Artigo publicado em 09 abr 2015 | Este artigo tem 0 Comentário

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“Mi trabajo psicoanalítico me ha convencido de que, cuando en la mente del bebé surgen los conflictos entre el amor y el odio, y el temor de perder al ser amado se activan, un passo muy importante que se hace en el desarrollo”. [Melanie Klein]

Freud havia chamado a atenção, desde o século passado, para um modelo de atuação narcísica, onde o sujeito se coloca como o centro de todas as coisas. Os adultos desejam ser o centro de atenção da vida da criança. Como Narciso, ficam cegos e fascinados pela própria imagem, que acreditam ver nas ações das crianças.
A CRIANÇA é espelho do que é passado em casa para ela, mas há quem discorda desse pensamento.
“Para a Psicanálise, a palavra da criança precisa ser resgatada. Para que ela deixe de ser objeto dos desejos e necessidades dos adultos, para se investigar como ela pensa, sente, percebe o mundo à sua volta. Para a Psicanálise a criança, o brincar e os brinquedos são processos que precisam ser ainda investigados.
Mas, a criança precisa, sim, ter horários regrados. Isso não quer dizer que os pais devem ser tiranos com seus filhos, muito pelo contrário. Crianças com horários e regras estabelecidas deste bebês condicionam a rotina e aprendizado no seu modo de viver. Sendo assim, os pais conseguem programar seus afazeres e também ter sua vida social. Existem pais que com o nascimento do bebê fazem uma avalanche de problemas, como se a vinda divina daquele ser humano acabasse por virar um conflito.

A transferência de valores dos pais para com suas crianças – revela o tipo de laço social que se teceu no ambiente familiar. Através dela acredita-se que ela reviveria os principais conteúdos emocionais que a marcaram junto aos pais. Na realidade, esta forma de transferência dos afetos entre pais e suas crianças é a captura apenas de uma parte do circuito da convivência entre os pais e as crianças. E possivelmente a forma como a criança irá responder mais tarde, na adolescência e na vida adulta. Mas, os pais devem aprender, que o ser humano já nasce com uma estrutura, entretanto, são os pais, também, que irão fazer com que essa estrutura evolua, da forma como eles irão significando os seus valores para suas crianças.
O uso da atividade lúdica como uma das formas de revelar os conflitos interiores das crianças foi, sem dúvida, uma das maiores descobertas da Psicanálise. É brincando que as crianças revelam seus conflitos. Ao contrário do adulto que se revela pela fala, a criança se revela brincando. No entanto, o brincar e as brincadeiras infantis não podem ser tomados como processos iguais à linguagem e à fala. Eles apresentam uma singularidade típica.

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Portanto, a criança é diferente do adulto tem uma linguagem lúdica. A criança revela no brincar o que o adulto revela pela fala. Na análise com crianças, nós, psicanalistas trabalhamos nas sessões de análise de forma diferente do adulto. O adulto se revela através do falar, dos gestos, das expressões, enquanto a criança através dos brinquedos, dos desenhos, e, também, pelas expressões e gestos. Nós, psicanalistas quando atendemos crianças, diferenciamos a dinâmica. Passamos da fala para o brincar, aliás, é através do brincar que pontuamos e levamos a criança a uma experiência emocional corretiva.

As qualidades quantos os defeitos do filho são sim, o que os pais e cuidadores passam a ensiná-los, todos os dias. – A criança deve ter horários para cada evento do seu dia a dia, inclusive horários com alimentação. Alimentos fora dos horários são da responsabilidade dos pais e/ou dos cuidadores, que, ajudam os pais. Assim, como a comida fora de hora ou próximo às refeições distorcem totalmente os horários e os hábitos da criança. – Limites são os meios de aprendizado estabelecidos pelos pais. – A criança se comportará conforme é ensinada e aprenderá o que os pais estão ensinando-a. Tudo depende da educação que os pais irão ensiná-la. A criança conforme for educada com limites e com afeto se tornará um ser humano super querido, simpático, educado e respeitador. Aprendendo respeitar o espaço do outro desde criança – saberá como deve se respeitar – levando para toda sua vida. Nesse contexto, os pais afetuosos, farão o papel de educadores, colocando limites na educação da criança: ela aprenderá o valor que ela tem e que o outro tem – respeitando, assim, as leis da sociedade também – se expressando bem e convivendo bem em um futuro próximo.

