Artigo publicado em 19 nov 2012 | Este artigo tem 0 Comentário

O desejo é a essência da realidade. Jacques Lacan

“A feminilidade tem algo de enigmático; por não ser completo, assim, fica retida na significação fálica que dispõe a sexualidade masculina, e se constrói através de reivindicação e artifícios imaginários, auxílios que sucedem em uma lógica muito peculiar em termos de desejo e gozo”.

Desde Freud, a Psicanálise mostra que a nossa sexualidade é comandada pela linguagem e é ela que revela as diferenciações entre o Desejo e o Gozo.

Por isso, o analista deverá questionar o desejo do Outro, nesse caso, o desejo do analisando – implica dizer que o analisando possa se entender com seu desejo para que ele – possa atravessar a fantasia. A travessia é o conceito de Lacan para falar do ato, do corte, do ponto de basta, que postula a economia do gozo.

Nesse caso pode-se afirmar que, por mais que se procura conhecer as mulheres – elas estarão sempre a surpreender o sexo masculino com seus desejos e pensamentos. “Freud o mais exímio conhecedor da alma feminina nunca soube exatamente que tantos mistérios guardam uma mulher”. Não há conhecimento na história que algum homem conseguiu desvendar uma mulher. Geralmente, muitos homens dizem que todas as mulheres são iguais, entretanto, será sempre uma suspeita. Eis que até às próprias mulheres não sabem ao certo o que desejam, haja vista quando pensam que têm todas as certezas, logo, viram dúvidas de um instante para o outro. Suas palavras podem dizer uma coisa enquanto sua mente diz outra. Eis a indagação, por que às mulheres são assim? Seguras, mas  frágeis? Decididas, mas inseguras? Na atual conjuntura independentes e ao mesmo tempo tão carentes? De onde vem essa diversidade que habita a alma feminina que, deixam tantos homens sem norte diante de certas atitudes? Isso sem dúvida é um assunto intrigante e de interesse masculino, que sempre reacendem antigas e novas questões e, que, disseminam discussões entre homens e mulheres ao longo dos tempos. Diante desse fenômeno, a psicanálise não propõe uma solução física, mas a compreensão da própria constituição do desejo. “Como afirma Lacan, é porque, para elas, não há clivagem entre desejo e amor. Assim, uma dificuldade referente ao desejo pode ser mais bem tolerada quando continua existindo um investimento amoroso no parceiro”.

“Lacan frisa ainda o aspecto de construção do feminino ao inspirar-se em um artigo da psicanalista Joan Rivière para definir a feminilidade como mascarada, ou seja, um conjunto de artifícios que a mulher utiliza para parecer feminina aos olhos do homem. O papel do olhar aqui não deve ser negligenciado; é esse olhar que a mulher busca em seu parceiro como garantia de sua importância no desejo dele. Se pensarmos que o próprio eu é construído a partir do olhar do outro, que lhe confere consistência, podemos dimensionar o que representa para a mulher ser reconhecida como desejável por um homem.

O desejo é a forma absoluta da necessidade, na medida em que fica para além da exigência incondicional de amor – algumas vezes ele pode vir comprovar o passado. Se é da natureza do desejo necessitar da proteção do Outro. Então, percebe-se que o desejo do Outro não é uma via de acesso para o desejo da outra pessoa, ou seja, o desejo é peculiar e inerente a cada um de nós.

A psicanalista, Joan Rivière, diz que as mulheres precisam representar sua feminilidade uma a uma, em sua singularidade e para isso utilizam de suas “mascaradas”. O que ela chama de “mascarada” feminina são seus enfeites apetrechos que dão essa evidência dos atributos femininos. Mulher usa sapatos enfeitados, brincos, colares, pulseiras, tudo muito delicado e encantador – e elas encantam por suas peculiaridades femininas. Esse é um aspecto da feminilidade contida nas mulheres e, também, nos homens de alma feminina. Sua feminilidade precisa ser apresentada ao Outro e ser reconhecida como objeto de amor. Ser desejada para a mulher é um acontecimento de grande relevância a alma feminina, pois dessa forma o Outro lhe diz o que ela é – ofertando-lhe uma representação sobre si mesma.

