Artigo publicado em 16 maio 2012 | Este artigo tem 1 Comentário
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Ponham algo de si na psicanálise, não se identifiquem comigo […]. Tenham seu estilo próprio, pois eu tenho o meu […] Jacques Lacan

O presente artigo trata o relacionamento entre analista versus analisando. Tendo em vista, uma linha do pensamento psicanalítico, haja vista em psicanálise temos outras correntes e/ou linhas de pensamentos.

Na análise, há uma pergunta que não soa estranheza para o analista, quando se é questionado: “Analista só ouve ou também fala?” Analista fala. Fala no momento que faz diferença falar.

Desse modo, existem outras perguntas pertinentes, por exemplo: “Qual a sua linha de atendimento e/ou como funciona a análise”?

É prudente esclarecer como funciona o processo de análise ao analisando. De forma simples e didática em que o analisando possa compreender. Todavia, cada profissional trabalha de forma subjetiva, ou seja, introduzindo à sua própria maneira de conduzir o processo analítico, bem como à sua linha de pensamento.

Partindo desse princípio, o analista é determinado pelos traços de personalidade, isto é, o perfil do próprio profissional. Nós psicanalistas: sabemos que a personalidade do analista não deve comparecer nas sessões de análise. Mas, não podemos negar que, a forma de conduzir o processo terapêutico se dá a partir do analista. 

Evidentemente, o analista não conseguiria deixar o analisando completamente satisfeito, pois à análise acontece numa boa dose de insatisfação. Quase tudo na análise demanda tempo -, pois, a elaboração só acontece no momento do insight. Mas, o que seria um “insight”, uma vez que esta é uma palavra muito utilizada quando falamos em autoconhecimento. O insight significa descobrir e/ou perceber algo que antes o analisando não percebia sobre si mesmo. Citaremos aqui um exemplo: Em determinado momento o sujeito percebe que está sendo manipulado por alguém, mas descobre que está permitindo que isso aconteça, sendo assim, está tentando compensar algo que antes nem se dava conta. Quando você percebe a situação, é como um despertar interior. Antes havia uma cegueira, e agora as “coisas” ficaram claras. 

Todavia, é de grande relevância o analisando saber que o analista não pode e nem deve ser um conselheiro. 

“O ato ultrapassa o analista. O que é preciso compreender é que o psicanalista age o tempo todo. Ele está sempre no ato, mas não o sabe. Não há, pois, salvação possível na abstenção.” 

Por mais incômodo que possam ser os seus sintomas, é necessário coragem para se olhar de frente e enfrentar os seus fantasmas, para então, se obter às mudanças possíveis e necessárias.

Concluímos da seguinte maneira: da mesma forma que para Vinícius a mulher tem que ter qualquer coisa além da beleza, para Lacan a palavra do analista tem que ter qualquer coisa além do sentido.” 

FONTE:

Luzziane Soprani – Psicanalista e escritora

Citações do Psicanalista lacaniano  – Jorge Forbes – Da palavra ao gesto do analista – Jorge Zahar Editor, 1999. Pela Coleção Campo Freudiano no Brasil

Artigo publicado em 14 maio 2012 | Este artigo tem 1 Comentário

image“Segundo Lacan, a família é um mal necessário uma vez que a condição humana é prematura; o homem nasce prematuro, incapaz de se desenvolver só, sem o outro. Portanto, ao mesmo tempo em que o sujeito surge de uma demanda da família, a família também existe enquanto demanda do sujeito, uma vez que é ele que a “alimenta” e a mantém viva”.

Vivemos em outros tempos? Não necessariamente. Na atual era contemporânea ou é permissividade demais, ou, violência em extremo. Entretanto, neste artigo será abordado a violência física e psíquica. Está cada vez mais constante ver-se pais que apresentam uma conduta muito agressiva com seus filhos. Verdadeiros “espetáculos” e desajustes emocionais acompanhada por doses exageradas de gritaria e violência física e psíquica, sem dimensão do mal que causam aos seus filhos.

Mas podemos perceber que o abuso psicológico é, às vezes, tanto ou mais prejudicial que o abuso físico, e, se qualifica, por rejeição, discriminação, humilhação, depreciação, desrespeito, chantagens emocionais e punições excessivas. Não é um abuso praticado preponderantemente só pelo sexo masculino como é o caso do abuso físico entre casais. Nesse caso, isso acontece em iguais proporções em ambos os sexos. E costuma ser uma forma repetitiva de teores vivenciados em muitas famílias. Trata-se de uma agressão que não, necessariamente, venha deixar marcas físicas evidentes – porém emocionalmente causa cicatrizes indeléveis por toda uma vida.

No entanto, nesses casos não se pode citar somente uma razão para defender e/ou acusar pais com perfis agressivos-violentos com suas crianças, haja vista todo o contexto de violência gerado na infância é levado à frente causando danos à vida do sujeito. Uma pessoa assim, ou seja, uma mãe, um pai e/ou cuidador com esses traços de personalidade traz em seu histórico de vida, provavelmente um depósito de frustrações que foi gerado na sua infância – desencadeando falta de controle, equilíbrio emocional, medos, impaciência, irritabilidade, ódio, raiva, etc., referenciando o ambiente de onde veio. Visto dessa maneira, há um quadro que podemos chamar de processo de repetição…

Mães e pais agressivos influenciam diretamente nos traços de personalidade da criança – que, um dia se tornará um adulto – sujeito este que levará consigo, marcas profundas dessas mazelas causadas lá atrás – na primeira infância – trazendo para o sujeito, um trauma, com grandes chances de nunca ser corrigido.

É certo que, inexiste um perfil ideal de pais -, mas nos dias atuais, comparando ao passado, existem muitos recursos, ou seja, profissionais que estão disponíveis com um bom aparato científico e experiências vividas em suas carreiras para ajudá-los a construir o verdadeiro laço entre pais e filhos – para ampara-los no processo de educação.

Buscar ajuda profissional poupará a vida da criança. A criança educada por pais com comportamentos perversos, hostis, agressivos, violentos: ficam com suas vidas estilhaçadas emocionalmente. Não há dúvida que os pais são parte de maior relevância nesse processo de criar e educar – e dependendo da forma como o filho é educado, no futuro, o sujeito poderá se tornar um adolescente, um adulto, com consequências e sequelas psíquicas – e os pais poderão se sentir incapazes de digerir essa culpa.

Mas se tirarmos a responsabilidade de cada um frente a educação dos seus filhos, às suas emoções estarão com o caminho aberto para a infelicidade geral da família.

“Diria Vinícius: Filhos, talvez melhor seria não tê-los, como você pensou, mas ficar sem sabê-lo tira toda a graça, desgraça”.

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