Artigo publicado em 30 abr 2016 | Este artigo tem 6 Comentários
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“Às vezes eu tenho vontade de ser menos intensa, só pra poder entender como o resto do mundo aguenta essas coisas que me devoram permanentemente e de uma forma tão absurda…” Clarice Lispector
 

Diversos autores usam o termo Borderline, há mais de um século, para explicar uma alteração na fronteira (ou na borda) entre a neurose e a psicose.O Transtorno de Personalidade Borderline tem uma longa história, passando por diversos conceitos e denominações ao logo do tempo. A primeira vez que aparece o termo borderline é em 1884. Nesse ano, Hughes (psiquiatra inglês) designa assim aos estados borderline da loucura, definindo assim essas pessoas que passaram toda sua vida de um lado a outro da linha da sanidade. Alguns autores da época usavam esse diagnóstico quando havia sintomas neuróticos graves.

O Transtorno de Personalidade Borderline não é tão simples de ser diagnosticado, geralmente, pacientes só são diagnosticados corretamente após anos e anos de peregrinação por consultórios médicos. Somente um médico experiente pode ajudar o Borderline de uma maneira efetiva. Não existem remédios específicos para o mal, mas alguns psicotrópicos, normalmente receitados para outros tipos de transtornos podem ajudar. Todavia, após o diagnóstico, a terapia é baseada na recuperação da autoestima.

As estatísticas indicam que existem mais mulheres do que homens Borderline. Segundo a Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva: “ter os traços da personalidade borderline não é tão ruim assim, pois, são pessoas motivadas, auto-astral, boas para sair e se divertir.” Aliás, ela afirma que, “os traços da Personalidade Borderline, geralmente, “todos nós” já tivemos um dia, por exemplo, quando nos apaixonamos e levamos um fora.” Nesse estado ficamos extremamente tristes! Freud diz, “Fica-se muito louco quando apaixonado. Mas o Transtorno de Personalidade Borderline em si é como um furacão: ora eufórico, ora suscetível demais. O Borderline ao contrário do Psicopata sente demais, ou seja, é 100% emoção e 0% razão, ao passo que o Psicopata é 100% razão e 0% emoção. Por isso, existem tantas Borderlines que se envolvem com Psicopatas.

“O borderline é inseguro demais. Um exemplo clássico é o maníaco do parque, (um serial killer brasileiro) que recebe centenas de cartas na penitenciária, de mulheres apaixonadas por esse sujeito. E, ao interrogar essas mulheres, de o por que um homem com um histórico tão cruel? Elas dizem que pelo menos dentro da penitenciária, ele é só dela(S). Tal é a insegurança do Borderline.”

Embora o Borderline mantenha condutas até bastante adequadas em bom número de situações, ele tropeça escandalosamente em outras triviais e simples. O limiar de tolerância às frustrações é extremamente susceptível nessas pessoas.

O curto-circuito agressivo expresso pelo Borderline sob a forma de crise pode desempenhar várias funções psicodinâmicas, como por exemplo, aliviar o excedente de tensão interna, impedir maior conflito e frustração, ressaltar a presença do paciente, ainda que de forma desagradável e ineficaz, melhorar a auto-afirmação, obrigar o ambiente a reconhecer sua importância, ainda que para se lhe opor ou confrontar.

O borderline também está sujeito a exuberantes manifestações de instabilidade afetiva, oscilando bruscamente entre emoções como o amor e ódio, entre a indiferença ou apatia e o entusiasmo exagerado, alegria efusiva e tristeza profunda. A vida conjugal com essas pessoas pode ser muito problemática, pois, ao mesmo tempo em que se apegam ao outro e se confessam dependentes e carentes desse outro, de repente, são capazes de maltratá-lo cruelmente.

