Artigo publicado em 04 jun 2012 | Este artigo tem 1 Comentário

Aristófanes nos conta que nossa antiga natureza não era tal como a conhecemos hoje e sim diversa. Os seres humanos encontravam-se divididos em três gêneros e não apenas dois – macho e fêmea – como agora. Havia um terceiro gênero que possuía ambas as características e que era dotado de uma terrível força e resistência e, além disso, de uma imensa ambição; tanto que começaram a conspirar contra os deuses. Zeus e as demais divindades viram-se então tendo que tomar providências para sanar tal insubordinação; tinham a alternativa de extinguir a espécie com um raio, como haviam feito com os gigantes, porém perderiam também as homenagens e os sacrifícios que lhes advinham dos humanos. Por outro lado permitir tal insolência por mais tempo era impensável. Resolveu-se então parti-los ao meio, desse modo não só se enfraqueceriam como também aumentariam de número. Assim foi que até hoje, divididos como estamos, que cada um infatigavelmente procura a sua outra metade.

Percebemos em nós ou nos outros, carisma, cultura, inteligência para o trabalho e tarefas afins. Admiramos habilidades para as amizades e laços sociais. Mas, quando analisamos os acontecimentos da vida amorosa pregressa, que fatalidade. Há os bem-sucedidos em vários segmentos que tropeçam em escolhas afetivas erradas, mesmo quando desde o início de cada relação percebem estar entrando novamente em escolhas incertas. “A mente desfruta de uma área livre de conflitos”, entretanto, o amor é desencadeado de um núcleo mais complexo e obscuro de onde provêm sentimentos que não escolhemos ou controlamos – vem do inconsciente de nosso Ser. Percebemos, por exemplo, que os objetos de amor, sejam o homem ou a mulher causam no outro intenso e obstinado desejo, mas também são os que mais combinam para contracenar conflitos e desencontros – nós psicanalistas, vemos isso na clínica. Não raro, as pessoas selecionam relações que irão se transformar em confusão ou vazio.

São esses acontecimentos que causam infelicidade, mas são também uma espécie de “caixa preta” que contém os segredos do desastre afetivo. Em vez de só fugir para “relações casuais” e manter casos de “alta liquidez”, é preciso abrir e examinar a “caixa preta” do coração, elucidando as causas dos desencontros e aprendendo com as experiências. Caso contrário, é viver repetindo as mesmas escolhas – a pessoa infeliz, e não analisada, a cada vez desencadeia um padrão inadequado de escolhas, mudando só os personagens da sua história. O que faz com que acabe sempre tendo de contracenar amor e dor. E há os que ainda acham que basta competência, riqueza e de quebra beleza, e o amor lhes cairá do céu.

No entanto, é preciso não se iludir e desenvolver “emoções sábias”, uma mistura de paixão e razão, destinada a intuir escolhas e evitar o fracasso repetitivo nas relações. Mas essa é uma área em que ninguém está livre de enganos e fracassos. Vale dizer: é trágico, se não fosse cômico. Aliás, quando se trata de amor, é sábio guardar uma razoável dose de bom humor, pois a espécie humana é mesmo complicada nessa área.
Devemos nos olhar com suavidade, bom-humor, sem excesso de autopiedade, mas com certo carinho por nossas imperfeições, a fim de deixar a porta aberta para a autocrítica. O que é diferente da condenação cruel e implacável que faz a pessoa se sentir incorrigível, jogando-a para a amargura, e não para a mudança.

Assim como a meta da pulsão é satisfazer-se a meta do amor é encontrar-se. Quando a intuição e/ou experiência não consegue corrigir escolhas: é aconselhável fazer análise, e, investigar, que tipo de paixão nos encontra, para onde nos leva e o que revela sobre nós mesmos? A paixão sem a razão é cega, mas a razão sem a emoção é sinistra: só temos a ganhar com esse equilíbrio.
Mas que ninguém acredite acertar no alvo: o único par amoroso ideal é o par imperfeito. A história de alma gêmea é uma fantástica-fantasia, é certo que, almas foram feitas ao mesmo tempo para o encontro e a discórdia. Só após admitir que seja inviável concretizar sonhos irreais é que estamos mais maduros a conviver e amar alguém real: nosso par imperfeito, singular, consciente que não existe o amor ideal, mas aliado ao desejo recíproco de viver juntos aquilo que é inerente à condição humana – o bom, o mau, o feio e o bonito.

