se em evidencias da psicanálise freudiana e psicossomática.
Ambos os autores: têm como conceito de que a dor psicogênica é de origem psíquica. Nasio, é ainda mais incisivo e afirma que, toda dor é psíquica, uma vez que possui estreita relação na origem e/ou interferência dos sintomas físicos.

A IMPORTÂNCIA DA ESCUTA ANALÍTICA:

A importância da temática da dor psíquica para a Psicanálise é inquestionável. Tal afirmativa é feita por Freud (1905/1976, p. 302), ao expressar no artigo Tratamento Psíquico ou Mental: “é em geral verdadeiro que ao formarmos um julgamento das dores (que são normalmente consideradas fenômenos físicos) devemos ter em mente sua inequívoca dependência em relação a determinantes mentais”. Os leigos, segundo Freud (1905/1976, p. 302), gostam de rotular essa espécie de influências mentais como “imaginação” e inclinam-se a demonstrar “pouco respeito por dores devidas à imaginação em contraste por ferimentos, doença ou inflamação. Mas isto é claramente injusto. Como quer que as dores sejam causadas – mesmo pela imaginação – elas próprias não são menos reais nem menos violentas por isto”.

A realidade e a dramaticidade presentes nos produtos psíquicos exigem uma diferenciação: não se trata apenas de ouvir o que o paciente tem a dizer, mas, sim, efetivamente escutá-lo. A complexidade do Inconsciente exige e impõe o requisito de uma singularidade de escuta. Busca-se, a partir do desamparo, então, demarcar o fundamental papel da escuta psicanalítica como possibilidade de atribuição de significado à dor psíquica e, consequentemente, como possibilidade de retirar o sujeito da trama de suas repetições.

CONCLUSÃO:

A epidemia de dor que assola o mundo é algo que merece uma cuidadosa consideração, pelo campo da saúde. O sujeito moderno calado em suas “convicções” responde cada vez mais ao social, com seu corpo. Essas tantas novas “dores” apontam um fim ao pensamento dual: mente e corpo.
Vale ressaltar que, a escuta sobre tal queixa está muito além, do visível aos exames clínicos ou laboratoriais.
O desafio clínico de nossos dias é transformar o sofrimento psíquico que caracteriza o mundo contemporâneo em um real sentido, isto é, a dor psíquica é real no físico, mesmo não sendo palpável e/ou vista. Reitera-se, que, o grande desafio clínico, hoje em dia, é dar sentido à dor não simbolizada. Enquanto se acredita que um sentido existe, a dor, por maior que seja, é apoiada pela esperança e isso nos livra do desespero. O que se espera do profissional de saúde, hoje, é que mais do que interpretar o sentido oculto dos sintomas, ele se empenhe em escutar a dor inominável de seus pacientes, a fim de que esses se tornem capazes de criar novos sentidos e novos caminhos para suas vidas.

REFERÊNCIAS:
NASIO, J-D. O livro sobre a dor e amor. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1996.
FREUD, S. (1905). Tratamento psíquico (ou mental). In: _____. Obras completas. v. VII. Rio de Janeiro: Imago, 1976.
FREUD, S. (1920). Além do Princípio do Prazer. In: _____. Obras completas. v. XVIII.
Rio de Janeiro: Imago, 1976.
FREUD, S. (1926). Inibição, sintoma e angústia. In: _____. Obras completas. v. 20. Rio de Janeiro: Imago, 1976.
Paula M. (2012) Novos Ares na Psicologia. Psicóloga, especialista em Psicanálise 1 Carolina N-B-F. DOCKHORN, 2 Mônica M-K. MACEDO, 3 Blanca S-G. WERLANG. Desamparo e Dor Psíquica na Escuta da Psicanálise.
Zeferino R. A Dor Física e Psíquica na Metodologia Freudiana. Rev. Mal-Estar Subj. vol.11 no.2 Fortaleza 2011

 

Artigo publicado em 06 jan 2018 | Este artigo tem 2 Comentários

 

São muitas as possibilidades da causa de uma doença, mas independentemente da sua causa, existe sempre uma contradição. Essa contradição, invariavelmente, começa no nível da alma e precisa ser explorada, conhecida e compreendida. Só a partir dessa compreensão é possível fazer um prognóstico real e iniciar um tratamento de cura.

