Artigo publicado em 31 maio 2018 | Este artigo tem 0 Comentário

“Não consigo realmente suportar Seres Humanos às vezes – sei que todos têm os problemas deles como eu tenho os meus – mas estou realmente cansada demais para isso. Tentar entender, fazer concessões, ver certas coisas isso simplesmente me esgota.” Marilyn Monroe.

INTRODUÇÃO

O presente artigo é uma releitura do artigo deste blog: “Marilyn Monroe a Diva Borderline”. Portanto, pretende revelar um pouco sobre a vida de Marilyn Monroe, um símbolo sexual que simbolizou o desejo de ser mulher – Marilyn é o simbólico-imaginário no desejo de Ser na maioria das mulheres e o desejo de Possuir na maioria dos homens. Inspira até hoje, boa parte das mulheres. Mas no interior daquela diva habitava uma fragilidade emocional e uma personalidade dependente.

E a razão pela qual a figura de Marilyn segue fascinando jovens e mulheres, além de ser objeto de desejo masculino, é para o escritor francês Michel Schneider, o fato de que “nela converge uma encruzilhada de vários mitos: a mulher de grande beleza, mas mal amada, a da celebridade com morte trágica e a da pessoa que chega ao sucesso apesar da infância tortuosa”.

A irreparável sensação de abandono provocada pela ausência de sua mãe desde os primeiros momentos de sua vida obrigaram Marilyn a querer existir pelo olhar dos outros, sua máxima ilusão era a de existir para alguém”.

DA COMITIVA

Ela possuía uma comitiva que a seguia e a tratava com carinho, satisfazendo seus caprichos e vontades. Dessa forma, era protegida de ser tocada em sua delicada/fina superfície psíquica. A estrela buscava e exigia o “olhar do outro”, para ter afirmação da sua existência enquanto uma celebridade. Diante da admiração e veneração do “outro” ela projetava-se e, assim, havia uma transferência dos seus sentimentos. O objeto de amor para Marilyn era aquele que autorizava a ocupar o lugar de estrela e reconhecimento pela sua carreira.

DO HUMOR

A diva apresentava um humor que oscilava. Em seus momentos de queda emocional, ela elege uma pessoa com quem estabelece um protagonismo psíquico, que se assemelha muito a relação analítica do Borderline (Transtorno de personalidade limítrofe).

DA MÁSCARA

Norma Jean Baker, a menina que sofria de constante abandono, inventou a máscara de Marilyn Monroe para conseguir ser amada – uma fantasia que se voltou contra ela mesma ao transformá-la em um ilusório objeto de desejo de fragilidade extrema e de virtudes ignoradas que não pôde fugir de um trágico final.

Dessa visão, em vários momentos da sua vida, Marilyn causava a impressão de que portava uma delicada e fina pele psíquica que a protegia do mundo, tal qual um uma criança. “Seus momentos de tensão faziam parecer que Marilyn iria desmanchar-se frente aos olhos de quem a observava.”

DO TRANSTORNO DE PERSONALIDADE BORDERLINE

“Todos nós conhecemos ou já ouvimos falar de pessoas com personalidades “intensas”, aquelas que sofrem demais, são muito ciumentas, têm explosões de raiva ou de desespero, descontrole emocional ou instabilidade de humor. (…) Assim são os borderlines – quando se trata de emoções fortes, eles parecem imbatíveis. Sempre marcam a vida das pessoas com quem convivem, especialmente se esta convivência for íntima. Ser um borderline ou viver com alguém com essas características é sempre difícil e exaustivo”.

“Transtorno de Personalidade Borderline é uma doença? Como se caracteriza o comportamento de uma pessoa com essa desordem? É mais do que uma doença, é um jeito disfuncional de ser. Uma maneira de lidar com a vida que traz um prejuízo significativo para uma pessoa. (…) Por fim, há uma instabilidade emocional, com mudanças de humor várias vezes ao dia, em função dos acontecimentos, especialmente àqueles relacionados à esfera dos relacionamentos. Quem tem transtorno borderline vai mudando de humor de acordo com as ações da pessoa que é o seu objeto afetivo. É diferente de alguém que tem, por exemplo, transtorno bipolar e alterna dois comportamentos opostos e bem marcados”.

Vale ressaltar que o Borderline não suporta críticas. Às vezes em uma amizade e/ou relacionamento a pessoa chama atenção do Border sobre um tipo de pensamento que o mesmo cria dentro do seu contexto e/ou forma de viver que, o borderline acredita está acontecendo em sua vida. Ou seja, tudo que o Border ouve e/ou pensa sobre si mesmo é intenso, sendo que por muito pouco os acontecimentos na vida do Borderline, provocam grandes emoções. Geralmente, sentem-se rejeitados e são totalmente dependentes. Como citado acima sobre Marilyn Monroe, em seus momentos de queda emocional, o borderline elege uma pessoa com quem estabelece um protagonismo psíquico.

