Artigo publicado em 21 maio 2012 | Este artigo tem 4 Comentários

 

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“Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura.” Friedrich Nietzsche

Os avanços tecnológicos provocam grandes impactos na sociedade. Pelo lado positivo, a tecnologia resulta em inovações que proporcionam melhor qualidade de vida ao homem.

É incontestável que esse turbilhão tecnológico têm aproximado as pessoas  –  derrubando fronteiras e proliferando o amor no mundo virtualizado. Mas, a distância entre os parceiros, pode implicar em armadilhas. Porém, isso não é  uma verdade absoluta. Não temos pesquisas e/ou estatísticas que comprove essa realidade.

Com a globalização as pessoas se comunicam e se conhecem com muita facilidade. No mundo digital, elas têm a possibilidade de iniciarem relacionamentos com pessoas do mundo inteiro, seja fazendo novas amizades, iniciando um namoro e algumas chegam até ao casamento.

Quando duas pessoas querem tudo é possível. Mas é importante analisar os indivíduos pelo que eles são, e não somente pelo que eles dizem: ter e ser. Conhecer uma pessoa demanda tempo, ainda mais, quando se trata de pessoas de culturas e costumes diferentes. No entanto, a globalização trouxe verdadeiras teias de romances que cruzam o globo na velocidade de uma libido virtualizada. E é tão instigante conhecer o diferente que, o entusiasmo pode levar as pessoas a ousar muito mais…

Aonde vão as pessoas, o desejo vai à frente, puxando-as. Para o amor não existe fronteiras. E o mundo ficou minúsculo para o trânsito internacional de pessoas. Mais do que em qualquer outra época, hoje se viaja muito pelos vários continentes. Em poucas horas se atinge distantes lugares em voos cada vez mais acessíveis. Em tempo real, os parceiros podem se falar e se ver – via câmeras/web – matando a saudade e continuando vínculos iniciados em algum lugar do mundo. Sem contar que muitas dessas pessoas se conhecem sem ter saído de casa – em redes sociais e sites de relacionamentos. O que facilita essas teias de romances virtualizados

A diferença de idiomas parece obstáculo de menor importância, pois, não raro, há sempre uma língua que ambos falam, senão podem aprender. Aliás, existe uma atração inexplicável, uma linguagem não verbal, sinais, gestos, expressões, que traduzem afetos e sintonias da alma. Sem falar nas opções oferecidas pela internet como os – tradutores de idiomas -, às vezes ajudam um pouco a comunicação. E o contrário do que se pensa: pessoas que falam a mesma língua podem não se entender. Não apenas porque discordam de muitas coisas, mas pelo fato de que as palavras, às vezes têm significados diferentes para cada um. Por exemplo: o que uma pessoa entende por “amor”, “consideração”, “respeito” pode ser diferente do que o outro entende pelas mesmas palavras ditas no mesmo idioma. E isso é fonte de muitos conflitos, que um casal mais afinado, mesmo falando idiomas diferentes, pode não ser acometido. Portanto, é necessário muita sensibilidade e sagacidade com o conto de fadas da era globalizada.

Da mesma forma como é fácil encontrar uma boa pessoa que lhes proporcionem conforto, segurança e uma boa estabilidade, também corre-se o risco de cair em certas armadilhas…

Mas muitas vezes acontece o amor real. Por exemplo: uma viagem, morar um tempo no exterior para estudar e/ou trabalhar e o mais comum e acessível, os encontros no mundo virtualizado. Contudo, as pessoas devem estar conscientes do que enfrentarão pela frente numa relação com alguém de fora. O relacionamento não será impossível, mas certamente, terão que lidar sobre dois universos diferentes. A velocidade e a facilidade com que nos movimentamos e/ou nos comunicamos atualmente, pode nos cegar para a realidade da distância geográfica, das disparidades culturais e entendimentos familiares. Mas nada que um amor ousado não possa ser enfrentado com autenticidade e bom humor.