“Podemos chamar, com Freud, de “infantil” o que da criança não se desenvolve, e o que não se desenvolve tem a ver com o gozo”.

O que não se desenvolve na infância o indivíduo leva para à vida adulta – o indivíduo adulto preso as fases regressas, ou seja, a uma infância traumática, tirana, sem limites e sem verdades, será um adulto frustrado, tirano e infeliz.

Referências:

(2) Antonio Di Caccia, A transferência — A Escola de Lacan, hoje. Salvador: Editora Fator, 1992, p. 26
(5) Jaques Lacan – A relação de objeto. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1995, p. 34.
(11) Jacques Lacan, La família. Buenos Aires: Homo Sapiens, 1977, p. 56

Artigo publicado em 07 abr 2015 | Este artigo tem 2 Comentários

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“Uns sapatos que ficam bem numa pessoa são pequenos para uma outra; não existe uma receita para a vida que sirva para todos”.

Carl Jung

Nossa primeira experiência de dependência é a relação: mãe e bebê. A presença da mãe o tranquiliza. Assim que a mãe se ausenta, surgi o medo, a ansiedade. Durante toda à nossa vida vamos atrás de alguém que nos dê novamente essa sensação de completude. E encontramos esse tranquilizador nos braços do amante que repeti o afeto da mãe, e que nos faz sentir novamente tal conforto. Não é à toa que os parceiros se tratam como bebês, cheios de conversas enroladas que só eles entendem. Viveremos sempre o estigma dos bebês, que se sentem desamparados sem a mãe, também os casais se sentem perdidos quando ficam muito tempo longe um do outro.

 No fim do relacionamento há um processo de luto, de despedida da pessoa amada, ou mesmo que não mais amada no quesito atração e sexualidade. Mas, todas às vezes, que nos despedimos das pessoas que nos afetaram há dor, tendo em vista, que afeto é tudo aquilo que nos afeta, sendo afeto positivo e/ou negativo. Os afetos negativos são como as pessoas que querem destruir as outras, podem deixar magoas e profunda repulsa, como também, os afetos vividos de forma positiva são como os bons relacionamentos, e, que, um dia acaba a atração, mas fica o respeito. Sabemos que nada é eterno, à vida é efêmera. No entanto, ninguém está preparado para despedidas. Porque ligamos as despedidas a finitude, o fim, o adeus, o nunca mais.

Por isso, o fim do relacionamento é uma morte, assim, como no começo se deu por uma identificação entre os parceiros – como toda identificação criada por ambos a forma de ser, de falar, de olhar, um contingente de situações que foram sendo construídos sob o olhar do outro. Mas quando tudo acaba a casa desmorona. Daí surgem as emoções que podem ir sendo somatizadas: podendo chegar da tristeza profunda ou uma situação mais grave como a depressão – e outras patologias que afetam a psique. O indivíduo acaba não encontrando mais energia para sair, às vezes por um longo tempo, ou até mesmo o contrário sair para escapar e negar o seu luto. Toda energia estava ligada a uma identificação com o outro que acabou, daí a necessidade de um renascimento, que às vezes leva tempo.

O outro teve a função de trazer luz, energia. Quando a relação acaba, a sensação é de perder nossa luz. Tornando-se uma pessoa sem luz. 

O essencial é ter em mente que sofremos não porque o outro não mais nos ama, nos deixou ou foi embora sem ter demonstrado tanta consideração, porque quando acaba um relacionamento, um dos parceiros frequentemente sofre mais, e, com isso, o mais afetado vai dizer que o outro não o valorizou o quanto ele merecia, por isso ou aquilo, que o mais afetado fez pelo o outro. Acredita ele que deveria ter tido mais reconhecimento. É uma forma de recompensa ou mesmo de negar a realidade. No entanto, a pessoa afetada, digamos, de forma mais dolorida se sentirá incapaz de amar e se relacionar com outra pessoa. Na verdade, o amor sempre existirá dentro de cada um de nós (exceto os psicopatas/perversos, que são só razão e não sentem um pingo de emoção. Mas esse assunto é uma abordagem direcionada a esse tema, o qual já escrevi em outros artigos). Então, a capacidade retorna, quando o sofrimento se esvai. Melhor dizendo, o amor está dentro de cada um de nós, o amor não se esgota, por isso, temos a capacidade de amar tantas vezes e sobre diversas formas de amar, por exemplo, a família, os amigos e um novo parceiro(a). O amor para um novo relacionamento pode ficar latente, até que a pessoa resolva seus conflitos. 