Artigo publicado em 25 maio 2012 | Este artigo tem 15 Comentários

INTRODUÇÃO:

No presente artigo abordaremos os diferentes transtornos: psicopatia versus psicose. Há uma divergência no entendimento de ambos os transtornos de personalidade. Mas como identificar um psicopata e não confundi-lo com um psicótico, ou não cometer o erro de nivelar ambos os transtornos?

Antes de abordarmos as diferenças entre os transtornos, é preciso saber o seguinte: “Psico quer dizer mente; Pathos, doença”.

Portanto, o psicopata não é um doente mental da forma como nós o percebemos. O doente mental é o psicótico, que sofre com delírios, alucinações e não tem ciência do que faz. Vive uma realidade paralela. Se matar, terão atenuantes. Já o psicopata sabe exatamente o que está fazendo. Ele tem um transtorno de personalidade. É um estado de ser no qual existe um excesso de razão e ausência de emoção. Ele sabe o que faz, com quem e por quê. Mas não tem empatia, a capacidade de se pôr no lugar do outro.

DA PSICOPATIA:

A psicopatia não é visivelmente uma patologia como é o caso explícito da psicose. Os psicopatas ao contrário do que se pensa têm a real consciência do que estão praticando e, sentem prazer em praticar a maldade a quem cruza o caminho deles, sem remorso algum. Até profissionais da área, como os médicos psiquiatras, que já estão habituados a todas as armadilhas de quem têm esse tipo de transtorno, podem cair “nos encantos deles”. Eles são os mestres da encenação; são os atores da vida real.

DO TRANSTORNO PSICÓPATICO:

Psicopatia é o “câncer da psiquiatria”. É um transtorno grave e não tem cura. Passam tranquilamente como sujeitos sociáveis. Segundo dados internacionais, os psicopatas são 4% da população, 1% serial killers, (os que cometem assassinatos em série). Mesmo os psicopatas mais “brandos”, que fazem pequenas maldades, não têm cura. E definir pequena maldade é subjetivo. Para uma pessoa a atitude e comportamento de um sujeito pode ser uma pequena maldade, na contrapartida, para outra, a mesma atitude pode ser sentida com mais intensidade e causar um dano mais sério.

“Apesar do ainda controverso tema da existência do instinto agressivo em nossa espécie, pelo menos entre as teorias psicanalíticas não há dúvidas sobre a natureza da compulsão à repetição e características sádicas de suas manifestações descritas por Freud no célebre ensaio: Além do princípio do prazer, 1921.”

A maioria das maldades do psicopata é de caráter psicológico e não físico. Por isso, suas vítimas em potencial são àquelas pessoas generosas. Um exemplo clássico: o psicopata se aproveita de pessoas bem-sucedidas com promessas – ganha a confiança da vítima e destroe sua vida. Uma forma usual de o psicopata golpear o outro: pede dinheiro, promete pagar, assim que se estabelecer o negócio. Depois o que resta a vítima são os transtornos que terão que enfrentar, inclusive, emocional. Às vezes, a dor psicológica dói até mais. Esses seres são monstros em pele de cordeiro e estão em todas as camadas sociais. Eles podem ser desde um falso colega de trabalho oportunista, que vive se fazendo de vítima, trapaceiros políticos, empresários, religiosos, filho (a), esposo (a). No entanto, escondem tais características de forma que socialmente são vistos como pessoas normalíssimas, cujos verdadeiros instintos ninguém é capaz de desconfiar.

