Artigo publicado em 30 jul 2012 | Este artigo tem 8 Comentários

A relação entre homem e mulher é aquela em que as pessoas depositam as suas maiores esperanças. Por isso, talvez seja nela que mais se sentem solitários-fracassados-impotentes. Se o casal estiver bem, os impasses serão menos impactantes e mais administráveis. Mas, se estiver mal, em vez de entender que por vezes o dilema da relação se trata de um problema do casal, é “inevitável”, que o mais suscetível vai culpar o outro, por todas as dificuldades que podem ocorrer, pelas mágoas e distanciamentos – um dos parceiros vai se fechando, sentindo-se só e acaba deixando o outro igualmente sozinho. Vale lembrar a música de Los Hermanos – O Vencedor – “Quem sempre quer a vitória, perde a glória de chorar”.

No fundo, todos sabem que há uma razoável cota de idealização e ilusão no amor, o que seria incompatível com ver a cara-metade espatifada no chão. Na verdade, é contraditório com a essência do amor real. Claro que ninguém aprecia viver com quem só coleciona insucessos – nesse caso, há algo patológico a ser verificado. Perder carrega um leque de significações terríveis. A derrota provoca um estrondo emocional na alma porque derruba a crença de que o indivíduo é infalível, de que é capaz de saber tudo. O fracasso é o real contra o qual se choca nosso desejo de invencibilidade. Mas, aqui entre nós, quem algum dia não sentiu o amargor de uma derrota? É na intimidade de uma relação amorosa que se encontra o melhor cenário para acolher e consolar a dor nessa hora – diante os desafios da vida que segue em frente. Sentir-se compreendido pelo parceiro traz bem-estar e alivia “os insucessos”. Aprender a participar da dor, da “loucura” e da ansiedade do outro sem entrar na mesma angústia também ajuda bastante. Para isso, pequenos comportamentos são fundamentais, como ouvir o que o outro diz, interessar-se por assuntos que o outro gosta, prestar atenção na forma como se expressa, sobretudo, respeitar a subjetividade do parceiro. É preciso deixar claro, que o texto não se propõe a indicar fórmulas de como obter sucesso nas conquistas amorosas. Não há como ditar fórmulas em relacionamentos, nem garantias e padrões de comportamentos no amor, nunca houve.

Os casais que vivem o problema têm a oportunidade de ver sua relação de forma generosa. E até tirar proveito das más situações. O curioso é que pessoas que obtiveram muito sucesso na vida com frequência ressaltam o valor das derrotas. Aliás, pessoas que percebem/reconhecem suas falhas, têm mais oportunidades de evitar erros em relações futuras. Mas é preciso saber extrair lições da derrota, assim, como colocou Friederich Nietzsche: “aquilo que não mata, fortalece”.

A mesma paciência e esperança devem se aplicar à relação do casal: é impossível ser vitorioso o tempo todo. Quem disser o contrário, está blefando. Há momentos em que os parceiros não se entendem, desanimam e têm vontade de desistir diante dos impasses da convivência. O fracasso às vezes é definitivo, porém, não raro, não passa de um momento difícil que pode ser superado, caso haja amor e não se tenha uma visão idealizada e perfeita do que é um convívio, porque, na realidade, o que ocorre nem sempre é um fracasso, mas apenas a frustração resultante de uma expectativa exagerada de sucesso. Afinal, somos humanos e finitos: não podemos triunfar o tempo todo.

O Filme: E Aí, Comeu? Comédia brasileira que retrata os relacionamentos. São três amigos de infância que vivem conflitos nos relacionamentos. Falam sobre seus dilemas e suas experiências no convívio com o sexo oposto. Regado a bebidas, seus contos e suas histórias, relatados numa mesa de um bar. Uma maneira lúdica de ver as vivências nos relacionamentos. Enfim, no fundo todos estão em busca do amor.
Com os atores e atrizes: Bruno Mazzeo, Marcos Palmeira, Emílio Orciollo Netto, Seu Jorge, Dira Paes, Tainá Müller – e os demais que fazem parte do elenco.

Artigo publicado em 10 jul 2012 | Este artigo tem 10 Comentários

INTRODUÇÃO

“O narcisismo, conceito psicanalítico cujo nome Freud tomou de empréstimo ao mito grego de Narciso, um jovem de beleza tal que se comparava a um deus. Enamorou-se de sua própria imagem espelhada na superfície de um lago. Por isso, repudiou o amor da ninfa Eco e foi punido com a condenação de apaixonar-se apenas pela sua imagem refletida no rio. Sem alcançar o seu ideal, afogou-se nas águas ao tentar atingir o reflexo. O mito ficou associado, em nossa cultura, à ideia de vaidade que, dentre os sete pecados capitais é o mais grave, pois  todos os outros derivariam deste. O narcisismo está vinculada à questão da imagem e esta, por sua vez, à noção de identidade”.

Narcisista: os mestres da negação.

