Artigo publicado em 27 out 2012 | Este artigo tem 1 Comentário

INTRODUÇÃO

“Nós, psicanalistas,” já não mais acreditamos que a medicação seja um obstáculo em nosso trabalho. Ao contrário, ao nos defrontarmos com depressões, crises agudas, dentre elas o Transtorno do Pânico e psicoses graves, a medicação possibilita que se trabalhe o sintoma, o que acaba por fazer com que o tratamento psicanalítico opere no nível das causas que o originam. O trabalho do psicanalista em parceria com o psiquiatra, em muitos casos se faz necessário. Aliviar o sofrimento ou a angústia não impede que, paralelamente, se desenvolva um processo analítico. A importância de esclarecer este ponto se deve ao fato de alguns pensarem que a angústia é o motor da cura, quando o que impulsiona a cura é o desejo de saber de si. 

DO TRANSTRONO DO PÂNICO

Sentimento súbito de terror, sensação de morte iminente, coração disparado, suor intenso, dores no peito, falta de ar, tontura, podendo vir acompanhado de despersonalização ou irrealidade de alguma catástrofe que a pessoa acredita que vai acontecer! A descrição dos sintomas se encaixa igualmente a descrição de um ataque cardíaco, mas não é. Trata-se de um ataque de pânico.

DA DESPERSONALIZAÇÃO

Faremos uma breve elucidação sobre despersonalização, o que ocorre também no transtorno do pânico. A despersonalização surge como uma desordem dissociativa: – As características essenciais do Transtorno de Despersonalização consistem de episódios persistentes ou recorrentes de despersonalização, caracterizados por um sentimento de distanciamento ou estranhamento de si próprio. – O indivíduo pode sentir-se como um autômato ou como se estivesse em um sonho ou em um filme. – Pode haver uma sensação de ser um observador externo dos próprios processos mentais, do próprio corpo ou de partes do próprio corpo. (De acordo com a última edição da DSM-IV). No entanto, neste artigo vamos abordar o transtorno do pânico que engloba, também, todos os sintomas citados acima.

DA PROBABILIDADE DO TRANSTRONO DO PÂNICO 

“O transtorno do pânico é considerado um problema sério de saúde, que acomete 1,5% a 3% da população mundial. No caso das mulheres, os estudos revelam que elas apresentam duas a quatro vezes mais chances de ocorrências que os homens. Além disso, temos de destacar a significativa presença de uma propensão genética ao transtorno, uma vez que observamos, de forma nítida, maior incidência do transtorno entre pessoas cujas famílias possuem descrições de casos semelhantes”.

Há muito que o transtorno do pânico deixou de ser um diagnóstico de exclusão. Hoje, mais do que nunca, há necessidade de um diagnóstico de certeza para tal entidade clínica.

As pessoas portadoras desse mal costumam fazer uma verdadeira “via-crúcis” a diversos especialistas médicos, e após uma quantidade exagerada de exames complementares recebem, muitas vezes, o patético distanciamento ou estranhamento do “NADA”, o que aumenta sua insegurança e seu desespero.

Todavia, essa situação dramática é reduzida a termos evasivos como: estafa, nervosismo, estresse, fraqueza emocional ou “problema de cabeça”. Isto pode criar uma incorreta impressão de que não há um problema de fato para tal patologia.
Um ataque de pânico é um período inconfundível, de imenso medo ou temor, que atinge o ápice (pico) em dez minutos, e costuma se estender por um total de 40-50 minutos. Ele se constitui em uma das situações mais angustiantes que uma pessoa pode vivenciar.

Durante a crise o paciente não corre o risco de sofrer de um ataque cardíaco ou morrer, embora seja impossível para ele acreditar nisso no momento da mesma. Os prejuízos causados pelo transtorno do pânico modificam toda a existência do paciente, trazendo problemas nos seus relacionamentos interpessoais, principalmente os de caráter afetivo e profissional. Companheiro, amigos e parentes não reconhecem mais a pessoa que antes se mostrava jovial, produtiva, destemida, ao se depararem com alguém dominado pelo medo.