A justificativa para esta condição é evidente: não somos fixados a pessoas ou relações, mas as evidências, intuicões que vêm das experiências nas quais vamos vivenciamos ao longo da vida. Na linha da vida, o objetivo seria dizer que com o tempo às pessoas amadurecem e ficam intuitivas, sagazes e com a sensibilidade das suas experiências, passam a compreender determinados eventos da vida. Mas, o ser humano, não é exato, aliás, o ser humano é muito complexo e subjetivo, com isso passamos a compreender que cada pessoa tem uma estrutura para suportar ou não os eventos e mudanças da vida. 

O indivíduo pode passar anos sofrendo pelo(a) ex-companheiro(a) mas tudo se dissolve quando uma outra pessoa aparece e faz a carrugem da vida voltar a andar novamente. Na verdade, o indivíduo não estava desejando àquela pessoa de volta – desejava, sim, a sua ereção de volta: o desejo de sentir à vida iluminada novamente, o ímpeto de viver uma experiência que “preencha” o mundo, o pacote completo. Sabemos que na vida não há completude ao contrário nada estará sustentado nas nossas vidas e é exatamente essa forma de nos retroalimentar que instiga à vida.

“O ego é dotado de um poder, de uma força criativa, conquista tardia da humanidade, a que chamamos vontade”.
Carl Jung

Entende-se na visão analítica da vida que quando o relacionamento termina, o indivíduo não sai exatamente na busca incessante do outro – na realidade, o indivíduo não está fitando o outro, ele quer apenas recuperar o seu amor perdido de si mesmo. O que o indivíduo deseja voltar a possuir é o amor por si mesmo. A pessoa que supostamente sai mais sofrida na relação sai atrás da sua identidade mutilada, dos projetos interpelados/atropelados, do desejo interrompido, da sua própria sombra que o outro projetava, do seu EU inteiro que o outro suportava, completava, do que ocorria nele e com ele, quando o outro estava junto. O que o indivíduo corre atrás é dele mesmo.

 
Artigo publicado em 23 mar 2015 | Este artigo tem 2 Comentários

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“Apetite sexual excessivo, hipersexualidade, Desejo Sexual Hiperativo (DSH), ou Ninfomania (em mulheres) e Satiríase (em homens) é um transtorno sexual caracterizado por um nível elevado de desejo e atividade sexual a ponto de causar prejuízos na vida da pessoa. Trata-se de um tipo de vício com sintomas compulsivos, obsessivos e impulsivos, e seu tratamento é similar ao de outros tipos de dependências. A prevalência está em torno de 5%, sendo mais comum em homens, porém a dificuldade dos participantes em assumirem o problema por questões morais e sociais indicam que a frequência deve ser maior”.

DO TRANSTORNO PSICOLÓGICO:

Só é classificado como transtorno psicológico quando o comportamento e desejo sexual elevados prejudicam significativamente suas atividades diárias e relacionamentos afetivos. Alguns autores classificam a ninfomania e a satiríase como um tipo de compulsão. Mas atualmente é melhor classificada como um vício pois transtornos compulsivos e obsessivos (TOC) estão relacionados a atividades desagradáveis a que o indivíduo não consegue resistir e parar de pensar. Já o vício está associado a uma atividade prazerosa e dificuldade em conter impulsos. É possível também que se compulsão sexual e vício sexual sejam tratados como transtornos distintos de acordo com seus sintomas.