Narcisistas são pessoas perdidas em si mesmas. Não se trata de se acharem lindos apenas. Ser lindo e bonito é apenas uma parte do processo patológico desses indivíduos. O narcisista é um sujeito que recria o mundo a partir de si próprio. Crê que pode bastar-se sozinho e, não precisa de ninguém, não ouve ninguém e, tudo o que pensa e diz, é o que importa. O narcisista é o único e todo-poderoso pelo corpo e pela alma. Mesmo quando algo vai mal, o narcisista não pode dar-se por vencido. O narcisista é aquele tipo de pessoa a quem se dá amor de forma irrestrita, mas ele nunca se sacia e acaba sempre por dar a impressão de que não se tem amor para dar ou não se sabe dar amor. Mas como o termômetro de sucesso é sempre a opinião dos outros, também está enquadrado como portador deste transtorno o (Eterno Insatisfeito), aquele que não consegue ficar contente com suas conquistas, ou melhor, precisa de desafios e está sempre em busca de metas inalcançáveis. Eles esperam ser sempre adulados e ficam desconcertados ou furiosos quando isto não ocorre da maneira como desejam.

As Redes Sociais e Sites de Relacionamentos aguçam o Narcisismo Patológico. “Todo mundo quer ser apreciado”.

As redes sociais e sites de relacionamentos de um modo geral, “seja: Facebook, Twitter, Orkut e os mais variados sites de relacionamentos são ferramentas para o individualismo – instigando o desenvolvimento da personalidade narcísica”. Essa influência vem da televisão, internet e aguçam os transtornos psíquicos. Todos esses meios são terrenos férteis para instigar as pessoas a mostrarem seus sucessos e seus fracassos.

Por exemplo, um dos sites mais acessados, “o Facebook vem sendo alvo de pesquisas e estudos: pesquisadores vincularam o número de atividades no Facebook com a possibilidade do usuário ser um narcisista “socialmente disruptivo”. Comportamentos narcisistas podem ser detectados em pessoas que se autopromovem no Facebook. O primeiro, chamado “exibição grandiosa”, fala sobre pessoas que amam ser o centro das atenções. O outro envolve o quão longe alguém é capaz de ir para conseguir a atenção que supostamente acha que merece incluindo gastos exagerados em festas e viagens apenas para serem admirados ou “curtidos”. Não há uma base de quantos amigos uma pessoa tem ou o quanto ela atualiza o status para qualificar uma tendência narcisista”, afirmou Chris Carpenter, um dos responsáveis pelo estudo na Universidade Western Illinois, nos Estados Unidos.

Confronta-se os extremos: o usuário que sempre publica sua invejável felicidade e o outro internauta que só divulga comentários negativos e de autopiedade – ambos podem fazer desta Rede Social uma ferramenta para aguçar esse transtorno de personalidade cada vez mais presente na vida real. E ainda que sirva de indícios para a influência do narcisismo nos usuários, reconhecer a patologia não é tão simples.

Nos Sites de Relacionamentos, aqueles que buscam um parceiro não têm o controle e a permanência das relações, pois todos são vítimas e ao mesmo tempo desejantes de um consumismo sem fronteiras. O ponto chave nunca é colocado no centro da questão, que é a brutal ansiedade em que vivemos. Há muitos casos que visa apenas à ostentação em todos os aspectos. A “Posse” ou o “Ter” (o deus supremo).  Não generalizando; apenas ressaltando a extrema dificuldade das pessoas em nossos dias em manter um relacionamento sólido. Com tanta oferta nas vitrines virtuais, as relações acabam se tornando de altíssima liquidez. Se fôssemos mais honestos desde o início, a realidade seria menos (vaidade, narcisismo, ostentação); talvez mais pessoas pudessem ter alguma chance de um relacionamento verdadeiramente leal e sólido. Aliás, ninguém sabe lidar com o dilema da solidão versus má companhia e/ou insatisfação. No entanto, ao sair da virtualidade, raramente existe uma verdadeira conquista, sobretudo porque se acredita que o objeto desejado já foi conquistado no mundo virtual. Enfim, muitas dessas relações acabam como o mito de Narciso.

 Narcisista: Amor próprio ou impróprio?

O narcisista tem uma péssima impressão a seu respeito, mas esta ideia está longe da consciência. As pessoas que têm esse distúrbio carregam na sua história pessoal a dor de não terem se sentido adequadamente amadas quando crianças e, a partir disso, desenvolvem uma frieza emocional nos relacionamentos interpessoais. Isso acontece como um mecanismo de defesa para nunca mais sentir a decepção que experimentaram quando crianças. Isso implica dizer que na realidade, os pais foram maus, falharam com ele. E ele acredita que foi impotente para conseguir fazer-se amar. Seu estado narcísico é uma defesa contra sua dor primeira (a infância). É por isso que o narcisista não suporta ser contrariado e nem aceita que lhe digam que tem defeitos. O defeito está sempre nos outros, mas nunca nele. Como todo ditador que se preze, o narcisista é alguém que precisa de público, daqueles que o admirem de forma incondicional e irrestrita. É um dependente.

CONCLUSÃO

A busca por ajuda terapêutica se faz necessária. O processo psicoterapêutico levado a sério junto a um um profissional experiente e capacitado, ajuda esses indivíduos a encontrar a busca da realidade no contexto dessas fantasias e desajustes.

