Artigo publicado em 30 jul 2017 | Este artigo tem 0 Comentário

“As pulsões são, no corpo, o eco do fato de que há um dizer”. Jacques Lacan

O presente artigo tem por objetivo discorrer sobre a psoríase, doença que atinge parte da população, e que está intimamente ligada à psicopatologia da vida cotidiana – vivida com intensidade diante eventos traumáticos ao longo da vida.

“Pulsão: o limite entre o psíquico e o somático. Partindo de uma reflexão sobre as particularidades da relação entre o corpo e o psiquismo no fenômeno psicossomático, destaca-se a presença, no espaço psíquico dos sujeitos que apresentam este tipo de patologia, de um excesso pulsional traumático que, por não encontrar meios de simbolização, toma o corpo sob a forma de adoecimento.”

A psoríase é uma doença dermatológica atribuída tanto a fatores hereditários quanto ambientais e afeta de um a três por cento da população. Sua causa é desconhecida, embora muitos estudos indiquem que fatores genéticos e ambientais estejam envolvidos. Fenômenos emocionais são frequentemente associados ao aparecimento desta doença. A psoríase está incluída no grupo das erupções papuloescamosas, caracterizadas pela presença de pápulas e escamas superficiais. Essas erupções são responsáveis por grande número de casos e evoluem em episódios separados, com períodos de latência inconstantes, ao acaso e com momentos de remissão total (Cohen, 2000).

Até hoje não foi descoberto um tratamento medicamentoso que cure de forma definitiva a psoríase. De maneira geral, vários tratamentos tópicos, geralmente à base de corticóides, podem ser eficientes, principalmente quando utilizados pela primeira vez, mas com o tempo o organismo tende a ficar resistente a eles (Cohen, 2000).

Assim como em diferentes outros tipos de dermatoses, na psoríase postula-se o envolvimento significativo de fatores emocionais na gênese e desenvolvimento da doença, o que tem sido estudado especialmente na abordagem psicossomática. Segundo Eksterman (1992, p.77-78), a Medicina Psicossomática é um estudo das relações mente-corpo com ênfase na explicação psicológica dos sintomas corporais.

Sabemos que a psicanálise, em suas origens, pretendeu tratar de um sofrimento que escapava à medicina, e que dizia respeito a sintomas que atingiam o corpo não em seu registro orgânico, mas no representacional. As patologias nomeadas como psicossomáticas colocam um desafio ao analista, pois não tratam do adoecimento de um corpo imaginado, mas, ao contrário, atingem o órgão em sua materialidade. Uma investigação sobre os aspectos psíquicos envolvidos em uma patologia psicossomática como a psoríase, que tenha como referência o discurso psicanalítico, deve, antes de tudo, colocar em pauta a questão de saber de que maneira a psicanálise permitiria compreender um quadro onde o corpo surge como figura central do adoecimento. Assim, a primeira pergunta que nos fazemos é sobre que corpo é esse da patologia psicossomática e qual é sua articulação com a vida psíquica. Freud define, a pulsão como “o representante psíquico de uma fonte endossomática e contínua de excitação” (Id., ibid., p. 171), ele permite pensar que aquilo que é psíquico se constitui a partir de um corpo somático, das excitações corporais. Sendo assim, é pelo conceito de pulsão que podemos vislumbrar a mudança de Freud no que diz respeito às relações entre o corpo e o psiquismo, pois ela é esse conceito-limite entre o psíquico e o somático e é através dela que estes dois registros poderão se comunicar.

A psoríase é uma doença de pele muito frequente, chegando a atingir quase 2% da população ocidental. Sua forma mais comum de apresentação é a chamada psoríase vulgar, caracterizada por placas avermelhadas e escamosas que podem aparecer em diversas regiões da pele. Existem, contudo, outras manifestações, mais raras, como é o caso da psoríase artropática, que atinge as articulações e assemelha-se à artrite reumatóide. Há ainda certas manifestações clínicas bastante severas, que chegam a acometer quase 75% do corpo, como a psoríase eritrodérmica, que surge como uma grande vermelhidão e escamação fina na pele (SIGAL, 2004).