Afinal, o que querem as mulheres? Elas querem ser entendidas. Mas, antes do Outro, elas precisam se entender com elas mesmas. O lado enigmático e divergente das mulheres faz com que o desejo do sexo masculino seja instigado e, isso fascina os homens, porque há algo de desconhecido no ar… Não têm  como ser pragmático e racional o tempo todo. E, assim, mudando paradigmas ambos os sexos se compreendem e se desafiam, afinal, a relação dos sexos é um desafio – nessa dualidade convivem em uma eterna peleja interna em busca da evolução dos sexos.

 

Referências:

Sexualidade feminina (1931). S. Freud, em Obras completas, Imago, 1976, vol. 21.

A feminilidade: conferência XXXIII (1923). . Freud, em Obras completas, Imago, 1976, vol. 22.

RIVIERE, Joan. Womanliness as a masquerade. International Journal of Psychoanalysis. (10): 303-313, 1929.

Revista Mente e Cérebro.

Artigo publicado em 13 nov 2012 | Este artigo tem 1 Comentário


Freud inicia seu pensamento teórico assumindo que não há nenhuma descontinuidade na vida mental. Ele afirmou que nada ocorre ao acaso e muito menos os processos mentais. Há uma causa para cada pensamento, para cada memória revivida, sentimento ou ação. Cada evento mental é causado pela intenção consciente ou inconsciente e é determinado pelos fatos que o precederam. Uma vez que alguns eventos mentais “parecem” ocorrer espontaneamente.

O termo “esquizóide” foi criado por (Eugen Bleuer), no início do século XX, para definir uma tendência de a pessoa direcionar a sua atenção para o mundo interior, fechando-se ao exterior.

Apesar da semelhança e de alguns sintomas (como o embotamento emocional e o isolamento), esta perturbação não é o mesmo que a Esquizofrenia (a Esquizofrenia caracteriza-se, sobretudo, por uma fragmentação da estrutura básica dos processos de pensamento, acompanhada pela dificuldade em estabelecer a distinção entre experiências internas e externas, como é o caso dos sintomas psicóticos de delírio ou alucinação).

Segundo Reich, a distinção entre as estruturas de caráter esquizóide e esquizofrênico é uma questão de grau. O que não significa que não sejam encontradas diferenças qualitativas. Pode-se, em casos extremos, certamente hesitar ao comparar o esquizofrênico institucionalizado, com o bom funcionamento do caráter esquizóide.

O Esquizóide apresenta rupturas em sua relação com a realidade – tanto externa quanto interna. É como se ele não estivesse em seu próprio corpo. Rejeita a realidade e tem dificuldades de lidar com a parte egóica da vida, ou seja, aquela parte prática e material do dia a dia. Também não tem acesso a seus próprios sentimentos e a sua falta de unidade corporal transparece em um corpo fragmentado, que passa a impressão de ser mecânico e sem energia.

A característica principal que define esta perturbação da personalidade é o padrão evasivo de distanciamento de relacionamentos sociais e o mínimo de expressão emocional em termos interpessoais.

Os indivíduos com esta perturbação parecem não ter um desejo de intimidade, preferindo passar o tempo sozinho em detrimento de estar com outras pessoas (mesmo no contexto familiar). As atividades escolhidas são predominantemente solitárias. Mesmo quando se tratam de momentos com outras pessoas, a interação é breve.

Geralmente, são unânimes os autores, ao imputarem um distúrbio afetivo grave ao caráter esquizóide. Fenichel (1945) diz, especificamente, que “as emoções dessas pessoas parecem ser geralmente inadequadas, comportam-se “como se não” tivessem relações de sentimentos com as demais pessoas”. Embora basicamente verdadeiras essas afirmações, é difícil empregá-las como características.

A pessoa com Perturbação do Transtorno de Personalidade Esquizóide parece, igualmente, indiferente às críticas ou elogios. Pode parecer lento e letárgico, com um discurso monótono, tendo tendencialmente um humor negativo.