DO TRATAMENTO PARA PSICÓPATIA:

Psiquiatras alertam que, o tratamento para o psicopata não funciona, inclusive, intensifica a maldade com o tratamento. Os psicopatas são inteligentes. Eles usam o conhecimento adquirido na análise para aperfeiçoar ainda mais a maldade. Com mais conhecimento eles irão ferir mais intensamente as pessoas que estão a sua volta. A psiquiatra Ana Beatriz Barbosa, afirma: “O grande tratamento para os psicopatas é a postura que temos com essa pessoa”. A grande arma da sociedade, segundo a médica psiquiatra, é não tolerar a impunidade.

DO ESTUDO CIENTÍFICO NA PSICOPATIA:

“Pesquisas feitas pelos brasileiros: O neurologista Ricardo Oliveira e o neurorradiologista Jorge Moll descobriram a prova definitiva dessa diferença da mente psicopata, por meio da chamada ressonância magnética funcional, que mostra como o cérebro funciona de acordo com diferentes atividades. Nesse exame, mostraram imagens boas (belezas naturais, cenas de alegria) e outras chocantes (morte, sangue, violência, crianças maltratadas). Nas pessoas normais, o sistema límbico reagia de forma diversa (o sistema límbico é o responsável pelas nossas emoções). Nos psicopatas, não há diferença. O sistema límbico dessas pessoas não funciona. O pôr do sol ou uma criança sendo espancada geram as mesmas reações. Da mesma forma, não há repercussão no corpo. Eles não têm taquicardia, não suam de nervosos. Em suas cabeças sempre estarão certos e, principalmente, acima do bem e do mal. Por isso passam tranquilamente num detector de mentiras.”

DA PSICOSE (ESQUIZOFRÊNICA)

Culturalmente, o esquizofrênico representa o estereotipo do “louco”, um sujeito que produz grande estranheza social devido ao seu desprezo para com a realidade. A esquizofrenia é uma doença psiquiátrica que deve ser diagnosticada e tratada rapidamente. Ela se caracteriza por alterações no pensamento, no afeto e na vontade. Os principais sintomas são: delírios, alucinações e retraimento social. Delírios são ideias distorcidas, irreais, que o sujeito acometido pela doença percebe como reais, como as manias persecutórias. No transtorno psicótico, o sujeito se sente perseguido. De repente, a pessoa cisma, por exemplo, que o FBI o está perseguindo. Tudo que ocorre a partir de então, gira em torno dessa ideia delirante. Outro aspecto diagnosticado no TPP (esquizofrenia) é a mania de grandeza e místicoreligiosos.
O esquizofrênico age como alguém que rompeu as amarras da concordância cultural, menospreza a razão e perde a liberdade de escapar as suas fantasias.

DOS SINTOMAS PSICÓTICOS (ESQUIZOFRÊNICOS):

É importante ressaltar que esquizofrênicos se isolam e diminuem à interação afetiva. Esquizofrênicos têm mais dificuldade para interagir socialmente e acabam se isolando. O transtorno cursa com períodos em que os sintomas são mais intensos (episódios psicóticos agudos), mas quando tratados perdem intensidade (fase de estabilidade) e a pessoa leva uma vida praticamente normal. A psicose surge em sujeitos com predisposição genética a desenvolver a doença. Apresenta características como: delírios e/ou alucinações. Vale ressaltar que a família ao perceber esse tipo de comportamento, deve levar o sujeito ao psiquiatra para que seja feito o diagnóstico e estabeleça um tratamento. Quanto mais cedo o transtorno for diagnosticado e tratado, melhor a evolução do tratamento. A rapidez é importante para uma melhor qualidade de vida.
Segundo alguns especialistas, aproximadamente 1% da população são acometidos pela doença, geralmente iniciada antes dos 25 anos e sem predileção por qualquer camada sociocultural.

DO DIAGNOSTICO ESQUIZOFRÊNICO:

O diagnóstico se baseia exclusivamente na história psiquiátrica e no exame do estado mental. É extremamente raro o aparecimento de esquizofrenia antes dos 10 ou depois dos 50 anos de idade. Não há nenhuma diferença na prevalência entre homens e mulheres.
Usualmente o paciente com esquizofrenia mantém clara sua consciência e sua capacidade intelectual com o tratamento. Por isso é necessário ser acompanhado por médico psiquiatra.