De forma positiva, poderíamos dizer que a união entre estrangeiros apenas realça diferenças sempre existentes entre duas pessoas, que, por mais que tenham nascido na mesma cidade e morem no mesmo bairro, as pessoas acabam descobrindo que nada têm a ver uma com o outra. A aparente afinidade não passava de um encantamento ou desejo que ambas fossem de verdade afinadas, até pela comodidade. Na realidade, somos sempre estrangeiros uns dos outros, existe sempre um mistério, além das aparências e conveniências, que une duas pessoas e as faz permanecerem juntas. Se pensarmos na problemática da relação entre parceiros de países diferentes, há também, vantagens no estímulo recíproco e no aprendizado mútuo dos diferentes hábitos, tradições e costumes, sem esquecer, é claro, dos sentimentos temperados pelas diferenças culturais.

Dessa maneira, o relacionamento a distância surgiu para facilitar à vida das pessoas, mas jamais uma forma de comunicação substituirá a outra, porque, ambas possuem limitações e relevâncias para os relacionamentos interpessoais.

 

Artigo publicado em 19 maio 2012 | Este artigo tem 6 Comentários

Lacan nos diz que o trauma é o encontro com o Real, o Real da morte, ambas as figuras do impossível. Do impossível de se representar, de fazer existir no simbólico, no mundo das representações, na realidade psíquica, ou seja, o encontro com o Real da castração.

Os estudos sobre o Transtorno de Estresse Pós-Trumáutico, ainda estão em fase inicial, pouco se sabe sobre o transtorno e a predisposição de cada indivíduo. Portanto, algumas pesquisas já indicam que, dentre as pessoas que sofreram um trauma severo, 10% a 50% podem desenvolver o TEPT, sendo as mulheres mais vulneráveis que os homens, bem como as crianças e os idosos.

Na Síndrome do Estresse Pós-Traumático o que acontece é uma experiência realmente dramática. A causa não é necessariamente decorrente do dano físico, mas proveniente da emoção e do susto sofrido. É como se ferisse a memória, um dano infringido.

As causas que levam ao trauma são diversas: sequestro, assalto, estupro, ameaças, atos de terror, perda de ente querido, etc.
– O momento fatídico fica impregnado de forma muito viva na memória, de modo a ser revivido constantemente com a mesma intensidade e igual sofrimento dos momentos vivenciados pela pessoa na ocorrência do evento. É uma forma de condicionamento tão intenso que o sofrimento volta mesmo sem que tenha vivido a mesma situação de fato. É como se fosse uma fobia que independa de novos fatos para se reabastecer, já que isso acontece por si só. O ideal depois do evento traumático é o de acompanhar a pessoa logo após a vivência traumática, deixando-a falar, exteriorizar sobre o acontecimento, descarregando ao máximo sua dor.
Diante a situação é necessário observar como a pessoa vai reagindo, sendo essencial que o indivíduo procure ajuda logo após o trauma. O tratamento, este deve ser feito com medicação antidepressiva ajudando a “aliviar” a memória, para o trauma não se tornar um ritual, um fantasma do sujeito, fixando sua posição de vida nos momentos sofridos.
Quando a pessoa vai para terapia muito tempo depois e o processo de rememorações já se estabeleceu, a conduta é a de uma terapia interpretativa mais longa com a finalidade de fortalecer a razão delas, além de medicação para aliviar o sintoma de modo a serem capazes de lidar melhor com as lembranças.

Segundo a Dra Ana Beatriz Barbosa Silva – Médica Psiquiatra e autora de vários livros:
É importante que o médico e o terapeuta nunca percam de vista que o indivíduo adoecido não é simplesmente uma máquina a ser consertada, e que não existe um modelo fixo do que significa uma vida saudável. Cada um de nós é um somatório de corpo físico, mente, emoções, essência original e experiências singulares.

É necessário o apoio familiar e de amigos para que o indivíduo não se sinta desamparado e à mercê dos seus transtornos e angústias. É fundamental o encorajamento, mostrando que os desafios com os quais nos deparamos pelas estradas da vida podem trazer mudanças significativas para um novo recomeço. O passado é lição para refletir, não para repetir.