A doença evolui por surtos de intensidade variável durante toda a vida. Pode, porém, desaparecer durante um tempo mais ou menos longo, de meses ou anos. As crises agudas, em geral, melhoram logo, mas a remissão total do quadro é rara. Nenhum dos medicamentos conhecidos até hoje garante a cura (AZULAY & AZULAY, 1997). O mecanismo que forma esta patologia refere-se a uma alteração no processo de renovação das células que compõem a camada mais superficial da epiderme. Acerca das causas, considera-se que haveria uma predisposição hereditária para desenvolver tal doença. Contudo, não é claro o que leva ao desencadeamento do quadro ou à sua evolução, o que geralmente é associado a uma combinação de diferentes elementos, dentre os quais se destacam os fatores emocionais (FITZPATRICK, JOHNSON & WOLFF, 2002). A constatação de que existe uma articulação entre as vivências emocionais dos pacientes e o surgimento e a evolução da doença traz para o primeiro plano a importância de se pensar como se dão as relações entre o psíquico e o somático nesta forma de adoecimento. Nesta perspectiva, torna-se uma questão de grande relevância, na compreensão desse quadro, determinar que aspectos da vida psíquica poderiam contribuir para a formação da psoríase. É exatamente sobre este questionamento que procuraremos nos deter, buscando, desta maneira, poder contribuir para um melhor entendimento desta doença, que afeta de maneira tão significativa a vida de inúmeras pessoas.

O adoecimento psicossomático nos remete a um corpo que se mostra, assim como o corpo dos atos compulsivos já nos permitiu vislumbrar, sob uma dimensão destrutiva e carente de prazer. Ao analisar o problema do corpo nas somatizações, Fernandes (2003, op. cit.) utiliza o termo “corpo do transbordamento”, em contraponto ao “corpo da representação” encontrado na neurose, por considerar que, nesses casos, o corpo estaria marcado por algo que escapa ao processo de simbolização e ao recalcamento. Trata-se de um corpo que se liga a uma força violenta que tem na figura do trauma, de um excesso irrepresentável, sua mais profunda raiz.

Pierre Marty entre os novos autores que deram prosseguimento aos estudos das doenças psicossomáticas pós Freud, vem nos falar sobre, a desorganização mental, que ocorre quando um excesso de excitação irrompe no aparelho psíquico, promovendo um abalo em sua organização e em seu funcionamento. Tal desorganização poderá tomar diferentes rumos. Ela tanto pode instaurar uma sintomatologia mental, neurótica, quanto resultar na formação de uma patologia psicossomática, a diferença vai depender dos recursos do sujeito para lidar com tal excesso. Os casos mais problemáticos, que incluem as saídas somáticas, ocorrem quando o indivíduo não é capaz de recorrer a uma sintomatologia mental, em função de uma carência de representações precedentes. Este quadro nos faz pensar em certa combinação de uma situação adquirida e uma insuficiência de base, que impediriam o sujeito de encontrar outras vias de descarga para o excesso de excitação que perturba seu funcionamento psíquico.
A presença deste excesso que não pode ser elaborado e que precisa ser descarregado no corpo remete-nos para a dimensão traumática na formação da doença psicossomática.

A partir do exposto, é possível pensar que, com Marty, o entendimento das patologias psicossomáticas passou a girar em torno de uma dimensão essencialmente traumática. O autor deixa claro que o que estaria em jogo no adoecimento psicossomático seria a existência de uma energia pulsional, que se tornaria excessiva exatamente pela impossibilidade de encontrar vias de elaboração, o que caracterizaria uma verdadeira invasão do espaço interno, configurando-se em uma vivência extremamente ameaçadora para a integridade psíquica. A descarga no corpo é tida como um último recurso tomado pelo aparelho psíquico para livrar-se desta excitação.
Apesar de a psoríase ser geralmente considerada assintomática, é possível encontrar nos relatos de vários pacientes a queixa de que suas lesões cutâneas lhes causam grande incômodo, por se tornarem fontes de sensações intensas de prurido, levando-os a uma necessidade de se coçarem de maneira praticamente constante e, às vezes, de forma tão desesperada que chegam a ferir suas peles (SIGAL, 2004, op. cit.). Em alguns casos, este prurido pode acabar levando a uma verdadeira compulsão a coçar-se, o que, indubitavelmente, compromete a vida do sujeito e o prende em um ciclo de estimulação corporal permanente, estimulação esta que muitas vezes resulta em ferimento e dor.

Philippe Jaeger (2006) procura discutir exatamente a importância que o ato de coçar pode assumir em certas doenças dermatológicas, seguindo, para tanto, uma abordagem winnicottiana. Ainda que não seja nossa intenção nos aprofundarmos nas teorizações de Winnicott, que apresentam grande complexidade e riqueza consideramos que suas considerações acerca do prurido nos ajudam a pensar a função que este sintoma pode vir a assumir para alguns sujeitos.

De acordo com Jaeger, Winnicott apresentou, ao longo de sua obra, duas teorias psicológicas acerca do ato de coçar-se, a primeira bem no início de suas construções teóricas e a segunda mais tardia. Assim, na primeira abordagem que Winnicott fez sobre esta problemática, ele tendeu a compreendê-la como um sintoma neurótico, que seria resultado de uma luta entre o desejo e o recalque, na qual a estimulação corporal feita através da coceira estaria associada a uma masturbação compulsiva.