O Filme: “O Diabo Veste Prada”, ilustra a personalidade de uma narcisista em potencial. A personagem principal, Miranda (é interpretada pela atriz Meryl Streep), e constitui um bom exemplo de uma pessoa que é vítima do Transtorno de Personalidade Narcisista.

Autora: Luzziane Soprani

 

 

Artigo publicado em 03 jul 2012 | Este artigo tem 11 Comentários

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O homem sério é perigoso, pode transformar-se em tirano.

Simone de Beauvoir.

Toda EMOÇÃO pode ser positiva, mas toda emoção pode trazer resultados bons e ruins. Dependendo de como cada um controla seus sentimentos. A questão é que, ao que parece, “muitos de nós não controlamos os impulsos do ciúme, inveja e projeção”.
É quase impossível na raça humana existir alguém que não sente um pingo de ciúme em um relacionamento a dois. Quando temos um objeto de amor, é comum que não queiramos dividi-lo com outro. O ciúme é uma emoção normal, porém, há variações de intensidade.

No ciúme patológico: o ser humano vive num eterno conflito entre os impulsos (o que deseja realizar) e as normas (o que deve ou pode fazer). Percebemos que em cada situação existem tipos de convivência, por exemplo, “os desajustados”: aqueles que se deixam dominar pelos impulsos, e os que vivem sempre “dentro dos padrões”. Esse último, muito racional, se uniu ao emocional, para viver nele o que reprime em si mesmo, e vice-versa. Quando o ciúme não pode ser controlado racionalmente, temos um desajuste emocional, então, é preciso muito mais que força de vontade para vencê-lo.

A inveja, por sua vez, é um sentimento destrutivo, motivado por outra pessoa possuir e usufruir de alguma situação ou algo que desejamos… Presumi-se, a relação do sujeito com uma só pessoa. Na inveja, somos prisioneiros do outro. Identificamos o objeto do nosso desejo, mas que não nos dá prazer e nos frustra. A inveja é insaciável. A inveja faz do ser humano um inescrupuloso predador.

Quando falamos em projeção é possível perceber que ela aparece desde a infância, encontra-se na base da interação com a realidade, portanto, é comum imputar ao mundo nossos interesses: adjetivos, aptidões e anseios. Vemos as coisas de acordo como somos. Nossa identidade se confunde com a realidade. A projeção se torna um mecanismo de defesa psíquico quando visa nos resguardar de ideias insuportáveis ou sentimentos descabidos. Tem como objetivo preservar a boa imagem que fazemos de nós.

É um mecanismo psíquico pelo qual o sujeito expulsa, rejeita de si mesmo e projeta no outro os seus sentimentos: desejo, raiva, inveja, etc. São traços de personalidade que, frequentemente, desdenha ou recusa em si mesmo.

Por exemplo: uma criança rebelde, que bate em seus coleguinhas e confronta seus cuidadores se assusta ao olhar um cachorro, afirmando que o cachorro é bravo e que tem medo de ser mordida. O que a criança faz? Desloca para o animal aquilo que costumava fazer com os outros. Assim, acontece com os jovens que praticam o bullying, utilizam o mesmo mecanismo psíquico – projetam em pessoas o que odeiam possuir. Perseguem da mesma forma como um Paranoico que se sente perseguido. Essa projeção está na base da Paranóia e na base de todos os preconceitos.

Às vezes é mais fácil a fuga de um perigo externo do que mudar seu impulso interno agressivo, angustiante e/ou inaceitável. Porém, o impulso que é projetado no outro é um processo que se repete. Pois não se trata do que os outros fazem com o paranoico, e sim, o que ele faz, pensa e sente.

Em suma, nos relacionamentos amorosos, o mecanismo é chamado de ciúme patológico e acontece quando a pessoa se defende de seus próprios desejos. Por exemplo: a infidelidade – o sujeito projeta no parceiro a infidelidade. Esse mecanismo de projetar os próprios desejos pode ser tão bem executado que costuma levar alguns parceiros a duvidar deles mesmos. De alguma forma inexplicável, o ciumento patológico consegue juntar situações, lembrar cenas e acusações que aparecem em alguma verdade inconsciente do outro, mas não nos fatos! Assim, ele desloca para o outro aquilo que habita nele, e desvia a atenção do seu próprio inconsciente. Sente-se aliviado, porque, agride o outro para não se agredir. E ao mesmo tempo descarrega os sentimentos proibidos, que causam angústia e ansiedade.

O filósofo Platão comparou o ser humano a uma carruagem: os cavalos são os instintos, o cocheiro é a razão e as rédeas, à vontade. Segundo ele, a maturidade depende de quanto o cocheiro manda nos cavalos. Essas pessoas parecem não conseguir domar seus cavalos, isto é, controlar seus sentimentos. Felizmente, o ciúme é educável e pode ter suas arestas aparadas — para a solidez da relação.

O autoconhecimento e a capacidade de nos conhecer: minimiza a ação desse terrível mecanismo.
A força de vontade não é suficiente para vencer uma compulsão. Ao perceber que não tem o controle da situação, procure ajuda profissional. Do mesmo jeito, que, se tivesse uma dor de cabeça aguda, iria atrás de um neurologista, sem considerar tal providência uma atitude radical.