Essa contradição é como uma ferida na alma que se manifesta no corpo físico, mostrando que existem duas forças atuando em sentidos opostos dentro da pessoa. O resultado desse cabo de forças é uma fenda na substância da alma, que se manifesta no corpo físico de acordo com a genética, com uma série de leis físicas, psicológicas e espirituais, mas que podemos resumidamente chamar de karma.

O karma determina até mesmo o local em que a pessoa escolheu morar. Ela acredita, às vezes, que escolheu aquele lugar, mas se não está acordada, ela é escolhida e levada por impulsos inconscientes que ela chama de escolha, e até mesmo esse ambiente influenciará em seu estado físico. Da mesma forma, o alimento que ingerir terá influência, a atividade física que faz ou não faz, as relações que mantém e, obviamente, a herança genética que traz. Mas todas essas portas de acesso, ou portas que se abrem para a manifestação da doença, determinados pelo karma, começam nesse distúrbio, nessa contradição no nível da alma.

Existem doenças e doenças. Dependendo do lugar em que ela se manifesta, e como se manifesta, o próprio local do corpo afetado trará mensagens específicas. É verdade que o corpo fala. Cada parte dele diz muito do mundo psicoemocional e espiritual de cada um de nós. Ele é uma porta e tanto para entender esse conflito que gerou a doença. A gente percebe que determinadas patologias estão relacionadas à tristeza, outras ao medo, algumas à raiva guardada, outras tantas à amargura e assim por diante.

As desordens e desequilíbrios começam sempre no nível da alma, e depois vão descendo até chegarem no nível mental. Desequilíbrios no nível da alma são um esquecimento do que a pessoa veio fazer aqui nesse mundo. Quando chegam no mental geram confusões, condicionamentos, conceitos rígidos e cristalizados. Depois vão para o emocional, causando uma série de diferentes sintomas – ansiedade, angústia, tristeza e pânico. Então, seguem para o energético, desequilibrando o centro de energia, e por fim, chegam ao plano físico, na forma de doenças – primeiramente nos sistemas nervoso e endócrino, e depois se espalham por todo o organismo até chegar nos ossos, que seria a forma mais densa dela se manifestar.

Como disse, nosso corpo diz muito sobre nós e podemos usar os sintomas para compreender a natureza desse conflito. Ao notar-se doente, experimente perguntar-se: o que é que está acontecendo comigo? Qual é a natureza dessa contradição em mim? Onde eu deveria estar agora? Onde estou escolhendo estar através do uso do meu livre arbítrio? Nesse estágio de evolução da consciência humana, recebemos esse poder do livre arbítrio, mas é bem raro aquele que sabe usá-lo, até porque, se existem esses impulsos inconscientes agindo, o livre arbítrio acaba sendo muito relativo.

Por isso, eu convido aqueles que, de alguma maneira se sentem adoecidos, a tomarem consciência das suas contradições, tomarem consciência dos conflitos profundos que carregam, porque em essência, são eles as verdadeiras causas das doenças.

Se o Eu maior em você quer tomar uma direção e o eu menor, obstinado em seguir os condicionamentos, vai em outra direção, um cabo de força se estabelece aí dentro. No nível físico é fácil entender isso: se alguém puxa seu braço esquerdo para um lado e outro alguém puxa seu braço direto na direção oposta, ao mesmo tempo, é fácil compreender que você vai ser rompido ao meio. No nível emocional, mental e da alma acontece o mesmo. O espírito é o único que não se divide, mas em todos os outros níveis pode haver a divisão e, obviamente, a cura significa eliminar essa divisão.