CONCLUSÃO

Em suma, segundo estudiosos da saúde mental, a diva era Borderline, pois em alguns momentos circulava nos polos de seus humores instáveis, em outros caminhava limítrofe a flor da pele de sua fragilidade. Uma diva que em todo seu carisma e sedução era muito misteriosa. Talvez, por isso, a diva Marilyn Monroe era tão desejada como mulher – continuando assim, no simbólico e imaginário de todos nós. Uma personalidade envolvente que não se consome no tempo.

 

REFERÊNCIAS

‪Fragmentos – Poemas, Anotaçoes Intimas E Cartas De‬: ‪MARILYN MONROE – Organização de Stanley Buchthal e Bernard Comment, Prefácio de Antonio Tabucchi, Editora Tordsilhas‬
“Corações Descontrolados”  – Autora, Ana Beatriz Barbosa Silva, editora Fontanar, 266 páginas
iG São Paulo
Maiores informações veja outros artigos deste blog referente ao Transtorno de Personalidade Borderline

Artigo publicado em 29 abr 2018 | Este artigo tem 0 Comentário

Abordaremos neste artigo, a tríade: ansiedade, insônia e depressão, que, com muita frequência, caminham juntas. São sintomas comuns e estão frequentemente interrelacionados uns com os outros.

Por exemplo, tanto na ansiedade como na depressão, ela está presente.
A ansiedade pode desencadear sintomas depressivos e a depressão pode apresentar sintomas de ansiedade.
No entanto, quando juntos podem trazer um sofrimento acentuado para quem os experimenta.
Em alguns transtornos é possível se observar a ocorrência de ansiedade, insônia e depressão concomitantemente.

– Depressão ansiosa: neste transtorno os sintomas depressivos predominam.
Mas são acompanhados de sintomas de ansiedade, como ataques de pânico, fobias, sintomas de ansiedade generalizada e também de insônia.
– Em algumas pessoas que sofrem de transtornos de ansiedade – transtorno de pânico, transtorno de ansiedade generalizada, estresse agudo e fobias específicas, é comum um quadro de depressão se instalar, juntamente com problemas para dormir.
– Pessoas que não conseguem dormir,  frequentemente apresentam sintomas de ansiedade e depressão.
Sintomas de depressão: tristeza, perda do prazer, desânimo, falta de vontade, falta de concentração, prejuízo da memória, falta de energia.
Sintomas de ansiedade: medo, apreensão, irritabilidade, esquiva, preocupação excessiva, tensão.
Tanto na ansiedade como na depressão a insônia surge como um sintoma, embora em alguns tipos de depressão ocorra a hipersonia – dormir demais.
Quando está presente a insônia, na ansiedade ela costuma ser do tipo dificuldade para pegar no sono. Ou mesmo os despertares frequentes durante a noite.
Na depressão, o que ocorre é o despertar precoce, no qual a pessoa acorda de madrugada e não consegue mais dormir.
Mas quando temos estados mistos de depressão e ansiedade, um tipo misto de insônia pode ocorrer, com despertares frequentes e dificuldade para pegar no sono.
Nestes casos de depressão e ansiedade com insônia,muitas vezes vale a pena o uso de antidepressivos, sempre prescritos por um médico, com propriedades sedativas para facilitar o sono e diminuir o sofrimento.

 

 

 

Fonte:
Tito Paes de Barros Neto – médico psiquiatra

Artigo publicado em 30 mar 2018 | Este artigo tem 0 Comentário

“Tal qual as questões físicas, as psíquicas não são necessariamente aquilo que parecem ser na realidade”( Sigmund freud)

