Artigo publicado em 01 out 2012 | Este artigo tem 8 Comentários

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REFLEXÕES ACERCA DO TRANSTORNO AFETIVO BIPOLAR.

A característica mais notável da melancolia, e aquela mais precisa de explicação, é sua tendência a se transformar em mania.
Freud (1917).

Ao iniciarmos uma reflexão sobre o Transtorno Afetivo Bipolar, é preciso ponderar, pois à psicanálise sempre esteve receosa para lidar com esse assunto. Os trabalhos sobre o tema são raros. Se há alguma dúvida, basta examinar a bibliografia psicanalítica. Encontramos apenas algumas referências como o texto de Freud (1917), “Luto e Melancolia”, e alguns indicativos em Lacan ao longo de seus estudos.
Essa breve abordagem sobre o Transtorno Afetivo Bipolar é fruto de uma pesquisa relacionada ao tema.

DA BIPOLARIDADE:

Ser bipolar é como levar uma vida dupla. Uma hora a euforia toma conta e leva o organismo ao seu limite de excitação, até mesmo sexual. É energia que não acaba mais, a ponto de o sono tornar-se quase desnecessário. Perde-se a capacidade de julgamento e a autocrítica e há quem se torne irritadiço. Para descrever esse estado de ânimo os médicos utilizam o termo MANIA. Ela é um dos extremos de uma doença caracterizada por uma profunda instabilidade de humor, o qual oscila entre esse estado eufórico intenso e o seu oposto, a depressão.
Para os portadores do Transtorno Bipolar doença que há poucos anos era conhecida como Psicose Maníaco-Depressiva, encontrar o equilíbrio entre as duas pontas das emoções radicais é como tentar andar sobre um terreno movediço. “É o pessoal do 8 ou 80”, resume o psiquiatra Diogo Lara, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – e autor de Temperamento Forte e Bipolaridade. “Diferentemente de quem tem um humor saudável, os que sofrem desse transtorno não costumam ser previsíveis ou flexíveis nem respondem com proporcionalidade aos estímulos.” Acredita- se que 1% da população mundial conviva com o tipo 1 da doença, ou seja, o tipo 1 da doença é considerado o mais grave.

Pode até parecer pouco, mas na verdade o Transtorno Bipolar é um tormento para muito mais gente. Estima-se que cerca de 5% das pessoas tenham instabilidades de humor em algum grau. Feitos os cálculos, os brasileiros alterados somam aproximadamente 9 milhões. Muitos deles nem sabem do próprio distúrbio. Outros, ainda pior, são tratados da maneira errada. “Nesse caso o diagnóstico costuma ser esquizofrenia ou simplesmente depressão”, conta o psiquiatra Jair Soares, chefe da Divisão de Transtornos do Humor e Ansiedade da Universidade do Texas em San Antonio, nos Estados Unidos.
Sabe-se que essa é uma doença em grande parte determinada pelo histórico familiar. Uma criança que tem um dos pais com Transtorno Bipolar apresenta uma probabilidade de 15% a 20% de manifestar o mesmo problema. Um estudo, realizado com gêmeos idênticos, mostrou ainda que, se um deles tem a doença, o risco de o outro também vir a ser uma vítima é de 80%.

A mais recente descoberta sobre a origem do mal vem de um grupo de pesquisa do Hospital das Clínicas de Porto Alegre. Os cientistas andavam em busca de uma pista sobre a relação entre o Transtorno Bipolar e a molécula BDNF (sigla em inglês para fator neurotrófico derivado do cérebro), cuja atuação na memória já era bem conhecida. As evidências dessa ligação ficaram muito claras em seu estudo.
IMAGEMTXTO – o trabalho mostrou que os bipolares têm menos BDNF no sangue do que as pessoas normais. “E notamos que, quanto menores os teores no sangue, maior a gravidade da doença”, revela um dos autores do trabalho, o psiquiatra Flávio Kapczinski, responsável pelo Laboratório de Psiquiatria Experimental do hospital gaúcho.