 

 

Artigo publicado em 27 jun 2012 | Este artigo tem 23 Comentários

Amy Wine­house - Boderline

O termo Borderline (Limítrofe) deriva da classificação de Adolph Stern, que descreveu, na década de 1930 – A condição como uma patologia que permanece no limite entre a Neurose e a Psicose. O Borderline encontra-se nos extremos, caminhando numa linha tênue entre “sanidade e loucura”.

Pessoas com personalidade limítrofe/borderline podem possuir uma série de sintomas de transtornos psiquiátricos diversos, tais como: ataques súbitos de ansiedade, humor instável, grande sentimento de entusiasmo para depois sentir um grande vazio, ou dissociação mental, assim, como despersonalização, e tendência a um comportamento encrenqueiro. Tem-se impulsividade muitas vezes autodestrutiva, conduta suicida, manipuladores e chantagistas, bem como sentimentos crônicos de vazio e tédio.
A raiva é possivelmente a única emoção verdadeira ou a principal emoção central do borderline; muitas vezes, esses indivíduos são vistos como rebeldes e problemáticos. O Borderline é por vezes confundido como Depressivo, ou com Transtorno Bipolar.

O Borderline é um grave distúrbio que afeta seriamente toda a vida da pessoa causando prejuízos significativos tanto ao indivíduo borderline/limítrofe, como às pessoas que convivem com o borderline. Com frequência o portador do transtorno necessita estar medicado com antidepressivos, estabilizadores do humor, ou seja, medicamentos prescritos pelo médico/psiquiatra – estabilizando as consequências que a doença traz. Os sintomas aparecem durante a adolescência ou nos primeiros anos da fase adulta. E uma vez desencadeado continuam geralmente por toda a vida. Ao descobrir a doença o paciente e seus familiares podem sentir-se desapontados, mas na maioria das vezes a severidade do transtorno diminui com o tempo. Pelo fato dos sintomas desencadearem principalmente na adolescência – o que leva os pais e/ou familiares acreditarem que é apenas rebeldia própria da idade. No entanto, não fazem ideia que estão diante de uma pessoa com um grave distúrbio.
As perturbações sofridas pelos portadores da doença alcançam negativamente várias facetas psicossociais da vida, como as relações em ambientes escolares, no trabalho, na família – envolvimento com drogas, bebidas alcoólicas, etc.
Nas tentativas de suicídio, o suicídio consumado é quase sempre resultado da falta de tratamento psiquiátrico e terapêutico. A psicoterapia é indispensável.

Os transtornos segundo os estudos indicam uma infância traumática (diversas formas de abusos, sobretudo sexual, emocional; separação dos pais, ou a soma de ambos e outros fatores) como precursora do transtorno. No entanto, os pesquisadores apontam uma predisposição genética, além de disfunções no metabolismo cerebral.
Estima-se que 2% da população sofram deste transtorno, com mulheres sendo mais diagnosticadas do que homens.
Os Borderlines costumam ver coisas inexistentes no comportamento de outras pessoas, o que causa sempre crises de exagero e tempestades em copo d’água. Uma mudança quase imperceptível no comportamento de uma pessoa aos olhos de outros, para o borderline é um enorme motivo para se desesperar e acreditar que a pessoa não gosta mais dele. Por isso, o borderline é excessivamente possessivo, acreditando que após conquistar uma pessoa a pessoa pertence apenas a ele e mais ninguém.
Algumas vezes, essas pessoas podem confundir carência emocional com paixão. Transferem para relacionamentos amorosos a sua instabilidade emocional. Então, são os causadores de brigas excessivas – têm sentimentos possessivos, não raro, o borderline vê o outro como se ele só tivesse a obrigação de estar ali apenas para prover o que o ele deseja. Eles não têm controle de si mesmos, por isso facilmente demonstram irritabilidade e raiva em variadas situações triviais, desde amargura, maus tratos, estupidez, xingamentos e violência. Eles têm baixa capacidade de julgamento e usualmente têm reações grosseiras.

Limítrofes/borderlines são pessoas que passam seu tempo a tentar controlar mais ou menos emoções que elas não controlam realmente. São pessoas que, diga-se de passagem, têm duas vidas. Uma vida quando estão na sociedade e outra vida de comportamentos muito diferentes quando estão a sós. Sua capacidade de esconder o transtorno faz com que sejam vistos, superficialmente, como se não tivessem nada, entretanto, suas vidas são sofríveis e um verdadeiro inferno. Pessoas com o transtorno oscilam entre um comportamento ADULTO e um comportamento INFANTIL; entre uma conduta BOA e uma conduta MÁ.
Esses indivíduos são árduos manipuladores. Alguns psiquiatras e terapeutas esclarecem que os borderlines são “pacientes impossíveis”. Sendo manipuladores, que buscam atenção, perturbam e irritam além de não terem capacidade o suficiente para controlar suas condutas. Em suas relações iniciais devido à grande desconfiança que eles mantêm, as palavras não são usadas para comunicar ou exprimir sentimentos. O que existe são manipulações, testes, controles, etc. Eles tendem a defender-se de sentimentos, emoções e lembranças. O Borderline testa as suas relações através de manipulações, a fim de testar as outras pessoas, e ver como elas reagirão a tais testes como agressividade, brigas, chantagens, etc.