Esta perturbação da personalidade pode aparecer pela primeira vez na infância ou adolescência sob a forma de solidão, fraco relacionamento com as pessoas e baixo rendimento escolar, podendo criar situações em que estas crianças e adolescentes sejam vistas como diferentes e como alvos de bullying.

O Transtorno da Personalidade Esquizóide é diagnosticado com uma frequência levemente superior em sujeitos do sexo masculino. Pode, ainda, ter uma prevalência maior entre os parentes de indivíduos com Esquizofrenia ou Perturbação da Personalidade Esquizotípica.

Processo Terapêutico:

Como a terapia tem uma forte natureza interpessoal, as pessoas com o Transtorno da Personalidade Esquizóide terão algumas dificuldades em se “encaixar” e colaborar na relação terapêutica.

A psicoterapia trará sentimentos ambíguos, havendo o receio por parte do analisando/paciente que o processo terapêutico o faça descobrir mais falhas na sua personalidade e aumentar o seu sentido de ser inadequado.

Com validação por parte do terapeuta, será importante o foco da atenção na idiossincrasia do problema, isto é, naquilo que preocupa o analisando num determinado tema. Será relevante esclarecê-lo, evitando o desfazimento com as expectativas do terapeuta.

Quanto à temática de “não ter amigos”, o terapeuta poderá considerar que seria importante para o analisando ter um amigo, ou dois amigos quando para este o importante, neste tema, poderia ser que a família não estivesse sempre lhe dizendo que deveria ter amigos.

Trabalhar com analisandos cujas crenças e percepções contrastam significativamente com o terapeuta poderá trazer dificuldades. O analisando poderá ter crenças como: “as pessoas são cruéis”; “as pessoas são frias”; “as pessoas apenas deverão falar se houver alguma coisa para falar”.

Do ponto de vista terapêutico, as sugestões definem-se no sentido do estabelecimento de uma relação de confiança fortalecida, de forma centrada no analisando.

Com a intervenção psicoterapêutica pretende-se ir “derretendo a máscara de gelo”, num movimento de mudança e segurança, com gradual expressão de necessidades e emoções.

Metaforicamente, portanto, pode-se concluir que o esquizofrênico odeia inconscientemente sua mãe. Mas ele não é uma pessoa fria e odiosa. (Seu ódio não lhe envolve o coração, apenas seus músculos. Não foi seu coração que se congelou, só o seu sistema muscular).O caráter esquizóide, ao contrário do esquizofrênico, tem uma motilidade e coordenação motora maior, o ego é índice de independência melhor organizado. No seu tratamento, pode-se contar com uma participação mais consciente. Não obstante, as tendências esquizofrênicas básicas estão presentes, logo, a terapia deve ser orientada, no mesmo espírito que seria adequado no caso de se estar lidando com um esquizofrênico.

Referências: (CID.10 é F60.1) Critérios Diagnósticos para F60.1 – 301.20 Transtorno da Personalidade Esquizóide).

Artigo publicado em 12 nov 2012 | Este artigo tem 6 Comentários

O sintoma é a inscrição do simbólico no real. Jacques Lacan.  

O presente artigo tem o propósito de promover um debate interno e externo, e, assim, externar os sentimentos e pontos de vista.
As redes sociais e sites de relacionamentos são meios para nos dar mais expectativas de novas amizades e novos encontros e/ou se perder nesse emaranhado de opções. Existe um contingente de redes e sites de relacionamentos, que levam as pessoas as vitrines virtuais – isto é, um mal ou um bem?

Estamos nos utilizando desses mecanismos para passar o tempo, por necessidade ou por puro vício? O pensar dos internautas pode se resumir nestas frases: “Todos que estão à minha volta estão tendo um dia espetacular!”, ou por outro lado, “a pessoa tal está mesmo feliz ou deprimida?” Por isso, as redes sociais e sites relacionamentos são formas que espelham os humores. Mas, da mesma forma, também podem exagerá-los, pois, normalmente, falta-lhes contexto, ou serve para passar aos “amigos” uma imagem muito pouco real do que vai à alma.