Como os níveis dessa molécula são ditados pela genética, à esperança é de que ela possa vir a ser um marcador da doença. O teste ainda é experimental, mas deverá se tornar rotina médica nos próximos anos.
Igual a todo distúrbio da mente humana, porém, a bipolaridade também é determinada pela maneira como lidamos com as adversidades. “Muitas vezes pode-se até herdar o gene que leva a uma predisposição, mas, sem um evento estressante, o transtorno não se desenvolve”, afirma o psiquiatra Beny Lafer, professor da Universidade de São Paulo e coordenador do grupo de pesquisa em Transtorno Bipolar do Hospital das Clínicas da capital paulista. “Em caso de estresse emocional ou abuso de drogas, os riscos ficam de quatro a cinco vezes maiores.”

O problema geralmente dá as caras no final da adolescência e no início da vida adulta, mas a meninada menor também é alvo. Na infância, aliás, não raro ele é confundido com distúrbio do déficit de atenção e hiperatividade. “Crianças diagnosticadas assim, mas que não respondem ao tratamento podem ter na realidade o Transtorno Bipolar. Descobrir a doença cedo e controlá-la o quanto antes ajuda seu portador a levar uma vida normal.

As oscilações do humor podem ser trágicas. Uma depressão prolongada, daquelas que chegam a durar meses ou mesmo anos, muitas vezes são o estopim de uma tentativa de suicídio. No outro extremo, o da mania, algumas semanas de crise são suficientes para pôr toda uma vida a perder. Relações são desfeitas. O dinheiro economizado por décadas, torrado em poucos dias. Melhor dizendo, não necessariamente nessa ordem. Entretanto, não há cura para o Transtorno Bipolar. Mas, como outras doenças crônicas, trata-se de um mal controlável.

Em casos de bipolaridade, os remédios conhecidos como estabilizadores do humor são fundamentais para o tratamento do tipo 1 e para alguns pacientes do tipo 2, como os médicos chamam uma forma mais moderada do transtorno. Qualquer que seja o tipo, porém, o maior problema costuma ser a resistência do paciente a tomar os medicamentos. Um dos motivos está nos efeitos colaterais. O LÍTIO, por exemplo, que ainda é uma das drogas mais usadas, pode provocar ganho de peso, tremores, aumento do apetite e retenção de líquido. (…) “Mesmo assim, os benefícios são muito maiores do que os efeitos colaterais”, opina Beny Lafer, da USP.

No entanto, é bom que fique claro: nenhum remédio, sozinho, opera milagres. Ele pode restaurar o equilíbrio químico dentro do cérebro, mas e as emoções? Hoje, até os cartesianos mais ferrenhos já deixaram de considerar a mente e o corpo como estruturas absolutamente separadas. No caso do Transtorno Bipolar, estão intimamente ligadas. E é aí que entra a psicoterapia, como peça fundamental do tratamento dos bipolares. “Aliás, não se trata de uma doença mental apenas, mas um mal sistêmico que afeta o indivíduo como um todo. Esse paciente requer uma equipe multidisciplinar”, defende Flávio Kapczinski.

Prova disso é que, em uma das pesquisas realizadas pela equipe de Kapczinski, descobriu-se que os pacientes bipolares têm no cérebro uma quantidade menor de enzimas antioxidantes em comparação com o resto da população. Essas substâncias são essenciais para a manutenção da saúde ao evitar mutações genéticas que podem dar início ao câncer, por exemplo. “Não é por acaso que os bipolares têm maior incidência de morte por tumores, doenças cardiovasculares e diabete”, acredita o psiquiatra. “Estamos em busca de métodos que permitam aos pacientes ficar livres não só das alterações do ânimo, mas de outros danos.”

O SOBE-E-DESCE DAS EMOÇÕES.

As fases eufóricas são chamadas de mania. As mais brandas, de hipomania. Podem durar de alguns dias até longos meses, assim como as fases da depressão.