Popularmente acredita-se que a pessoa com hipersexualidade deseja ter atos sexuais com diversos parceiros e obtém grande prazer em todos eles, mas não necessariamente é o que ocorre. Uma pessoa considerada ninfomaníaca pode não conseguir satisfazer seus desejos sexuais e por isso sentir a necessidade de ter vários atos sexuais seguidos na tentativa de alcançar um orgasmo. O ato sexual pode ser seguido por culpa e arrependimento, o que não impede novos impulsos para outro ato, assim como nas compulsões alimentares.

“Os psicólogos analíticos Carl Jung e Erich Neumann, pesquisadores de símbolos e arquétipos, acreditam que a imagem pode ser associada metaforicamente à manifestação de estados psíquicos indiferenciados. Neste caso, alimentador e alimento se confundem, num movimento que pode ser interpretado como autodestrutivo e sem saída. Essa analogia pode contribuir para uma reflexão a respeito do fenômeno das compulsões, uma tendência imperativa que impele o indivíduo a determinadas ações por vezes contra a própria vontade consciente”.

DO FILME NINFOMANÍACA:

“Filmes são sonhos, filmes são música. Nenhuma arte passa a nossa consciência na forma como o filme passa, e vai diretamente para os nossos sentimentos, no fundo escuro salas de nossas almas.””(Ingmar Bergman)

No filme “NINFOMANÍACA” vimos a tragédia de Joe, uma mulher, que vive e encena o papel de uma ninfomaníaca. Joe incorpora um fenômeno cultural do nosso tempo: a ilusão de saber tudo sobre o corpo, tudo sobre o sexo. Realmente, somos todos ingênuos quando acreditamos que conhecemos todo nosso aparelho psíquico. No primeiro filme Ninfomaníaca, a personagem Joe diz: “Preencha todos os meus buracos”. Essa frase é a penúltima frase no final de Ninfomaníaca volume 1.

Ninfomaníaca é um filme profundo, quando olhamos para a sensibilidade e a fragilidade da condição humana. A feminilidade é de uma beleza extrema em todos os pontos de vista, inclusive, a sexualidade feminina. E sexualidade não se restringe somente a copulação, mas todo ato de afeto. Por exemplo, quando abraçamos e somos abraçados por uma pessoa querida há um ato de afeto da sexualidade afetiva e/ou quando acariciamos as nossas crianças, também, é um ato de afeto que não têm nada haver com sexo. Assim, como o relacionamento de um casal não pode se restringir somente ao sexo, pois se isto acontecer em um relacionamento não há afeto, respeito, amor, cumplicidade, mas tudo é puramente primitivo.

Mas o que buscava a ninfomaníaca (Joe) ao se deixar penetrar por tantos membros diferentes? Ela supostamente deixava se dominar, mas o que ela fantasiava mesmo – era que ela é quem os dominava. Ela fazia sexo com todos os perfis de homens – com membros de todas as cores, formatos e tamanhos, para (Joe) eram apenas objetos que faziam o que ela queria quando a penetrava. Em contrapartida, faziam o que ela desejava, sim, quando na verdade, ela permitia que fizessem o que eles queriam. Para (Joe) era indiferente com quem fazia sexo, ela os seduzia, os engolia e os vomitava.

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No filme, vemos a personagem narrando cenas de suas vivências, em uma espécie de terapia com um homem de idade avançada, que a resgata dos golpes que havia sofrido pelo homem que ela “amava…” O homem que a ajuda incorpora um psicanalista, um confessor, um ouvinte das suas mazelas. Ela narra cada detalhe da sua vida. Na sua narrativa dava a entender que o que ela viveu era apenas sexo mecânico, sem sentir prazer nenhum, porque ao terminar o sexo, o buraco do qual ela fala é sintomático. E, logo, após finalizar uma transa sente a necessidade de retroalimentá-la. O desejo é repetitivo e indomável. A mensagem que ela dizia era um pedido de socorro: “Preencha todos os meus buracos”. Mas os buracos dela eram infinitos. Contudo, como entender a si mesma, vivendo fora dos padrões e diante do mundo no qual não se encontra lugar?