A falta de diagnóstico precoce e tratamento adequado podem fazer com que, gradativamente, o medo e a ansiedade causados pelas crises tomem proporções tais, que seus portadores tornem-se incapacitados para dirigir, frequentar determinados locais (bancos, shoppings etc.) ou mesmo sair de casa. Esta situação de ostracismo forçado pode levar o paciente ao desespero e a pensar em suicídio como opção de acabar com todo esse sofrimento.

DO TRATAMENTO PARA O TRANSTORNO DO PÂNICO 

Existe uma variedade de tratamentos para o transtorno do pânico. O mais importante neste aspecto é que se introduza um tratamento que vise restabelecer o equilíbrio bioquímico cerebral numa primeira etapa. Isto pode ser feito através de medicamentos seguros e que não produzam riscos de dependência física dos pacientes.

“Numa segunda etapa temos que preparar o paciente para que ele possa enfrentar seus limites e as adversidades vitais de maneira menos estressante. Em última análise, trata-se de estabelecer junto com o paciente uma forma de viver onde se priorize a busca de sua harmonia e equilíbrio pessoal. Uma abordagem com terapia específica que, deverá ser realizada com esse objetivo”.

CONCLUSÃO

Tendo em vista as particularidades do transtorno do pânico em seus vários aspectos (personalidade do indivíduo, abordagem do paciente, tratamento, diagnóstico precoce, etc.), sugerimos que esse problema deve, preferencialmente, ser tratado por um médico especializado e familiarizado com tal transtorno. Contudo, se faz necessário a terapia, pois só assim, conseguiremos encontrar a causa. Quando a pessoa procura ajuda deve ter consciência do que está fazendo e levar o tratamento a sério. Só assim os resultados surtirão efeitos – para se ter um bom restabelecimento da saúde mental como um todo.

 

REFERÊNCIAS

Autora, Luzziane Soprani

SILVA, Ana Beatriz Barbosa, Mentes Ansiosas: Medo e Ansiedade Além dos Limite
Wikipédia, a enciclopédia livre

Artigo publicado em 24 out 2012 | Este artigo tem 5 Comentários

Interroga-se a tristeza a partir da retomada lacaniana da teorização do luto por Freud. Delimitam-se, a seguir, as bases de uma teoria lacaniana da perda, localizando a importância do objeto e destacando-se sua função de causa do desejo. Situa-se a dor da perda em relação com a perda da função do objeto, causa do desejo, necessariamente vinculada à inacessibilidade do objeto. Aborda-se a contemporaneidade com a seguinte questão: é possível que o objeto tenha se tornado visível/acessível? Isto não implicaria em instabilidades radicais na estruturação do imaginário do corpo? Objeto e desejo em tempos de superexposição. (Fonte: Ágora: Estudos em Teoria Psicanalítica. Data de publicação: 2005).

Não é verdade que “tristeza não tem fim”. Não há vida sem tristeza, porque não vivemos sem perder. Aquilo que gostaríamos de guardar perto de nós ou ter sob nosso controle para sempre – quando perdemos somos tomados pela tristeza – entramos no processo de luto, sentimos falta, lamentamos a ausência, ficamos com um vazio, um aperto no coração, uma dor que marca no peito.

Jamais em tempo algum, de forma nenhuma, devemos banalizar o sentimento do outro com expressões que fazem parte de um popularismo social, como, por exemplo:

– Vai passar;

– Para tudo tem seu tempo;

– Foi à vontade de Deus;

– Não era pra ser ou era pra ser assim, etc.

Que ninguém imagine como a tristeza se abala com palavras, mal ditas. Às vezes, o querer ajudar piora a dor do outro. A dor vai continuar ali, bem do tamanho da perda vivida! Seja na perda de um ente querido, seja na perda do parceiro/amante, pela separação, divórcio e/ou à morte. É fato, à presença verdadeira conforta, mas não basta o corpo presente e a alma distante. Já boas palavras, bem ditas, fazem o afeto e a empatia ressoarem internamente e acalmam.

