Artigo publicado em 28 set 2017 | Este artigo tem 1 Comentário

A angústia surge do momento em que o sujeito está suspenso entre um tempo em que ele não sabe mais onde está, em direção a um tempo onde ele será alguma coisa na qual jamais se poderá reencontrar”. Jacques Lacan

INTRODUÇÃO:

O artigo propõe uma compreensão do Transtorno de Ansiedade Generalizada. O objetivo é refletir acerca das implicações clínicas. Iniciaremos, pois, abordando o transtorno de ansiedade generalizada TAG, depois as manifestações de compulsão, obsessão, fobia e pânico enquanto categorias diagnosticadas, portanto, serão abordados de forma concisa os demais transtornos – apenas para o entendimento deles no transtorno da ansiedade – pois o TAG é um transtorno que ocorre sempre acompanhado de comorbidade.

O transtorno de ansiedade generalizada é basicamente uma preocupação e/ou ansiedade excessiva, que apresentam motivos injustificáveis ou desproporcionais ao nível de ansiedade observada. Para ter-se o diagnostico do TAG essa ansiedade excessiva deve durar por mais de seis meses continuamente e deve ser diferenciada da ansiedade normal.

Para identificar o que é ansiedade generalizada do que é ansiedade normal, o diagnostico se dá através do tempo de duração dos sintomas. A ansiedade normal se limita a uma determinada situação, e mesmo que uma situação adversa causadora de ansiedade não se modifique, o individuo tende a adaptar-se e suportar melhor a tensão diminuindo o grau de desconforto com o tempo, muito embora a situação permaneça desfavorável. Assim, o indivíduo que permaneça apreensivo, tenso, angustiado por um período superior a seis meses, ainda que tenha um motivo para estar ansioso, começa a ter critérios para diagnóstico de ansiedade generalizada. Uma vez eliminada a ocorrência de outros transtornos mentais assim como eliminada a possibilidade do estado estar sendo causado por alguma substância ou doença física, podemos admitir o diagnóstico de ansiedade generalizada.

DA ANSIEDADE GENERALIZADA (TAG)

No DSM-IV (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 1994) como no DSM-IV TR (2001), o principal sintoma que caracteriza o TAG é a presença de ansiedade e preocupação excessivas (expectativa apreensiva) em torno de uma grande diversidade de situações (durante mais da metade dos dias por um período mínimo de seis meses). A ansiedade e a preocupação devem exceder as possibilidades de controle do indivíduo, sendo acompanhadas por pelo menos três sintomas da seguinte lista: inquietação, dificuldade de concentração, fadiga, irritabilidade, distúrbios do sono e tensão muscular. Os sintomas devem provocar mal-estar clinicamente significativo ou deterioração social, ocupacional ou em outras áreas importantes na vida do sujeito.

O TAG é um transtorno de curso crônico, com flutuações ao longo da vida e com um aumento marcado na sua intensidade em períodos de estresse. De acordo com o DSM-IV-TR (2001), o nível de prevalência anual (incidência) do TAG é de 3%, enquanto a prevalência global é de 5%. A respeito da sua comorbidade, segundo Goisman e colaboradores (apud GABBARD, 2002), quase 90% dos pacientes com TAG apresentam comorbidade com algum outro transtorno psiquiátrico. Sandin e Chorot (1995) consideram que o TAG é o transtorno de ansiedade com maior taxa de comorbidade, tendo 21% de comorbidade com Depressão Maior, 11% com Transtorno do Pânico, 8% com TOC, 6% com Agorafobia, 6% com Fobia específica e 6% com Fobia Social.

Após esta breve introdução do termo TAG se dará a continuidade especificamente, à compulsão, à obsessão a fobia e o pânico, que, geralmente, ocorrem juntamente com o transtorno de ansiedade generalizada TAG.

DA COMPULSÃO

Deve-se ter em conta a definição de compulsão como o tipo de comportamento que o indivíduo é levado a realizar por uma coação interna. Um pensamento obsessivo, uma ação, uma operação defensiva, mesmo uma sequência complexa de comportamentos, são qualificados de compulsivos quando a sua não realização acarreta aumento de angústia. (Laplanche & Pontalis, 1983).

Três termos traduzem a complexa noção freudiana de Zwang: a compulsão, para sublinhar a sua origem interior; o constrangimento, para especificar o seu efeito mais imediato; e a obsessão, para descrever uma de suas consequências mais sintomática na vida do sujeito.
Freud refere-se à ocorrência de atos compulsivos em dois tempos, sendo o primeiro anulado pelo segundo, e destaca a característica ambivalente presente nesses atos marcados, simultaneamente, por um constrangimento interior e uma luta contra esses impulsos (Freud, 1909/1962).

DO TRANSTORNO OBSSESSIVO COMPULSIVO

As obsessões são definidas como pensamentos ego-distônicos recorrentes, enquanto as compulsões são ações que devem ser feitas para alívio da ansiedade. As queixas dos pacientes situam-se em cinco categorias:
1) rituais envolvendo checagem;
2) rituais envolvendo limpeza;
3) pensamentos obsessivos não acompanhados por compulsões;
4) lentidão obsessiva;
5) rituais mistos
O transtorno obsessivo-compulsivo é frequentemente complicado por depressão e sério prejuízo no funcionamento ocupacional e social, de forma que os membros da família e os que trabalham com pacientes com transtorno obsessivo-compulsivo podem também sofrer repercussão da doença.
O indivíduo com transtorno obsessivo-compulsivo aparenta agarrar-se a seus sintomas, resistindo fortemente ao tratamento. Apesar da natureza refratária de muitos sintomas obsessivo-compulsivos, a terapia pode melhorar consideravelmente o funcionamento interpessoal dos pacientes com transtorno obsessivo-compulsivo.
Outra contribuição útil que os terapeutas de orientação psicanalítica podem fazer ao tratamento do transtorno obsessivo-compulsivo é por meio da investigação dos desencadeantes que iniciam ou exacerbam os sintomas. Ao ajudar os pacientes a compreender a natureza desses estressores, os sintomas podem ser manejados de forma mais eficaz.