Na proposta, trazida pelo pensamento de Winnicott (1969, op. cit.), encontramos a ideia de que certos desconfortos crônicos da pele poderiam carregar consigo a função de reforçar os limites psíquicos, a partir do contato e da exploração que o sujeito faria dos limites de seu corpo. Tomando como referência esta forma de entender o fenômeno e a possibilidade de encará-lo como um procedimento autocalmante, destacamos, como ponto central, a ideia de que, a partir de uma estimulação corporal, o sujeito alcança um meio de contenção, pela via da dominação, da excitação traumática referida, como vimos, a uma alteridade interna violenta.
Dessa forma, vemos que o sujeito recorre – com a instauração da doença e de um de seus sintomas – a um modo exteriorizado, fora dos domínios do aparelho psíquico, de controle daquilo que ameaça sua vida psíquica. Como já comentamos a exploração do corpo não é, contudo, a única forma que o sujeito encontra, após o aparecimento do quadro, de obter tal controle. Destacamos, inclusive, o lugar da relação travada não apenas com o próprio corpo, mas também com o outro externo, quando a doença se instala. Falta, nesta perspectiva, podermos analisar este último aspecto e sua importância na psoríase.

Na psoríase, é inegável a importância da visibilidade das lesões cutâneas e do efeito de atração que são capazes de exercer sobre os olhares externos, principalmente porque tais lesões podem vir a assumir formas bastante assustadoras. A maneira como a pele é afetada nesta patologia pode mobilizar, no outro, movimentos de interesse que se dão, muitas vezes, pelo horror provocado pelo aspecto dessas lesões, o que também pode levar, em contrapartida, a reações de rejeição ou repulsa. Assim, sob o signo do horror, instaura-se um jogo de atração e repulsão entre o sujeito e o outro externo.

Jaeger dá, assim, grande destaque a esta segunda concepção de Winnicott a respeito do prurido, enfatizando sua função de configurar-se como um meio pelo qual o sujeito pode construir seus limites corporais e psíquicos. Estes elementos abrem para uma possibilidade de entendermos mais claramente certos aspectos metapsicológicos envolvidos neste processo de construção, pela via da estimulação corporal, de uma espécie de “moldura limitante”, ou seja, de um meio de contenção da energia psíquica. Assim, o autor nos sugere que compreendamos a estimulação corporal que ocorre no ato de coçar-se, à luz dos chamados procedimentos autocalmantes.

A ideia de procedimento autocalmante foi criada por Gérard Szwec e Claude Smadja, membros do Instituto de Psicossomática de Paris, com o intuito de definir certas medidas específicas tomadas pelo sujeito, que fazem apelo essencialmente à motilidade e que têm, por objetivo principal, baixar o nível de tensão no aparelho psíquico. Assim sendo, tratar-se-ia de um método de controle da excitação psíquica que se viabilizaria a partir do recurso ao corpo, mais precisamente, de um recurso à motilidade. Existiriam diversas formas de se obter esta descarga, algumas muito habituais, como, por exemplo, o próprio gesticular ao falar seria uma maneira de liberar um pouco de excitação psíquica pela via corporal. Entretanto, às vezes, estes comportamentos tomariam um lugar excessivo para o sujeito, assumindo mais o valor de defesa em relação a uma excitação traumática do que de um processo que simplesmente viria acompanhar ou facilitar o funcionamento do aparelho psíquico (BAUDIN, 2002, op. cit.).

A necessidade de recorrer a estes processos autocalmantes ocorre por não ter sido possível ao sujeito constituir meios psíquicos de contenção de sua força pulsional. Esta impossibilidade é fruto de dificuldades vividas na relação primária, referentes a falhas na capacidade materna de realizar sua função como apaziguadora das angústias sentidas pela criança. Por esta função de apaziguamento da força pulsional não ter sido internalizada ou, ainda, por ter sido internalizada de maneira precária, o sujeito busca mantê-la fora do campo psíquico, de maneira exteriorizada, neste caso, através do recurso à percepção e à motilidade.

Desta maneira, chegamos à possibilidade de compreender mais claramente o apaziguamento a que chega o sujeito no processo autocalmante. É um alívio que está intimamente articulado à possibilidade de dominar a energia pulsional traumática, o que permite, igualmente, uma forma de se descolar do poder exercido por certos aspectos do objeto interno. Apesar de Szwec (1993, op. cit.) afirmar que os procedimentos autocalmantes permitem uma ligação, ao nível do corpo, da energia pulsional, pensamos que talvez fosse mais interessante reservar a palavra ligação aos processos psíquicos que permitem um trabalho da ordem da simbolização, o que não ocorre neste caso. Consideramos, assim, que seria mais adequado nos referirmos aqui, como já procuramos destacar anteriormente, à ideia de uma tentativa de dominação e não de ligação da força pulsional. Conter a excitação pulsional. Neste sentido, certos aspectos desta relação inicial com o outro externo, ao serem internalizados, apontam para uma realidade psíquica devastada pela potência traumática. A escolha da pele para a instalação da doença faz-se pela existência destas marcas inicias, corporais e psíquicas, constituídas na relação com o outro.