Algumas pessoas carregam consigo o seguinte lema: “sou feliz fazendo o outro feliz”. Empenham seu tempo em ajudar, cuidar e resolver problemas do outro. Dedicar-se ao próximo é, sem dúvida, uma característica positiva, sobretudo nos dias de hoje onde grande parte das pessoas está cada vez mais preocupada com o próprio umbigo. Contudo, existe outro ponto a ser observado. Muitas vezes, o nobre ato da bondade pode esconder uma carência afetiva, vaidade e desejo de manipulação.
Não podemos desprezar as pessoas cujo o dom genuíno é o altruísmo. Estes, dedicam-se à alguma causa, abnegando suas necessidades e abstendo-se de qualquer benefício. Não há contra partida. A doação é o próprio retroalimento da reciprocidade. Não esperam e não querem absolutamente nada em troca . Mas sejamos honestos: pessoas com esse perfil são raras, verdadeiras ” pedras preciosas” e por conseguinte costumam ser canonizadas.
Já na dinâmica que rege a maioria das relações interpessoais, o “dar sem pensar em receber” é inconscientemente falso. A doação vem sempre acompanhada de uma expectativa de retribuição ; nem que seja a gratidão ou o reconhecimento. Porém, sem se dar conta disso, muitos tornam-se exímios doadores acreditando ser despretensiosos. É aquele que na família se oferece para organizar a festa, para dormir no hospital, para buscar e trazer alguém, para cuidar do que precisar.
Viram motoristas, babás, arrumadores. Doam-se excessivamente, muitas vezes em detrimento de si. São pro-ativos na solução do problema alheio – ajudam até quem não quer ser ajudado. Sentem-se responsáveis por levantar o astral dos demais. São, além de tudo, provedores do bem estar e da alegria.
Tamanha bondade e generosidade pode ser muito bem vista socialmente, contudo, psicologicamente a história é outra. Geralmente, os “bonzinhos” são vítimas de suas próprias fraquezas. São elas:
Carência afetiva: O tamanho da carência é proporcional à doação. Quanto mais carente, mais doador. A oferta é uma tentativa inconsciente de ser retribuído.
Baixa autoestima: Um “self” fraco tende a se completar no outro. Isso explica a necessidade de ser útil, prestativo, assim como a dificuldade em falar “não”.
Vaidade: Apesar de parecer contraditório, o “bonzinho” é vaidoso. Ser visto como “salvador da pátria” o faz sentir especial, uma competência que lhe confere status. Gabam-se de sua tolerância excessiva e de ser o provedor da felicidade alheia.
Vitimismo: De forma sutil, faz o claro papel da vítima, ora se mostrando cansado de ser o ponto de apoio: “faço tudo pelos outros, mas ninguém faz por mim”; ora se colocando como o único responsável pelo bem estar comum: “se eu não fizer, ninguém faz”.
Passionais: Quando algo não tem a resposta esperada ficam magoados e ressentidos. Passam a tratar o outro como indigno do seu amor. Muitas vezes, tem pensamentos vingativos e torcem para algo dar errado só para sentirem o doce gosto de serem solicitados.
A autoanálise é um processo árduo. A anomalia se desenvolve à espreita: despoja o afetado de lucidez deixando-o acreditar que todos estão errados, menos ele.

 

Por Viaviane Guimarães Psicanalista

Artigo publicado em 25 fev 2018 | Este artigo tem 0 Comentário

INTRODUÇÃO:

Este artigo tem por objetivo abordar de forma objetiva a singularidade da condição de desamparo e de dor psíquica, considerando os aportes da Psicanálise. A escuta analítica torna-se instrumento fundamental na intervenção de situações de desamparo e dor psíquica. Na transferência, instala-se um campo de ancoragem e de acolhimento, que possibilita que o excesso, nomeado como dor psíquica, seja simbolizado, retirando o sujeito do terreno do mortífero e do irrepresentável. Sabemos que as dores não simbolizadas no físico, geralmente, são ignoradas pelos profissionais da ciência médica. Muito embora, hoje, exista uma gama menor de profissionais de saúde, que ignoram a dor não simbolizada no físico. Discorremos neste artigo, as dores silenciadas, ou seja, não simbolizadas fisicamente.

DO AVANÇO AO CONHECIMENTO DAS DOENÇAS NA ERA DIGITAL:

Cada vez mais, a psicanálise vem participando no avanço de novos caminhos para à saúde. Atualmente, os temas epidêmicos de saúde são discutidos em espaços mais expansivos, advindo, inclusive, com a era digital, que possibilitou a todos os que queiram se informar sobre diversos temas, bem como, os temas relacionados à saúde psíquica. Assuntos como: síndrome de fibromialgia, síndrome do pânico, transtorno de ansiedade generalizada, depressão, entre outros temas relacionados às doenças psicossomáticas, deixam claro a influência que o psiquismo possui na criação e agravamento de sintomas. Pressões psicológicas cotidianas, por exemplo, a que estamos submetidos, assim como, o assédio moral confirmam a influência do meio social no psiquismo e sendo assim, na produção de novos sintomas.