DAS FOBIAS:

Entre os transtornos de ansiedade, as fobias são as mais comuns. Elas são divididas em três categorias:

1) agorafobia sem história de transtorno de pânico,
2) fobia específica
3) fobia social (DSM-IV-TR, 2002).
“A compreensão psicanalítica das fobias ilustram o mecanismo neurótico da formação do sintoma. Quando pensamentos sexuais e agressivos proibidos, que podem levar à punição retaliadora ameaça emergir do inconsciente, a ansiedade sinal é ativada e leva ao desenvolvimento de três mecanismos de defesa: deslocamento, projeção e evitação (Nemiah, 1981).”
Tais defesas eliminam a ansiedade, reprimindo, mais uma vez, o desejo proibido. No entanto, a ansiedade é controlada ao custo da produção da neurose fóbica.
Números exatos sobre fobia social são difíceis de serem determinados pelo fato de o diagnóstico ser frequentemente aplicado a padrões interpessoais gerais de vergonha e evitação do sexo oposto pelo medo da rejeição. O continuum varia de fobia social, em um extremo, a um estilo caracterológico generalizado de se relacionar, conhecido como transtorno da personalidade evitativa, no outro. Os estressores como humilhação e crítica por parte de irmãos mais velhos, discussões entre os pais e morte ou separação de um dos pais provavelmente estão entre os principais fatores ambientais que contribuem para o desenvolvimento futuro de fobias. Uma interpretação possível é que as crianças com inibição que prosseguem e desenvolvem transtornos de ansiedade manifestos são aquelas expostas a pais com maior ansiedade, que podem transmitir para elas que o mundo é um lugar perigoso. Além disso, a crítica materna, em particular, parece mediar à relação entre transtorno de ansiedade da mãe e manifestação de inibição da criança, levando ao risco de psicopatologia (Hirshfeld, Biederman, Brody, Faraone & Rosenbaum, 1997).

A fobia social é uma condição com alta taxa de comorbidade. Os pesquisadores demonstraram que, na ausência de comorbidade, a fobia social é raramente tratada por profissionais de saúde mental. O trabalho clínico com pacientes fóbicos revela que certas relações objetais características estão presentes. Os pacientes possuem representações internalizadas dos pais ou daqueles que exerceram tais papéis ou, ainda, dos irmãos, por quem são criticados, ridicularizados, humilhados, abandonados e constrangidos (Gabbard, 1992).

Essas introjeções são estabelecidas cedo na vida e, repentinamente, são projetadas em pessoas do ambiente, que passam a ser evitadas. Devido às altas taxas de comorbidade do transtorno, a fobia social pode ser identificada quando um paciente busca tratamento por outro problema. O embaraço e a vergonha são os estados afetivos principais. O profissional da condição humana que se sintoniza com tais afetos pode ter melhor oportunidade de, nas primeiras entrevistas com o paciente, formar uma aliança terapêutica. Explorar as fantasias de como o terapeuta pode reagir e ajudar os pacientes a começar a perceber que o que acham que os outros sentem em relação a eles pode ser diferente de como os outros, na realidade, sentem-se em relação a eles.

A resistência ao tratamento deve ser manejada de forma efetiva, pois sem tratamento os pacientes com frequência evitam a escola ou o trabalho e muitos terminam em benefício social ou incapacidade (Schneier, Johnson, Homig, Liebowitz & Weissman, 1992).

As relações interpessoais dos pacientes com fobias beneficiam-se de uma abordagem psicanalítica. Por estarem presos em casa, indivíduos com grave agorafobia, em geral, necessitam de cuidados de outra pessoa significativa, como um cônjuge ou um dos pais. A avaliação adequada e o tratamento das fobias devem incluir uma avaliação cuidadosa de como a fobia se adapta à rede de relacionamentos do paciente.

DO TRANSTORNO DO PÂNICO

Embora o ataque de pânico geralmente dure apenas alguns minutos, ele produz considerável mal-estar no paciente. Sentimento súbito de terror, sensação de morte iminente, coração disparado, suor intenso, dores no peito, falta de ar, tontura, podendo vir acompanhado de despersonalização ou irrealidade de alguma catástrofe que a pessoa acredita que vai acontecer. A descrição dos sintomas se encaixa igualmente a descrição de um ataque cardíaco, mas não é. Trata-se de um ataque de pânico. Além das manifestações físicas de alarme, como sensação de sufocação, tontura, sudorese, tremores e taquicardia, os pacientes com transtornos de pânico geralmente têm a sensação de morte iminente. Pode, também, apresentar agorafobia, ou seja, um medo por estar se sentindo em um lugar ou situação extremamente desagradável ou da qual seria difícil escapar. Pelo fato de os ataques de pânico ser recorrentes, os pacientes, com frequência, desenvolvem uma forma secundária de ansiedade antecipatória, preocupando-se constantemente com expectativa de quando e onde o próximo ataque irá ocorrer. A falta de diagnóstico precoce e tratamento adequado podem fazer com que, gradativamente, o medo e a ansiedade causados pelas crises tomem proporções tais, que seus portadores tornem-se incapacitados para dirigir, frequentar determinados locais (bancos, shoppings etc.) ou mesmo sair de casa. A situação de ostracismo forçado pode levar o paciente ao desespero e a pensar em suicídio como opção de acabar com todo esse sofrimento.