No filme “NINFOMANÍACA” há cenas da vida dela na infância e adolescência – algumas cenas da infância denotam claramente dificuldades com a mãe e extremo apreço e afeto pelo pai. As cenas da vida dela com o pai era de muito afeto, atenção, ensinamentos. O pai a acolhia com sentimentos de amor. Percebe-se que o pai foi presente na vida de Joe, mas no oposto a mãe a rejeitava.

A personagem (Joe) a todo momento entra em contato com a culpa quando fala de suas experiências de vida. Joe vive a impotência e a solidão diante da vida em uma reviravolta de encontros com estranhos, carecido de vínculos e acometido por necessidades primitivas. Ela tem uma necessidade indomável de evitar o afeto, faz isso a qualquer custo e compulsivamente.

Talvez, Joe consiga compreender que nenhuma violência será preenchida para lhe dar um corpo sem buracos. Nenhum membro masculino será tão poderoso para fechar os seus buracos, nem mesmo o do homem que ama. Nesse vício repetitivo ela continuará se autodestruindo. Mas ser ninfomaníaca é não ter controle da sua sexualidade, é um transtorno sofrível. Para a ninfomaníaca, todos os buracos do corpo humano de uma mulher são buracos que a deixam suscetível, porque não são buracos mecânicos – e a ninfomaníaca não tem controle do seu vício. Por isso doe tanto à alma, quando finaliza o ato ou, até mesmo durante o ato.

DA PSIQUIATRIA:

A ninfomania, distingui-se por um apetite sexual exagerado, é um transtorno psiquiátrico – não existem razões biológicas para explicar sua origem. De acordo com o Código Internacional de Doenças (CID), a ninfomania é percebida por uma compulsão, não relacionada à produção de hormônios sexuais. Da mesma forma como a compulsão por comida, bebida ou por compras, ela acontece quando a paciente não consegue controlar seu impulso – no caso da ninfomania, por sexo. (não existem homens ninfomaníacos, nos homens essa compulsão exacerbada por sexo têm a nomenclatura diferente, chama-se satiríase, porém, muda a nomenclatura, mas o transtorno é o mesmo). No entanto, a medicina não tem critérios numéricos para classificar a partir de que momento uma mulher se torna ninfomaníaca. “O diagnóstico é feito quando há incômodo da paciente. Ela procura muitos parceiros sexuais, mas não consegue se satisfazer. Na literatura médica, há relatos de pacientes que tiveram até 50 relações sexuais em um mesmo dia”, diz a psiquiatra Fernanda Piotto Frallonardo, do Hospital Estadual Mário Covas. Geralmente, a mulher com compulsão por sexo já apresenta comportamento compulsivo desde criança, seja por doces ou por outros objetos. “O mecanismo da compulsão é o mesmo, só muda o objeto”, diz Fernanda. E, apesar da prática intensa, as ninfomaníacas não são boas de cama, afinal não transam por prazer, e sim por vício. Por isso, o desprazer, a solidão e o vazio.

O psiquiatra e psicanalista Glenn-Gabbard diz que a origem desses sintomas estão relacionadas as questões associadas ao abandono ou ao sentimento de desvalorização pelas figuras parentais nos primeiros anos de vida. A insegurança e o sentimento de não ser suficiente na infância provocam a defesa contra os afetos mais íntimos e a necessidade de controle sobre o outro. Os atos compulsivos seriam, para a ninfomaníaca, tentativas primordial de autoproteção no intuito de amenizar intensos sentimentos de desamparo.

CONCLUSÃO:

O transtorno da ninfomaníaca é a compulsão para fugir da angústia, do sintoma a repetição. O real temor da ninfomaníaca mesmo inconsciente não é ser exatamente (ninfomaníaca), mas o medo paralisante de perder o controle, que a impede de viver a experiência do amor. O transtorno é sofrível, ao contrário do que alguns indivíduos pensam que é promiscuidade. Isto não quer dizer que não tenha caráter promíscuo nessa postura, mas é um transtorno que necessita de tratamento. Nesses casos o indivíduo pode estar ladeado de muitas outras pessoas, no entanto, no âmago são vazias e solitárias. E continuará em uma vida de peregrinação caso não consiga se tratar.

