Artigo publicado em 12 nov 2012 | Este artigo tem 6 Comentários

O sintoma é a inscrição do simbólico no real. Jacques Lacan.  

O presente artigo tem o propósito de promover um debate interno e externo, e, assim, externar os sentimentos e pontos de vista.
As redes sociais e sites de relacionamentos são meios para nos dar mais expectativas de novas amizades e novos encontros e/ou se perder nesse emaranhado de opções. Existe um contingente de redes e sites de relacionamentos, que levam as pessoas as vitrines virtuais – isto é, um mal ou um bem?

Estamos nos utilizando desses mecanismos para passar o tempo, por necessidade ou por puro vício? O pensar dos internautas pode se resumir nestas frases: “Todos que estão à minha volta estão tendo um dia espetacular!”, ou por outro lado, “a pessoa tal está mesmo feliz ou deprimida?” Por isso, as redes sociais e sites relacionamentos são formas que espelham os humores. Mas, da mesma forma, também podem exagerá-los, pois, normalmente, falta-lhes contexto, ou serve para passar aos “amigos” uma imagem muito pouco real do que vai à alma.

Geralmente, nas redes sociais ou se tem uma vida espetacular, pulverizada em fins de semanas e viagens fantásticas – saídas à noite estupendas – ou se tem uma existência marcada pela depressão e pela tristeza -, espelhada nas postagens e legendas manhosas. Nas redes, todos são solidários ou insensíveis ao partilhar, não partilhar exibições – todos estão loucamente a favor de uma ideia ou contra – todos têm amigos estupendos ou apenas “amigos de longe”. Nesse ponto de vista, a aceitação de serem curtidos e/ou comentados traz prazer ao ego! Ora eufóricos, ora deprimidos como se fossem “bipolares”.

Os usuários, no seu exagero, não têm meio termo na Internet. Portanto, como o fenômeno das redes sociais e sites de relacionamentos fazem cada vez mais parte do cotidiano da humanidade -, vale pensar se tal fato nos alegra ou nos deprime.
Nos pegamos, assim, invejando a vida do outro, que parece ser um mar-de-rosas. Nos pegamos, também, fingindo que adoramos uma festa e/ou uma viagem em que não nos divertimos, mas tiramos fotos pensando em colocar na rede. Todavia, em tempos de redes sociais: uma relação só será sólida se for anunciada Online. Não raro existem aqueles que ficam chateados se um amigo não os parabenizou no seu aniversário e/ou colocou àquelas fotos que tiraram em algum lugar em um determinado evento.

Geralmente, as redes como espelho das vivências, servem para passar ao outro aquilo que são, ou melhor, a imagem que querem que os outros tenham de si. A diferença entre imagens está na filtragem que cada um faz daquilo que partilha. E o resultado influência os que o seguem… Nesse ambiente, onde se acumulam pessoas como quem coleciona “determinado objeto”, os humores influenciam ainda mais gente e têm mais pessoas influenciando o vosso humor.

As redes, como qualquer tecnologia são neutras. São boas ou ruins dependendo do que se faz dentro delas. E nem todo mundo aprendeu a usá-las a seu próprio favor. As redes podem ser úteis para fazer e manter amizades separadas pela distância ou pelo tempo e para unir pessoas com interesses comuns. Em excesso, porém, o uso das redes e sites de relacionamentos pode ter um efeito negativo: as pessoas se isolam e tornam-se dependentes de um mundo de faz de conta, ou serve para encontros fugazes, em que só se sentem à vontade para interagir em um faz de conta sem criar laços sólidos à margem da impessoalidade.

Em última análise, o ambiente virtual apenas intensifica e potencializa comportamentos que já estão presentes na pessoa. No entanto, mesmo aqueles que tentam criar uma personalidade positiva têm dificuldades em escapar de quem eles realmente são na vida real. “Se a pessoa tem traços de personalidade mais amargos, é comum que na internet seus comentários sejam mais ácidos, ou, nas entrelinhas, a pessoa deixa escapar algumas pistas.”