Doença do corpo e da mente, a bipolaridade também pode se enquadrar em outra categoria, a de doença social. Afinal de contas, muitas vezes não é o transtorno em si o que mais preocupa os pacientes, mas a reação das outras pessoas. Em outras palavras, é preconceito mesmo. (…) Ora, se a vida é dupla e a doença é tripla, a conta só fecha porque as soluções são múltiplas.

RELATO VIVO

IMAGEMTXTKAY REDFIELD JAMISON é psiquiatra, cientista, professora de uma das mais prestigiadas instituições acadêmicas dos Estados Unidos, a Universidade Johns Hopkins. E sofre de Transtorno Bipolar. Num inusitado caso de atividade de pesquisa que se mistura com experiência pessoal, ela se tornou uma das maiores especialistas do mundo naquilo que ainda prefere chamar de doença maníaco-depressiva. O relato de sua convivência com o transtorno, muitas vezes apavorante, embora carregado de esperança, está no livro: Uma Mente Inquieta, editado no Brasil pela Martins Fontes.
É a história de quem atravessou o deserto do descontrole. “A doença maníaco-depressiva deforma seus pensamentos, estimula comportamentos aterradores destrói a base da razão e, com enorme frequência, solapa o desejo e a vontade de viver”, escreveu Kay Jamison. “É uma doença sem par pelo fato de proporcionar vantagens e prazer que, como consequência, levam a um sofrimento quase insuportável.”

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Apesar de todos os estudos e pesquisas científicas – essas estratégias ainda precisarem provar seu valor na busca pela identificação de genes que predispõem ao TBP, tal descoberta certamente terá implicações importantes, tanto no entendimento, como no tratamento dessa grave condição. Evidentemente, que a maior importância para o paciente TPB e seus familiares é o conhecimento e a compreensão dessa condição.

REFERÊNCIAS:

Transtorno Bipolar – Associação Brasileira de Psiquiatria – www.abp.org.br [ Links]

www.epv.psicologia.com [ Links ]

Revista Brasileira de Psiquiatria  – Rev. Bras. de Psiquiatria Vol. 21 s.2 SP Octc 1999 – On-line version ISSN 1809 -542X – www.scielo.br [Links]

 

Artigo publicado em 24 set 2012 | Este artigo tem 14 Comentários

“A máscara que usamos no Facebook é a mesma que usamos na vida”, diz Calligaris.
Contardo Calligaris (Milão, 1948) é um psicanalista italiano radicado no Brasil. É colunista da Folha de S. Paulo.

O psicanalista Contardo Calligaris afirmou, em palestra no InfoTrends, que não acredita que as mídias sociais tenham inventado um novo tipo de relação social ou mesmo a subjetividade nos relacionamentos.

Para Calligaris, as novas tecnologias ainda precisam produzir mudanças objetivas na sociedade para marcarem um novo tipo de relação. “O Facebook facilita a maneira de se relacionar, mas que já era a maneira de ser própria da modernidade ocidental desde o início do século 20”, afirmou.

O psicanalista acrescenta que as críticas às relações virtuais são muito questionáveis, pois mesmo os relacionamentos amorosos ou conversas em uma mesa de bar sempre foram virtuais. “As pessoas não se apaixonam por pessoas reais, desejamos uma fantasia criada por nós mesmos. Aproveitamos a presença do outro para tirar proveito dessa fantasia”, explica. “O amor sempre foi um baile de máscaras e quando essas máscaras caem nós estranhamos o resultado”.

Segundo Calligaris, o Facebook e as redes sociais instituíram um tipo de comportamento típico das sociedades narcisistas, uma maneira de se relacionar na qual a pessoa só existe sob o olhar dos outros. “No passado éramos a herança de nossas origens e só a partir do século 19 a questão de saber quem somos depende do olhar dos outros: os outros veem em mim quem eu sou”, disse. “Com isso ganhamos mais liberdade, deixamos de ser escravos do que foram nossos antepassados”, lembrou.