O Vazio e o Tédio

O paciente borderline para (viver em paz) precisa encontrar um objeto protetor que nunca o deixe. Para isso, eles testam tais “objetos” (pessoas) para poderem acreditar nisso. Tais testes são manipulações, maus tratos, discussões, etc. Borderlines sentem que estão sempre com um grande sentimento crônico de vazio. Tal sentimento constantemente os incomoda e tendem a achar sempre uma forma de preencher tal vazio, mas com frequência, descrevem que esse sentimento nunca desaparece. Borderlines sentem tudo com uma alta intensidade, sendo que para eles, tudo faz mal, tudo os agride e machuca. Eles ainda têm sentimentos de ser uma eterna “vítima”, incapaz de aceitar suas próprias responsabilidades. São pessoas que não têm uma noção clara de sua identidade. Na realidade, eles não têm uma identidade bem formada, assim, precisam do apoio de outra pessoa, causando um grande medo à perda e rejeição de tal pessoa, cujo borderline o considere.

Alguns boderlines evitam começar um relacionamento, especialmente pelo medo de ser rejeitado ou abandonado mais tarde. Quando em algum relacionamento íntimo, este medo é acompanhado caracteristicamente de esforços frenéticos para evitá-lo. Podem fazer manipulações emocionais, especificamente chantagens. Contudo, caso a manipulação não funcione, eles podem demonstrar explosões de raiva que terminam muitas vezes em autoagressões, como automutilações ou até mesmo héteroagressões. O medo de ser abandonado é tão grande nessas pessoas que casualmente sofrem de dissociações, têm distorções da realidade como ter ideias paranóides ou alucinações e, no extremo, chegar impulsivamente o suicídio completo.
De maneira geral, o Transtorno de Personalidade Borderline é um dos principais distúrbios associados ao suicídio e automutilação. Eles podem tomar muitos medicamentos de uma vez só, com ou sem intenção de suicídio, abusar de drogas e bebidas, automutilar-se fisicamente, colocar-se em risco, entre outros atos impulsivos com notável tendência autodestrutiva.

A Descompensação Emocional no Relacionamento Familiar

Esses indivíduos constantemente não conseguem manter um bom relacionamento entre seus familiares, que convive dia a dia. Por vezes, o ambiente familiar é repleto de discórdias, discussões e brigas, que classificam: hora como bons, hora como maus. Eles têm, por exemplo, mau-humor frequente, sarcasmo, amargura, agressividade constante. Às vezes os borderlines podem ser tidos como pessoas incapazes de demonstrar gratidão, de interessar-se por si mesmo e pelos outros. Os outros, assim como a pessoa que o criou (mãe e pai) podem ser sentidos como estranhos que têm apenas a função de suprir e prover o que ele espera. Eles podem: trair, mentir, criticá-los, pôr sempre a culpa em outros. Contudo, a família quase sempre não entende isto, sendo assim uma tarefa difícil de convencer a família que o borderline, dificilmente aprende com seus erros e punições. Para eles, raramente castigos e punições funcionam. Pelo contrário, quase sempre tais punições são seguidas de mais agressividade e raiva, por parte dos borderlines, que entendem isso como rejeição. Não que o borderline não precise de limites destas atitudes. O borderline submete frequentemente seus familiares a algumas torturas, exigindo e agredindo, embora com isso supostamente estejam apenas tentando reviver experiências passadas nas quais a relação entre ele e seus (cuidadores) não foram capazes de lhe proporcionar boas condições emocionais. Em geral, o borderline tenta refazer o caminho não realizado no início de sua vida, com as mesmas pessoas (pai, mãe e/ou responsáveis), que não foram capazes de fazê-lo anteriormente.

A vida em si do borderline não é estável. Seus relacionamentos bem como comportamentos e sua personalidade em geral não são duradouros. É notável nesses indivíduos constante instabilidade nos seus relacionamentos. Eles podem demonstrar profundos sentimentos de apego e desapego fácil e ambivalente. De repente o borderline que demonstra grande ternura, para em seguida, demonstrar frieza, raiva e crueldade.

Sua identidade sexual é frequentemente marcada por dúvidas e mudanças constantes ou até adeptos à bissexualidade. Por vezes, definem-se a si próprios como “hora uma coisa, hora outra coisa”. Ele sente prazer, por exemplo, em dirigir imprudentemente, dormir em excesso (hipersônia) e praticar sexo inseguro-compulsivo-promíscuo.
Quando estão convictos de algo, de repente, veem-se cercados por dúvidas contrárias novamente, por isso, a indecisão nessas pessoas é comum.
Borderlines geralmente enjoam, desanimam ou desgostam facilmente. Por isso, a vida do limítrofe é uma instabilidade contínua, sejam em seus projetos, relacionamentos, preferências ou comportamentos. Na realidade, a inconstância é a palavra chave da vida do borderline.
Quando alguém é amado por ele, a pessoa merece ser tratada de forma especial, carinhosa e muito querida. Quando alguém é odiado pelo borderline, a pessoa merece vingança, ódio e infinitas crueldades. Em suma, a pessoa amada é vista como um deus e a pessoa odiada, como o demônio.
Em geral, pessoas na qual se relacionam superficialmente ou que apenas estão no início de um relacionamento com um borderline, não fazem ideia das perturbações e relações caóticas que vão ser recebidos em tais relacionamentos. Contudo, apesar de tudo isso, obviamente os indivíduos com o transtorno de personalidade limítrofe frequentemente necessitam de muita ajuda e apoio, embora possam fazer de suas relações um verdadeiro inferno. Eles não têm esse comportamento de forma proposital, pois é notável que sejam pessoas muito conturbadas emocionalmente.

