Artigo publicado em 13 jul 2013 | Este artigo tem 1 Comentário

Nosso Atos Falhos

Nunca reprove o ato falho. Ele é o caminho mais seguro ao inconsciente.
Cleber Martins.

Aqueles que conhecem um pouco de Freud, já ouviram falar nos atos falhos, que são, por definição: confessar em um “tropeço” aquilo que percorre o nosso inconsciente, e que muitas vezes tentamos ocultar. A partir do momento que passamos a compreender o real sentido dos atos falhos, podemos observar a maneira como o inconsciente de uma pessoa o trai e confessa suas reais intenções.

Foi a partir da psicanálise, que houve a descoberta dos atos falhos, haja vista até hoje, para aqueles que desconhecem a psicanálise e querem ocultar o real sentido dos supostos erros – os atos falhos eram tidos apenas como simples erros/trocadilhos, um ocorrido “sem querer”, que não tinha maior importância, que não possuíam nenhuma causa e eram atribuídos simplesmente a um “equívoco”. Freud, por sua vez, pôde mostrar no livro “sobre a Psicopatologia Da Vida Cotidiana” que até os erros/tropeços mais comuns teriam um sentido oculto que teria sido ressaltado em determinado erro.

DAS CARACTERÍSTICAS DOS ATOS FALHOS

Os atos falhos consistem em pequenos lapsos – esquecimentos de nomes, horários, datas, coisas a fazer e/ou algo dito que não era o que tinha sido intencionado a dizer – erros ao fazer alguma coisa, ou seja, todo processo em que ocorre alguma interferência no que foi planejado, na atitude “normal” esperada, assim acontecem os atos falhos.

O exemplo a seguir, revela muito sobre os atos falhos: um senhor estava conversando com uma jovem sobre como a cidade estava bonita com os preparativos para o Natal, e disse: “viu a loja tal? Está toda DECOTADA, oh, quis dizer DECORADA!”. Esse é um exemplo bastante simples, mas é intrigante, pois comumente as pessoas têm a tendência a atribuir um erro como esse simplesmente ao acaso, e não procuram investigar o que o ocasionou. O locutor diria “oh, quis dizer DECORADA!” e a coisa ficaria por aí mesmo. A outra pessoa da conversa geralmente tende a não dar atenção ao ato falho. Já Freud interpreta esse pequeno erro como uma interferência de um pensamento inconsciente do senhor a respeito do decote da roupa da jovem senhora. Em todos os casos analisados, Freud consegue mostrar que os atos falhos, dos mais simples aos mais complexos, são frutos de um processo inconsciente suprimido e que sua causa pode ser descoberta.

Outro fator importante – são as investigações policiais – em que um indivíduo precisa depor várias vezes, em um desses depoimentos, o indivíduo pode falar de maneira “inconsciente” e revelar a verdade em um ato falho.

No entanto, pode-se ter em mente que quase todo erro cometido tem um significado oculto. Pode-se dizer quase todo erro cometido, porque às vezes erros são ocasionados pelo alto investimento psíquico em outros acontecimentos. Citaremos outro exemplo: “uma pessoa extremamente preocupada com problemas no trabalho, pode vir a esquecer do amigo, do filho, por exemplo, em determinado local já esperado. Esses acontecimentos são frutos da preocupação exagerada.

Quando alguém busca o psicanalista, às vezes passa horas, dias, meses, anos, tentando explicar o que pensa e o que sente. Discurso controlado, consciente – e que na maioria das vezes oculta a verdade. Se todo efeito tem por trás uma causa, todo “ato humano” tem por trás um motivo, tem um desejo. O que a psicanálise revela é que há muito mais entre nosso inconsciente/consciente do que podemos supor.

Um ato falho, que o analisando deixe escapar em meio às diversas sessões, às vezes dá uma pista mais importante para o psicanalista do que horas e horas de escuta atenta. O ato falho revela o que está reprimido, e pode desencadear o longo e por vezes árduo caminho da cura – embora a busca da cura, não necessariamente – seja a felicidade absoluta, mas a infelicidade suportável.

“Nossos atos falhos são atos que são bem sucedidos, nossas palavras que tropeçam são palavras que confessam. Eles revelam uma verdade por detrás. (…) Se a descoberta de Freud tem um sentido é este – a verdade pega o erro pelo cangote, na equivocação”. (LACAN, 1954/1986, p. 302).