Não é porque na aparência conseguimos esquecer e ultrapassar a tristeza que o foco dela obrigatoriamente desapareceu.
As religiões milenares mestres de como lidar com as dores psíquicas, organizam ritos e dogmas para melhor confortar os humanos nas suas perdas de entes queridos. E ensinam a importância de vivenciar o luto: há velório, há enterro, fazem-se as missas. Assim, é entre os católicos, (que celebra missa de sétimo dia, um mês, um ano). Evoca-se de novo quem se foi quase como um reencontro, (sem a presença física, mas a presença fica no imaginário-simbólico). Outras religiões também têm ritos com a mesma função. O que importa lembrar é que a perda não se elimina por decisão, distração ou negação.

A tristeza, pequena ou grande, dilui-se bem com a empatia que se manifesta por presença, sonoridade e compreensão. Não adianta nada dizer que podia ser pior. Nesse momento, uma alma amiga, o parceiro, o filho tocando e sussurrando com carinho pelo sentimento é sempre a melhor companhia. Mesmo que a pessoa tenha perdido só um objeto de valor afetivo, como uma caneta, um anel… Claro que não dá para compararmos com a perda humana, mas perder é triste, e a tristeza dói mais na solidão. Tenha afeição com a dor alheia e sinta como fazer certos gestos. É o que importa.

A tristeza gerada por um evento traumático pode desencadear uma depressão, que é quase o seu oposto. Porque na tristeza há dor por perda; ficamos cheios de sentimentos de dor. Na depressão, desistimos de querer viver para não mais sofrer. Para tristeza não tem remédio. “Ela só desaparece com o tempo que, necessitamos para diluir nossas dores”. Tristeza dói. Depressão anestesia.

 “Não há problema que uma falta de solução não resolva”. Se para tudo houvesse remédio, seria possível traduzir completamente a essência de cada um no outro, num remédio, numa bula que nos decifrasse perfeitamente, numa tecnologia. A posição psicanalítica é de que a vida não tem remédio para a dor psíquica. Segundo Jorge Forbes, psicanalista.

Artigo publicado em 16 out 2012 | Este artigo tem 6 Comentários

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“Não se abandona uma adúltera.”

Nelson Rodrigues, em “Perdoa-Me Por Me Traíres”

A culpa e o pecado são os maiores cúmplices do desejo – nesse sentido Nelson Rodrigues – está muito além da insensibilidade contemporânea que acredita, que “sexo livre” instiga o tesão. É da natureza humana desejar o que “dói”.

Portanto, o adúltero na obra de Nelson Rodrigues é mais do que isso. É um de seus arquétipos fundamentais para simbolizar a condição humana.

Abordaremos neste artigo a traição através da tecnologia. A tecnologia facilitou a vida das pessoas, mas também nos trouxe invasão de privacidade. Na questão amorosa a tecnologia tem sido um meio importante para as relações, inclusive, para aquelas que mantêm um relacionamento à distância. Celular, computador, Internet e todas as outras tecnologias que estão presentes no nosso dia a dia podem nos ajudar a tornar as relações mais vivas. Porém também podem trazer problemas.

São visíveis os tormentos que as tecnologias têm trazido à vida das pessoas, em especial à vida de um casal. Não é para menos. Esses meios de comunicação mudaram a maneira de como as pessoas estão se relacionando e, extrapolando, potenciais encontros, reencontros, flertes, traições, fantasias. Não raro, despertam o lado curioso, possessivo e ciumento que existe em cada um de nós.