Narcisismo e Agressividade

Essas pessoas têm dificuldade em avaliar as consequências de seus atos e de aprender com a experiência e, então, por isso erram e repetem o erro, nunca aprendendo. São indivíduos tão exigentes e imprevisíveis que assim tendem a afastar todos aqueles que o cercam. Além disso, são pessoas que não têm necessidade, eles têm urgência! Não sabem adiar e não aguentam esperar.
No entanto, eles sempre tendem a contornar a situação e colocam a culpa em outros, seja por suas deficiências, decepções, responsabilidades, ou problemas. Mas, ao mesmo tempo, desejam ter atenção. (Na verdade, são eternas CRIANÇAS em um corpo de ADULTO), porém aparentam estar se fazendo de “vítima”, quando na realidade não estão.

Segundo Kernberg, é a difusão de identidade responsável por tais percepções empobrecidas. Como o próprio borderline não tem uma identidade bem definida, obviamente, eles têm grande dificuldade em enxergar o outro, afinal, não consegue enxergar-se com precisão. Para o borderline, seu vazio é momentaneamente preenchido, entretanto, a outra pessoa existe apenas para satisfazê-lo naquele instante.
Portanto, apesar do borderline conseguir demonstrar certa normalidade em várias situações triviais do cotidiano, com frequência exibem escandalosamente a incapacidade em controlar sua raiva. Geralmente, eles reagem normalmente até o momento em que seu humor radicalmente muda para de repente ter um ataque de raiva e/ou grosseria, brigando com todos – demonstrando assim uma dificuldade em compreender a realidade e os sentimentos alheios. Sua percepção sobre outros é muito instável e distorcida sempre para desconfianças.

Por causa de seu narcisismo, ele considera muito justo que tudo seja para uso próprio (e de preferência, imediato), que tudo esteja voltado para ele – atitudes egoístas. No entanto, os borderlines não somente agridem os outros, como também se auto-agride. A automutilação é uma das principais características do transtorno.
Às vezes, as outras pessoas podem perceber ou questionarem-se sinais evidentes de automutilação em borderlines (ex.: vários arranhões percebidos no braço, hematomas ou cortes). Mas via de regra, eles tendem a apresentar argumentos implausíveis ou pouco explicativos em relação a tais ferimentos, com medo de que descubram seu comportamento autodestrutivo. Por exemplo, podem dizer que não sabem de onde tais hematomas apareceram ou dizer que se machucaram sem querer com uma faca. Pessoas com o distúrbio, também pode haver períodos em que se isolam socialmente.

Reatividade do Humor e Impulsividade

Borderlines têm frequentemente flutuações do humor intensas, imprevisíveis e constantes. De manhã, muito aceitável. À tarde, bruscamente sentem um grande vazio com intensa vontade de se suicidar. E, à noite, radicalmente seu humor novamente muda e sentem uma grande ansiedade com desejo compulsivo de se acabar em guloseimas.
Frequentemente a Depressão e o Transtorno Afetivo Bipolar são confundidos com a desordem Borderline de Personalidade. Contudo, talvez uma das principais diferenças seja que além de todos os outros sintomas típicos de limítrofes, tanto a depressão Unipolar como a da Bipolaridade, se caracteriza por sensação de culpa, inferioridade com uma tristeza de base. Enquanto isso, a depressão do Borderline se caracteriza essencialmente em razão de um vazio existencial, um buraco nunca preenchido, uma vida sem sentido, do tédio diante de seus objetivos e ideias de fracassos de frustração em relação a ideais não atingidos. Na depressão, o sentimento de inferioridade e culpas estão sempre presentes. No borderline, esses sentimentos são inexistentes e são substituídos por raiva constante.

