Artigo publicado em 19 maio 2012 | Este artigo tem 6 Comentários

Lacan nos diz que o trauma é o encontro com o Real, o Real da morte, ambas as figuras do impossível. Do impossível de se representar, de fazer existir no simbólico, no mundo das representações, na realidade psíquica, ou seja, o encontro com o Real da castração.

Os estudos sobre o Transtorno de Estresse Pós-Trumáutico, ainda estão em fase inicial, pouco se sabe sobre o transtorno e a predisposição de cada indivíduo. Portanto, algumas pesquisas já indicam que, dentre as pessoas que sofreram um trauma severo, 10% a 50% podem desenvolver o TEPT, sendo as mulheres mais vulneráveis que os homens, bem como as crianças e os idosos.

Na Síndrome do Estresse Pós-Traumático o que acontece é uma experiência realmente dramática. A causa não é necessariamente decorrente do dano físico, mas proveniente da emoção e do susto sofrido. É como se ferisse a memória, um dano infringido.

As causas que levam ao trauma são diversas: sequestro, assalto, estupro, ameaças, atos de terror, perda de ente querido, etc.
– O momento fatídico fica impregnado de forma muito viva na memória, de modo a ser revivido constantemente com a mesma intensidade e igual sofrimento dos momentos vivenciados pela pessoa na ocorrência do evento. É uma forma de condicionamento tão intenso que o sofrimento volta mesmo sem que tenha vivido a mesma situação de fato. É como se fosse uma fobia que independa de novos fatos para se reabastecer, já que isso acontece por si só. O ideal depois do evento traumático é o de acompanhar a pessoa logo após a vivência traumática, deixando-a falar, exteriorizar sobre o acontecimento, descarregando ao máximo sua dor.
Diante a situação é necessário observar como a pessoa vai reagindo, sendo essencial que o indivíduo procure ajuda logo após o trauma. O tratamento, este deve ser feito com medicação antidepressiva ajudando a “aliviar” a memória, para o trauma não se tornar um ritual, um fantasma do sujeito, fixando sua posição de vida nos momentos sofridos.
Quando a pessoa vai para terapia muito tempo depois e o processo de rememorações já se estabeleceu, a conduta é a de uma terapia interpretativa mais longa com a finalidade de fortalecer a razão delas, além de medicação para aliviar o sintoma de modo a serem capazes de lidar melhor com as lembranças.

Segundo a Dra Ana Beatriz Barbosa Silva – Médica Psiquiatra e autora de vários livros:
É importante que o médico e o terapeuta nunca percam de vista que o indivíduo adoecido não é simplesmente uma máquina a ser consertada, e que não existe um modelo fixo do que significa uma vida saudável. Cada um de nós é um somatório de corpo físico, mente, emoções, essência original e experiências singulares.

É necessário o apoio familiar e de amigos para que o indivíduo não se sinta desamparado e à mercê dos seus transtornos e angústias. É fundamental o encorajamento, mostrando que os desafios com os quais nos deparamos pelas estradas da vida podem trazer mudanças significativas para um novo recomeço. O passado é lição para refletir, não para repetir.

Artigo publicado em 17 maio 2012 | Este artigo tem 5 Comentários

casal

É quase impossível conciliar as exigências do instinto sexual com as da civilização. Sigmund Freud.

Na troca de favores sexuais, que caracteriza a prostituição, elementos sentimentais, como o afeto deve estar ausente em pelo menos um dos protagonistas. Nesta profissão, que é referência como “a mais antiga do mundo”, tem como objetivo trocar sexo por dinheiro. Mas, pode-se cambiar relações sexuais por favores profissionais, informações, bens materiais e muitas outras coisas. Ainda que muitos homens se prostituam, historicamente a prostituição feminina é mais frequente que a masculina.

Sempre existirão profissionais do sexo. Mas, na atualidade, ambos os sexos têm à disposição profissionais do sexo para sem embaraços e complexidade, “preencher a necessidade de alguma coisa básica: falta, carência emocional e desejos insatisfeitos”. No entanto, o que leva a busca de prazer imediato ou consolo? Isso nos faz pensar um sintoma da contemporaneidade, uma vez que, o sexo não é visto com tanto pudor. Na busca pelo prazer imediato existe uma dissociação entre amor profano e sagrado.

Ocorre que o sexo pode adentrar os “desejos e estranhezas” que o sujeito não se tem coragem de satisfazer com o parceiro que se tem: apreço, afeto e consideração. Entra no campo a subjetividade cheia de pudores.  Dessa forma, profissionais servem para isso, haja vista é proibido proibir, afinal, não existe desrespeito em um encontro de programa, o objeto é comprado. Às vezes, é um simples desejo de variar, sem se envolver. Evidencia um bom divertimento, sem danos futuros. Percebe-se uma estranheza, mas é uma realidade, pois ainda há homens que, quando amam, não desejam e quando desejam, não amam. No extremo, escolhem profissionais do sexo, pois assim sentem-se livres para satisfazer suas fantasias – e dessa forma – usam essa condição até como um meio para ter mais potência. Existem àqueles que não conciliam amor e excitação.