Para o psicanalista, no entanto, essa “liberdade” tornou-se um novo tipo de escravidão. “As pessoas passaram a demonstrar uma enorme necessidade de serem notadas e buscam sempre a aprovação do outro”, disse. Segundo Calligaris, o Facebook expressa muito bem essa característica da sociedade atual. “Não devemos ser nostálgicos e imaginar uma sociedade diferente.”

O psicanalista comparou as redes sociais com a imagem da perfeição. “É o mundo da margarina”, diz. Para Calligaris, as pessoas no Facebook têm uma enorme necessidade de demonstrar que são felizes. “Assim se mostram também como vencedores. Basta ver as fotos. É difícil ver alguém que não está sorrindo”.

De acordo com Calligaris, essa ideia de felicidade é muito recente na história. Uma pesquisa de 2011 diz que existe uma relação clara entre valorizar e conseguir. Se você valoriza a possibilidade de ser dono de sua moradia, este é o primeiro passo para conseguir. Mas existe uma exceção paradoxal.

“Quanto mais você valoriza a felicidade, mais infeliz você vai ser. Aparentemente a felicidade é o único caso em que a valorização não produz a facilitação”, explicou. “A ideia de manter a máscara da felicidade não veio com o Facebook, mas certamente as mídias sociais herdaram essa tradição.”

No entendimento do psicanalista, a procura instantânea pela felicidade não existe e não passa de uma ideia de marketing que começou no século 20. Ele acredita que as pessoas desejam ter uma vida interessante, com experiências intensas e mesmo desagradáveis. “A ideia de que a felicidade é programada, aos meus olhos, é uma ideia fajuta.”

“Se por um lado há um esforço para parecer sorridente, quando começamos a dialogar com alguém e achamos essa relação interessante, então paramos de tentar manter essa máscara de felicidade, pois temos a impressão de que alguma coisa poderá ser trocada com aquela pessoa”,diz.

“Os críticos dizem assim: vocês ficam em casa postando enquanto poderiam sair e encontrar pessoas reais. Mas isso realmente acontece sempre? Toda vez que você sai rola uma integração com as pessoas no bar? Isso não existe. Não nos apaixonamos ou conhecemos pessoas interessantes todo dia. É uma hipervalorização desta ideia”, critica.

Para o psicanalista, as relações já eram assim antes do computador e nada mudou após isso. “Se você tem dois bons amigos, então você é uma pessoa bastante sortuda”, afirma. Segundo Calligaris, nós somos quem nós conseguimos ser aos olhos dos outros e, enquanto trabalhamos em nossas páginas de perfil, significa que também trabalhamos nossa composição como pessoa.

“Não tem sentido viver na sociedade contemporânea sem pensar quem você é para os outros. O Facebook é um efeito disso. A competição às vezes custa um tempo e pode ser terapêutica”.

Texto: Monica Campi (Info Online).

Concordo com o pensamento do psicanalista.
Calligaris: esclarece a verdade sobre a máscara e/ou as máscaras que usamos no mundo virtual. Acreditando que às pessoas que estão na virtualidade não são diferentes no mundo real. Esse raciocínio nos leva a crer que, as pessoas são no virtual o que na verdade são em essência. No tete a tete até conseguem frear mais seus impulsos, entretanto, as máscaras não se sustentam por muito tempo. O próprio inconsciente não nos deixa levar uma mentira tão longe, a verdade caí do inconsciente que é atemporal, não conseguimos ser conscientes por todo o tempo.

Todo mundo sempre diz que prefere ouvir a verdade independente do quão ruim ela seja, aliás, todos acham que por pior que seja a verdade ela sempre será menos pior do que uma dolorosa mentira. Certo? Não sei. A verdade é que todos dizem que preferem a verdade, mas na verdade convivem bem melhor com a ideia de uma felicidade idealizada e ilusória.

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Artigo publicado em 31 ago 2012 | Este artigo tem 20 Comentários

“(…) nunca nos achamos tão indefesos contra o sofrimento como quando amamos, nunca tão desamparadamente infelizes como quando perdemos o nosso objeto amado ou o seu amor. Isso, porém, não líquida a técnica de viver baseada no valor do amor como um meio de obter felicidade”. Sigmund Freud (1856 – 1939). “O Mal Estar na Civilização”.