Quando a psoríase se instaura, sua característica de visibilidade e os sintomas que desperta, revelam o esforço do sujeito de encontrar meios de se desvencilhar dos ataques sofridos internamente, ainda que esta resposta se dê através do recurso à exteriorização, não garantindo a simbolização dos aspectos psíquicos irrepresentáveis. Assim, vimos à importância assumida nestes quadros, do olhar do outro, da busca por uma estimulação corporal, bem como da possibilidade de criar formas figuradas para aquilo que, no psiquismo, apresenta-se como pura intensidade traumática. Muito embora esses recursos não deixam de carregar, atrás de si, a intensa fragilidade destes sujeitos no que se refere à possibilidade de delimitar suas fronteiras, seus limites egóicos, tanto no que diz respeito às insurgências do objeto interno, como também, o que fica claro com o aparecimento do quadro, em relação aos objetos externos. Foi exatamente esta dinâmica complexa estabelecida entre o interno e o externo, que tivemos a oportunidade de elucidar nesta forma particular do sofrimento humano.

CONCLUSÃO:

Diante da perspectiva analítica não deveríamos nos render apenas pela hereditariedade e/ou predisposição para o desencadeamento da doença em um evento traumático. Sabe-se que a psoríase está intimamente ligada às bases psíquicas. É necessário compreender que sob a psoríase se ocultam problemas de ordem psíquicas sofríveis. Muito embora os médicos não indiquem algum tratamento psicológico, mesmo aceitando que o estresse e a ansiedade podem agravar o quadro dessa doença. Por esse motivo, se faz necessário que na formação acadêmica e profissional possa oferecer aspectos para além do biológico, que se referem ao nosso lado social, de contato com o mundo. Vale ressaltar que a saúde subsiste em um tratamento multidisciplinar, e não individual.

 

REFERÊNCIAS:

Trauma e alteridade na psoríase: um “manto” para o mal-estar. Rio de Janeiro (02-2008) – Lilia Frediani Martins Moriconi

Bleger J. (1977). Simbiose e ambiguidade. Rio de Janeiro: Francisco Alves.

BREUER, J. & FREUD, S. (1893-95) Estudos sobre a histeria. In: Edição Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1972. vol. II.

WINNICOTT, D. W. (1969) “Nota Adicional sobre Transtorno Psicossomático”. In. Explorações Psicanalíticas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.

MERLINO, C. (2005) “Vergonha: uma forma de dor na atualidade”. In. Cadernos de Psicanálise da Sociedade de Psicanálise da Cidade do Rio de Janeiro.vol. 21, n. 24.

MEZAN, R. (2003) Freud: a trama dos conceitos. São Paulo: Editora Perspectiva.

PINHEIRO, T. (2003) “A escravidão do olhar”. In. ARÁN, M. (Org.) Soberanias. Rio de Janeiro: Contra Capa.

 

 

Artigo publicado em 30 jul 2017 | Este artigo tem 0 Comentário

 

 

DITO POR UM HOMEM:

“Não importa o quanto pesa. É fascinante tocar, abraçar e acariciar o corpo de uma mulher. Saber seu peso não nos proporciona nenhuma emoção.

Não temos a menor idéia de qual seja seu manequim. Nossa avaliação é visual, isso quer dizer, se tem forma de guitarra… está bem. Não nos importa quanto medem em centímetros – é uma questão de proporções, não de medidas.

As proporções ideais do corpo de uma mulher são: curvilíneas, cheinhas, femininas… .Essa classe de corpo que, sem dúvida, se nota numa fração de segundo. As magrinhas que desfilam nas passarelas, seguem a tendência desenhada por estilistas que, diga-se de passagem, são todos gays e odeiam as mulheres e com elas competem. Suas modas são retas e sem formas e agridem o corpo que eles odeiam porque não podem tê-los.

Não há beleza mais irresistível na mulher do que a feminilidade e a doçura. A elegância e o bom trato, são equivalentes a mil viagras.

A maquiagem foi inventada para que as mulheres a usem. Usem! Para andar de cara lavada, basta a nossa. Os cabelos, quanto mais tratados, melhor.

As saias foram inventadas para mostrar suas magníficas pernas… Porque razão as cobrem com calças longas? Para que as confundam conosco? Uma onda é uma onda, as cadeiras são cadeiras e pronto. Se a natureza lhes deu estas formas curvilíneas, foi por alguma razão e eu reitero: nós gostamos assim. Ocultar essas formas, é como ter o melhor sofá embalado no sótão.