Artigo publicado em 17 maio 2012 | Este artigo tem 5 Comentários

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É quase impossível conciliar as exigências do instinto sexual com as da civilização. Sigmund Freud.

Na troca de favores sexuais, que caracteriza a prostituição, elementos sentimentais, como o afeto deve estar ausente em pelo menos um dos protagonistas. Nesta profissão, que é referência como “a mais antiga do mundo”, tem como objetivo trocar sexo por dinheiro. Mas, pode-se cambiar relações sexuais por favores profissionais, informações, bens materiais e muitas outras coisas. Ainda que muitos homens se prostituam, historicamente a prostituição feminina é mais frequente que a masculina.

Sempre existirão profissionais do sexo. Mas, na atualidade, ambos os sexos têm à disposição profissionais do sexo para sem embaraços e complexidade, “preencher a necessidade de alguma coisa básica: falta, carência emocional e desejos insatisfeitos”. No entanto, o que leva a busca de prazer imediato ou consolo? Isso nos faz pensar um sintoma da contemporaneidade, uma vez que, o sexo não é visto com tanto pudor. Na busca pelo prazer imediato existe uma dissociação entre amor profano e sagrado.

Ocorre que o sexo pode adentrar os “desejos e estranhezas” que o sujeito não se tem coragem de satisfazer com o parceiro que se tem: apreço, afeto e consideração. Entra no campo a subjetividade cheia de pudores.  Dessa forma, profissionais servem para isso, haja vista é proibido proibir, afinal, não existe desrespeito em um encontro de programa, o objeto é comprado. Às vezes, é um simples desejo de variar, sem se envolver. Evidencia um bom divertimento, sem danos futuros. Percebe-se uma estranheza, mas é uma realidade, pois ainda há homens que, quando amam, não desejam e quando desejam, não amam. No extremo, escolhem profissionais do sexo, pois assim sentem-se livres para satisfazer suas fantasias – e dessa forma – usam essa condição até como um meio para ter mais potência. Existem àqueles que não conciliam amor e excitação.

Muito embora, as mulheres de alguma maneira não se isentam de padecer questões semelhantes. Sobre elas costuma recair maior repressão e advertências para terem cuidado com sexo. O resultado é que uma vez “liberadas” para o sexo, algumas custam se dar conta de que são livres sexualmente. Na contemporaneidade, a mulher tem os mesmos diretos e deveres que o homem – depois que conquistaram o mercado de trabalho -, mas a realidade não é bem assim. O sexo feminino continua a sofrer preconceitos. No limite, há mulheres que não se satisfazem em relações convencionais, até que uma situação de desafio e/ou proibição seja revigorada: um amante, um garoto de programa, alguém que precisam ocultar da sociedade. Semelhante ao caso dos homens, algumas mulheres atualmente se servem de programas para sentirem-se vigorosas e desejadas pelo sexo oposto, pois nesse caso, às mulheres não necessariamente podem estar disponíveis de outra maneira; isso acontece no raciocínio feminino, às vezes por vingança e ressentimento, o que causa a necessidade de êxito onipotente sobre o homem.

Isso é drástico e vazio, pois há uma desvalorização do amor ao sexo – especialmente ao sexo pago -, para além das carências que urgem – reproduz a experiência infantil da criança que é alimentada sem sentir afeto dos pais. É nesse ponto que vem a dissociação entre a satisfação física e a subjetiva. Que pode surgir de uma busca cada vez maior por bens materiais, compulsões sexuais e drogas. Por fim, se a vida não ensinar que o que preenche é a afeição, admiração, respeito, afeto, compreensão, etc. Torna-se impossível a satisfação sexual, pois o sexo só é prazeroso quando ambos são compreensíveis e respeitam um ao outro. Está mais do que comprovado que sexo faz bem à saúde e melhora significativamente o humor. Não é uma crítica a quem exerce essa função, ou quem faz uso dela, mas tem inerente limitação que o programa por si só não é capaz de suprir.