Óbvio, sempre houve traição. O que tem se transformado, então? A questão é que ficou mais fácil e tentador cometer algum deslize, até para os mais “tímidos e/ou corretos”. Em contrapartida também se tornou mais fácil ser descoberto.
Sempre houve invasão da privacidade do companheiro. Mas, se antes se buscava investigar sua vida às escondidas, agora há meios inesgotáveis, mais eficazes e menos arriscados – podendo rastrear os passos dados pelas pessoas com as quais nos relacionamos. Por exemplo, o Facebook e todas as outras redes virtuais de relacionamento são meios que, em pouco tempo pode-se fazer uma série de investigações, abrindo caminho para desconfianças e flagrantes reais ou imaginários.

Tudo se tornou mais tentador, estamos mais visíveis do que nunca. Não existe mais privacidade com tantas formas de utilizar-se dos meios tecnológicos: seja para uma pessoa se tornar infiel em algum grau, seja para se tornar invasiva e controladora da vida alheia. Qual dos males é o maior? Difícil responder. Ambos são prejudiciais para um relacionamento saudável e para a estabilidade no relacionamento. Percebe-se que todos aqueles que utilizam os meios tecnológicos precisam ficar atentos ao que realmente é saudável para à sua vida pessoal e amorosa. Pensar bem sobre os fatos que podem colocar em risco à vida de um casal. É possível que se criem parâmetros válidos para ambos. Os extremos entre o aceitável e o inaceitável, entre o tolerável e o intolerável, devem estar claras desde o início e ser reforçadas sempre que necessário. É imprescindível que haja diálogo para que o casal possa esclarecer o que ambos veem como saudável nessa relação virtual. Desse modo será possível, senão evitar, ao menos minimizar os estragos. Mas também desfrutar os benefícios das tecnologias, que, quando utilizadas com bom senso e criatividade, permitem satisfação às relações.

Artigo publicado em 01 out 2012 | Este artigo tem 8 Comentários

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REFLEXÕES ACERCA DO TRANSTORNO AFETIVO BIPOLAR.

A característica mais notável da melancolia, e aquela mais precisa de explicação, é sua tendência a se transformar em mania.
Freud (1917).

Ao iniciarmos uma reflexão sobre o Transtorno Afetivo Bipolar, é preciso ponderar, pois à psicanálise sempre esteve receosa para lidar com esse assunto. Os trabalhos sobre o tema são raros. Se há alguma dúvida, basta examinar a bibliografia psicanalítica. Encontramos apenas algumas referências como o texto de Freud (1917), “Luto e Melancolia”, e alguns indicativos em Lacan ao longo de seus estudos.
Essa breve abordagem sobre o Transtorno Afetivo Bipolar é fruto de uma pesquisa relacionada ao tema.

DA BIPOLARIDADE:

Ser bipolar é como levar uma vida dupla. Uma hora a euforia toma conta e leva o organismo ao seu limite de excitação, até mesmo sexual. É energia que não acaba mais, a ponto de o sono tornar-se quase desnecessário. Perde-se a capacidade de julgamento e a autocrítica e há quem se torne irritadiço. Para descrever esse estado de ânimo os médicos utilizam o termo MANIA. Ela é um dos extremos de uma doença caracterizada por uma profunda instabilidade de humor, o qual oscila entre esse estado eufórico intenso e o seu oposto, a depressão.
Para os portadores do Transtorno Bipolar doença que há poucos anos era conhecida como Psicose Maníaco-Depressiva, encontrar o equilíbrio entre as duas pontas das emoções radicais é como tentar andar sobre um terreno movediço. “É o pessoal do 8 ou 80”, resume o psiquiatra Diogo Lara, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – e autor de Temperamento Forte e Bipolaridade. “Diferentemente de quem tem um humor saudável, os que sofrem desse transtorno não costumam ser previsíveis ou flexíveis nem respondem com proporcionalidade aos estímulos.” Acredita- se que 1% da população mundial conviva com o tipo 1 da doença, ou seja, o tipo 1 da doença é considerado o mais grave.