CONCLUSÃO

O transtorno de ansiedade generalizada costuma ser crônico e duradouro com pequenos períodos de remissão dos sintomas, mas geralmente leva o paciente a sofrer com o estado de ansiedade elevado durante anos. Pode vir a ceder espontaneamente em alguns casos e não há meios de se prever quando isso acontecerá.

Vale ressaltar que, nesses casos, o nível de ansiedade é desproporcional aos acontecimentos geradores do TAG. O transtorno da ansiedade generalizada pode afetar indivíduos de todas as idades. Geralmente, mulheres são mais vulneráveis que homens.

No diagnóstico do TAG se faz necessário investigar a história pregressa de vida do paciente, para a avaliação clínica criteriosa e, quando necessário, a realização de alguns exames complementares. Como os sintomas podem ser comuns a várias condições clínicas diferentes que exigem tratamento específico, é fundamental estabelecer o diagnóstico diferencial com TOC, síndrome do pânico ou fobia social, por exemplo. Mas como falamos acima, geralmente, o TAG vem acompanhado de outras comorbidades.

O uso de medicamentos antidepressivos ou ansiolíticos, sob orientação médica, e terapia são necessários para o tratamento do TAG. O tratamento farmacológico deve ser acompanhado pelo profissional da medicina, sendo mais indicado o psiquiatra nessa categoria. Ele deverá acompanhar o curso do tratamento para estabelecer o tempo de duração dos medicamentos. Geralmente, a medicação cursa com o período de seis a doze meses até o desaparecimento dos sintomas. Vale ressaltar, que o uso de medicamento farmacológico é de grande relevância. O indivíduo deve reconhecer que os fármacos não irão mudar a sua identidade. Resistir nesse caso não lhe beneficiara em nada.

Em suma, indivíduos que vivem com pavio curto, que estão sempre com intensas emoções que superam a razão, e tem muita dificuldade para relaxar, provavelmente é o momento de procurar um médico para avaliar esse estado constante de tensão e ansiedade.

REFERÊNCIAS:

DSM-IV-TR. (2002). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: Texto revisado. Porto Alegre: Artmed.

Revista Brasileira de Psicanálise – Rev. bras. psicanál v.43 n.3 São Paulo set. 2009

Laplanche, J. & Pontalis, J.-B. (1983). Vocabulário da psicanálise. 7ª. ed., p. 123-124. São Paulo: Martins Fontes.

Lipovetsky, G. (2005). A era do vazio: ensaios sobre o individualismo contemporâneo. São Paulo: Manole.

Freud, S. (1996c). Moral sexual civilizada e doença nervosa moderna. In S. Freud. Edição Standard das Obras Completas de Sigmund Freud (vol. 9). Rio de Janeiro: Imago. (Obra original publicada em 1908).

Drauzio Varella (2013). Transtorno de Ansiedade Generalizada

 

 

Artigo publicado em 29 ago 2017 | Este artigo tem 3 Comentários


“Cada pessoa é um abismo. Dá vertigem olhar dentro delas”. Sigmund Freud

O presente artigo tem por objetivo discorrer sobre o Transtorno de Personalidade Histriônica. Citaremos outros transtornos que estão no mesmo grupo, portanto, enfocaremos o TPH.

Transtorno de Personalidade Histriônica (TPH) é definido pela Associação Americana de Psiquiatria como um transtorno de personalidade caracterizado por um padrão de emocionalidade excessiva e necessidade de chamar atenção para si mesmo, incluindo a procura de aprovação e comportamento inapropriadamente sedutor, normalmente é desencadeado a partir do início da idade adulta. 
Podem ser também inapropriadamente provocativos sexualmente, expressarem emoções de uma forma impressionável e facilmente influenciadas por outros. O TPH é uma desordem de personalidade – incluída no grupo B “dramáticos, imprevisíveis ou irregulares”. Ou seja, dos transtornos classificados no grupo B estão: Borderline, Histriônica, Antissocial e Narcisista. Entre as principais características relacionadas estão egocentrismo, desorganização egoíca, autoindulgência, anseio contínuo por admiração, comportamento persistente, manipulativos, necessidades para suprir suas próprias dramatizações exageradas, sedutoras, flertadoras, alternando seus estados entre entusiástico e pessimista, com tendência a controlar pessoas e circunstâncias para conseguirem o que querem – manipuladores. [1] É um distúrbio de personalidade que pode ocorrer concomitante ao Transtorno de Personalidade Limítrofe (Borderline) e, por isso, compartilham várias características em comum. Entretanto, histriônicos têm probabilidade maior em adquirir depressão em relação à maioria das pessoas. Vale ressaltar que embora o histriônico e o borderline tenham traços similares esses são transtornos diferentes. Uma das divergências entre borderline e histriônico: o Transtorno de Personalidade Borderline (Limítrofe) tende a automutilação – uma agressão contra si mesmo – o que, não ocorre no Transtorno de Personalidade Histriônica.

DOS TRAÇOS MARCANTES:

O indivíduo com transtorno histriônico tem como traço básico da personalidade uma desadaptação às possibilidades existenciais normais, reagindo com exagero, com teatralização para o outro e para si. As vivências do TPH são sempre teatrais.