“A loucura é diagnostica pelos sãos, que não se submetem a diagnóstico”. Há um limite em que a razão deixa de ser razão, e a loucura ainda é razoável. “Somos lúcidos na medida em que perdemos a riqueza da imaginação”. Carlos Drummond de Andrade.

DAS DIFERENÇAS ENTRE O PSICOPATA E O PSICÓTICO (ESQUIZOFRÊNICO):

O psicopata tem um déficit no campo das emoções, é incapaz de sentir amor e/ou compaixão, é indiferente em relação ao outro – já o esquizofrênico é o oposto, ele tem afeto em excesso, é extremamente sensível e, de tanto sentir e não se expressar, surta. Mas, isso não isenta o psicótico de cometer algum tipo de crime, se, porventura, ocorrer um surto psicótico.
No caso do psicopata, ele não enlouquece nunca, pois não tem afeto, é embotado. Ele não é capaz de se colocar no lugar do outro e sentir a dor que ele provocou. Mas o problema dele não é cognitivo, a razão funciona bem, ele tem a capacidade plena de distinguir o que é certo e o que é errado. Tem certeza que está infringindo a lei, mas não se importa com isso e até calcula os danos para saber o custo-benefício da ação.

DO PONTO DE VISTA FORENSE:

– Justiça e Psiquiatria como aliadas:
Segundo o psiquiatra forense, Guido Palomba, aposta na criação de uma “casa cadeia” que ofereça um tratamento psicopedagógico aos criminosos. Dar afazeres e responsabilidades aos presos. A liberdade seria baseada na periculosidade, se ela cessasse, o criminoso poderia ser solto. “É prisão perpétua? É. Você vai por a sociedade em risco? Não”, argumenta.
Outro ponto importante, de acordo com o psiquiatra, é a necessidade da mudança da mentalidade dos juízes, promotores e advogados. Eles precisam agir para que o indivíduo semi-imputável ou psicopata seja encaminhado à medida de segurança, pois a patologia não tem cura. A análise do laudo médico deve vir antes da avaliação da “leiga” opinião pública.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Concluímos citando o filme Instinto Selvagem 2. O vídeo postado abaixo com o trailer do filme: Instinto Selvagem 2, vem ilustrar o assunto sobre a psicopatia. A atuação da atriz Sharon Stone foi impecável. Os psicopatas agem de maneira fria e calculista. O charme, a sedução, a arrogância, é a postura adotada por eles para atingir as suas presas. No filme, podemos ver que o tempo todo, a psicopata controla e manipula a mente do psiquiatra, que se deixa envolver pelo impulso e curiosidade de desvendar a mente perigosa e insana dela. O psiquiatra: sabia que não era aconselhável ir em frente, pois anteriormente havia feito um laudo para o julgamento dela na morte do seu namorado (o esportista), que morreu afogado em um acidente automobilístico, que a psicopata conduzia em alta velocidade, isto é revelado no tribunal, posto que o esportista já estava morto, quando da ocorrência do acidente, tendo como causa uma overdose de drogas. No entanto, o psiquiatra um profissional inteligente, perspicaz, perde o controle e se envolve pelo charme e erotismo da psicopata. Na verdade, ela tinha certeza que iria seduzi-lo, e vê nele uma fraqueza que não conseguia mais controlar. (Mas, também, fazia parte das fantasias sexuais dele). O caminho para o psiquiatra era manter a postura firme e profissional desde o início. Entretanto, o filme nos dá a dimensão que profissionais também estão sujeitos a cair nas armadilhas perversas desses sujeitos.

REFERÊNCIAS:

Mentes Perigosas: O Psicopata Mora ao Lado – Ana Beatriz Barbosa Silva, lançado em 2008. O livro trata da caracterização dos psicopatas e os danos que causam às demais pessoas.
SCHREBER, D.P. Memórias de um doente dos nervos. Rio de Janeiro: Paz
CAETANO, D. Classificação de transtornos mentais e de comportamento da CID-10. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.