 

REFERÊNCIAS:

– Filme – Ninfomaníaca – Volumes 1 e 2.
– Wikipédia – A enciclopédia livre.
– Site – Mundo Estranho – Saúde – Abril id.

 

Artigo publicado em 23 fev 2015 | Este artigo tem 0 Comentário

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“Quando somos capazes de ajudar os pais a ajudarem aos filhos, o que fazemos na realidade é ajudá-los a eles mesmos”.
[D. Winnicott]

Em momentos e lugares diversos da história a criança foi concebida e tratada de diferentes maneiras. A psicanálise evidencia que a criança vem ao mundo como objeto e, portanto, ela é falada pelo Outro (parental-social-cultural). Não somente objeto do discurso familiar, a criança também o é dos discursos jurídico, médico, científico, pedagógico e etc. Sabendo que cada caso propõe respostas ideais e universais que visam à regulação dos sintomas (hiperatividade, inibição intelectual, depressão, agressividade, dentre outros) que a criança apresenta.

E o que Freud encontrou nesta observação foi uma íntima articulação entre a criança e sexualidade. A criança freudiana tem um mal-estar particular em relação à sexualidade. O interesse intelectual da criança pelos enigmas do sexo, o seu desejo de conhecimento sexual, revela-se numa idade surpreendentemente tenra (Freud, 1907/1996, p. 125). Na realidade o recém-nascido já vem ao mundo com sua sexualidade (ibid, p.124), é o que conclui Freud já em 1907, em seu artigo O esclarecimento sexual das crianças.

Então, há uma reviravolta criada por Freud. Ele retira a criança do lugar de pureza e ingenuidade em que fora colocada pela sociedade de sua época ao revelar a sexualidade infantil. Freud, ao escutar seus analisandos adultos e os relatos sobre crianças, conclui que a infância era carregada de acontecimentos e fatores de cunho sexual. A princípio, ele ouviu tais lembranças tomando-as como verdadeiras, mas logo percebeu que muitas das vezes se tratava, sim, de fantasias. E, mais ainda, fantasias carregadas de desejo. É isto que escandalizou a sua época, a revelação da existência do desejo sexual desde a mais “tenra” infância.

Na realidade o recém-nascido já vem ao mundo com sua sexualidade… (Freud 1907/1996, p. 124).

O caráter primitivo do psiquismo infantil requer uma técnica analítica especialmente adaptada à criança, e vamos encontrá-la na análise lúdica. A diferença, porém, entre os nossos métodos analíticos e a análise de adultos é puramente técnica e não de princípios. A análise da situação transferencial e das resistências, a remoção das amnésias infantis e dos efeitos de repressão (sic), assim como a revelação da cena primária, fazem parte da análise lúdica. Portanto, ela não somente está em conformidade com as normas do método de psicanálise com adultos, como também leva aos mesmos resultados. A única diferença é que adaptamos o processo ao psiquismo da criança (Klein, 1932/1975, p. 39).

Abordaremos de forma concisa a história do pequeno Hans, que é um marco na psicanálise infantil. Quando Hans se mostra à mãe, durante seu banho diário, como de hábito, secando-o e aplicando-lhe talco. Quando a mãe lhe passava talco em volta do seu pênis, tomando cuidado para não tocá-lo, Hans lhe disse: “Por que é que você não põe seu dedo aí?” ao que a mãe responde: “Porque seria porcaria.” (Freud, 1909/1996, p. 26). Hans, ao tentar seduzir a mãe, ou seja, fazer com que se interesse por ele pela via de seu pênis, escuta dela que este é para ela uma porcaria. A emergência de seu pênis como algo real, que se agita, que se intumesce, que desperta prazer, considerado pela sua mãe como porcaria, somado ao nascimento de sua irmã tempos mais tarde, retira Hans deste paraíso de engodo, desencadeando a fobia. É o início, segundo Freud, da fase edipiana de Hans por meio do complexo de castração.

Hans se percebe como diferente do que é desejado e se vê imaginariamente rejeitado do lugar que ocupava para a mãe. Ele se vê desamparado por não bastar à sua mãe, abrindo-se diante desta relação uma hiância. Deste estado de coisas nasce o medo de ser “devorado pela mãe” (Lacan, 1956-1957/1995).