DO RELACIONAMENTO BORDERLINE:

Muitas das melhores amizades que o Borderline inicia, acaba exatamente pelo seu grau de sufocamento com o outro. Ser um amigo esporádico do Borderline pode ser muito divertido, porém manter um relacionamento dia a dia é muito complicado! O borderline se legítima no outro – quer alguém que esteja disponível só para ele – e, se porventura, não conseguir manter a pessoa que ele elegeu a sua disposição – é inviável manter um relacionamento com Borderline. Dessa forma, o Border buscará outra (S) pessoa (S) que o correspondam. É um círculo vicioso – necessita ser retroalimentado. No entanto, são pessoas simpáticas, agradáveis e sedutoras, para aqueles que o conhecem superficialmente, mas na intimidade são explosivas, agressivas, intolerantes, irritáveis, impulsivas, ciumentas com tendência a manipular. Quando não explodem, implodem. Os sentimentos do Border, quando não expressos de maneira explossiva, serão expressos no corpo, como por exemplo, se mutilando. O borderline sofre muito e faz sofrer quem convive com ele.

NO DSM.IV:

Como sempre, a melhor descrição da Personalidade Borderline está no DSM.IV (Manual de Diagnóstico e Estatística das Doenças Mentais, da Associação Norte-Americana de Psiquiatria). Pelo DSM.IV vê-se que a característica essencial do Transtorno da Personalidade Borderline é um padrão comportamental de instabilidade nos relacionamentos interpessoais, na auto-imagem e nos afetos. Há uma acentuada impulsividade, a qual começa no início da idade adulta e persiste indefinidamente.

ALGUNS BORDERLINES FAMOSOS:

A Dra Ana Beatriz Barbosa Silva cita várias personalidades, que, são portadoras de Transtorno de Personalidade Borderline, mas deixa claro serem apenas indicações, baseadas na sua experiência e na observação. São elas:

Amy Winehouse – explosiva, encrenqueira e talentosa;

Marilyn Monroe – bela, sexy e imortal;

Tony Curtiss,

Janis Joplin,

Elizabeth Taylor.

Indiscutíveis talentos, famosos personalidades, porém, difíceis e instáveis.

DA PERSONALIDADE BORDERLINE:

A Personalidade Borderline é uma peça de teatro onde os atores coadjuvantes estão sempre esperando ele, o ator principal. Trata-se de um ego que não tolera o vazio, a separação, a ausência, não sabe superar com equilíbrio os conflitos.

CONCLUSÃO:

Evidentemente existem situações muito mais difíceis de se atestar o grau de responsabilidade da pessoa borderline. Essas se relacionam, basicamente, com os episódios de descontrole impulsivo. Nesses casos estaria em jogo não a questão psiquiátrica (de diagnóstico) mas, a questão psicológica da circunstância. O dilema dessas questões está, exatamente, no fato dessas pessoas entenderem e compreenderem a gravidade de seus atos mas, não obstante, serem incapazes de auto-controlarem suas condutas. Portanto, os atos cometidos pelas pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline são de sua autoria, e, podem ser punidos pela justiça, caso façam contravenções penais.

REFERÊNCIAS:

Ballone GJ, Moura EC – Personalidade Borderline- in. PsiqWeb
Ana Beatriz Barbosa Silva – Corações Descontrolados: Ciúmes, raiva, impulsividade o jeito borderline de ser.

Artigo publicado em 24 mar 2016 | Este artigo tem 1 Comentário

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“Uma satisfação irrestrita de todas as necessidades apresenta-se como o método mais tentador de conduzir nossas vidas; isso, porém, significa colocar o gozo antes da cautela, acarretando logo o seu próprio castigo” (Freud, 1929) [1]

Na sociedade contemporânea, há uma intensificação do culto ao corpo, onde o sujeito experimenta uma preocupação exagerada com a imagem e a plasticidade. O consumo cultural da mídia, a prática do culto ao corpo –  expõe uma preocupação -, que perpassa todas as classes sociais e faixas etárias, apoiada em um discurso que ora lança mão da questão estética, ora da preocupação com a saúde.

Diante de inúmeras formas de gozo ofertadas ao sujeito nos dias atuais, há que se interrogar e discutir nesse artigo, a estética e, particularmente, a perfeição.