CONCLUSÃO:

Seja como for, refletir sobre a prostituição é aprofundar o debate sobre as relações entre homens e mulheres, o que não pode ser feito sem levar em conta as questões ligadas à posição subjetiva da mulher na sociedade e a hegemonia do discurso masculino dominante.

Independente das razões que o homem procura por este tipo de serviço, quando em uma relação, é preciso tentar entender as questões e razões para que isto aconteça. No relacionamento é importante buscar uma maior intimidade tanto enquanto casal como também uma intimidade sexual, onde os parceiros sintam-se a vontade para expor seus desejos e fetiches, sem julgamentos, de forma que juntos consigam se entender, fortalecendo o vinculo do casal. A relação sexual do casal é vital, sendo um dos aspectos a serem considerados para existir um relacionamento saudável.

 

REFERÊNCIAS:

Prostituição: artes e manhas do ofício. R. Araújo. Cânone Editorial, 2006.

Mente & Cérebro – Sexo, v. 4 (edição especial), dez. 2008

 

 

Artigo publicado em 16 maio 2012 | Este artigo tem 1 Comentário
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Ponham algo de si na psicanálise, não se identifiquem comigo […]. Tenham seu estilo próprio, pois eu tenho o meu […] Jacques Lacan

INTRODUÇÃO

O presente artigo tem por objetivo tratar o relacionamento entre analista versus analisando. Neste artigo abordaremos uma linha de pensamento da psicanálise, haja vista em psicanálise temos outras correntes e linhas de pensamentos.

Na análise, há uma pergunta que não soa estranheza para o analista, quando se é questionado: Analista só ouve ou também fala? Analista fala. Fala no momento que faz diferença falar.

Nesse aspecto, existem outras perguntas pertinentes, por exemplo: Qual a sua linha de atendimento e/ou como funciona a análise?

É prudente esclarecer como funciona o processo de análise ao analisando. De forma simples e didática para que o analisando possa compreender. Muito embora, cada profissional trabalha de forma subjetiva, ou seja, introduzindo à sua própria maneira de conduzir o processo analítico, bem como a sua linha de pensamento.

Partindo deste princípio, o analista é determinado pelos traços de personalidade, isto é, o perfil do próprio profissional. Nós, psicanalistas sabemos que a personalidade do analista não deve comparecer nas sessões de análise. Mas, não podemos negar que, a forma de conduzir o processo terapêutico se dá a partir do analista. 

É evidente que o analista, não conseguiria deixar o analisando completamente satisfeito, pois à análise acontece numa boa dose de insatisfação. Quase tudo na análise demanda tempo -, pois a elaboração só acontece no momento do insight. Mas o que é um insight? Uma vez que esta é uma palavra muito utilizada quando falamos em autoconhecimento? O insight significa descobrir e/ou perceber algo que antes o analisando não percebia sobre si mesmo. Citaremos aqui um exemplo: “Em determinado momento o sujeito percebe que está sendo manipulado por alguém, mas descobre que está permitindo que isso aconteça, assim sendo, está tentando compensar algo que antes nem se dava conta. Quando você percebe a situação, é como um despertar interior. Antes havia uma cegueira, e agora as “coisas” ficaram claras”.

Contudo, é de grande relevância o analisando saber que o analista não pode e nem deve ser um conselheiro. 

“O ato ultrapassa o analista. O que é preciso compreender é que o psicanalista age o tempo todo. Ele está sempre no ato, mas não o sabe. Não há, pois, salvação possível na abstenção.” 

Por mais incômodo que sejam os sintomas do analisando, é necessário coragem para enfrentar os próprios fantasmas, para então, se obter às mudanças possíveis e necessárias.

CONCLUSÃO

Da mesma forma que para Vinícius a mulher tem que ter qualquer coisa além da beleza, para Lacan a palavra do analista tem que ter qualquer coisa além do sentido.” 

 

FONTE:

Autora – Luzziane Soprani

Citações do Psicanalista lacaniano  – Jorge Forbes – Da palavra ao gesto do analista – Jorge Zahar Editor, 1999. Pela Coleção Campo Freudiano no Brasil

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