Pode até parecer pouco, mas na verdade o Transtorno Bipolar é um tormento para muito mais gente. Estima-se que cerca de 5% das pessoas tenham instabilidades de humor em algum grau. Feitos os cálculos, os brasileiros alterados somam aproximadamente 9 milhões. Muitos deles nem sabem do próprio distúrbio. Outros, ainda pior, são tratados da maneira errada. “Nesse caso o diagnóstico costuma ser esquizofrenia ou simplesmente depressão”, conta o psiquiatra Jair Soares, chefe da Divisão de Transtornos do Humor e Ansiedade da Universidade do Texas em San Antonio, nos Estados Unidos.
Sabe-se que essa é uma doença em grande parte determinada pelo histórico familiar. Uma criança que tem um dos pais com Transtorno Bipolar apresenta uma probabilidade de 15% a 20% de manifestar o mesmo problema. Um estudo, realizado com gêmeos idênticos, mostrou ainda que, se um deles tem a doença, o risco de o outro também vir a ser uma vítima é de 80%.

A mais recente descoberta sobre a origem do mal vem de um grupo de pesquisa do Hospital das Clínicas de Porto Alegre. Os cientistas andavam em busca de uma pista sobre a relação entre o Transtorno Bipolar e a molécula BDNF (sigla em inglês para fator neurotrófico derivado do cérebro), cuja atuação na memória já era bem conhecida. As evidências dessa ligação ficaram muito claras em seu estudo.
IMAGEMTXTO – o trabalho mostrou que os bipolares têm menos BDNF no sangue do que as pessoas normais. “E notamos que, quanto menores os teores no sangue, maior a gravidade da doença”, revela um dos autores do trabalho, o psiquiatra Flávio Kapczinski, responsável pelo Laboratório de Psiquiatria Experimental do hospital gaúcho.

Como os níveis dessa molécula são ditados pela genética, à esperança é de que ela possa vir a ser um marcador da doença. O teste ainda é experimental, mas deverá se tornar rotina médica nos próximos anos.
Igual a todo distúrbio da mente humana, porém, a bipolaridade também é determinada pela maneira como lidamos com as adversidades. “Muitas vezes pode-se até herdar o gene que leva a uma predisposição, mas, sem um evento estressante, o transtorno não se desenvolve”, afirma o psiquiatra Beny Lafer, professor da Universidade de São Paulo e coordenador do grupo de pesquisa em Transtorno Bipolar do Hospital das Clínicas da capital paulista. “Em caso de estresse emocional ou abuso de drogas, os riscos ficam de quatro a cinco vezes maiores.”

O problema geralmente dá as caras no final da adolescência e no início da vida adulta, mas a meninada menor também é alvo. Na infância, aliás, não raro ele é confundido com distúrbio do déficit de atenção e hiperatividade. “Crianças diagnosticadas assim, mas que não respondem ao tratamento podem ter na realidade o Transtorno Bipolar. Descobrir a doença cedo e controlá-la o quanto antes ajuda seu portador a levar uma vida normal.

As oscilações do humor podem ser trágicas. Uma depressão prolongada, daquelas que chegam a durar meses ou mesmo anos, muitas vezes são o estopim de uma tentativa de suicídio. No outro extremo, o da mania, algumas semanas de crise são suficientes para pôr toda uma vida a perder. Relações são desfeitas. O dinheiro economizado por décadas, torrado em poucos dias. Melhor dizendo, não necessariamente nessa ordem. Entretanto, não há cura para o Transtorno Bipolar. Mas, como outras doenças crônicas, trata-se de um mal controlável.

Em casos de bipolaridade, os remédios conhecidos como estabilizadores do humor são fundamentais para o tratamento do tipo 1 e para alguns pacientes do tipo 2, como os médicos chamam uma forma mais moderada do transtorno. Qualquer que seja o tipo, porém, o maior problema costuma ser a resistência do paciente a tomar os medicamentos. Um dos motivos está nos efeitos colaterais. O LÍTIO, por exemplo, que ainda é uma das drogas mais usadas, pode provocar ganho de peso, tremores, aumento do apetite e retenção de líquido. (…) “Mesmo assim, os benefícios são muito maiores do que os efeitos colaterais”, opina Beny Lafer, da USP.