É essa a lei da natureza… que todo aquele que se casa com uma modelo magra, anoréxica, bulêmica e nervosa logo procura uma amante cheinha, simpática, tranqüila e cheia de saúde.

Entendam de uma vez! Tratem de agradar a nós e não a vocês, porque, nunca terão uma referência objetiva, do quanto são lindas, dita por uma mulher. Nenhuma mulher vai reconhecer jamais, diante de um homem, com sinceridade, que outra mulher é linda.

MULHERES jovens são lindas… mas as de 40 para cima, são verdadeiros pratos fortes. Por tantas delas somos capazes de atravessar o atlântico a nado. O corpo muda… cresce. Não podem pensar, sem ficarem psicóticas que podem entrar no mesmo vestido que usavam aos 18. Entretanto, uma mulher de 45, na qual entre na roupa que usou aos 18 anos, ou tem problemas de desenvolvimento ou está se auto-destruindo.

Nós gostamos das mulheres que sabem conduzir sua vida com equilíbrio e sabem controlar sua natural tendência a culpas. Ou seja, aquela que quando tem que comer, come com vontade (a dieta virá em setembro, não antes; quando tem que fazer dieta, faz dieta com vontade (sem sabotagem e sem sofrer); quando tem que ter intimidade com o parceiro, tem com vontade; quando tem que comprar algo que goste, compra; quando tem que economizar, economiza.

Algumas linhas no rosto, algumas cicatrizes no ventre, algumas marcas de estrias não lhes tira a beleza. São feridas de guerra, testemunhas de que fizeram algo em suas vidas, não tiveram anos “em formol” nem em spa… viveram! O corpo da mulher é a prova de que Deus existe. É o sagrado recinto da gestação de todos os homens, onde foram alimentados, ninados e nós, sem querer, as enchemos de estrias, de cesárias e demais coisas que tiveram que acontecer para estarmos vivos.

Cuidem-no! Cuidem-se! Amem-se!”

A beleza é tudo isto.

Autor: Paulo Coelho

 

FONTE:

DESENVOLVIMENTO PESSOAL, HÁBITOS, INSPIRAÇÃO, INTELIGÊNCIA EMOCIONAL, SAÚDE E BEM-ESTAR, SOCIEDADE PAULO COELHO: SOBRE O CORPO DE UMA MULHER – 16 DE DEZEMBRO DE 2013.

Artigo publicado em 28 jun 2017 | Este artigo tem 1 Comentário

O presente artigo tem por objetivo nos levar ao conhecimento do tratamento terapêutico, onde nos utilizamos da própria fala como instrumento de cura.

O neurótico é um doente que se trata com a palavra, e acima de tudo, com a dele. Ele deve falar, contar, explicar-se a si próprio. Freud define a psicanálise como a assunção da parte do sujeito de sua própria história, na medida em que ela é constituída pela palavra endereçada a um outro. A psicanálise é a rainha da palavra, não há outro remédio. Freud explicava que o inconsciente não é tão profundo quanto inacessível ao aprofundamento consciente. E ele dizia que nesse inconsciente, aquele que fala é um sujeito dentro do sujeito, transcendendo o sujeito. A palavra é a grande força da psicanálise.

“A psicanálise é um método de cura escandaloso. Aquele que cura não dá remédios, não faz nada e nada manda fazer. No entanto, dessa situação inédita surge um efeito pouco mensurável, mas incontestável”. Laurent Danon Boileau

Falamos aqui, em cura pela palavra, pois em terapia a cura ocorre no diálogo entre duas psiques. A psicanálise nos leva a uma experiência emocional corretiva, ou seja, nos encaminha para cura das nossas vivências, desde à geração intra-uterina até o presente momento em que o sujeito se propõe abrir a sua “caixa de pandora”. Desse modo, a cada sessão, a cada encontro entre àquele que se põe a ser analisado e àquele que está analisando, percorrem juntos caminhos inusitados da psique. É uma experiência na qual analista e analisante são capazes de pensar, falar e descobrir o que fora antes interrompido. O que o analistante diz para o seu analista tem como propósito a elaboração daquilo que estava reprimido, interrompido, que sozinho o sujeito não conseguiu elaborar – para constituir à sua própria experiência, e, então, existir mais plenamente.

Àquele que consulta um analista o faz porque está sofrendo emocionalmente; e se sente incapaz de elaborar as suas mazelas psíquicas – sejam essas conscientes e/ou inconscientes. Em psicanálise, nós psicanalistas levamos em conta os sonhos. Os sonhos são materiais de grande valia para remontarmos juntos com o sonhador a sua vida psíquica. A maior parte dos sonhos não se manifestam claramente quando estamos em vigília, muitos desses sonhos podem ser perturbadores, por isso, o inconsciente interrompe o que o sonhador está sonhando. À medida que o sujeito é incapaz de elaborar sua experiência emocional, é incapaz de mudar, ou de crescer, ou de tornar-se diferente de quem ele tem sido. “Os transtornos desencadeados pelo impedimento da elaboração dos sonhos se caracterizam como: transtornos psicóticos, psicossomáticos, perversões graves, encapsulação autista em sensações sensoriais, estados de dês-afeto, nos quais os analisantes são incapazes de ler suas emoções e sensações corporais.”