Início dos Sintomas e Estatísticas

Frequentemente, na etapa inicial (começo da adolescência, por volta dos 13 anos de idade) da eclosão dos sintomas do transtorno de personalidade limítrofe, sintomas como: má adaptação social, baixo rendimento escolar, comportamentos anormais. Bem como déficit na regulação dos afetos, agressividade, conflitos no ambiente familiar, tentativas de suicídio e depressão grave são frequentes. A etapa secundária, no fim da adolescência ou início da idade adulta (na faixa dos 18 aos 21 anos), todos os sintomas propriamente ditos ficam evidentes, tendo seu auge por volta dos 25 anos de idade, causando grande prejuízo. Contudo, sabe-se que o transtorno tende a ser atenuado conforme a idade, sobretudo próximo dos 40 anos de idade. Talvez pelo fato de que ao passar do tempo, as pessoas ficam menos enérgicas e mais “maduras emocionalmente”. Assim como todos os transtornos de personalidade, quase nunca borderlines acreditam sofrer de uma patologia ou que sua conduta e comportamentos são muito problemáticos. As estatísticas apontam que 93% das pessoas portadoras do transtorno de personalidade borderline também apresentam um transtorno afetivo concomitante, especialmente Depressão Nervosa e Transtorno Afetivo Bipolar. Além disso, estima-se também que 88% apresentam um Transtorno de Ansiedade, especialmente o Transtorno do Estresse Pós-Traumático e diversas fobias em geral. A conduta suicida no borderline pode ser maior naqueles com história prévia de tentativas de suicídio, história de abuso sexual – e outras comorbidades: abuso de substâncias, depressão nervosa, comportamentos histriônicos e psicopáticos são fenômenos fortemente presentes em borderlines. Muitas vezes, o borderline é confundido com o psicopata e histriônico por apresentarem comportamentos semelhantes e, não raramente, ocorrem simultaneamente. No padrão geral de patologia grave, as famílias de pacientes borderline têm como características: mães intrusivo-dominadoras e pais distantes, sendo que as relações conjugais são predominantemente conflitivas. Em suma, o Transtorno de Personalidade Borderline é tido como um dos transtornos mentais mais devastadores, sobretudo na área de relacionamentos interpessoais, sendo também dos mais difíceis de ser tratado.
Limítrofes tendem a ser aquele tipo que quando querem alguma coisa, ficam ansiando e sentindo uma grande vontade de ter aquilo, contudo, se conseguem, enjoam ou não querem mais.
Eles têm dificuldade em dizer exatamente o que gostam, o que querem, de modo que há uma notável tendência à instabilidade em seus gostos, comportamentos, identidade e autoimagem;
Eles frequentemente não sabem quem são, não sabem o que gostam, mudam de gosto drasticamente de um segundo a outro, não sabem o que querem, ou, então, mudam de opiniões e objetivos a todo o momento.
Borderlines são cheios de imagens contraditórias de si mesmos. Eles relatam geralmente que sentem o vazio interior, que são pessoas diferentes dependendo de com quem estão.

Sequelas de Abuso na Infância

Alguns especialistas acreditam que o transtorno de personalidade limítrofe seja uma síndrome consequente de graves sequelas na personalidade, decorrente de abuso na infância. Uma boa parte das pessoas com o transtorno tiveram uma infância traumática, sobretudo foram abusados sexualmente, (porém isto não é regra geral).
Borderlines têm dificuldade em confiar nas pessoas (especialmente se houve abuso), sobretudo nos indivíduos do mesmo sexo do abusador.
Borderlines com histórico de abuso podem repetir o roteiro do passado. Eles tendem a se sentir eternamente vitimados porque estão condicionados a esperar o comportamento cruel das pessoas em que confiam. Quando crianças, podem ter se sentido responsável pelo seu comportamento de ter sido abusado. Podem ter acreditado que algo neles levou as pessoas agirem daquela forma cruel. Então, quando adultos, essas crianças anteriormente abusadas esperam o pior das pessoas, existindo sempre um grande pessimismo. Interpretam o comportamento normal como cruel ou negligente e reage com a raiva, desespero ou humilhação intensa. As pessoas em torno deles ficam confusas porque não podem ver o que realmente provoca o seu comportamento.

Desconfiança e Ideias Paranóides

Têm frequentemente ideias paranóides, estas são maiores em períodos de estresse ou sensação de abandono e solidão;
Borderlines caminham numa linha tênue entre sanidade e a loucura, às vezes se desequilibra e acaba por caminhar francamente na loucura, com alucinações e ideias delirantes, especialmente em situações estressantes, (embora não possam ser diagnosticados como totalmente psicóticos ou esquizofrênicos).
Manias de perseguição e pensamentos paranóides são freqüentes.
Facilmente interpretam as ações de outras pessoas erroneamente como hostis, ameaçadoras, irritantes ou zombadoras, o que causa um gatilho para explosões de irritabilidade e brigas constantes, porque tendem a reagir da mesma forma pela qual acreditaram terem sido tratados.