Muito embora, as mulheres de alguma maneira não se isentam de padecer questões semelhantes. Sobre elas costuma recair maior repressão e advertências para terem cuidado com sexo. O resultado é que uma vez “liberadas” para o sexo, algumas custam se dar conta de que são livres sexualmente. Na contemporaneidade, a mulher tem os mesmos diretos e deveres que o homem – depois que conquistaram o mercado de trabalho -, mas a realidade não é bem assim. O sexo feminino continua a sofrer preconceitos. No limite, há mulheres que não se satisfazem em relações convencionais, até que uma situação de desafio e/ou proibição seja revigorada: um amante, um garoto de programa, alguém que precisam ocultar da sociedade. Semelhante ao caso dos homens, algumas mulheres atualmente se servem de programas para sentirem-se vigorosas e desejadas pelo sexo oposto, pois nesse caso, às mulheres não necessariamente podem estar disponíveis de outra maneira; isso acontece no raciocínio feminino, às vezes por vingança e ressentimento, o que causa a necessidade de êxito onipotente sobre o homem.

Isso é drástico e vazio, pois há uma desvalorização do amor ao sexo – especialmente ao sexo pago -, para além das carências que urgem – reproduz a experiência infantil da criança que é alimentada sem sentir afeto dos pais. É nesse ponto que vem a dissociação entre a satisfação física e a subjetiva. Que pode surgir de uma busca cada vez maior por bens materiais, compulsões sexuais e drogas. Por fim, se a vida não ensinar que o que preenche é a afeição, admiração, respeito, afeto, compreensão, etc. Torna-se impossível a satisfação sexual, pois o sexo só é prazeroso quando ambos são compreensíveis e respeitam um ao outro. Está mais do que comprovado que sexo faz bem à saúde e melhora significativamente o humor. Não é uma crítica a quem exerce essa função, ou quem faz uso dela, mas tem inerente limitação que o programa por si só não é capaz de suprir.

CONCLUSÃO:

Seja como for, refletir sobre a prostituição é aprofundar o debate sobre as relações entre homens e mulheres, o que não pode ser feito sem levar em conta as questões ligadas à posição subjetiva da mulher na sociedade e a hegemonia do discurso masculino dominante.

Independente das razões que o homem procura por este tipo de serviço, quando em uma relação, é preciso tentar entender as questões e razões para que isto aconteça. No relacionamento é importante buscar uma maior intimidade tanto enquanto casal como também uma intimidade sexual, onde os parceiros sintam-se a vontade para expor seus desejos e fetiches, sem julgamentos, de forma que juntos consigam se entender, fortalecendo o vinculo do casal. A relação sexual do casal é vital, sendo um dos aspectos a serem considerados para existir um relacionamento saudável.

 

REFERÊNCIAS:

Prostituição: artes e manhas do ofício. R. Araújo. Cânone Editorial, 2006.

Mente & Cérebro – Sexo, v. 4 (edição especial), dez. 2008

 

 

Artigo publicado em 16 maio 2012 | Este artigo tem 1 Comentário
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Ponham algo de si na psicanálise, não se identifiquem comigo […]. Tenham seu estilo próprio, pois eu tenho o meu […] Jacques Lacan

O presente artigo trata o relacionamento entre analista versus analisando. Tendo em vista, uma linha do pensamento psicanalítico, haja vista em psicanálise temos outras correntes e/ou linhas de pensamentos.

Na análise, há uma pergunta que não soa estranheza para o analista, quando se é questionado: “Analista só ouve ou também fala?” Analista fala. Fala no momento que faz diferença falar.

Desse modo, existem outras perguntas pertinentes, por exemplo: “Qual a sua linha de atendimento e/ou como funciona a análise”?

É prudente esclarecer como funciona o processo de análise ao analisando. De forma simples e didática em que o analisando possa compreender. Todavia, cada profissional trabalha de forma subjetiva, ou seja, introduzindo à sua própria maneira de conduzir o processo analítico, bem como à sua linha de pensamento.

Partindo desse princípio, o analista é determinado pelos traços de personalidade, isto é, o perfil do próprio profissional. Nós psicanalistas: sabemos que a personalidade do analista não deve comparecer nas sessões de análise. Mas, não podemos negar que, a forma de conduzir o processo terapêutico se dá a partir do analista. 

Evidentemente, o analista não conseguiria deixar o analisando completamente satisfeito, pois à análise acontece numa boa dose de insatisfação. Quase tudo na análise demanda tempo -, pois, a elaboração só acontece no momento do insight. Mas, o que seria um “insight”, uma vez que esta é uma palavra muito utilizada quando falamos em autoconhecimento. O insight significa descobrir e/ou perceber algo que antes o analisando não percebia sobre si mesmo. Citaremos aqui um exemplo: Em determinado momento o sujeito percebe que está sendo manipulado por alguém, mas descobre que está permitindo que isso aconteça, sendo assim, está tentando compensar algo que antes nem se dava conta. Quando você percebe a situação, é como um despertar interior. Antes havia uma cegueira, e agora as “coisas” ficaram claras. 