Um tratamento analítico demanda do analisante como do analista, a realização de um trabalho persistente, que é realizado para levantar resistências internas. Mediante a superação dessas resistências, a vida psíquica do analisante será modificada, elevada a um nível superior de desenvolvimento. O sujeito que consegue remontar à sua história de vida e perpassar às suas mazelas: traumas e frustrações – saberá se proteger quando essas emoções reaparecerem, porque, em psicanálise sabemos que não existe cura, mas sim, uma experiência emocional corretiva. Por isso, que o analisante no processo de análise precisa: falar, pois quem fala se escuta – repetir, pois são nas repetições que conseguimos elaborar, para então, conhecer o âmago da sua condição humana. Para Lacan, o processo de cura em análise só acontece quando o tripé: falar, repetir e elaborar acontece.

Freud diz que a psicanálise se propõe fortalecer o ego, ampliar seu campo de percepção e aumentar sua organização. É necessário discordar, isto é, negar a dor, levando ao instinto de destruição interna, para depois reconstruir um novo sujeito. Trata-se de duas forças ou dois movimentos psíquicos: pulsão de morte (destruição) e pulsão de vida (reconstrução).

A compulsão à repetição é um movimento importante na análise, pois na medida em que o analisante se repete, o leva inicialmente ao enfrentamento da própria violência interna, ou seja, repetimos não para paralisar, mas para gerar novas situações, revisões, reformulações e, no entanto, possibilitar a criatividade da reconstrução.

Nós psicanalistas entendemos que a repetição no processo de análise traz novas possibilidades de simbolizar aquilo que o analisante não entendia – como a possibilidade de decodificar os enigmas inconscientes das suas vivências. Assim, sabemos que o mais importante não é necessariamente a busca da solução dos conflitos a qualquer custo, mas a identificação dos mesmos para, o viver criativo que permitirá o indivíduo a capacidade de identificar os fenômenos curativos, a partir dos movimentos vividos em análise.

A genialidade de Freud atravessou séculos e comprovou que a cura pela palavra é de fato o melhor antídoto de cura, pois a palavra tem o poder de adentrar a causa, onde os remédios, geralmente, só mascaram os sintomas. O pai da psicanálise em sua genialidade não estava em “inventar” esses conceitos e sim, na sua capacidade de dar voz aos distúrbios emocionais e psíquicos que ficavam escondidos sob forma de sintoma de seus pacientes. Casos clássicos ficaram conhecidos, entre eles estão: Schereber, Leonardo Da Vinci, O homem dos lobos, Caso Hans.

Freud pôde propor a todos nós, a cura pela palavra, muito embora a medicina e a farmacologia há duas décadas venham tentando dissuadir leigos de que esta forma de tratamento está ultrapassada e que a psicanálise não cabe mais em uma cultura do espetáculo, da imagem e do consumo, que não tem muito tempo a perder para mergulhar em si mesmo buscando o autoconhecimento.

Muito embora, a mesma ciência médica, agora sob forma das tecnologias de visualização de imagens cerebrais vem confirmando aquilo que Freud já vinha defendendo desde o início do século passado: a palavra não só tem força performática como tem poder de cura. Na atualidade, isso pode ser mostrado “in loco” através das mudanças no córtex cerebral de todo aquele que já se submeteu a um tratamento psicanalítico e/ou psicoterápico. Nada mais gratificante para um homem que tinha apenas a palavra como ferramenta de trabalho.

 

REFERÊNCIA:

Freud, S. (1937) Análise Terminável e Interminável – In Edição Standard Brasileira. Rio de Janeiro: Imago, 1976. v.19.
Cura em Psicanálise (Trabalho apresentado no XXIV Congresso Brasileiro de Psicanálise e na V Jornada do GPC) Edna Wallbach.
Cura pela Palavra – Sergio Gomes – psicólogo, Publicado em Dez/2010
Lacan em entrevista a Emilio Granzotto, Publicada por Magazine Littéraire, Paris, n.428, fev/2004.

 

Artigo publicado em 27 maio 2017 | Este artigo tem 2 Comentários

 

O presente artigo tem por objetivo tratar as diferenças entre os transtornos: Borderline versus Bipolar, bem como os dois transtornos juntos em uma mesma mente.