Dessa forma, o TPH tem grande imaturidade emocional. Esses indivíduos crescem fisicamente, mas por algum motivo, deixam de crescer emocionalmente e se estacionam nessa imaturidade, como se emocionalmente fossem eternas crianças. Contudo, diferente da imaturidade emocional causada por uma “superproteção” que pode ser revertida, nos transtornos de personalidade, onde essa característica imatura está presente (histriônica, borderline, narcisista e antissocial), é muito difícil de ser amadurecida, exatamente porque os traços e modo de viver desses indivíduos são muito inflexíveis e desajustados, causando evidentes prejuízos e caracterizando, assim, um distúrbio de personalidade. Indivíduos dessa natureza podem chegar aos 15, 20, 30 anos, e, mesmo assim, continuam imaturos afetivamente. A idade emocional não é proporcional a idade cronológica

As características mais evidentes de imaturidade emocional encontrada em histriônicos podem ser a impaciência, imediatismo, inconstância, instabilidade emocional, atitudes infantis, impulsividade, baixa tolerância à rotina e monotonia. Assim, deixam-se levar facilmente pelas emoções: intuição, vaidade, ciúmes, necessidade constante de atenção, bem como hedonismo, intolerância às frustrações, decepções, devaneios românticos, relacionamentos superficiais – hipersensíveis, sentem-se facilmente feridos emocionalmente, com tendência a acreditar que todos querem o seu mal. Necessitam de atenção e são indivíduos com emoções à flor da pele, frequentemente, desencadeado por coisas de pouca relevância.

DOS RELACIONAMENTOS:

Nos relacionamentos são mais dramáticos, há mais ciúme, mais inveja, mais mágoa, mais atração, mais sedução. Seus sintomas são mais exuberantes, suas queixas mais contundentes, sua sensibilidade mais exaltada.

O perfil histriônico é teatral e construído para se relacionar com a vida, não é conscientemente determinado, embora tenha certa intencionalidade. Quando o histriônico questiona sobre a origem de seus sintomas perguntando: “Você acha que eu quero estar doente?” Pois, vale lembrar que as atitudes histriônicas são involuntárias e intencionais, ou seja, a pessoa não opta para agir e sentir a vida histrionicamente, isso vem de sua personalidade, no entanto, pode haver um propósito e/ou objetivo inconsciente para sua teatralidade.

DA MATERNIDADE:

Se for mãe, normalmente, tende a ser negligente e impaciente com os filhos. Costuma ser competitiva, especialmente com a filha mulher e até tentando se vestir de forma jovial (não que seja uma regra). Com alguma frequência tem uma relação conturbada com os filhos por não ter um senso de praticidade ou moralidade estável.

DA SEXUALIDADE HISTRIÔNICA:

Sexualmente, a personalidade histriônica determina um comportamento sedutor, provocante, com tendência a erotizar mesmo nas relações não sexuais do dia-a-dia. As fantasias sexuais com aqueles pelas quais estão envolvidos são comuns e, embora seja volúvel, o arremate final do jogo sexual costuma não ser satisfatório. Essa característica de desempenho sexual problemático faz com que indivíduos histriônicos sejam considerados pseudo-hiper-sexualizados.

Ainda com relação ao comportamento: pode-se descrever o indivíduo histriônico com tendências para ludibriar o outro. O transtorno histriônico de personalidade é caracterizado por um comportamento fantasioso, colorido, dramático, extrovertido e sempre exuberante. Como já mencionado acima está classificado no 2º. grupo dos transtornos de personalidade, onde estão os casos que apresentam comportamento com tendência à dramaticidade, apelação e emoções que se expressam intensamente. Tendem a exagerar seus pensamentos e sentimentos, apresentam acessos de mau humor, lágrimas e acusações sempre que percebem não ser o centro das atenções, quando não recebem elogios e aprovações. Por outro lado, frequentemente são indivíduos animados e dramáticos, tendem a chamar as atenções e podem de início, devido ao seu entusiasmo, encantar aqueles que os conhecem superficialmente. Personalidade Histriônica é sinônimo de Personalidade Histérica e para tanto, o TPH busca atrair os holofotes, necessitando representar sempre um papel interessante, mesmo que isso custe o mal estar de outras pessoas, mesmo que essas pessoas sejam entes queridos. Quando não chama atenção pela doença, o faz através do papel de mártir, de sofredor. A representação teatral como vítimas, menosprezadas, inocentes, enfim, esse papel de “o grande sofredor desinteressado” tem o nome de messianismo.

DA APARÊNCIA FÍSICA:

Preocupados excessivamente com a estética; são vaidosos extremos, geralmente exibem aparência diferente, extravagante, gastam muito tempo e dinheiro com produtos de beleza, bem como maquiagem, acessórios, roupas dentre outros. Podem exibir uma aparência ou comportamento provocante, se vestir de maneira inapropriada, usar roupas ousadas para o trabalho. Obcecado pela beleza e perfeição física, tornando-se fúteis.

DAS REDES SOCIAIS:

O comportamento histriônico nas redes sociais é apelativo e bem visível. Exemplos são vastos: mulheres que postam com frequência suas roupas novas, sapatos, bolsas, jóias, unhas, etc. (Muitas vezes se comparando com pessoas públicas, uma vez que as redes sociais dão as pessoas essa notoriedade). Geralmente, são extremamente exigentes com o corpo. Necessidade excessiva em mostrar-se feliz e perfeita. Mas isso não acontece somente com as mulheres, haja vista a quantidade de homens com os mesmos sintomas, inclusive expondo seus corpos sarados.