Todavia, é de grande relevância o analisando saber que o analista não pode e nem deve ser um conselheiro. 

“O ato ultrapassa o analista. O que é preciso compreender é que o psicanalista age o tempo todo. Ele está sempre no ato, mas não o sabe. Não há, pois, salvação possível na abstenção.” 

Por mais incômodo que possam ser os seus sintomas, é necessário coragem para se olhar de frente e enfrentar os seus fantasmas, para então, se obter às mudanças possíveis e necessárias.

Concluímos da seguinte maneira: da mesma forma que para Vinícius a mulher tem que ter qualquer coisa além da beleza, para Lacan a palavra do analista tem que ter qualquer coisa além do sentido.” 

FONTE:

Luzziane Soprani – Psicanalista e escritora

Citações do Psicanalista lacaniano  – Jorge Forbes – Da palavra ao gesto do analista – Jorge Zahar Editor, 1999. Pela Coleção Campo Freudiano no Brasil

Artigo publicado em 14 maio 2012 | Este artigo tem 1 Comentário

image“Segundo Lacan, a família é um mal necessário uma vez que a condição humana é prematura; o homem nasce prematuro, incapaz de se desenvolver só, sem o outro. Portanto, ao mesmo tempo em que o sujeito surge de uma demanda da família, a família também existe enquanto demanda do sujeito, uma vez que é ele que a “alimenta” e a mantém viva”.

Vivemos em outros tempos? Não necessariamente. Na atual era contemporânea ou é permissividade demais, ou, violência em extremo. Entretanto, neste artigo será abordado a violência física e psíquica. Está cada vez mais constante ver-se pais que apresentam uma conduta muito agressiva com seus filhos. Verdadeiros “espetáculos” e desajustes emocionais acompanhada por doses exageradas de gritaria e violência física e psíquica, sem dimensão do mal que causam aos seus filhos.

Mas podemos perceber que o abuso psicológico é, às vezes, tanto ou mais prejudicial que o abuso físico, e, se qualifica, por rejeição, discriminação, humilhação, depreciação, desrespeito, chantagens emocionais e punições excessivas. Não é um abuso praticado preponderantemente só pelo sexo masculino como é o caso do abuso físico entre casais. Nesse caso, isso acontece em iguais proporções em ambos os sexos. E costuma ser uma forma repetitiva de teores vivenciados em muitas famílias. Trata-se de uma agressão que não, necessariamente, venha deixar marcas físicas evidentes – porém emocionalmente causa cicatrizes indeléveis por toda uma vida.

No entanto, nesses casos não se pode citar somente uma razão para defender e/ou acusar pais com perfis agressivos-violentos com suas crianças, haja vista todo o contexto de violência gerado na infância é levado à frente causando danos à vida do sujeito. Uma pessoa assim, ou seja, uma mãe, um pai e/ou cuidador com esses traços de personalidade traz em seu histórico de vida, provavelmente um depósito de frustrações que foi gerado na sua infância – desencadeando falta de controle, equilíbrio emocional, medos, impaciência, irritabilidade, ódio, raiva, etc., referenciando o ambiente de onde veio. Visto dessa maneira, há um quadro que podemos chamar de processo de repetição…

Mães e pais agressivos influenciam diretamente nos traços de personalidade da criança – que, um dia se tornará um adulto – sujeito este que levará consigo, marcas profundas dessas mazelas causadas lá atrás – na primeira infância – trazendo para o sujeito, um trauma, com grandes chances de nunca ser corrigido.

É certo que, inexiste um perfil ideal de pais -, mas nos dias atuais, comparando ao passado, existem muitos recursos, ou seja, profissionais que estão disponíveis com um bom aparato científico e experiências vividas em suas carreiras para ajudá-los a construir o verdadeiro laço entre pais e filhos – para ampara-los no processo de educação.

Buscar ajuda profissional poupará a vida da criança. A criança educada por pais com comportamentos perversos, hostis, agressivos, violentos: ficam com suas vidas estilhaçadas emocionalmente. Não há dúvida que os pais são parte de maior relevância nesse processo de criar e educar – e dependendo da forma como o filho é educado, no futuro, o sujeito poderá se tornar um adolescente, um adulto, com consequências e sequelas psíquicas – e os pais poderão se sentir incapazes de digerir essa culpa.

Mas se tirarmos a responsabilidade de cada um frente a educação dos seus filhos, às suas emoções estarão com o caminho aberto para a infelicidade geral da família.

“Diria Vinícius: Filhos, talvez melhor seria não tê-los, como você pensou, mas ficar sem sabê-lo tira toda a graça, desgraça”.

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