Artigo publicado em 06 jun 2013 | Este artigo tem 1 Comentário

Melancolia. Uma linha tenuê do existir.

“O sofrimento sempre acompanha uma inteligência elevada e um coração profundo. Os homens verdadeiramente grandes experimentam uma grande tristeza, acometido de uma melancolia súbita.” Fiódor Dostoiévski

O presente artigo consiste em uma breve revisão teórica de como a psicanálise explica a melancolia.

A melancolia é uma dor de existir. A melancolia é uma dor que não se descreve. Geralmente, a melancolia é vista como depressão, e não é só depressão. Faz parte da natureza humana essa dor. Desde Freud, a “dor de existir” vem sendo observada e, atualmente, seu conceito parece confundir-se com a depressão. A pessoa que se encontra na depressão pode sair da depressão. Portanto, esta condição abre um espaço de interpretação singular.

Não é de hoje que a Psiquiatria biológica tenta inutilmente ignorar a subjetividade da dor e da existência humana, buscando respostas dentro do contexto biológico e sonha com o dia – que nunca virá – em que um comprimido irá curar todos os males do mundo. Segundo Estevão (1997) apud Moreira 2001.

DA FARMACOLOGIA:

Não raro, esses acontecimentos se resumem em interesses oculto-suspeitos e nada éticos em que grandes laboratórios estão por detrás e compulsivamente procuram explicar a busca da solução para as angústias humanas numa pílula mágica. O poder e o interesse econômico entram num campo limítrofe e delicado com a fantasia onipotente, com falsas promessas e muitos lucros.

DOS ANTIDEPRESSIVOS:

“Os antidepressivos são ministrados de forma abusiva. Não é só psiquiatra que prescreve. Em alguns locais do mundo, como Estados Unidos e Inglaterra, cerca de 60% das prescrições de antidepressivos são feitas por clínicos gerais, ginecologistas, cardiologistas, entre outros. No Brasil, provavelmente, é parecido porque não há estatística confiável que eu conheça a esse respeito aqui. Quais são os efeitos nocivos dos antidepressivos? O paciente fica como se fosse uma outra pessoa porque o antidepressivo induz a um contentamento que não depende dos fatos da vida. Ele não fica contente porque conseguiu se formar na faculdade, porque teve um bom resultado no trabalho ou porque a família vai indo bem. Não fica feliz porque conquistou coisas, que é o natural. Ele se contenta por ação química. Os fatos da vida dele são os mesmos. E também não houve um amadurecimento emocional para aceitação de eventuais fatos nocivos e desagradáveis. Está tudo igual. O medicamento induz ao contentamento indiscriminadamente. Por isso que digo que é a ação do antidepressivo. Qual o outro efeito nocivo? Ele se dá como se apenas uma parte da pessoa reagisse de forma não depressiva. Em psicanálise nós falamos que na depressão existe uma fúria sádica do sujeito contra ele mesmo, que o faz querer se autodestruir. O antidepressivo pode agir somente numa parte disso. Ou seja, a pessoa sai daquele estado triste, mas permanece a fúria sádica, só que não mais contra si, mas contra alguém próximo. Ele culpa alguém pelos males do mundo. É como se outra pessoa, e não mais ele, tivesse de ser punida. Mas ele não fala isso claramente.” Segundo o psiquiatra e psicanalista Rubens Hazov Coura.

DA ANGÚSTIA, TRISTEZA E A DOR DE EXISTIR:

Em tempo algum podemos esquecer que a tristeza, a dor e a angústia fazem parte da natureza humana – o ato de existir nos expõe a essas sensações no decorrer da vida. Ninguém está isento disso. Exceto os sujeitos que nascem com uma deformação em sua conduta, que é o caso do perverso – esses não sentem angústia, não sentem a dor de existir – eles apenas coexistem. A dor tem sido condição para o desenvolvimento na natureza humana. Sem dor não há crescimento. A evolução humana é com dor, o aprender é com dor. Todo nosso processo de nascer, viver e morrer são perpassados pela dor e angústia. A tristeza, a dor e a angústia fazem parte da natureza humana e o fato de existirmos nos expõe a essas sensações.