Despersonalização

Borderlines podem sentir que não são reais, são inexistentes, especialmente quando estão sozinhos.
Em momentos de grande estresse ou quando percebem o abandono real ou imaginado, podem dissociar-se, existindo assim a despersonalização. Eles frequentemente relatam tal fenômeno sendo frequente, mas que aumentam de intensidade nos momentos em que estão a sós ou sentem-se abandonados, ignorados ou rejeitados.
A despersonalização pode ser referida por uma sensação de irrealidade, de que nada mais é real em sua volta, nem eles mesmos. Podem acreditar estar num sonho ou pesadelo, cuja sensação de irrealidade é fortemente angustiante. Ainda podem relatar que estão num filme e veem tudo como se estivessem fora do corpo, como se estivessem se desprendido da sua própria personalidade ou do seu corpo. Tais sensações são tão fortes que frequentemente eles acabam por se sentir deprimidos e angustiados, sendo às vezes um gatilho para a automutilação (podem se mutilar para sentir que são reais).
Quando estão tendo uma crise de despersonalização, as outras pessoas podem perceber um comportamento levemente anormal, por exemplo, uma falta de atenção, como se a pessoa estivesse longe, distante ou “viajando”.
Alguns borderlines podem conviver dias, semanas e até meses com despersonalização, sendo frequentemente pegos a todo instante pela sensação angustiante de irrealidade e de desprendimento do corpo.
Algumas pessoas relatam que olhar-se no espelho bem como se lembrar da despersonalização piora o quadro, pois se sentem irreais ou inexistentes.
Borderlines podem ter problemas com a memória e atenção, especialmente em momentos de dissociações tais como a despersonalização. Eles podem ter brancos, apagões, esquecimentos, sobretudo após as situações de despersonalização.
Após a despersonalização podem sentir ansiedade, causado pela percepção de que realmente estão vivos.
Geralmente a despersonalização é precedida por frequentes indagações e dúvidas a respeito de quem ele é, do que ele gosta. Como o borderline não consegue ter uma identidade concreta e definida, ele não consegue se autodefinir, não tem certeza de quem ele é e possui um grande sentimento de ter se perdido de si próprio ou de que sua identidade é falsa ou copiada. Por isso a instabilidade em suas vidas. Sua identidade é, a todo o momento, construída e destruída, gerando uma inconstância

Genética

A literatura existente sugere que traços relacionados ao Limítrofe (TPL) são influenciados por genes e já que a personalidade é geralmente hereditária, então o TPL também deve ser. No entanto, estudos têm tido problemas metodológicos e as ligações exatas não estão claras ainda. Filhos de pais (de ambos os gêneros) com TPL têm cinco vezes mais chances de também desenvolver o Transtorno de Personalidade Limítrofe (Funcionamento Cerebral).

Tratamento – Psicoterapia

Tradicionalmente há um ceticismo em relação ao tratamento psicológico de transtornos de personalidade, mesmo assim muitos tipos específicos de psicoterapia para TPB, o bipolar foram desenvolvidos nos últimos anos. Os estudos limitados já registrados não confirmam a eficácia desses tratamentos, mas pelo menos sugerem que qualquer um deles pode resultar em alguma melhora. Terapias individuais simples podem por si mesmas, melhorar a autoestima e mobilizar as forças existentes nos borderlines. Terapias específicas podem envolver sessões durante muitos meses ou, no caso de transtornos de personalidade, muitos anos. Psicoterapias são frequentemente conduzidas com indivíduos ou com grupos. Terapia de grupo pode ajudar a potencializar as habilidades interpessoais e a autoconsciência nos afetados pelo TPB.

Dificuldades na Terapia

Existem desafios únicos no tratamento de TPL. (Na psicoterapia, um paciente pode ser bastante sensível à rejeição e pode reagir negativamente. Por exemplo: se mutilando ou abandonando a terapia. Segundo o psiquiatra Daniel Boleira Sieiro Guimarães, do Instituto de Psiquiatria: “Tratar de um borderline é como pilotar um navio numa tempestade. É uma provocação constante. O terapeuta tem que estar ciente disso antes de começar seu trabalho. O transtorno borderline é a AIDS da psiquiatria”, compara o médico. “Não tem cura, mas com o tratamento pode-se diminuir o sofrimento dessas pessoas. Esta é ainda a única forma de ajudá-las a viver um pouco melhor.”
Estatísticas sugerem que, com o devido tratamento, portadores de Transtorno de Personalidade Limítrofe tendem a sofrer recessão dos sintomas em algum momento da fase adulta posterior. Dos que procuram ajuda profissional de uma maneira geral, 75% sofrem remissão da maior parte dos sintomas entre os 35 e 40 anos de idade, 15% entre os 40 e 50 anos de idade e os 10% restantes podem não ter cura, chegando ao suicídio.

 

Sinopse do Filme.

Garota Interrompida – (Winona Ryder) interpreta uma personagem, (Susanna Kaysen) – uma moça que vai parar num hospital psiquiátrico. Diagnosticada por um psiquiatra/psicanalista, vítima de “Ordem Incerta de Personalidade” (Borderline). No Hospital Psiquiátrico se hospedam um contingente de moças para tratamentos com diversos Transtornos de Personalidade. Sendo uma das personagens (Angelina Jolie) (Lisa) com diagnóstico de psicopatia: charmosa e manipuladora.

http://cinecidfilmesonline.blogspot.com.br/2013/04/garota-interrompida-dublado-online.html#.U78UfVYVqT4

 

Referências:

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – DSM).

Azevedo, M.A.S.B. (1983). Psicoterapia breve: considerações so- bre suas características e potencialidade de aplicação na psico- logia clínica brasileira. Arquivos Brasileiros de Psicologia, 35, 92-104.

Organização Mundial de Saúde – OMS (1993). Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10: Descri- ções clínicas e diretrizes diagnósticas. (D. Caetano, Trad.) Porto Alegre: Artes Médicas. (Trabalho original publicado em 1992)

 

 

 

 

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