Artigo publicado em 14 maio 2012 | Este artigo tem 1 Comentário

image“Segundo Lacan, a família é um mal necessário uma vez que a condição humana é prematura; o homem nasce prematuro, incapaz de se desenvolver só, sem o outro. Portanto, ao mesmo tempo em que o sujeito surge de uma demanda da família, a família também existe enquanto demanda do sujeito, uma vez que é ele que a “alimenta” e a mantém viva”.

Vivemos em outros tempos? Não necessariamente. Na atual era contemporânea ou é permissividade demais, ou, violência em extremo. Entretanto, neste artigo será abordado a violência física e psíquica. Está cada vez mais constante ver-se pais que apresentam uma conduta muito agressiva com seus filhos. Verdadeiros “espetáculos” e desajustes emocionais acompanhada por doses exageradas de gritaria e violência física e psíquica, sem dimensão do mal que causam aos seus filhos.

Mas podemos perceber que o abuso psicológico é, às vezes, tanto ou mais prejudicial que o abuso físico, e, se qualifica, por rejeição, discriminação, humilhação, depreciação, desrespeito, chantagens emocionais e punições excessivas. Não é um abuso praticado preponderantemente só pelo sexo masculino como é o caso do abuso físico entre casais. Nesse caso, isso acontece em iguais proporções em ambos os sexos. E costuma ser uma forma repetitiva de teores vivenciados em muitas famílias. Trata-se de uma agressão que não, necessariamente, venha deixar marcas físicas evidentes – porém emocionalmente causa cicatrizes indeléveis por toda uma vida.

No entanto, nesses casos não se pode citar somente uma razão para defender e/ou acusar pais com perfis agressivos-violentos com suas crianças, haja vista todo o contexto de violência gerado na infância é levado à frente causando danos à vida do sujeito. Uma pessoa assim, ou seja, uma mãe, um pai e/ou cuidador com esses traços de personalidade traz em seu histórico de vida, provavelmente um depósito de frustrações que foi gerado na sua infância – desencadeando falta de controle, equilíbrio emocional, medos, impaciência, irritabilidade, ódio, raiva, etc., referenciando o ambiente de onde veio. Visto dessa maneira, há um quadro que podemos chamar de processo de repetição…

Mães e pais agressivos influenciam diretamente nos traços de personalidade da criança – que, um dia se tornará um adulto – sujeito este que levará consigo, marcas profundas dessas mazelas causadas lá atrás – na primeira infância – trazendo para o sujeito, um trauma, com grandes chances de nunca ser corrigido.

É certo que, inexiste um perfil ideal de pais -, mas nos dias atuais, comparando ao passado, existem muitos recursos, ou seja, profissionais que estão disponíveis com um bom aparato científico e experiências vividas em suas carreiras para ajudá-los a construir o verdadeiro laço entre pais e filhos – para ampara-los no processo de educação.

Buscar ajuda profissional poupará a vida da criança. A criança educada por pais com comportamentos perversos, hostis, agressivos, violentos: ficam com suas vidas estilhaçadas emocionalmente. Não há dúvida que os pais são parte de maior relevância nesse processo de criar e educar – e dependendo da forma como o filho é educado, no futuro, o sujeito poderá se tornar um adolescente, um adulto, com consequências e sequelas psíquicas – e os pais poderão se sentir incapazes de digerir essa culpa.

Mas se tirarmos a responsabilidade de cada um frente a educação dos seus filhos, às suas emoções estarão com o caminho aberto para a infelicidade geral da família.

“Diria Vinícius: Filhos, talvez melhor seria não tê-los, como você pensou, mas ficar sem sabê-lo tira toda a graça, desgraça”.

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