DA DOR E SUA REPRESENTATIVIDADE:

No livro A DOR FISÍCA (J. D. Nasio) o autor distingue a dor em 3 tipos: Dor Corporal, Dor Psíquica e Dor Psicogênica. Em se tratando de dor psicogênica, ele definiu como uma dor (nesse caso sintoma) de origem psíquica que vem exprimir-se no corpo. Neste caso, as situações de vida que não conseguimos elaborar, como também os sentimentos são dirigidos ao nosso Inconsciente e se tornam uma força psíquica poderosa. Com embasamento neste ponto de vista, basta observar as lesões psíquicas e, também, físicas, do sujeito que procura ajuda médica e psicológica. Portanto, em se tratando de lesões, não necessariamente, essas aparecerão em formas de feridas físicas, posto que em grande parte essas lesões não estão visíveis aos exames clínicos ou laboratoriais.

Outro ponto de vista de importante relevância, é a tese do fisiatra americano John Sarno: “a dor psicogênica é uma estratégia da mente para desviar nossa atenção do conteúdo psíquico que deseja emergir”. Sarno na elaboração de sua teoria inspirou-se em evidencias da psicanálise freudiana e psicossomática.
Ambos os autores: têm como conceito de que a dor psicogênica é de origem psíquica. Nasio, é ainda mais incisivo e afirma que, toda dor é psíquica, uma vez que possui estreita relação na origem e/ou interferência dos sintomas físicos.

A IMPORTÂNCIA DA ESCUTA ANALÍTICA:

A importância da temática da dor psíquica para a Psicanálise é inquestionável. Tal afirmativa é feita por Freud (1905/1976, p. 302), ao expressar no artigo Tratamento Psíquico ou Mental: “é em geral verdadeiro que ao formarmos um julgamento das dores (que são normalmente consideradas fenômenos físicos) devemos ter em mente sua inequívoca dependência em relação a determinantes mentais”. Os leigos, segundo Freud (1905/1976, p. 302), gostam de rotular essa espécie de influências mentais como “imaginação” e inclinam-se a demonstrar “pouco respeito por dores devidas à imaginação em contraste por ferimentos, doença ou inflamação. Mas isto é claramente injusto. Como quer que as dores sejam causadas – mesmo pela imaginação – elas próprias não são menos reais nem menos violentas por isto”.

A realidade e a dramaticidade presentes nos produtos psíquicos exigem uma diferenciação: não se trata apenas de ouvir o que o paciente tem a dizer, mas, sim, efetivamente escutá-lo. A complexidade do Inconsciente exige e impõe o requisito de uma singularidade de escuta. Busca-se, a partir do desamparo, então, demarcar o fundamental papel da escuta psicanalítica como possibilidade de atribuição de significado à dor psíquica e, consequentemente, como possibilidade de retirar o sujeito da trama de suas repetições.

CONCLUSÃO:

A epidemia de dor que assola o mundo é algo que merece uma cuidadosa consideração, pelo campo da saúde. O sujeito moderno calado em suas “convicções” responde cada vez mais ao social, com seu corpo. Essas tantas novas “dores” apontam um fim ao pensamento dual: mente e corpo.
Vale ressaltar que, a escuta sobre tal queixa está muito além, do visível aos exames clínicos ou laboratoriais.
O desafio clínico de nossos dias é transformar o sofrimento psíquico que caracteriza o mundo contemporâneo em um real sentido, isto é, a dor psíquica é real no físico, mesmo não sendo palpável e/ou vista. Reitera-se, que, o grande desafio clínico, hoje em dia, é dar sentido à dor não simbolizada. Enquanto se acredita que um sentido existe, a dor, por maior que seja, é apoiada pela esperança e isso nos livra do desespero. O que se espera do profissional de saúde, hoje, é que mais do que interpretar o sentido oculto dos sintomas, ele se empenhe em escutar a dor inominável de seus pacientes, a fim de que esses se tornem capazes de criar novos sentidos e novos caminhos para suas vidas.

REFERÊNCIAS:
NASIO, J-D. O livro sobre a dor e amor. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1996.
FREUD, S. (1905). Tratamento psíquico (ou mental). In: _____. Obras completas. v. VII. Rio de Janeiro: Imago, 1976.
FREUD, S. (1920). Além do Princípio do Prazer. In: _____. Obras completas. v. XVIII.
Rio de Janeiro: Imago, 1976.
FREUD, S. (1926). Inibição, sintoma e angústia. In: _____. Obras completas. v. 20. Rio de Janeiro: Imago, 1976.
Paula M. (2012) Novos Ares na Psicologia. Psicóloga, especialista em Psicanálise 1 Carolina N-B-F. DOCKHORN, 2 Mônica M-K. MACEDO, 3 Blanca S-G. WERLANG. Desamparo e Dor Psíquica na Escuta da Psicanálise.
Zeferino R. A Dor Física e Psíquica na Metodologia Freudiana. Rev. Mal-Estar Subj. vol.11 no.2 Fortaleza 2011

 

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