A discussão deve-se a preocupação com os excessos que a mídia nos traz, bem como os meios de comunicação de tão fácil acesso. Existe um abismo entre a facilidade de acesso e o gozo dessa realização. Está cada dia mais evidente, a demanda da mulher por um corpo perfeito e um rosto jovem, sem rugas e/ou qualquer sinal de expressão – o que leva às mulheres a buscar inúmeras cirurgias e tratamentos. Pessoas que se entregam na esperança de ter um corpo perfeito esculpido a bisturi. Na contramão disso, observamos que essa demanda não tem trazido satisfação, o que leva o sujeito a fazer mais e mais exigências.

Nessa busca incessante de um corpo perfeito e um rosto jovem, o que muitas encontram é a devastação. Muito se discute, sobre os perigos e desencantos com o tão sonhado corpo e rosto perfeito. Muitas que se submeteram a cirurgias plásticas estão desiludidas com os resultados. Outras ainda: estão psicologicamente deprimidas, devido as mutilações feitas por falsos cirurgiões, que veem nessa ilusão de completude da mulher uma oportunidade de arrecadar grandes lucros, atendendo assim, ao imperativo da lei da mídia, que, as coloca no lugar de objetos de consumo, anulando a sua subjetividade.

Diante de um psicológico desestabilizado, onde não há mais lugar que possa ser restaurado, o analista é convocado, pois se trata da subjetividade do sujeito. As dificuldades psíquicas não podem ser sanadas pelo discurso da ciência objetiva, Já que estamos no campo do desejo que, por sua vez, está sempre presente nas manifestações da linguagem.

Percebe-se que o problema não é a cirurgia plástica, o botox, o preenchimento, e, sim, o fato dessa prática estar aliada ao capitalismo que a oferece como mais um objeto para imaginariamente termos a ilusão de sermos seres sem falta. Além disso, é próprio do ser humano, a tendência em querer anular as diferenças, na tentativa de com isso neutralizar o mal estar. Observamos como a vida vem sendo banalizada e, em uma total inversão de valores, a subjetividade é substituída por objetos de consumo. O sujeito é esse objeto que consume e se consome, quando não tem consciência dos seus limites.

“Deve-se deixar a vaidade aos que não têm outra coisa para exibir.” Honoré de Balzac

DA MÍDIA:

A mídia massacra, sobretudo, a mulher, pois para ser “aceita na sociedade” é preciso ter os padrões de beleza impostos por modelos que são produtos a serem vendidos, bem como: as roupas e acessórios da moda, criados pelos estilistas, para caber nos corpos impecáveis. Isto tem gerado diversas patologias com transtornos de todos os tipos. A psicanálise, paradoxalmente, trabalha para reintegrar na sociedade esse sujeito, que nos procura com diversas queixas relacionadas aos padrões de beleza, que, outrora, foi a realidade criada na psique do sujeito. É uma tarefa árdua reintegrar essas pessoas a vida juntamente com todos os outros – conduzindo-as à sua plena aceitação. Em muitos casos, mesmo essas pessoas estando belas, essas já não confiam mais em si. Cabe aos analistas guiarem-se por uma vertente ética e posicionarem-se frente a mais esse “mal estar” na civilização.

DA CASTRAÇÃO AO NARCISISMO:

Faz-se necessário ressaltar que para Freud (1923) [6], a mulher sente-se inferiorizada, pois entende a castração como ferida narcísica. Assim, diante do mito do corpo perfeito ela sente-se privada no real de algo a que teria direito, ou melhor, um corpo sem faltas, sem falhas, e assim, se rende aos sacrifícios para que esse sonho se realize. Para a psicanálise isso seria uma maneira do sujeito não se deparar com a realidade da falta.

Salientamos que as reflexões teóricas e as experiências clínicas, são incisivas em nos lembrar que no mundo contemporâneo um distanciamento social, isto é, a supremacia de uma solidão induzida, deixa o sujeito à mercê de uma idealização tirânica. E é nesse momento que o psicanalista se torna peça indispensável a intervir, quando não há quase mais nada a fazer.

Portanto, Lacan, nos ensina que o discurso psicanalítico pode fazer barreira ao gozo mortífero. Ao sugerir que o avesso da psicanálise é o discurso do mestre – Lacan nos indica duas vias: a primeira é atender os efeitos das perdas e danos no que diz respeito ao sujeito singular pelo caminho da análise individual; e o segundo é praticar a psicanálise em extensão, ou seja, dialogar com outros campos do conhecimento para remeter o sujeito ao seu próprio saber.