 

Artigo publicado em 21 maio 2012 | Este artigo tem 4 Comentários

 

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“Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura.” Friedrich Nietzsche

Os avanços tecnológicos provocam grandes impactos na sociedade. Pelo lado positivo, a tecnologia resulta em inovações que proporcionam melhor qualidade de vida ao homem.

É incontestável que esse turbilhão tecnológico têm aproximado as pessoas  –  derrubando fronteiras e proliferando o amor no mundo virtualizado. Mas, a distância entre os parceiros, pode implicar em armadilhas. Porém, isso não é  uma verdade absoluta. Não temos pesquisas e/ou estatísticas que comprove essa realidade.

Com a globalização as pessoas se comunicam e se conhecem com muita facilidade. No mundo digital, elas têm a possibilidade de iniciarem relacionamentos com pessoas do mundo inteiro, seja fazendo novas amizades, iniciando um namoro e algumas chegam até ao casamento.

Quando duas pessoas querem tudo é possível. Mas é importante analisar os indivíduos pelo que eles são, e não somente pelo que eles dizem: ter e ser. Conhecer uma pessoa demanda tempo, ainda mais, quando se trata de pessoas de culturas e costumes diferentes. No entanto, a globalização trouxe verdadeiras teias de romances que cruzam o globo na velocidade de uma libido virtualizada. E é tão instigante conhecer o diferente que, o entusiasmo pode levar as pessoas a ousar muito mais…

Aonde vão as pessoas, o desejo vai à frente, puxando-as. Para o amor não existe fronteiras. E o mundo ficou minúsculo para o trânsito internacional de pessoas. Mais do que em qualquer outra época, hoje se viaja muito pelos vários continentes. Em poucas horas se atinge distantes lugares em voos cada vez mais acessíveis. Em tempo real, os parceiros podem se falar e se ver – via câmeras/web – matando a saudade e continuando vínculos iniciados em algum lugar do mundo. Sem contar que muitas dessas pessoas se conhecem sem ter saído de casa – em redes sociais e sites de relacionamentos. O que facilita essas teias de romances virtualizados

A diferença de idiomas parece obstáculo de menor importância, pois, não raro, há sempre uma língua que ambos falam, senão podem aprender. Aliás, existe uma atração inexplicável, uma linguagem não verbal, sinais, gestos, expressões, que traduzem afetos e sintonias da alma. Sem falar nas opções oferecidas pela internet como os – tradutores de idiomas -, às vezes ajudam um pouco a comunicação. E o contrário do que se pensa: pessoas que falam a mesma língua podem não se entender. Não apenas porque discordam de muitas coisas, mas pelo fato de que as palavras, às vezes têm significados diferentes para cada um. Por exemplo: o que uma pessoa entende por “amor”, “consideração”, “respeito” pode ser diferente do que o outro entende pelas mesmas palavras ditas no mesmo idioma. E isso é fonte de muitos conflitos, que um casal mais afinado, mesmo falando idiomas diferentes, pode não ser acometido. Portanto, é necessário muita sensibilidade e sagacidade com o conto de fadas da era globalizada.

Da mesma forma como é fácil encontrar uma boa pessoa que lhes proporcionem conforto, segurança e uma boa estabilidade, também corre-se o risco de cair em certas armadilhas…

Mas muitas vezes acontece o amor real. Por exemplo: uma viagem, morar um tempo no exterior para estudar e/ou trabalhar e o mais comum e acessível, os encontros no mundo virtualizado. Contudo, as pessoas devem estar conscientes do que enfrentarão pela frente numa relação com alguém de fora. O relacionamento não será impossível, mas certamente, terão que lidar sobre dois universos diferentes. A velocidade e a facilidade com que nos movimentamos e/ou nos comunicamos atualmente, pode nos cegar para a realidade da distância geográfica, das disparidades culturais e entendimentos familiares. Mas nada que um amor ousado não possa ser enfrentado com autenticidade e bom humor.