CONCLUSÃO:

O marco TPH é tentar controlar o outro através da manipulação emocional e/ou sedução. Por serem extremamente ciumentos, após algum tempo de convivência, o histriônico tende afastar os amigos com as exigências constantes. Todavia, o tratamento para o Transtorno de Personalidade Histriônica deve ser acompanhado com psiquiatra aliado a psicoterapia.

 

REFERÊNCIAS:

KAPLAN, HI, SADOCK, BJ & GREBB, JA – Compêndio de Psiquiatria: Ciências Comportamentais e Psiquiatria Clínica. 6 a ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.
Personalidade Histriônica – Maria Almeida, com nome literário de Mariah Ferry
Sedutor e superficial – Transtorno de personalidade histriônica – Frederico Mattos

Artigo publicado em 30 jul 2017 | Este artigo tem 0 Comentário

“As pulsões são, no corpo, o eco do fato de que há um dizer”. Jacques Lacan

O presente artigo tem por objetivo discorrer sobre a psoríase, doença que atinge parte da população, e que está intimamente ligada à psicopatologia da vida cotidiana – vivida com intensidade diante eventos traumáticos ao longo da vida.

“Pulsão: o limite entre o psíquico e o somático. Partindo de uma reflexão sobre as particularidades da relação entre o corpo e o psiquismo no fenômeno psicossomático, destaca-se a presença, no espaço psíquico dos sujeitos que apresentam este tipo de patologia, de um excesso pulsional traumático que, por não encontrar meios de simbolização, toma o corpo sob a forma de adoecimento.”

A psoríase é uma doença dermatológica atribuída tanto a fatores hereditários quanto ambientais e afeta de um a três por cento da população. Sua causa é desconhecida, embora muitos estudos indiquem que fatores genéticos e ambientais estejam envolvidos. Fenômenos emocionais são frequentemente associados ao aparecimento desta doença. A psoríase está incluída no grupo das erupções papuloescamosas, caracterizadas pela presença de pápulas e escamas superficiais. Essas erupções são responsáveis por grande número de casos e evoluem em episódios separados, com períodos de latência inconstantes, ao acaso e com momentos de remissão total (Cohen, 2000).

Até hoje não foi descoberto um tratamento medicamentoso que cure de forma definitiva a psoríase. De maneira geral, vários tratamentos tópicos, geralmente à base de corticóides, podem ser eficientes, principalmente quando utilizados pela primeira vez, mas com o tempo o organismo tende a ficar resistente a eles (Cohen, 2000).

Assim como em diferentes outros tipos de dermatoses, na psoríase postula-se o envolvimento significativo de fatores emocionais na gênese e desenvolvimento da doença, o que tem sido estudado especialmente na abordagem psicossomática. Segundo Eksterman (1992, p.77-78), a Medicina Psicossomática é um estudo das relações mente-corpo com ênfase na explicação psicológica dos sintomas corporais.

Sabemos que a psicanálise, em suas origens, pretendeu tratar de um sofrimento que escapava à medicina, e que dizia respeito a sintomas que atingiam o corpo não em seu registro orgânico, mas no representacional. As patologias nomeadas como psicossomáticas colocam um desafio ao analista, pois não tratam do adoecimento de um corpo imaginado, mas, ao contrário, atingem o órgão em sua materialidade. Uma investigação sobre os aspectos psíquicos envolvidos em uma patologia psicossomática como a psoríase, que tenha como referência o discurso psicanalítico, deve, antes de tudo, colocar em pauta a questão de saber de que maneira a psicanálise permitiria compreender um quadro onde o corpo surge como figura central do adoecimento. Assim, a primeira pergunta que nos fazemos é sobre que corpo é esse da patologia psicossomática e qual é sua articulação com a vida psíquica. Freud define, a pulsão como “o representante psíquico de uma fonte endossomática e contínua de excitação” (Id., ibid., p. 171), ele permite pensar que aquilo que é psíquico se constitui a partir de um corpo somático, das excitações corporais. Sendo assim, é pelo conceito de pulsão que podemos vislumbrar a mudança de Freud no que diz respeito às relações entre o corpo e o psiquismo, pois ela é esse conceito-limite entre o psíquico e o somático e é através dela que estes dois registros poderão se comunicar.

A psoríase é uma doença de pele muito frequente, chegando a atingir quase 2% da população ocidental. Sua forma mais comum de apresentação é a chamada psoríase vulgar, caracterizada por placas avermelhadas e escamosas que podem aparecer em diversas regiões da pele. Existem, contudo, outras manifestações, mais raras, como é o caso da psoríase artropática, que atinge as articulações e assemelha-se à artrite reumatóide. Há ainda certas manifestações clínicas bastante severas, que chegam a acometer quase 75% do corpo, como a psoríase eritrodérmica, que surge como uma grande vermelhidão e escamação fina na pele (SIGAL, 2004).