A cura significa você colocar os dois pés numa canoa só. Significa você colocar as duas mãos na mesma direção. É muito valioso tomar consciência dessas contradições. É, no mínimo, o primeiro passo para superá-la, o primeiro passo para a cura.

Portanto, eu lhe convido a experimentar colocar em prática um exercício bem simples: algumas vezes no seu dia, se desligue do mundo lá fora, feche os seus olhos e coloque o foco no fluxo da sua respiração. Permita-se descansar no seu silêncio. Aos poucos você vai se desassociando da mente e rompendo com o pensador compulsivo que te habita, podendo ampliar o poder da sua auto-observação, que é, sem dúvida, o principal requisito para a expansão da consciência.

Entendo o cultivo do silêncio como a base para quem quer se conhecer, e nesse caso, se curar, porque permite que você se observe. Em silêncio você pode notar o tumulto que te habita e as raízes em que essa desordem é gerada, abrindo espaço assim, para se aprofundar no processo de cura e transformação. Diante de uma doença, você pode, muitas vezes, precisar de um tratamento médico, algo que vem de fora para dentro. Mas lhe garanto que se você trabalhar também de dentro para fora, em busca das respostas que o seu ser carrega, os resultados serão ainda mais efetivos.

O processo de autoinvestigação está a serviço de desbloquear o fluxo da vida – que em outras palavras, pode ser entendido como o fluxo da saúde, porque saúde é uma dimensão da vida – criando possibilidades para o corpo se reestabelecer. O cultivo do silêncio é capaz de abrir uma clareira que permite ventilar esse campo da alma que está em desordem. Esse assunto é profundo. Torço para que possamos iluminar o sim para a vida.

 

Fonte:

sriprembaba

Artigo publicado em 30 dez 2017 | Este artigo tem 0 Comentário

O presente artigo tem por objetivo discutir sobre o “Judiciário na berlinda”. Falaremos aqui sobre o descaso do judiciário com a Nação Brasileira.

No meio jurídico é comum ouvir, com alguma razão, que estudante de Direito é sinônimo de impetuosidade e de imprudência. Não foi diferente comigo, pois até pouco tempo depois de formado, escrevi artigos com críticas ao Judiciário que foram considerados por alguns como “fortes demais”; outros falaram em irresponsabilidade. O Judiciário sempre foi hermético e um tema tabu e os advogados tinham – e tem, receio de se manifestar publicamente temendo retaliações por parte dos magistrados que eventualmente ficassem insatisfeitos com as críticas.

Recentemente, os comentários que se ouve nos corredores dos fóruns e nas rodas sociais, tomaram corpo, pois ninguém menos do que a corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon, disse, em entrevista, que estão infiltrados na magistratura “bandidos de toga”. Ninguém numa posição da ministra Calmon iria levantar uma questão grave dessa se não tivesse as provas, daí o espanto e a repercussão da sua entrevista.

A crítica é importante, desde que venha desacompanhada de qualquer outro interesse que não seja o de contribuir para o aperfeiçoamento da máquina pública, mas o fato é que nunca se ouviu tantas reclamações por parte dos advogados, inclusive, até a Ordem dos Advogados do Brasil acordou para a gravidade do sistema judicial que, além de lento, agora provocou insegurança por conta de não se ter ainda os nomes dos supostos “bandidos de toga” mencionados pela ministra Calmon – não se pode deixar respingar as críticas da corregedora em toda nobilíssima categoria dos magistrados, pois ela falou de uma minoria. O caos no Judiciário teve vários fatores que contribuíram, mas há evidências de que a corrupção de alguns poucos desacreditou todo o sistema.

Depois da polêmica entrevista da ministra Calmon, meus artigos passados podem ser considerados hoje ingênuos.

 

REFERENCIA:

Luís Olímpio Ferraz Melo – advogado e psicanalista.

 

(Artigo em construção)

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