De forma positiva, poderíamos dizer que a união entre estrangeiros apenas realça diferenças sempre existentes entre duas pessoas, que, por mais que tenham nascido na mesma cidade e morem no mesmo bairro, as pessoas acabam descobrindo que nada têm a ver uma com o outra. A aparente afinidade não passava de um encantamento ou desejo que ambas fossem de verdade afinadas, até pela comodidade. Na realidade, somos sempre estrangeiros uns dos outros, existe sempre um mistério, além das aparências e conveniências, que une duas pessoas e as faz permanecerem juntas. Se pensarmos na problemática da relação entre parceiros de países diferentes, há também, vantagens no estímulo recíproco e no aprendizado mútuo dos diferentes hábitos, tradições e costumes, sem esquecer, é claro, dos sentimentos temperados pelas diferenças culturais.

Dessa maneira, o relacionamento a distância surgiu para facilitar à vida das pessoas, mas jamais uma forma de comunicação substituirá a outra, porque, ambas possuem limitações e relevâncias para os relacionamentos interpessoais.

 

Artigo publicado em 19 maio 2012 | Este artigo tem 6 Comentários

Lacan nos diz que o trauma é o encontro com o Real, o Real da morte, ambas as figuras do impossível. Do impossível de se representar, de fazer existir no simbólico, no mundo das representações, na realidade psíquica, ou seja, o encontro com o Real da castração.

Os estudos sobre o Transtorno de Estresse Pós-Trumáutico, ainda estão em fase inicial, pouco se sabe sobre o transtorno e a predisposição de cada indivíduo. Portanto, algumas pesquisas já indicam que, dentre as pessoas que sofreram um trauma severo, 10% a 50% podem desenvolver o TEPT, sendo as mulheres mais vulneráveis que os homens, bem como as crianças e os idosos.

Na Síndrome do Estresse Pós-Traumático o que acontece é uma experiência realmente dramática. A causa não é necessariamente decorrente do dano físico, mas proveniente da emoção e do susto sofrido. É como se ferisse a memória, um dano infringido.

As causas que levam ao trauma são diversas: sequestro, assalto, estupro, ameaças, atos de terror, perda de ente querido, etc.
– O momento fatídico fica impregnado de forma muito viva na memória, de modo a ser revivido constantemente com a mesma intensidade e igual sofrimento dos momentos vivenciados pela pessoa na ocorrência do evento. É uma forma de condicionamento tão intenso que o sofrimento volta mesmo sem que tenha vivido a mesma situação de fato. É como se fosse uma fobia que independa de novos fatos para se reabastecer, já que isso acontece por si só. O ideal depois do evento traumático é o de acompanhar a pessoa logo após a vivência traumática, deixando-a falar, exteriorizar sobre o acontecimento, descarregando ao máximo sua dor.
Diante a situação é necessário observar como a pessoa vai reagindo, sendo essencial que o indivíduo procure ajuda logo após o trauma. O tratamento, este deve ser feito com medicação antidepressiva ajudando a “aliviar” a memória, para o trauma não se tornar um ritual, um fantasma do sujeito, fixando sua posição de vida nos momentos sofridos.
Quando a pessoa vai para terapia muito tempo depois e o processo de rememorações já se estabeleceu, a conduta é a de uma terapia interpretativa mais longa com a finalidade de fortalecer a razão delas, além de medicação para aliviar o sintoma de modo a serem capazes de lidar melhor com as lembranças.

Segundo a Dra Ana Beatriz Barbosa Silva – Médica Psiquiatra e autora de vários livros:
É importante que o médico e o terapeuta nunca percam de vista que o indivíduo adoecido não é simplesmente uma máquina a ser consertada, e que não existe um modelo fixo do que significa uma vida saudável. Cada um de nós é um somatório de corpo físico, mente, emoções, essência original e experiências singulares.

É necessário o apoio familiar e de amigos para que o indivíduo não se sinta desamparado e à mercê dos seus transtornos e angústias. É fundamental o encorajamento, mostrando que os desafios com os quais nos deparamos pelas estradas da vida podem trazer mudanças significativas para um novo recomeço. O passado é lição para refletir, não para repetir.

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