Geralmente, nas redes sociais ou se tem uma vida espetacular, pulverizada em fins de semanas e viagens fantásticas – saídas à noite estupendas – ou se tem uma existência marcada pela depressão e pela tristeza -, espelhada nas postagens e legendas manhosas. Nas redes, todos são solidários ou insensíveis ao partilhar, não partilhar exibições – todos estão loucamente a favor de uma ideia ou contra – todos têm amigos estupendos ou apenas “amigos de longe”. Nesse ponto de vista, a aceitação de serem curtidos e/ou comentados traz prazer ao ego! Ora eufóricos, ora deprimidos como se fossem “bipolares”.

Os usuários, no seu exagero, não têm meio termo na Internet. Portanto, como o fenômeno das redes sociais e sites de relacionamentos fazem cada vez mais parte do cotidiano da humanidade -, vale pensar se tal fato nos alegra ou nos deprime.
Nos pegamos, assim, invejando a vida do outro, que parece ser um mar-de-rosas. Nos pegamos, também, fingindo que adoramos uma festa e/ou uma viagem em que não nos divertimos, mas tiramos fotos pensando em colocar na rede. Todavia, em tempos de redes sociais: uma relação só será sólida se for anunciada Online. Não raro existem aqueles que ficam chateados se um amigo não os parabenizou no seu aniversário e/ou colocou àquelas fotos que tiraram em algum lugar em um determinado evento.

Geralmente, as redes como espelho das vivências, servem para passar ao outro aquilo que são, ou melhor, a imagem que querem que os outros tenham de si. A diferença entre imagens está na filtragem que cada um faz daquilo que partilha. E o resultado influência os que o seguem… Nesse ambiente, onde se acumulam pessoas como quem coleciona “determinado objeto”, os humores influenciam ainda mais gente e têm mais pessoas influenciando o vosso humor.

As redes, como qualquer tecnologia são neutras. São boas ou ruins dependendo do que se faz dentro delas. E nem todo mundo aprendeu a usá-las a seu próprio favor. As redes podem ser úteis para fazer e manter amizades separadas pela distância ou pelo tempo e para unir pessoas com interesses comuns. Em excesso, porém, o uso das redes e sites de relacionamentos pode ter um efeito negativo: as pessoas se isolam e tornam-se dependentes de um mundo de faz de conta, ou serve para encontros fugazes, em que só se sentem à vontade para interagir em um faz de conta sem criar laços sólidos à margem da impessoalidade.

Em última análise, o ambiente virtual apenas intensifica e potencializa comportamentos que já estão presentes na pessoa. No entanto, mesmo aqueles que tentam criar uma personalidade positiva têm dificuldades em escapar de quem eles realmente são na vida real. “Se a pessoa tem traços de personalidade mais amargos, é comum que na internet seus comentários sejam mais ácidos, ou, nas entrelinhas, a pessoa deixa escapar algumas pistas.”

O que é um espelho? É o único material inventado que é natural. Quem olha um espelho, quem consegue vê-lo sem se ver, quem entende que a sua profundidade consiste em ele ser vazio… esse alguém percebeu o seu mistério de coisa. Clarice Lispector

 

Artigo publicado em 09 nov 2012 | Este artigo tem 6 Comentários

 

INTRODUÇÃO

O presente artigo tem por objetivo abordar: divórcio versus recasamento – que vêm batendo recordes nos últimos séculos XX e XXI. Ao que parece, o sujeito desse século ficou menos temeroso ao tomar decisões importantes para sua vida.

Por que tanta avidez em tomar novos rumos nos relacionamentos entre casais? Será que estamos mais inquietos e egoístas, menos tolerantes com o outro, mais ansiosos para buscar a felicidade, mais abertos, menos dispostos a engolir a seco uma relação que não deu certo – ou, deu certo durante algum tempo. Dizia o poeta: Que não seja imortal, posto que é chama. Mas que seja infinito enquanto dure”. Vinícius de Moraes.