O que é um espelho? É o único material inventado que é natural. Quem olha um espelho, quem consegue vê-lo sem se ver, quem entende que a sua profundidade consiste em ele ser vazio… esse alguém percebeu o seu mistério de coisa. Clarice Lispector

 

Artigo publicado em 09 nov 2012 | Este artigo tem 6 Comentários

 

INTRODUÇÃO

O presente artigo tem por objetivo abordar: divórcio versus recasamento – que vêm batendo recordes nos últimos séculos XX e XXI. Ao que parece, o sujeito desse século ficou menos temeroso ao tomar decisões importantes para sua vida.

Por que tanta avidez em tomar novos rumos nos relacionamentos entre casais? Será que estamos mais inquietos e egoístas, menos tolerantes com o outro, mais ansiosos para buscar a felicidade, mais abertos, menos dispostos a engolir a seco uma relação que não deu certo – ou, deu certo durante algum tempo. Dizia o poeta: Que não seja imortal, posto que é chama. Mas que seja infinito enquanto dure”. Vinícius de Moraes.

CASAMENTO X SEPARAÇÃO

O divórcio abriu caminho para uma solteirice, ou uma nova união. O “até que a morte os separe” deixou de ser uma bênção “afrontante”.

Casamento é opção, não prisão perpétua. Recasar significa começar de novo, e continuar a estrada. A mudança na lei arejou os costumes.

Antes o divórcio só era possível após um ano de separação judicial e/ou dois anos de separação consumada, quando homem e mulher não estão mais juntos, mas são considerados ainda casados pela Justiça. Agora, é possível descasar em minutos, é instantâneo como uma injeção, às vezes dói, às vezes alivia a dor.

Muito embora, exista pessoas que são incapazes de ficar sós – quando terminam um relacionamento, logo buscam outro parceiro. Para essas: a vida têm graça apenas se estiverem acompanhados de alguém.

Na verdade, saber viver um período sem alguém é uma experiência que enriquece e aumenta as possibilidades de êxito na próxima relação.

SOLIDÃO X LUTO X DESPEDIDA

A solidão, portanto, pode se transformar em rica fonte de crescimento, experiência e renovação. Angústias intensas não permitem elaborar o processo da perda. De repente, ficar sem um parceiro não é solidão insuperável, nem abandono, mas momento de interiorização e autoconhecimento.

O sentimento de solidão não é causado, porque, não existe alguém ao lado, mas por se estar mal acompanhado de si próprio. Na verdade, a única pessoa com quem não podemos deixar de ter uma boa relação somos nós mesmos. E, quando não se consegue conviver bem consigo, não há milagroso amor que cure isso. Portanto, uma pessoa que não consegue viver bem consigo mesma, será praticamente inviável viver bem ao lado de alguém e/ou encontrar um parceiro que a suporte.

Quando uma relação chega ao fim, é natural que a pessoa fique confusa, até se surpreenda sentindo saudade do “ex”, menos por amor e mais por carência em ficar só. Outros fantasmas rondam a mente, como o temor de não mais conseguir alguém. Mas, se houver paciência, irá perceber que isso é uma ilusão causada pelo sentimento do fim da relação. A separação, mesmo de quem não desejamos mais é um processo doloroso – então, se faz necessário passar pela elaboração do luto, que faz parte do processo normal de adaptação. Um tempo de espera – tempo esse que, sabendo usá-lo, pode ser saudável e benéfico. Tempo de aprender com os erros, as dúvidas e refletir… Momento sereno e triste de despedida interna do “ex”, o adeus silencioso no passo a passo do luto, que poderá compor mais gratidão do que ressentimentos.

Afinal, não vivemos para colecionar vitórias o tempo todo. Sofremos com as mudanças que faz parte do processo inerente a vida. É importante nos protegermos do espírito descartável da cultura atual, da obrigação de ser “feliz”, das ilusões mágicas transmitidas pela mídia.

Quando a relação chega ao fim, tem-se a oportunidade de encontrar às próprias origens, voltar à liberdade de ir e vir, sem preocupar-se com esclarecimentos. É um momento de parar e, se abastecer existencialmente, para o retorno, quando novas oportunidades estarão a espera.