Todos nós dependemos de alguma maneira do outro e vice-versa. E, quando vivemos uma relação amorosa, nossas vidas se convertem em laços, há intimidades e prazeres exclusivos dos parceiros de realizar coisas juntos.

A presença de um no pensamento do outro é frequente. Na dose certa, essa ligação é normal sendo considerada bastante saudável para o relacionamento. Porém, as experiências nos dão pistas que só haverá admiração entre o casal se ambos respeitarem as suas subjetividades. Seja no trabalho, nas amizades, etc.

Mas, nem todos os parceiros acertam na dosagem, e em alguns casos, a dependência de um chega a beirar a sujeição em relação ao outro. O que às vezes leva a essa situação é a ilusão que algumas pessoas têm de obter a completude absoluta junto do companheiro. Tornando-se impossível.

É claro que seria injusto definir uma pessoa somente por seu lado amoroso. Freud estimava que somente 20% tinham sorte no amor. Uma das razões é que há problemas que só descobrimos quando nos damos à oportunidade de nos vincular afetivamente. A relação amorosa põe à prova não só nosso nível de maturidade emocional como nossa sanidade. Se há dúvidas que “LOUCOS” também amam, devemos nos lembrar de todas as coisas “anormais” cometidas por “amor”. Na realidade, “amor e loucura” andam lado a lado e fazem uma parceria de alto risco. Entretanto, só a razão e o bom senso é que impedem o rompimento dessa fronteira, levando os problemas do casal a extremos insustentáveis.

Um desses problemas é justamente a excessiva dependência. O amor se torna uma espécie de veneno no qual as pessoas se tornam dependentes, passa a ser medicamento para combater: inseguranças, incertezas e ambivalências naturais da relação e também uma fórmula para curar a angústia da existência. Nossa! É desgastante demais para o amor. Já analisado o problema encontrou um diagnóstico: AMOR PATOLÓGICO. O que Freud, já havia descrito o “tipo erótico”: aquele que vive para o amor e cujo principal temor é perdê-lo. Mas, é quase impossível mantê-lo, dentro desse contexto desenfreado. “Levando esse perfil ao vício da busca”.

Será mesmo que à mulher é mais dependente que o homem? Há controvérsias sobre esta afirmação. Na verdade, são as mulheres que se expõem, expressam mais à sua fragilidade e são mais corajosas quando amam, pois deixam tudo para viver ao lado do companheiro. No que tange ao (“sexo forte”), a dependência é camuflada, com seus mecanismos de defesa, ou seja, por atitude defensiva contrária, ou ficando escondida sob a forma de ciúme possessivo – convertido em subjugação da mulher. Quanto mais o homem é dependente e frágil de suas emoções, no que ele não consegue dominar em si mesmo, mais precisa oprimir a parceira. Um dos grandes riscos nesses casos é o de a fome juntar-se com a vontade de comer. O que acontece é que uma das partes acaba se submetendo aos desejos e fantasias do outro, e este oprime como se tudo fosse normal.

Nessas situações há uma curiosa associação entre o estar amando e a fragilidade emocional. O condicionamento de traços infantis, de dependência e os fantasmas presentes na vida adulta direcionam a maneira de amar. Assim sendo, a dependência na relação amorosa tem efeitos colaterais. Qualquer distância ou indiferença do parceiro dispara forte angústia. A pessoa perde o brilho pessoal e pode terminar sendo percebida como insuportável. Ainda há o perigo de ser explorado (a). Quando se vive só para o parceiro (a), deixa-se de lado, tudo aquilo que causa prazer… Não se desfruta mais da vida e carrega o relacionamento com expectativas exageradas e frustrações, colocando-a em risco de desgaste. Não é uma situação confortável e, desse estado, o que acontece é uma baixa autoestima, só sendo possível enfrentar na maioria das vezes: com terapia, aliada à fé e à força de vontade de seguir adiante.