DA DEPRESSÃO E A MELANCOLIA:

A depressão e a melancolia para a psicanálise são distintas não só quantitativa como qualitativamente: a primeira é um sinal clínico e a segunda uma categoria diagnóstica, não justificando seu agrupamento num quadro único como pretende a psiquiatria atualmente com a criação do conceito de “Transtornos do Humor.”
Mas, o acompanhamento de um profissional da condição humana é necessário, quando o sujeito está acometido da depressão e comorbidades. O tratamento deverá ser acompanhado por um psiquiatra e psicoterapeuta. Trabalhar o desenvolvimento emocional para que o paciente-analisante reflita e traduza seus pensamentos, criando condições para contornar sentimentos que julga insuportável.

A depressão é, portanto, um problema de saúde e necessita de atenção. Se ela anda sufocando-o, chega de sofrer em silêncio. O melhor remédio que um analista pode oferecer é a oferta da escuta que promove o bem dizer sobre o saber recalcado e proibido, que vai de encontro ao dever ético de orientar-se no inconsciente-consciente.

A partir do que foi exposto pôde-se ter uma noção a respeito da melancolia. Ficam alguns questionamentos a serem ainda investigados e estudados, para um posterior artigo em discussão.

 

Referencias:

Revista ISTOÉ Independente. Edição: 1563.

 

 

Artigo publicado em 25 maio 2013 | Este artigo tem 3 Comentários

A mente de um Psicopata.

“O indivíduo psicopata-perverso é uma pessoa que atua somente em benefício e interesse próprio, não se importa com os meios utilizados para alcançar os seus objetivos”. E o que mais intriga na conduta psicopática, é que estes, são indivíduos desprovidos do sentimento de culpa e dificilmente estabelecem laços afetivos com outra pessoa, quando o fazem, é meramente, por puro interesse. 

Os psicopatas geralmente falam muito, expressam-se com encanto, têm respostas espertas e contam histórias, pouco evidentes, mas convincentes, que lhes deixam em uma boa situação perante as pessoas. Não raro, o observador perspicaz vê que esses sujeitos são muito superficiais e nada sinceros, como se estivessem lendo mecanicamente um texto.

Relatam conhecimentos atrativos, mas para os quais não têm preparo, como poesia, literatura, sociologia, filosofia, psicanálise, psiquiatria, economia ou diversos outros assuntos. Não se preocupam que as manifestações de suas histórias sejam falsas, pois é um acontecimento que nem sempre é fácil de ser percebido, considerando o desembaraço e a imaginação com que envolvem os seus relatos.

“O psicopata tem uma autoestima muito elevada, um grande narcisismo, egocentrismo, megalomania fora do comum, uma sensação onipresente de que pode tudo”. Ou seja, sente-se o “centro do universo” e se crê um ser superior regido por suas próprias normas. É compreensível que, com tal percepção de si mesmo, pareça diante do observador como altamente arrogante, dominante e muito seguro de tudo o que diz.

Fica evidente que ele procura controlar os outros e parece incapaz de compreender que haja pessoas com opiniões diferentes das suas, haja vista não há o que argumentar com esse perfil, sendo ele sempre o senhor das suas razões. Um dos traços mais evidentes do psicopata-perverso é o transtorno narcisista como foi mencionado acima: “Quem não tem vaidade não é normal”, afirmou o psiquiatra, psicanalista Guido Palomba. No entanto, o exagero em querer se sentir superior e a necessidade em rebaixar os demais para se sentir bem é um transtorno de personalidade. “Se caracteriza pelo culto à beleza e à aparência”, descreveu.

Alguém assim não precisa envolver-se em metas realistas de longo prazo e, quando estabelece um objetivo, logo se vê que não tem as qualidades necessárias para alcançá-las, nem sabe, na verdade, que é preciso fazer algo. Ele de fato acredita que suas habilidades lhes permitirão conseguir qualquer coisa. Mentir, enganar e manipular são adjetivos mais do que natural para o psicopata. Quando é perceptível à sua cilada, não se embaraçam; simplesmente mudam a sua história ou distorcem os fatos para que se encaixem novamente no seu discurso.

A convicção com a qual o psicopata-perverso argumenta a sua história vem acompanhada da crença de que o mundo se encontra dividido em dois grupos: os que ganham e os que perdem, de tal modo que lhe parece um absurdo não se aproveitar das fraquezas alheias.”