A doença evolui por surtos de intensidade variável durante toda a vida. Pode, porém, desaparecer durante um tempo mais ou menos longo, de meses ou anos. As crises agudas, em geral, melhoram logo, mas a remissão total do quadro é rara. Nenhum dos medicamentos conhecidos até hoje garante a cura (AZULAY & AZULAY, 1997). O mecanismo que forma esta patologia refere-se a uma alteração no processo de renovação das células que compõem a camada mais superficial da epiderme. Acerca das causas, considera-se que haveria uma predisposição hereditária para desenvolver tal doença. Contudo, não é claro o que leva ao desencadeamento do quadro ou à sua evolução, o que geralmente é associado a uma combinação de diferentes elementos, dentre os quais se destacam os fatores emocionais (FITZPATRICK, JOHNSON & WOLFF, 2002). A constatação de que existe uma articulação entre as vivências emocionais dos pacientes e o surgimento e a evolução da doença traz para o primeiro plano a importância de se pensar como se dão as relações entre o psíquico e o somático nesta forma de adoecimento. Nesta perspectiva, torna-se uma questão de grande relevância, na compreensão desse quadro, determinar que aspectos da vida psíquica poderiam contribuir para a formação da psoríase. É exatamente sobre este questionamento que procuraremos nos deter, buscando, desta maneira, poder contribuir para um melhor entendimento desta doença, que afeta de maneira tão significativa a vida de inúmeras pessoas.

O adoecimento psicossomático nos remete a um corpo que se mostra, assim como o corpo dos atos compulsivos já nos permitiu vislumbrar, sob uma dimensão destrutiva e carente de prazer. Ao analisar o problema do corpo nas somatizações, Fernandes (2003, op. cit.) utiliza o termo “corpo do transbordamento”, em contraponto ao “corpo da representação” encontrado na neurose, por considerar que, nesses casos, o corpo estaria marcado por algo que escapa ao processo de simbolização e ao recalcamento. Trata-se de um corpo que se liga a uma força violenta que tem na figura do trauma, de um excesso irrepresentável, sua mais profunda raiz.

Pierre Marty entre os novos autores que deram prosseguimento aos estudos das doenças psicossomáticas pós Freud, vem nos falar sobre, a desorganização mental, que ocorre quando um excesso de excitação irrompe no aparelho psíquico, promovendo um abalo em sua organização e em seu funcionamento. Tal desorganização poderá tomar diferentes rumos. Ela tanto pode instaurar uma sintomatologia mental, neurótica, quanto resultar na formação de uma patologia psicossomática, a diferença vai depender dos recursos do sujeito para lidar com tal excesso. Os casos mais problemáticos, que incluem as saídas somáticas, ocorrem quando o indivíduo não é capaz de recorrer a uma sintomatologia mental, em função de uma carência de representações precedentes. Este quadro nos faz pensar em certa combinação de uma situação adquirida e uma insuficiência de base, que impediriam o sujeito de encontrar outras vias de descarga para o excesso de excitação que perturba seu funcionamento psíquico.
A presença deste excesso que não pode ser elaborado e que precisa ser descarregado no corpo remete-nos para a dimensão traumática na formação da doença psicossomática.

A partir do exposto, é possível pensar que, com Marty, o entendimento das patologias psicossomáticas passou a girar em torno de uma dimensão essencialmente traumática. O autor deixa claro que o que estaria em jogo no adoecimento psicossomático seria a existência de uma energia pulsional, que se tornaria excessiva exatamente pela impossibilidade de encontrar vias de elaboração, o que caracterizaria uma verdadeira invasão do espaço interno, configurando-se em uma vivência extremamente ameaçadora para a integridade psíquica. A descarga no corpo é tida como um último recurso tomado pelo aparelho psíquico para livrar-se desta excitação.
Apesar de a psoríase ser geralmente considerada assintomática, é possível encontrar nos relatos de vários pacientes a queixa de que suas lesões cutâneas lhes causam grande incômodo, por se tornarem fontes de sensações intensas de prurido, levando-os a uma necessidade de se coçarem de maneira praticamente constante e, às vezes, de forma tão desesperada que chegam a ferir suas peles (SIGAL, 2004, op. cit.). Em alguns casos, este prurido pode acabar levando a uma verdadeira compulsão a coçar-se, o que, indubitavelmente, compromete a vida do sujeito e o prende em um ciclo de estimulação corporal permanente, estimulação esta que muitas vezes resulta em ferimento e dor.

Philippe Jaeger (2006) procura discutir exatamente a importância que o ato de coçar pode assumir em certas doenças dermatológicas, seguindo, para tanto, uma abordagem winnicottiana. Ainda que não seja nossa intenção nos aprofundarmos nas teorizações de Winnicott, que apresentam grande complexidade e riqueza consideramos que suas considerações acerca do prurido nos ajudam a pensar a função que este sintoma pode vir a assumir para alguns sujeitos.

De acordo com Jaeger, Winnicott apresentou, ao longo de sua obra, duas teorias psicológicas acerca do ato de coçar-se, a primeira bem no início de suas construções teóricas e a segunda mais tardia. Assim, na primeira abordagem que Winnicott fez sobre esta problemática, ele tendeu a compreendê-la como um sintoma neurótico, que seria resultado de uma luta entre o desejo e o recalque, na qual a estimulação corporal feita através da coceira estaria associada a uma masturbação compulsiva.

Na proposta, trazida pelo pensamento de Winnicott (1969, op. cit.), encontramos a ideia de que certos desconfortos crônicos da pele poderiam carregar consigo a função de reforçar os limites psíquicos, a partir do contato e da exploração que o sujeito faria dos limites de seu corpo. Tomando como referência esta forma de entender o fenômeno e a possibilidade de encará-lo como um procedimento autocalmante, destacamos, como ponto central, a ideia de que, a partir de uma estimulação corporal, o sujeito alcança um meio de contenção, pela via da dominação, da excitação traumática referida, como vimos, a uma alteridade interna violenta.
Dessa forma, vemos que o sujeito recorre – com a instauração da doença e de um de seus sintomas – a um modo exteriorizado, fora dos domínios do aparelho psíquico, de controle daquilo que ameaça sua vida psíquica. Como já comentamos a exploração do corpo não é, contudo, a única forma que o sujeito encontra, após o aparecimento do quadro, de obter tal controle. Destacamos, inclusive, o lugar da relação travada não apenas com o próprio corpo, mas também com o outro externo, quando a doença se instala. Falta, nesta perspectiva, podermos analisar este último aspecto e sua importância na psoríase.