CONCLUSÃO

Por fim, concluímos com o pensamento do grande psicanalista Contardo Calligaris:

Não sei se isso é verdade. A degradação de um casal é feita de um acúmulo de pequenas palavras e condutas, que parecem insignificantes na hora e mesmo depois, na memória: não liguei naquele dia, cheguei atrasado no outro, preferi dormir quando você queria outra coisa, não disse o que eu queria porque tanto faz… Nada precisa ser drástico e, no fundo, tudo é contingente: se eu estivesse apenas menos cansado, naquela noite, não teria dormido enquanto você falava… Conclusão: mesmo recomeçando sem poder recorrer às ditas “lições” do passado, talvez o desfecho não seja necessariamente o mesmo”.

 

REFERÊNCIAS:

Autora: Luzziane Soprani.

Citações: (Vinícius de Moraes) foi um poeta, dramaturgo, jornalista, diplomata, cantor e compositor brasileiro. – (Contardo Calligaris) é psicanalista, escritor e dramaturgo italiano radicado no Brasil.

Artigo publicado em 07 nov 2012 | Este artigo tem 3 Comentários

O que aceito, isto vai para parte de minha alma que eu conheço, o que eu rejeito, vai para parte da alma que eu desconheço.

C. G. Jung.

Entre as causas e motivações conscientes das traições está a vingança: aquele que foi traído sente raiva do parceiro, não conseguindo resolver está mágoa fica num dilema consigo mesmo, vivendo sempre a margem da vingança e autodestruição.

Ainda que as estatísticas mostrem que as mulheres começam a trair mais, o modelo de traição que predomina é a traição masculina (continua sendo muito comum a imaturidade masculina). Claro que, na juventude, é natural o flerte e a aventura. Surgi à curiosidade que vem dos hormônios. Só que uns levam isso à frente e para sempre. A sociedade ainda é machista: o homem livre é o pegador, ou o mais popular no passado o “garanhão” – e a mulher livre é chamada de vagabunda, galinha, piriguete e outros julgamentos atribuídos ao sexo feminino. De acordo com a sexóloga Carmita Abdo, “vagabunda é aquela mulher que você quer, mas não te quer”. Aquela que transou com vários não estaria interessada em estabilidade. “Será que eu vou dar conta?”, pensa ele. Como se pudesse controlar a futura dor de uma rejeição ou troca.

Isso não quer dizer que é mais realizado na vida amorosa quem faz sexo com muita gente, seja homem ou mulher. Às vezes, as próprias mulheres não relatam seu passado, por temer a maioria dos homens machistas – acabam dizendo que não tiveram muita experiência, ou nunca se sentem à vontade para relatar. Poucos homens conseguem aceitar a experiência sexual das mulheres. Mas o porquê saber das experiências de nossos parceiros no passado? Afinal, todos têm um passado com poucas ou mais experiências que só diz respeito à pessoa. Os homens mais agressivos com as mulheres sentem dificuldade de lidar com a ideia de que elas têm desejo sexual próprio. “É como se a virilidade deles fosse transferida para elas”, afirma o psicanalista Contardo Calligaris. São homens capazes de agredir uma mulher por estar de saia curta. A vida sexual deles costuma ser frustrante, limitada e triste.

Nesse caso o homem continua com a mesma consciência, não reprimir o desejo (por querer mais sexo ou variedade erótica do que encontra no relacionamento) “é o desejo ardente por liberdade, por considerar ter uma única mulher uma escassez”. Não raro, é uma forma de controle, manipulação e poder.

Há quem diga que trai para salvar o casamento: embora tenha insatisfações em relação ao parceiro, acredita que é melhor estar casado; ou quer se separar, mas tem receio à reação do cônjuge. Para estes, trair é um jeito de amenizar o convívio com o cônjuge que não deseja mais.

Já se tornou comum dizer que a postura infiel não gera culpa nem confusão a vida da pessoa, e se ela souber manipular a variedade de experiências e os riscos de ser descoberta, então sua infidelidade é apenas uma escolha – e, subentende-se, suportável. É o perfil de vida individualista atual, que suporta atitudes egoístas e banaliza comportamentos cínicos.