Os psicopatas parecem possuir uma incapacidade flagrante para sentir de modo profundo a categoria completa das emoções humanas. “Às vezes, ao lado de uma aparência fria e distante, manifestam episódios dramáticos de afetividade, que nada mais é que pequenas exibições de falsas emoções.”

Por que, então, podemos perguntar: uma pessoa assim se casa e constitui uma família? “As razões variam, de maneira evidente; mas em geral a resposta é que, quando fez a opção de casar-se ou ter filhos, naquele momento era uma escolha que servia a seus fins imediatos e acerca da qual não adquiriu nenhum tipo de responsabilidade e/ou dissimulam responsabilidade frente à sociedade, para disfarçar as suas facetas.” Na realidade, os psicopatas usam metáforas, já que, em seu comportamento enganoso e manipulador, a linguagem florida e figurativa joga uma parte importante.

Os psicopatas têm uma inquestionável habilidade de estar rodeado de pessoas mau caráter, que lhes facilitam realizar suas ambições.

“O ser humano está cada vez mais isolado, mais sozinho, apesar de poder se comunicar quase instantaneamente com qualquer parte do mundo. Caso aprenda a viver sem necessitar dos outros, aprenderá a não se preocupar com os outros, um traço básico na personalidade psicopática.”

A conclusão é uma população que alberga, cada vez mais, jovens transformados em adultos sem um claro código de valores, que assumem o olhar cínico e desconfiado de uma sociedade em que o sucesso material talvez seja o único bem seguro e tangível. E, fatidicamente, é assim que caminha a humanidade.

O psicopata está livre das alucinações e dos delírios que constituem os sintomas mais espetaculares da esquizofrenia, ou seja, da estrutura psicótica, que sofre com delírios e alucinações. Por exemplo. Os esquizofrênicos vivem numa “realidade a parte, num mundo fora de si” ou em ruptura com o “mundo verdadeiro”, e, exatamente por isso, não têm noção do que fazem. Já os psicopatas aparentam viver uma normalidade, usam uma “máscara de sanidade”, tornando mais difícil de ser reconhecido e, provavelmente, mais perigoso.

“A característica do psicopata é não demonstrar remorso algum, nem vergonha, quando elabora uma situação que ao resto dos mortais causaria espanto”. Os psicopatas são embotados, ausência total de sentimentos. Eles são razão e passam longe da emoção. Portanto, o cálculo para o psicopata é: 100% razão e 0% emoção.

De acordo com o psiquiatra forense Guido Palomba, um indivíduo com transtorno de personalidade tem três defeitos básicos: são altamente egoístas; não se arrependem dos atos; têm valores morais distorcidos; gostam ou não se incomodam com o sofrimento alheio. “Aparentemente, a pessoa é normal e lúcida, mas tem uma conduta deformada”, disse. “O problema foi descrito pela primeira vez em 1835, como insanidade moral. Ao longo dos anos, já foi chamado de psicopatia, sociopatia, condutopatia e transtorno de personalidade”, lembrou Palomba.

A deformação de conduta pode ou não se manifestar, no entanto, não existe cura para o problema, segundo Palomba. “Existe tratamento para controlar”, afirmou o psiquiatra. De acordo com o psiquiatra e psicanalista da Sociedade Brasileira de Psicanálise Leda Beolchi Spessoto, o indivíduo pode ter predisposição aos transtornos, mas o problema está ligado ao ambiente em que ele vive quando criança. “Os traços se formam na infância, mas devem ser bem analisados na adolescência”, disse.

É natural e compreensível que os pais de jovens com características psicopáticas se questionem quase sempre e até com certo desespero: “O que nós fizemos de errado para que nosso filho seja assim?” Os pais se sentem culpados por acharem que falharam na educação dos seus filhos. Isso é um engano! É fato corriqueiro de que a educação, a estrutura familiar e o ambiente social influenciam na formação da personalidade de um indivíduo e na maneira como ele se relaciona com o mundo. No entanto, esses fatores por si só não são capazes de transformar ninguém em psicopata-perverso.

Então, podemos concluir, que a psicopatia é um quadro que começa a se definir na infância. Segundo a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva: A Medicina só pode dar o diagnóstico de psicopatia a partir dos 18 anos. No entanto, ninguém se transforma em psicopata da noite para o dia. O indivíduo já nasce com essa predisposição. É uma condição com forte marcação genética, cujo cérebro é diferenciado das demais pessoas.