Evidentemente, os cuidados com o corpo não são exclusividade da era contemporânea. Deve-se ter uma atenção especial para uma boa saúde. Entretanto, os cuidados com o corpo não devem ser tão ditatorial como se tem apresentado nas últimas décadas. Precisamos de mais atenção aos limites do nosso corpo.

O dramaturgo e escritor Nelson Rodrigues disse:  “Na “mulher interessante”, a beleza é secundária, irrelevante e, mesmo, indesejável. A beleza interessa nos primeiros quinze dias; e morre, em seguida, num insuportável tédio visual. Era preciso que alguém fosse, de mulher em mulher, anunciando: – “Ser bonita não interessa. Seja interessante!”

Em suma, queremos instigar o leitor para o modelo de relação que estamos construindo com nosso corpo, despertando um olhar que não ambiciona oferecer uma resposta absoluta sobre o corpo, mas um olhar que venha como raios de luz para seus caminhos. Caminhos questionadores, reflexivos e transformadores diante de nossas perspectivas sobre a questão do corpo na atualidade.

 

BIBLIOGRAFIA

FREUD, Sigmund. Edição Standart Brasileira das Obras Completas

Psicológicas de Sigmund Freud, Rio de Janeiro, Imago, 1977.

(1914) Sobre o narcisismo: uma introdução, v. XIV

(1929) O mal estar na civilização, v. XXI

GROSRICHARD, Alain , “Formas do imaginário na atualidade”,

 

 

 

Artigo publicado em 11 fev 2016 | Este artigo tem 1 Comentário

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“Perdoe-me os insensíveis. Eu SINTO muito.” Josie Conti

Neste artigo abordaremos a diferença entre a psicopatia estrutural e a psicopatia acidental. Portanto, focaremos na psicopatia acidental.

Todos nós sabemos que o sentimento é inerente à condição humana, mas, nem todos sentem, apesar de saberem. Os psicopatas sabem tudo, mas não sentem nada. Os psicopatas não têm o sistema límbico plugado-conectado no coração do cérebro. O sistema límbico é uma parte do cérebro onde estão nossas emoções. E é no sistema límbico, também, que está à amígdala. A amígdala é considerada o coração do cérebro. Portanto, os psicopatas são insensíveis as emoções.

Esses indivíduos não têm humanidade, pois são somente razão e emoção zero. Eles podem nascer com essa deformidade de estrutura, ou, por alguma eventualidade da vida, ter o sistema límbico lesionado. Por exemplo, um acidente pode lesionar partes do cérebro, sendo uma das partes o sistema límbico –  levando o indivíduo a não sentir mais NADA pelos seus semelhantes. Nesse caso esse indivíduo não nasceu psicopata, ou seja, ele pode ter sido um sujeito de bom caráter, mas após ter sofrido um acidente lesionar as emoções/sentimentos e permanecer com a razão intacta. A razão se mantém perfeita. Outro exemplo, maus tratos dos pais como abusos na infância: pancadas na cabeça, lesionando o cérebro, mais comumente, o sistema límbico.

CITAREMOS BASES BIOLÓGICAS DO FAMOSO CASO DE PHINEAS GAGE, QUE DESENCADEOU O TRANSTORNO DE PERSONALIDADE PSICOPÁTICA APÓS SOFRER UM VIOLENTO ACIDENTE:

Desde o famoso caso de Phineas Gage, lesões do lobo frontal têm sido associadas ao desenvolvimento de comportamento anti-social impulsivo. Este caso é ilustrativo a ponto de justificar uma breve descrição da sua apresentação clínica: Phineas Gage trabalhava na construção de estradas de ferro nos Estados Unidos, em meados do século XIX. Era descrito como equilibrado, meticuloso e persistente quanto aos seus objetivos, além de profissional responsável e habilidoso. Em um acidente nas explosões de rotina para abertura de túneis nas rochas da região, Phineas Gage foi atingido por uma barra de ferro que transpassou seu cérebro, entrando pela face esquerda, abaixo da órbita, e saindo pelo topo da cabeça. Surpreendentemente, Phineas Gage permaneceu consciente após o acidente, sobrevivendo às esperadas infecções no seu ferimento e dois meses após o acidente estava recuperado, sem déficits motores e com linguagem e memória preservadas. A sua personalidade, no entanto, havia se modificado completamente. Phineas Gage transformou-se em uma pessoa impaciente, com baixo limiar à frustração, desrespeitoso com as outras pessoas, incapaz de adequar-se às normas sociais e de planejar o futuro. Não conseguiu estabelecer vínculos afetivos e sociais duradouros novamente ou fixar-se em empregos (Damásio, 1994).

A partir do infortúnio de Phineas Gage, relatos de caso e estudos retrospectivos de veteranos de guerra vêm mostrando a associação entre lesões pré-frontais – mais especificamente lesões nas porções ventromediais do córtex frontal – e a observação clínica de comportamento impulsivo, agressividade, jocosidade e inadequação social (Brower e Price, 2001). “Sociopatia adquirida” é o termo que tem sido frequentemente utilizado para descrever a mudança de personalidade observada em decorrência de danos cerebrais em regiões pré-frontais. Esses dados levaram à sugestão de que um comprometimento do funcionamento do lobo frontal ventromedial poderia contribuir para problemas relacionados ao controle de impulso e personalidade anti-social (Damásio, 2000). A variedade de déficits neuropsicológicos descritos em anti-sociais (Morgan e Lilienfeld, 2000) estaria em consonância com esta hipótese.

DO DIAGNÓSTICO DE PSICOPATIA:

Para o fechamento de um diagnóstico de psicopatia demanda tempo, pois o médico especialista, geralmente, só pode fechar esse diagnóstico após a adolescência e/ou após os 18 anos de idade, que é o momento em que esses indivíduos já têm todos os traços da personalidade formada -, ou, no caso de acidentes na fase adulta, o diagnóstico ocorre após exames de ressonância e diagnóstico clínico. Porém, para fechar um diagnóstico não é simples.

DAS CARACTERÍSTICAS DE PERSONALIDADE DOS PSICOPATAS:

Muitas das características da personalidade dos psicopatas poderiam ser explicadas por déficits emocionais. Por exemplo, estes revelam pouco afeto pelos outros, são incapazes de amar, não ficam nervosos facilmente e não mostram culpa ou vergonha quando abusam de outras pessoas. Assim, os cientistas têm feito hipóteses (desde há muito tempo) de que os psicopatas têm uma deficiência nas suas reações aos estímulos evocadores do medo e esta seria a causa da sua insensibilidade e também da sua incapacidade de aprender pela experiência.

Muitos testes psicrométricos foram criados para analisar o cérebro e determinar a capacidade mental dos indivíduos. Os testes de Q.I. ajudam os profissionais  avaliarem a inteligência do suspeito e o seu processo de pensamento, enquanto que os testes ajudam a descobrir os mistérios de sua personalidade. Estes examinadores ajudam os psiquiatras forenses a descobrirem as obsessões do indivíduo que pudessem influenciar no seu comportamento.

O mais famoso é o teste de Rorschach – pelo qual são analisadas as interpretações de uma pessoa de alguns desenhos abstratos. Um psiquiatra forense nunca se pode equivocar, pois um diagnóstico errado pode colocar em perigo o andamento de um julgamento.

Os psicopatas não mostram alteração nestes parâmetros quando são submetidos a estresse ou a imagens desagradáveis. Estas alterações também não aparecem quando os sujeitos são avisados, antecipadamente, por um flash de luz, quando vão receber um estímulo estressante (por exemplo, um desagradável sopro de ar nas suas faces). Esta é a razão porque os psicopatas mentem tão bem e porque não são detectados (não registra) à mentira pelos equipamentos de detecção de mentiras (polígrafos).

Segue abaixo ilustração do sistema límbico, onde estão as principais partes das emoções. Nos psicopatas, o sistema límbico não funciona como deveria, pois estes são desprovidos de emoções.