Artigo publicado em 30 jul 2012 | Este artigo tem 8 Comentários

A relação entre homem e mulher é aquela em que as pessoas depositam as suas maiores esperanças. Por isso, talvez seja nela que mais se sentem solitários-fracassados-impotentes. Se o casal estiver bem, os impasses serão menos impactantes e mais administráveis. Mas, se estiver mal, em vez de entender que por vezes o dilema da relação se trata de um problema do casal, é “inevitável”, que o mais suscetível vai culpar o outro, por todas as dificuldades que podem ocorrer, pelas mágoas e distanciamentos – um dos parceiros vai se fechando, sentindo-se só e acaba deixando o outro igualmente sozinho. Vale lembrar a música de Los Hermanos – O Vencedor – “Quem sempre quer a vitória, perde a glória de chorar”.

No fundo, todos sabem que há uma razoável cota de idealização e ilusão no amor, o que seria incompatível com ver a cara-metade espatifada no chão. Na verdade, é contraditório com a essência do amor real. Claro que ninguém aprecia viver com quem só coleciona insucessos – nesse caso, há algo patológico a ser verificado. Perder carrega um leque de significações terríveis. A derrota provoca um estrondo emocional na alma porque derruba a crença de que o indivíduo é infalível, de que é capaz de saber tudo. O fracasso é o real contra o qual se choca nosso desejo de invencibilidade. Mas, aqui entre nós, quem algum dia não sentiu o amargor de uma derrota? É na intimidade de uma relação amorosa que se encontra o melhor cenário para acolher e consolar a dor nessa hora – diante os desafios da vida que segue em frente. Sentir-se compreendido pelo parceiro traz bem-estar e alivia “os insucessos”. Aprender a participar da dor, da “loucura” e da ansiedade do outro sem entrar na mesma angústia também ajuda bastante. Para isso, pequenos comportamentos são fundamentais, como ouvir o que o outro diz, interessar-se por assuntos que o outro gosta, prestar atenção na forma como se expressa, sobretudo, respeitar a subjetividade do parceiro. É preciso deixar claro, que o texto não se propõe a indicar fórmulas de como obter sucesso nas conquistas amorosas. Não há como ditar fórmulas em relacionamentos, nem garantias e padrões de comportamentos no amor, nunca houve.

Os casais que vivem o problema têm a oportunidade de ver sua relação de forma generosa. E até tirar proveito das más situações. O curioso é que pessoas que obtiveram muito sucesso na vida com frequência ressaltam o valor das derrotas. Aliás, pessoas que percebem/reconhecem suas falhas, têm mais oportunidades de evitar erros em relações futuras. Mas é preciso saber extrair lições da derrota, assim, como colocou Friederich Nietzsche: “aquilo que não mata, fortalece”.

A mesma paciência e esperança devem se aplicar à relação do casal: é impossível ser vitorioso o tempo todo. Quem disser o contrário, está blefando. Há momentos em que os parceiros não se entendem, desanimam e têm vontade de desistir diante dos impasses da convivência. O fracasso às vezes é definitivo, porém, não raro, não passa de um momento difícil que pode ser superado, caso haja amor e não se tenha uma visão idealizada e perfeita do que é um convívio, porque, na realidade, o que ocorre nem sempre é um fracasso, mas apenas a frustração resultante de uma expectativa exagerada de sucesso. Afinal, somos humanos e finitos: não podemos triunfar o tempo todo.

O Filme: E Aí, Comeu? Comédia brasileira que retrata os relacionamentos. São três amigos de infância que vivem conflitos nos relacionamentos. Falam sobre seus dilemas e suas experiências no convívio com o sexo oposto. Regado a bebidas, seus contos e suas histórias, relatados numa mesa de um bar. Uma maneira lúdica de ver as vivências nos relacionamentos. Enfim, no fundo todos estão em busca do amor.
Com os atores e atrizes: Bruno Mazzeo, Marcos Palmeira, Emílio Orciollo Netto, Seu Jorge, Dira Paes, Tainá Müller – e os demais que fazem parte do elenco.