Vale ressaltar que para a psicanálise este transtorno de conduta tem a definição de perverso e a psiquiatria o demarca como psicopata. Mas o resultado final é o mesmo.  Essas características mencionadas são apenas genéricas; para um diagnóstico exato, só pode ser firmado por especialistas no assunto. Além do mais, o leitor deve atentar para a frequência e a intensidade com as quais essas características se manifestam.

 

 

Artigo publicado em 13 maio 2013 | Este artigo tem 2 Comentários

MY WEEK WITH MARILYN
“Todo tratamento psicanalítico é uma tentativa para libertar o amor recalcado”. Sigmund Freud.

INTRODUÇÃO:

Com tantas mudanças no campo das relações sentimentais, podemos prognosticar que amar requer trocas de reciprocidade e harmonia. Quando só um dos parceiros demonstra seu interesse para manter viva a chama do desejo, o próprio tempo faz com que a parte mais esforçada se desencante. Logo, se tornará um capítulo ultrapassado da vida, páginas amareladas de um livro, de um tempo distante.

REALIDADE É FICÇÃO:

Independente dos rumos que a vida tenha tomado, a realidade com a qual tratamos as nossas questões sentimentais, como cada um sente, interpreta e vivencia, é antes traçada de acordo com a nossa própria subjetividade. Se para uns sofrer em uma relação amorosa não condiz com o seu script de vida, para outros, essa experiência é atemporal, ou seja, constante e instigante.

Longe de ser tema somente das grandes ficções, se desgastar em uma relação marcadamente infeliz são acontecimentos muito comuns. É o que talvez instigue as produções artísticas, pois a paixão tem estrutura de ficção, é uma construção da fantasia e, portanto, atemporal.

Mas o importante para que o encontro entre duas pessoas dê certo, é o investimento de ambas as partes na relação. Vejamos está analogia: em uma gangorra de um parque de diversões, se o peso é maior para um lado do que para o outro, o desenrolar dos acontecimentos trava. Correndo o risco de perder o equilíbrio e, também, a harmonia.

DOMINADOR E DOMINADO:

Embora não seja incomum que um dos parceiros tome para si as rédeas do relacionamento, deixando o outro numa posição submissa – isso é mais frequente e atual do que possamos imaginar. Só que uma relação de amor não pode se basear no jogo dominador-dominado, pois ela precisa ter harmonia, com poderes, direitos, deveres e em quantidades equivalentes, nunca desiguais.

Mas existem as relações que se mantêm no registro da paixão – palavra que vem do latim passionis e significa passividade, sofrimento intenso e prolongado, afeto violento. São relações que não saíram do registro imaginário. A marca da ambivalência entre amor e ódio oscila como em um pêndulo.

Há pessoas que necessitam de instabilidade para se sentir vivo. O que é visível nesse sentimento de instabilidade, é o aprisionamento do outro. O que é buscado já está traçado em uma espécie de roteiro imaginário no qual o parceiro tem a obrigação de corresponder. É um jogo inconsciente em que, para um ficar em uma posição idealizada, precisa manter o outro, que também se mantém em uma posição de carência.

Como é possível que algo dessa natureza se sustente? A instabilidade de um mantém a fragilidade do outro. Como se a parte frágil da relação exprimisse: “Sofro para te fazer atraente” – é a posição do que sofre para, através do sofrimento manter a relação. No entanto, se o sofrimento acabasse a relação terminaria. Mas é o jogo da incerteza que mantém o interesse, o que caracteriza uma maneira destrutiva de se relacionar. O desejo de mudar e esperar pelo o outro, se torna uma devoção.

CONCLUSÃO:

A parte super-devotada pode chegar a conclusão, de que o aprisionamento dos seus sentimentos se esgotaram. O dominador tenta levar um relacionamento adiante achando que, o parceiro vai continuar a investir mais, por si mesmo, sem ter sido despertado para a importância que essa atitude tem para a relação, mas pode um dia acordar e ver que o parceiro já partiu há muito tempo, mesmo estando fisicamente lado a lado.
Portanto, viver o amor de forma saudável, significa não só criar um compromisso entre ambas as partes, mas também – e, sobretudo, consigo mesmo.

Fonte própria

 

 

 

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