No entanto, é bom que fique claro: nenhum remédio, sozinho, opera milagres. Ele pode restaurar o equilíbrio químico dentro do cérebro, mas e as emoções? Hoje, até os cartesianos mais ferrenhos já deixaram de considerar a mente e o corpo como estruturas absolutamente separadas. No caso do Transtorno Bipolar, estão intimamente ligadas. E é aí que entra a psicoterapia, como peça fundamental do tratamento dos bipolares. “Aliás, não se trata de uma doença mental apenas, mas um mal sistêmico que afeta o indivíduo como um todo. Esse paciente requer uma equipe multidisciplinar”, defende Flávio Kapczinski.

Prova disso é que, em uma das pesquisas realizadas pela equipe de Kapczinski, descobriu-se que os pacientes bipolares têm no cérebro uma quantidade menor de enzimas antioxidantes em comparação com o resto da população. Essas substâncias são essenciais para a manutenção da saúde ao evitar mutações genéticas que podem dar início ao câncer, por exemplo. “Não é por acaso que os bipolares têm maior incidência de morte por tumores, doenças cardiovasculares e diabete”, acredita o psiquiatra. “Estamos em busca de métodos que permitam aos pacientes ficar livres não só das alterações do ânimo, mas de outros danos.”

O SOBE-E-DESCE DAS EMOÇÕES.

As fases eufóricas são chamadas de mania. As mais brandas, de hipomania. Podem durar de alguns dias até longos meses, assim como as fases da depressão.

Doença do corpo e da mente, a bipolaridade também pode se enquadrar em outra categoria, a de doença social. Afinal de contas, muitas vezes não é o transtorno em si o que mais preocupa os pacientes, mas a reação das outras pessoas. Em outras palavras, é preconceito mesmo. (…) Ora, se a vida é dupla e a doença é tripla, a conta só fecha porque as soluções são múltiplas.

RELATO VIVO

IMAGEMTXTKAY REDFIELD JAMISON é psiquiatra, cientista, professora de uma das mais prestigiadas instituições acadêmicas dos Estados Unidos, a Universidade Johns Hopkins. E sofre de Transtorno Bipolar. Num inusitado caso de atividade de pesquisa que se mistura com experiência pessoal, ela se tornou uma das maiores especialistas do mundo naquilo que ainda prefere chamar de doença maníaco-depressiva. O relato de sua convivência com o transtorno, muitas vezes apavorante, embora carregado de esperança, está no livro: Uma Mente Inquieta, editado no Brasil pela Martins Fontes.
É a história de quem atravessou o deserto do descontrole. “A doença maníaco-depressiva deforma seus pensamentos, estimula comportamentos aterradores destrói a base da razão e, com enorme frequência, solapa o desejo e a vontade de viver”, escreveu Kay Jamison. “É uma doença sem par pelo fato de proporcionar vantagens e prazer que, como consequência, levam a um sofrimento quase insuportável.”

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Apesar de todos os estudos e pesquisas científicas – essas estratégias ainda precisarem provar seu valor na busca pela identificação de genes que predispõem ao TBP, tal descoberta certamente terá implicações importantes, tanto no entendimento, como no tratamento dessa grave condição. Evidentemente, que a maior importância para o paciente TPB e seus familiares é o conhecimento e a compreensão dessa condição.

REFERÊNCIAS:

Transtorno Bipolar – Associação Brasileira de Psiquiatria – www.abp.org.br [ Links]

www.epv.psicologia.com [ Links ]

Revista Brasileira de Psiquiatria  – Rev. Bras. de Psiquiatria Vol. 21 s.2 SP Octc 1999 – On-line version ISSN 1809 -542X – www.scielo.br [Links]