Na realidade, quando alguém se vê obrigado por outra pessoa a passar por situações inaceitáveis estará sendo vítima de uma relação de poder e sua saúde mental/emocional estará à mercê das dores que somatizadas poderão desencadear patologias. É o caso da traição. Trair é um ato de poder. Deixaria de sê-lo só se a opção fosse escolha de ambos. Nesse caso não existe traição, o relacionamento é aberto não tem exercício de poder. É uma escolha dos parceiros, que eticamente combinaram necessidades mútuas. A liberdade nas relações afetivas.

Traição são casos levados aos consultórios dos psicoterapeutas com muita frequência. Enquanto formos tolerantes. com atos infiéis, estaremos retardando a evolução dos relacionamentos afetivos.

Artigo publicado em 05 nov 2012 | Este artigo tem 7 Comentários

A mídia convence que as pessoas belas, com corpos perfeitos, terão sucesso no amor e nos negócios. A beleza torna-se encobridora da falta em uma franca recusa da castração. O corpo passou a ser palco da perfeição e da juventude eterna. A identificação com estas imagens segue um modelo chamado de ego ideal que aponta para o narcisismo e a tentativa de evitar conflitos e castração, e tem como consequência uma falsa ideia de completude e certo desenvolvimento paranóico com relação ao próprio corpo. (Déborah Pimentel – Círculo Psicanalítico de Sergipe).

Sem dúvida, a vaidade, a estética e o culto à saúde, são muito importantes. Isso só se torna um problema quando há uma supervalorização desses aspectos.

Hoje, o que conta é a aparência. As imagens dos corpos que desfilam assumem a forma padronizada que rege o lugar de objetos de desejo. Portanto, o pecado agora é ser gordo, ter celulite, estrias ou rugas.

A cada dia proliferam academias, clínicas de estética, novos tratamentos antienvelhecimento, antiestrias, “anti-isso”, “anti-aquilo”…

São muitas as ofertas para uma mulher parecer diferente, mais linda, mais desejável, mais fascinante e ilusoriamente perfeita: mudam a cor dos olhos, usam-se cosméticos, aumentam ou diminuem partes do corpo, como seios, lábios, nádegas…

É importante questionar: qual é a relação que existe entre as imagens dos corpos divulgados pela mídia em uma cultura de consumo, como ideais de beleza, e a ideia de completude e busca da felicidade?

As pessoas estão o tempo todo aspirando ao corpo perfeito, um marido bacana, uma mulher linda, um bom emprego. E se estas coisas ainda não foram alcançadas, não desanime, pois o pacote completo, sinônimo de sucesso deve estar por chegar. Este também é “o segredo” dos livros de autoajuda que se tornam Best Sellers.

No mundo contemporâneo, imediatista e individualista: há os viciados em álcool, droga, jogo, trabalho, status, prestígio, poder, sexo, internet… e os que supervalorizam à sua imagem física e/ou muitos desses vícios juntos.

Muitas dessas mulheres viciadas em plásticas estão identificadas e paralisadas diante das imagens das Top Models, pelo narcisismo e pela presença de um superego cruel e sádico, “não habitam e se reconhecem no próprio corpo”, que é tratado como objeto ameaçador, vigiando-o, controlando-o e transformando-o continuamente por motivação estética.

Essas questões vão além de uma referência a modelos estéticos. Esse excesso de preocupação com a beleza e a estética está a serviço de evitar confrontos com a realidade, é uma fragmentação interna que gera: insegurança, frustração, medo, angústia e horror ao vazio.

Se houvesse um meio de conciliação, se, de alguma forma, estas mulheres pudessem se apropriar dos seus próprios corpos e simbolizá-los de alguma maneira, posto que (ninguém é perfeito), se não ficassem evitando a frustração e elaborassem o seu desamparo e carência estrutural, poderiam estar mais próximas da tal felicidade, mesmo que parcial e, verdadeiramente, como é o destino dos humanos.

Em última análise, sentimos o quanto à valorização desses atributos externos estão tão arraigadas em nossa consciência que deixamos de olhar para o que realmente importa: a essência humana que está dentro de cada um de nós.