Na psoríase, é inegável a importância da visibilidade das lesões cutâneas e do efeito de atração que são capazes de exercer sobre os olhares externos, principalmente porque tais lesões podem vir a assumir formas bastante assustadoras. A maneira como a pele é afetada nesta patologia pode mobilizar, no outro, movimentos de interesse que se dão, muitas vezes, pelo horror provocado pelo aspecto dessas lesões, o que também pode levar, em contrapartida, a reações de rejeição ou repulsa. Assim, sob o signo do horror, instaura-se um jogo de atração e repulsão entre o sujeito e o outro externo.

Jaeger dá, assim, grande destaque a esta segunda concepção de Winnicott a respeito do prurido, enfatizando sua função de configurar-se como um meio pelo qual o sujeito pode construir seus limites corporais e psíquicos. Estes elementos abrem para uma possibilidade de entendermos mais claramente certos aspectos metapsicológicos envolvidos neste processo de construção, pela via da estimulação corporal, de uma espécie de “moldura limitante”, ou seja, de um meio de contenção da energia psíquica. Assim, o autor nos sugere que compreendamos a estimulação corporal que ocorre no ato de coçar-se, à luz dos chamados procedimentos autocalmantes.

A ideia de procedimento autocalmante foi criada por Gérard Szwec e Claude Smadja, membros do Instituto de Psicossomática de Paris, com o intuito de definir certas medidas específicas tomadas pelo sujeito, que fazem apelo essencialmente à motilidade e que têm, por objetivo principal, baixar o nível de tensão no aparelho psíquico. Assim sendo, tratar-se-ia de um método de controle da excitação psíquica que se viabilizaria a partir do recurso ao corpo, mais precisamente, de um recurso à motilidade. Existiriam diversas formas de se obter esta descarga, algumas muito habituais, como, por exemplo, o próprio gesticular ao falar seria uma maneira de liberar um pouco de excitação psíquica pela via corporal. Entretanto, às vezes, estes comportamentos tomariam um lugar excessivo para o sujeito, assumindo mais o valor de defesa em relação a uma excitação traumática do que de um processo que simplesmente viria acompanhar ou facilitar o funcionamento do aparelho psíquico (BAUDIN, 2002, op. cit.).

A necessidade de recorrer a estes processos autocalmantes ocorre por não ter sido possível ao sujeito constituir meios psíquicos de contenção de sua força pulsional. Esta impossibilidade é fruto de dificuldades vividas na relação primária, referentes a falhas na capacidade materna de realizar sua função como apaziguadora das angústias sentidas pela criança. Por esta função de apaziguamento da força pulsional não ter sido internalizada ou, ainda, por ter sido internalizada de maneira precária, o sujeito busca mantê-la fora do campo psíquico, de maneira exteriorizada, neste caso, através do recurso à percepção e à motilidade.

Desta maneira, chegamos à possibilidade de compreender mais claramente o apaziguamento a que chega o sujeito no processo autocalmante. É um alívio que está intimamente articulado à possibilidade de dominar a energia pulsional traumática, o que permite, igualmente, uma forma de se descolar do poder exercido por certos aspectos do objeto interno. Apesar de Szwec (1993, op. cit.) afirmar que os procedimentos autocalmantes permitem uma ligação, ao nível do corpo, da energia pulsional, pensamos que talvez fosse mais interessante reservar a palavra ligação aos processos psíquicos que permitem um trabalho da ordem da simbolização, o que não ocorre neste caso. Consideramos, assim, que seria mais adequado nos referirmos aqui, como já procuramos destacar anteriormente, à ideia de uma tentativa de dominação e não de ligação da força pulsional. Conter a excitação pulsional. Neste sentido, certos aspectos desta relação inicial com o outro externo, ao serem internalizados, apontam para uma realidade psíquica devastada pela potência traumática. A escolha da pele para a instalação da doença faz-se pela existência destas marcas inicias, corporais e psíquicas, constituídas na relação com o outro.

Quando a psoríase se instaura, sua característica de visibilidade e os sintomas que desperta, revelam o esforço do sujeito de encontrar meios de se desvencilhar dos ataques sofridos internamente, ainda que esta resposta se dê através do recurso à exteriorização, não garantindo a simbolização dos aspectos psíquicos irrepresentáveis. Assim, vimos à importância assumida nestes quadros, do olhar do outro, da busca por uma estimulação corporal, bem como da possibilidade de criar formas figuradas para aquilo que, no psiquismo, apresenta-se como pura intensidade traumática. Muito embora esses recursos não deixam de carregar, atrás de si, a intensa fragilidade destes sujeitos no que se refere à possibilidade de delimitar suas fronteiras, seus limites egóicos, tanto no que diz respeito às insurgências do objeto interno, como também, o que fica claro com o aparecimento do quadro, em relação aos objetos externos. Foi exatamente esta dinâmica complexa estabelecida entre o interno e o externo, que tivemos a oportunidade de elucidar nesta forma particular do sofrimento humano.