O Transtorno de Personalidade Borderline e o Transtorno Bipolar se assemelham em muitos sintomas, os mais evidentes sendo o humor instável e atitudes impulsivas.

Devido algumas semelhanças o Transtorno Borderline e o Transtorno Bipolar são confundidos frequentemente. Alguns portadores desses transtornos perambulam por longo tempo até serem diagnosticados corretamente. O risco de tratamento errado não é incomum, pelas estatísticas conjecturadas perante tratamentos com diagnósticos errados.

Como são distintos, os métodos de terapia se diversificam. A Bipolaridade responde bem aos antidepressivos ao passo que o Borderline é tratado com terapias que tem possibilidades de atuar com eficácia, como é o caso da Terapia Dialética Comportamental.

Em um artigo publicado pelo U.S. National Library of Medicine, Joel Paris, M.D., escreve: “Estudos de tratamentos que falharam em mostrar que os estabilizadores de humor têm em qualquer ponto a mesma eficácia no Transtorno de Personalidade Borderline do que eles têm no tratamento do Transtorno Bipolar”.

Apesar das variações de humor os sintomas predominantes nesses dois tipos de transtornos, cada um possui características que requerem acompanhamentos diferentes.
A primeira grande diferença está na velocidade da mudança de humor. O paciente Borderline apresenta variações de sentimentos dentro de segundos, minutos e/ou horas, enquanto o Bipolar, comumente, leva no mínimo uma semana do estado de euforia até o estado de depressão. Além disso, no Transtorno Borderline, a variação de humor depende de fatores externos, enquanto o Transtorno Bipolar alterna o seu comportamento segundo estímulos internos.

ALGUNS TRAÇOS QUE DIFERENCIAM AMBOS OS TRANSTORNOS: BORDERLINE VERSUS BIPOLAR:

Transtorno de Personalidade Borderline em meados do século 20 foi descrito como um distúrbio psiquiátrico por está relacionado entre as estruturas: psicose e neurose. Por isso, é também chamado de comportamento limítrofe, bem como tem sido chamado de Síndrome Borderline.
No Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais que se encontra atualmente no [DSM 5] no âmbito do diagnóstico de “Personalidade Emocionalmente Instável.” O termo Borderline (“limítrofe”) permanece – apesar de algumas pesquisas discordarem que o Borderline está na fronteira de um distúrbio neurótico versus psicótico. No entanto, comumente associam e/ou confundem Transtorno de Personalidade Borderline com Transtorno de Personalidade Bipolar.
Mesmo o Bipolar misto que alterna rapidamente entre euforia e depressão não é tão inconstante como quem sofre de Transtorno Borderline.
Uma das diferenças bem demarcadas é que pacientes Borderlines não têm uma personalidade definida, incluindo a sexualidade. É mais provável encontrar um bissexual entre Borderlines do que entre Bipolares. Embora muitos Bipolares possam cogitar pessoas do mesmo sexo, a escolha dos parceiros é muito clara.
Sobre depressão, algo que afeta tanto o Borderline como o Bipolar, pode-se afirmar que mesmo a depressão do Borderline, intermitente, é diferente daquela do Bipolar, contínua. Conclui-se que instabilidade emocional não é Transtorno Bipolar, mas pode ser Borderline.

AlGUMAS CARACTERÍSTICAS DO TRANSTORNO DE PERSONALIDADE BORDERLINE:

Relacionamentos instáveis;
Humor e pensamentos instáveis;
Lutas com um senso de self;
Possível paranoia e/ou psicose;
Sexo promíscuo.

Algumas dessas características também aparecem em Transtorno Bipolar, por isso, é possível confundir um para o outro.

ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DO TRANSTORNO BIPOLAR:

No Transtorno Bipolar, o humor varia dentro de um tempo maior (dias, semanas, meses), obedecendo a ciclos.

O Bipolar tem um humor que obedece a fatores internos.

O Bipolar mantém o humor maníaco enquanto durar a fase de mania (uma semana no mínimo); e mantém o humor depressivo enquanto durar a fase depressiva (dois meses no mínimo). Mesmo aquele Bipolar misto que alterna rapidamente momentos de euforia e de depressão não é tão inconstante como quem sofre de Transtorno de Personalidade Borderline. A diferença, nesse caso, pode ser pequena; mas existe.

DOS TRANSTORNOS BORDERLINE E BIPOLAR JUNTOS:

É evidentemente difícil, distinguir entre os dois quando há coocorrência. Não é incomum um paciente ter vários distúrbios psicológicos simultaneamente. Essa simultaneidade de transtornos pode vir de várias partes, incluindo alguns:

Transtornos de ansiedade;

Transtornos de Abuso de Substâncias;

Transtornos de Humor e Transtornos Afetivos.

