“Vivemos com o que recebemos, mas marcamos a vida com o que damos.” Winston Churchill

Abordaremos no presente artigo os sujeitos: manipulador, manipulável e o sujeito suposto manipulável. Para o entendimento dessas três regras elucidaremos a seguir com a elaboração desse artigo.

As pessoas que fazem pouco de nós, acreditam ser superiores a nós, por serem manipuladoras! E tentam nos subestimar o tempo todo, para ter o controle sobre a nossa mente, os nossos sentimentos e as nossas emoções. Portanto, cada um deve receber de nós aquilo que nos oferta. Eis, o meu amor próprio.

A necessidade de poder é intrínseca no ser humano, e para o sujeito com traços de personalidade maquiavélica, a manipulação é mais acentuada na personalidade – para esses sujeitos é comum ver o outro, como um fantoche para efetivar os seus desejos. Sujeitos manipuladores buscam os manipuláveis.

Para o manipulador, é absolutamente prazeroso a manipulação. O manipulador é um sujeito extremamente abusado e sem limites. Leva o manipulável acreditar que, ele é fraco, mesmo que de forma velada. Os erros e/ou insucessos na vida pessoal, nos negócios, nas tomadas de decisões são meramente do manipulável e/ou do sujeito suposto manipulável. Ou seja, tudo que não deu certo no relacionamento de ambos foi meramente por incapacidade do manipulável e/ou sujeito suposto manipulável. É absolutamente natural, o manipulador agir com tirania e de certa forma justificável em sua condição, mas não inocente ou inconsciente. O manipulador sabe exatamente o que está fazendo, quando manipula e maltrata o outro – e muitas vezes – o faz para suprir o seu próprio fracasso.

Existem três regras básicas de manipulação, mas todas elas cabem nessa divisão de categorias: as implícitas, as explícitas e as veladas.

Quando citamos o manipulador, estamos tratando, também, de um sujeito tirano, no entanto, um dos artifícios da manipulação velada é justamente através da bondade e solicitude. O manipulador é o sujeito que demonstra ser muito solicito, quando o interessa.
Assim, ele se esforça por atender as necessidades do outro -, e se mostra sempre disponível e solícito para dar explicações, às vezes extremamente fantasiosas, esperando o mesmo do outro, ou seja, o entendimento do sujeito suposto manipulável, mas que suas expectativas não sejam verbalizadas; deixando apenas uma representação subjetiva.

Outra regra do manipulador é quando lida com dinheiro e negócios, aqui não tem nada de velado. Dependendo do quanto nos sentimos suscetíveis a ceder a ele, é um forte mecanismo de manipulação explícita e imediata.

O sentimento transformado em arranque de conquista, é um dos mecanismos mais comuns de manipulação. Todavia, para que isso se estabeleça com sucesso pelo manipulador é imprescindível ocupar os dois papéis: o da vítima e o do vilão. Evidentemente, o manipulador deixa o papel de vilão para ocupar o papel de vítima. Tudo conforme o enredo da chantagem. Desse modo, o sujeito suposto manipulável, se não ceder ao desejo do manipulador, ocupará indubitavelmente o papel do vilão. Percebe-se como o manipulador inverte os papéis sempre condenando o manipulável e o sujeito suposto manipulável.

Por que o dizer: sujeito suposto manipulável? Porque existe o sujeito em que o manipulador consegue manipular por toda uma vida, o manipulável e o sujeito suposto manipulável, que o manipulador não convence, mas o manipulador não se dá por vencido, desse modo o manipulador está sempre agindo para convencer o sujeito suposto manipulável.

ABORDAREMOS OS SEXOS PARA ELUCIDAR O COMPORTAMENTO DE AMBOS:

Podemos citar as mulheres como as campeãs das manipulações veladas, enquanto que os homens, quando possuem o perfil manipulador, geralmente, seguem o modelo menos elaborado e mais comum: a manipulação explícita e tirana.

O EGO DO MANIPULADOR:

O ego que não alcançou a maturidade pode chegar a muitos exageros. Um ego não trabalhado é um ego que está muito afetado pelo ID, ou seja, pelo princípio do prazer. O exercício da maturidade é um trabalho que demanda muita vontade de evoluir na dimensão psíquica e espiritual. Todos nós somos suscetíveis das vaidades. Sempre que é possível ser admirado e respeitado pelo outro, nos sentimos poderosos.
A necessidade de poder faz parte da condição humana, mas para algumas pessoas é bastante comum enxergar o outro, como fantoche para consumar os seus desejos.

Não podemos deixar de citar as muitas manifestações de carisma e afeto, pois também são instintos manipuladores. Aprendemos desde cedo que devemos ser simpáticos com o outro, pois nos traz facilidades.

Os clássicos exemplos de manipulação incondicional estão na ordem familiar. Existe uma teoria de que o amor de mãe é absoluto e incondicional. Essa teoria é uma história contada e repetida. Tudo que se torna repetitivo, logo, se torna uma verdade absoluta, pelo menos nesse – amor incondicional – de mãe para filho, mas não é bem assim. Vejamos: nos casos clássicos estudados e analisados por nós psicanalistas, vemos o quanto essa teoria cai por terra. Afinal, amor incondicional é aquele que tudo pode sem cobranças – e nesse caso, vemos que não é bem assim. A mãe ama o seu filho. A mãe amará muito mais se ela conduzir o comportamento do seu filho conforme o seu desejo. A mãe ama o seu filho se ele satisfazer os seus desejos, ou melhor, o que ela planejou e sonhou para vida do seu filho. Portanto, amor incondicional verdadeiramente só mártires têm para nos oferecer, pois nada querem de volta para se sentirem realizados. Onde há cobranças não existe amor incondicional.

O mundo dos negócios é o lugar perfeito para os manipuladores e os manipuláveis. É a lei da selva. Sobrevive os mais fortes. E quando cito “forte” não quero dizer que os manipuladores são exemplos de sucesso. Podem alcançar o sucesso material inúmeras vezes, mas não são exemplos de sucesso, porque reinam para destruir a vida alheia em seu benefício. O mundo contemporâneo acredita que sucesso vem das – mentes espertas – e isto implica dizer, que não interessa como chegou ao topo do sucesso profissional. Vivemos uma contemporaneidade da perversão. O manipulador é perverso.

Todavia, é importante ressaltar que, o manipulador aposta sempre na obediência do outro, deseja conquistar seus objetivos sem ser contestado, mas, se ele encontra resistência, ou, se porventura, o outro se mantém firme nas suas convicções, o roteiro de manipulação não se concretiza e, aos poucos, o manipulador sem êxito vai minando. Mas, se o manipulador encontra facilidades, em conduzir o outro e as circunstâncias, ele se sentirá capaz em repetir o mesmo padrão de comportamento sempre.

FONTE PRÓPRIA