CONCLUSÃO:

Diante da perspectiva analítica não deveríamos nos render apenas pela hereditariedade e/ou predisposição para o desencadeamento da doença em um evento traumático. Sabe-se que a psoríase está intimamente ligada às bases psíquicas. É necessário compreender que sob a psoríase se ocultam problemas de ordem psíquicas sofríveis. Muito embora os médicos não indiquem algum tratamento psicológico, mesmo aceitando que o estresse e a ansiedade podem agravar o quadro dessa doença. Por esse motivo, se faz necessário que na formação acadêmica e profissional possa oferecer aspectos para além do biológico, que se referem ao nosso lado social, de contato com o mundo. Vale ressaltar que a saúde subsiste em um tratamento multidisciplinar, e não individual.

 

REFERÊNCIAS:

Trauma e alteridade na psoríase: um “manto” para o mal-estar. Rio de Janeiro (02-2008) – Lilia Frediani Martins Moriconi

Bleger J. (1977). Simbiose e ambiguidade. Rio de Janeiro: Francisco Alves.

BREUER, J. & FREUD, S. (1893-95) Estudos sobre a histeria. In: Edição Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1972. vol. II.

WINNICOTT, D. W. (1969) “Nota Adicional sobre Transtorno Psicossomático”. In. Explorações Psicanalíticas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.

MERLINO, C. (2005) “Vergonha: uma forma de dor na atualidade”. In. Cadernos de Psicanálise da Sociedade de Psicanálise da Cidade do Rio de Janeiro.vol. 21, n. 24.

MEZAN, R. (2003) Freud: a trama dos conceitos. São Paulo: Editora Perspectiva.

PINHEIRO, T. (2003) “A escravidão do olhar”. In. ARÁN, M. (Org.) Soberanias. Rio de Janeiro: Contra Capa.

 

 

Artigo publicado em 30 jul 2017 | Este artigo tem 0 Comentário

 

 

DITO POR UM HOMEM:

“Não importa o quanto pesa. É fascinante tocar, abraçar e acariciar o corpo de uma mulher. Saber seu peso não nos proporciona nenhuma emoção.

Não temos a menor idéia de qual seja seu manequim. Nossa avaliação é visual, isso quer dizer, se tem forma de guitarra… está bem. Não nos importa quanto medem em centímetros – é uma questão de proporções, não de medidas.

As proporções ideais do corpo de uma mulher são: curvilíneas, cheinhas, femininas… .Essa classe de corpo que, sem dúvida, se nota numa fração de segundo. As magrinhas que desfilam nas passarelas, seguem a tendência desenhada por estilistas que, diga-se de passagem, são todos gays e odeiam as mulheres e com elas competem. Suas modas são retas e sem formas e agridem o corpo que eles odeiam porque não podem tê-los.

Não há beleza mais irresistível na mulher do que a feminilidade e a doçura. A elegância e o bom trato, são equivalentes a mil viagras.

A maquiagem foi inventada para que as mulheres a usem. Usem! Para andar de cara lavada, basta a nossa. Os cabelos, quanto mais tratados, melhor.

As saias foram inventadas para mostrar suas magníficas pernas… Porque razão as cobrem com calças longas? Para que as confundam conosco? Uma onda é uma onda, as cadeiras são cadeiras e pronto. Se a natureza lhes deu estas formas curvilíneas, foi por alguma razão e eu reitero: nós gostamos assim. Ocultar essas formas, é como ter o melhor sofá embalado no sótão.

É essa a lei da natureza… que todo aquele que se casa com uma modelo magra, anoréxica, bulêmica e nervosa logo procura uma amante cheinha, simpática, tranqüila e cheia de saúde.

Entendam de uma vez! Tratem de agradar a nós e não a vocês, porque, nunca terão uma referência objetiva, do quanto são lindas, dita por uma mulher. Nenhuma mulher vai reconhecer jamais, diante de um homem, com sinceridade, que outra mulher é linda.

MULHERES jovens são lindas… mas as de 40 para cima, são verdadeiros pratos fortes. Por tantas delas somos capazes de atravessar o atlântico a nado. O corpo muda… cresce. Não podem pensar, sem ficarem psicóticas que podem entrar no mesmo vestido que usavam aos 18. Entretanto, uma mulher de 45, na qual entre na roupa que usou aos 18 anos, ou tem problemas de desenvolvimento ou está se auto-destruindo.

Nós gostamos das mulheres que sabem conduzir sua vida com equilíbrio e sabem controlar sua natural tendência a culpas. Ou seja, aquela que quando tem que comer, come com vontade (a dieta virá em setembro, não antes; quando tem que fazer dieta, faz dieta com vontade (sem sabotagem e sem sofrer); quando tem que ter intimidade com o parceiro, tem com vontade; quando tem que comprar algo que goste, compra; quando tem que economizar, economiza.

Algumas linhas no rosto, algumas cicatrizes no ventre, algumas marcas de estrias não lhes tira a beleza. São feridas de guerra, testemunhas de que fizeram algo em suas vidas, não tiveram anos “em formol” nem em spa… viveram! O corpo da mulher é a prova de que Deus existe. É o sagrado recinto da gestação de todos os homens, onde foram alimentados, ninados e nós, sem querer, as enchemos de estrias, de cesárias e demais coisas que tiveram que acontecer para estarmos vivos.

Cuidem-no! Cuidem-se! Amem-se!”

A beleza é tudo isto.

Autor: Paulo Coelho

 

FONTE:

DESENVOLVIMENTO PESSOAL, HÁBITOS, INSPIRAÇÃO, INTELIGÊNCIA EMOCIONAL, SAÚDE E BEM-ESTAR, SOCIEDADE PAULO COELHO: SOBRE O CORPO DE UMA MULHER – 16 DE DEZEMBRO DE 2013.

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