Cerca de 20% têm uma combinação de Transtornos de Personalidade Borderline e Transtorno Bipolar.
É motivo de discussão se os dois simultaneamente ocorrem dentro do mesmo corpo e mente e/ou se eles se fundem basicamente em um quadro mais complexo. As consequências de ter ambos os transtornos é excessivamente pior. A probabilidade de tentativa de suicídio é maior.

Todavia, em função dessa complexa relação entre as duas doenças que os investigadores Joanna McDermid e Robert McDermid sugerem em Janeiro de 2016 na edição da revista Current Opinion in Psychiatry que os dois transtornos somados devem ser considerados sob o termo “fragilidade emocional”.
McDermid & McDermid propõe que, da mesma forma, a instância de comorbidades de Transtorno Bipolar e Transtorno de Personalidade Borderline exige mais do que um tratamento individual para cada um.

O Transtorno Bipolar é tratado principalmente com medicação. Estabilizadores de humor são usados para ajudar a afastar a depressão e antipsicóticos atípicos são usados para tratar mania. Há outros medicamentos disponíveis e, na maior parte dos casos, uma combinação de medicamentos é necessária para alcançar o resultado necessário.

Atualmente não há medicamentos aprovados pelo FDA (órgão regulador de medicamentos e alimentos nos EUA) para o tratamento de Transtorno de Personalidade Borderline. O tratamento primário é a terapia. Existem diferentes tipos de terapia utilizados com foco em resultados diferentes: terapia cognitivo-comportamental, terapia comportamental dialética e terapia focada no esquema.

AINDA HÁ O QUE SE DIZER SOBRE AS DIFERENÇAS DE CADA TRANSTORNO:

As histórias de amor interrompidas, vividas por Bipolares, por exemplo, se diferenciam muito em relação às histórias de amor vividas por Borderlines. Obviamente, os Bipolares não estão isentos de serem traídos, humilhados, maltratados, etc., como qualquer pessoa normal para as leis da sociedade. Mas veja que muitos Bipolares ainda pensam em seus ex-parceiros e desejam reatar com eles um dia, ainda que agora vejam neles defeitos que antes eles não viam. Enquanto um Borderline veria o ex-parceiro que o traiu e/ou humilhou como um verdadeiro demônio, que só tem defeitos; e se o Borderline antes o queria, agora já não o quer. Os sentimentos do Borderline são volúveis. Instabilidade emocional (mudar de humor a cada segundo, a cada minuto), não saber direito o que quer – isso agora é bom! – isso agora é ruim! Ou seja, achar uma pessoa perfeita e depois a pior das pessoas, passando de Anjo a Demônio, sem haver meio-termo, sem haver transição, essas são características que dizem respeito essencialmente ao Borderline, ainda que possam nos lembrar bastante um Bipolar.

O Bipolar ainda pode amar o ex-parceiro que o traiu e/ou o abandonou – demostrando que, apesar das suas variações de humor, o Bipolar ainda sabe o quer e percebe que, se àquela pessoa não era perfeita, pelo menos não era tão mau assim… Já o Borderline agiria de outro modo.

Desse modo, já podemos imaginar que a identidade e o humor do Bipolar são diferentes do Borderline; e que o Borderline tem aquele pensamento extremista que divide as pessoas em dois tipos bem restritos. Para o Borderline a pessoa só continuará sendo boa se essa eternamente lhe servir.

“Não se odeia quando pouco se preza, odeia-se só o que está à nossa altura ou é superior a nós”. Friedrich Nietzsche

Diante as diferenças entre ambos os transtornos um médico qualificado precisará investigar para determinar o diagnóstico correto. Uma delas é o ciclo dessas mudanças de humor, mencionadas acima.

Embora os resultados diagnosticados exijam atenção para um tratamento adequado, quando esses dois transtornos atuam juntos em um mesmo individuo, tendem a ser excessivamente pior numa comparação do que com apenas um dos transtornos.
O uso de medicações que estabilizam o humor é imprescindível nesses casos. Diferentemente do que muitos pensam a instabilidade emocional não é somente do Transtorno Bipolar, mas de outros transtornos também, bem como nesse caso, onde os transtornos estão associados. Portanto, todo tratamento deve ser acompanhado por um profissional clínico, sendo indicado o psiquiatra, que é o profissional que tem autoridade para dar um diagnostico preciso.

 

REFERÊNCIAS:

Manual Diagnóstico Estatístico Transtornos Mentais DSM-5

A screening measure for BPD: The McLean screening instrument for Borderline Personality Disorder (MSI-BPD)

Vivendo a Vida com Borderline – Editora Fontanar

Temperamento Forte e Bipolaridade – 10ª Ed. Lara, Diogo Rizzato – Saraiva

Citações do artigo de Walmir Lelis Assunção

CORAÇÕES DESCONTROLADOS: Ciúmes, raiva, impulsividade – o jeito Borderline de ser

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