CASAMENTO X SEPARAÇÃO

O divórcio abriu caminho para uma solteirice, ou uma nova união. O “até que a morte os separe” deixou de ser uma bênção “afrontante”.

Casamento é opção, não prisão perpétua. Recasar significa começar de novo, e continuar a estrada. A mudança na lei arejou os costumes.

Antes o divórcio só era possível após um ano de separação judicial e/ou dois anos de separação consumada, quando homem e mulher não estão mais juntos, mas são considerados ainda casados pela Justiça. Agora, é possível descasar em minutos, é instantâneo como uma injeção, às vezes dói, às vezes alivia a dor.

Muito embora, exista pessoas que são incapazes de ficar sós – quando terminam um relacionamento, logo buscam outro parceiro. Para essas: a vida têm graça apenas se estiverem acompanhados de alguém.

Na verdade, saber viver um período sem alguém é uma experiência que enriquece e aumenta as possibilidades de êxito na próxima relação.

SOLIDÃO X LUTO X DESPEDIDA

A solidão, portanto, pode se transformar em rica fonte de crescimento, experiência e renovação. Angústias intensas não permitem elaborar o processo da perda. De repente, ficar sem um parceiro não é solidão insuperável, nem abandono, mas momento de interiorização e autoconhecimento.

O sentimento de solidão não é causado, porque, não existe alguém ao lado, mas por se estar mal acompanhado de si próprio. Na verdade, a única pessoa com quem não podemos deixar de ter uma boa relação somos nós mesmos. E, quando não se consegue conviver bem consigo, não há milagroso amor que cure isso. Portanto, uma pessoa que não consegue viver bem consigo mesma, será praticamente inviável viver bem ao lado de alguém e/ou encontrar um parceiro que a suporte.

Quando uma relação chega ao fim, é natural que a pessoa fique confusa, até se surpreenda sentindo saudade do “ex”, menos por amor e mais por carência em ficar só. Outros fantasmas rondam a mente, como o temor de não mais conseguir alguém. Mas, se houver paciência, irá perceber que isso é uma ilusão causada pelo sentimento do fim da relação. A separação, mesmo de quem não desejamos mais é um processo doloroso – então, se faz necessário passar pela elaboração do luto, que faz parte do processo normal de adaptação. Um tempo de espera – tempo esse que, sabendo usá-lo, pode ser saudável e benéfico. Tempo de aprender com os erros, as dúvidas e refletir… Momento sereno e triste de despedida interna do “ex”, o adeus silencioso no passo a passo do luto, que poderá compor mais gratidão do que ressentimentos.

Afinal, não vivemos para colecionar vitórias o tempo todo. Sofremos com as mudanças que faz parte do processo inerente a vida. É importante nos protegermos do espírito descartável da cultura atual, da obrigação de ser “feliz”, das ilusões mágicas transmitidas pela mídia.

Quando a relação chega ao fim, tem-se a oportunidade de encontrar às próprias origens, voltar à liberdade de ir e vir, sem preocupar-se com esclarecimentos. É um momento de parar e, se abastecer existencialmente, para o retorno, quando novas oportunidades estarão a espera.

CONCLUSÃO

Por fim, concluímos com o pensamento do grande psicanalista Contardo Calligaris:

Não sei se isso é verdade. A degradação de um casal é feita de um acúmulo de pequenas palavras e condutas, que parecem insignificantes na hora e mesmo depois, na memória: não liguei naquele dia, cheguei atrasado no outro, preferi dormir quando você queria outra coisa, não disse o que eu queria porque tanto faz… Nada precisa ser drástico e, no fundo, tudo é contingente: se eu estivesse apenas menos cansado, naquela noite, não teria dormido enquanto você falava… Conclusão: mesmo recomeçando sem poder recorrer às ditas “lições” do passado, talvez o desfecho não seja necessariamente o mesmo”.

 

REFERÊNCIAS:

Autora: Luzziane Soprani.

Citações: (Vinícius de Moraes) foi um poeta, dramaturgo, jornalista, diplomata, cantor e compositor brasileiro. – (Contardo Calligaris) é psicanalista, escritor e dramaturgo italiano radicado no Brasil.