Neste momento, Hans percebe que não pode mais se manter nesta relação de engodo, seu sistema entra em desordem e ele se sente preso numa situação insustentável: não mais saber onde se situar. E todos os elementos de sua fobia, segundo Lacan, revelam que, faça o que se fizer não se consegue sair (Lacan, 1956-1957/1995, p. 320).

Portanto, diante da irrupção de seu falo, do nascimento de sua irmã, e ainda desse véu que está caindo e interrompendo seu jogo, é que surge a fobia de Hans. O que está em jogo na fobia, segundo Lacan (1956-1957/1995), é a privação fundamental com que é marcada a imagem da mãe, e o que esta privação revela à criança, a saber, que a própria criança está ameaçada da privação suprema: não poder satisfazer a mãe. A mãe insaciável e privada de modo insustentável, também pode mordê-lo (Lacan, 1956-1957/1995, p.337). Disto decorre a fantasia marcada pelo medo de ser devorado pela mãe. Assim, Hans desencadeia fobia por cavalos. Fantasia que os cavalos irão morde-lo. Hans foi tratado pela psicanálise com Freud. O caso Hans é um caso de histeria de conversão/castração. Daí percebemos como o adulto é responsável pelos problemas nas crianças. A criança não é a causa do problema, mas sim o sintoma dos pais.

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Uma das grandes virtudes da vida é, acima de tudo, procurar evoluir, porque tudo tem dois lados e um porquê! E a evolução dos seres humanos começa desde à infância.

“A cura da neurose infantil é a melhor profilaxia contra a neurose do adulto”.

Uma das muitas experiências interessantes e surpreendentes na análise com crianças é encontrar em crianças muito jovens a capacidade de percepção que, muitas vezes, é muito maior do que a dos adultos. Trabalhar com a criança é curioso e gratificante, porque a criança se envolve no trabalho analítico e adentra com maior percepção num mundo onde os fantasmas dela podem ser desligados da vida da criança, quando ela passa a compreender que tem o poder de se desligar e se despedir deles sem tantas dúvidas e temores como tem o adulto. Dessa maneira, a criança pode ir na causa dos seus sintomas com mais facilidade, o que o adulto não tem -, pois a criança não se opõe ao “novo mundo” que o analista a leva a conhecer – mostrando a ela por meio do trabalho lúdico, que ela tem o poder de se desligar dos seus fantasmas. O analista infantil tem que ter muita sensibilidade e carinho para acolher a criança, mas não como educador, e, sim, como aquele que a leva a se entender de uma maneira lúdica – levando-a num lugar seguro onde a criança se sente protegida das suas angústias. No entanto, um fator de desenvolvimento de importância básica é a capacidade do ego prematuro de tolerar a ansiedade. À medida que a relação com a realidade avança, a criança faz uso crescente das relações com seus objetos, e suas várias atividades. O mecanismo de sublimação é um auxílio contra o temor do superego e dos impulsos destrutivos. A partir dos 3, 4, 5 anos de idade, a criança começa a deslocar os seus interesses para outros objetos, como os coleguinhas, a escola, etc. Nesse ponto de vista, a ansiedade estimula o desenvolvimento do ego. Nesse caso, percebe-se que a experiência com a análise infantil, leva a criança a confiar nela a ponto de combater as suas angústias, e, logo, seus fantasmas, sem as neuroses sólidas do adulto.

Referências:

– Miller, J.A. (1998). A criança entre a mulher e a mãe. Opção Lacaniana. n 21. Edições Eolia, Abril, pp. 07-12.
– Segal, H. (1975). Introdução à obra de Melanie Klein. Rio de Janeiro: Imago.
– Vorcaro, A. (2004). A criança na clínica psicanalítica. Rio de Janeiro: Companhia de Freud.
– Freud, S. (1926/1996). Inibição, sintoma e ansiedade (sic). In Freud, S. (1925-1926/1996). Um estudo autobiográfico, Inibição, sintoma e ansiedade (sic), Análise leiga e outros trabalhos (Vol. XX, pp. 81-171) (2a. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud). Rio de Janeiro: Imago.
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