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Isto não significa que os psicopatas não entendam das emoções – eles entendem. Significa, que tudo que fazem são ações pensadas, planejadas, arquitetadas, em benefício próprio. Na relação com outros indivíduos, os psicopatas não sentem remorso, não sentem empatia, não sentem afeto nenhum! O psicopata sente um prazer enorme por assim dizer, em explorar e ver o sofrimento que ele causa no outro.

SÍNDROME DO NARCISISMO, ENCANTO SUPERFICIAL E MANIPULAÇÃO:

A conduta anti-social tem origem no “Narcisismo Maligno”. Os psicopatas, como já dito são incapazes em estabelecer relações que não sejam exploradoras. Não necessariamente todos os psicopatas são encantadores, sedutores, narcisistas, mas é expressiva a quantidade deles que utilizam o encanto pessoal e, consequentemente, a capacidade de manipular os outros. Através do encanto superficial o psicopata acaba usando os outros, “os seres humanos normais” como seu objeto – ele usa as pessoas, quando não o servem mais, descarta-as, tal como um objeto e/ou uma roupa usada. Pode ser esse processo de ver o outro como objeto que lhe serve para aquele momento, a chave para compreendermos a absoluta falta de sentimentos do psicopata para com seus semelhantes -, ou para com os sentimentos daqueles que são seus semelhantes somente na forma, mas nunca nos atos de indiferença. Transformando seu semelhante em objeto que ele usa e descarta.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Concluímos este artigo de forma concisa. Portanto, a chave do assunto em questão é expôr para os leitores de forma clara e objetiva a existência dos diferentes casos de psicopatia: aquele que nasce com ausência de sentimentos e emoções que é estrutural e aquele que se torna psicopata devido uma causalidade da vida. Sabe-se que, para a psicopatia não existe cura. Esperamos que em um futuro próximo, neurocientistas encontrem um meio que “cure essa anomalia cerebral”. Mas, fiquemos atentos, pois os psicopatas não são considerados doentes mentais, (“apesar de o serem”). Contudo, os psiquiatras e cientistas consideram a razão deles perfeita. Por isso, indivíduos com essas características são sempre perigosos, porque, a razão deles funciona muito bem. Tramam tudo e executam com requintes de detalhes e crueldade. Esvaziados de emoções, são capazes de passar por cima de tudo e de todos para satisfazer seus objetivos.

REFERÊNCIAS:

SILVA, Ana Beatriz Barbosa. Mentes perigosas: o psicopata mora ao lado. P. 151-152.
Entrevista com António Damásio e o caso de Phineas Cage – livro de psicologia 12º ano, Tema I

 

 

Artigo publicado em 17 jan 2016 | Este artigo tem 0 Comentário

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Neste artigo, abordaremos a personalidade e dissertaremos sobre alguns transtornos da personalidade. A Personalidade é definida pela totalidade dos traços emocionais e de comportamento de um indivíduo (caráter). Pode-se dizer que é a “maneira” de ser do indivíduo, o modo de sentir as emoções e/ou a “maneira”de agir. Há indivíduos de diferentes perfis, que se enquadram em diferentes estruturas.

NA PSICANÁLISE TRATAMOS DE TRÊS ESTRUTURAS:

Neurótico-Psicótico-Perverso.

Nos transtornos psíquicos citados abaixo encontraremos estas três estruturas. Mas não é o objetivo deste artigo classificar esses transtornos nas estruturas da personalidade e/ou elucidar quais são os transtornos psíquicos que se enquadram em cada estrutura. As estruturas dentro do conceito da psicanálise já foram abordadas em outros artigos deste blog. Portanto, iremos abordar os transtornos psíquicos mais frequentes.

DOS TRANSTORNOS DA PERSONALIDADE:

Um transtorno de personalidade surgi quando esses traços são muito inflexíveis e desasjustados prejudicando a adaptação do indivíduo às situações que enfrenta, causando ao indivíduo e, também, aos que lhe estão próximos, sofrimento. Geralmente, esses indivíduos são pouco motivados para tratamento, uma vez que os traços de personalidade, perturbam mais suas relações com outros – trazendo sofrimento àqueles que convivem com ele. Os sintomas, geralmente, surgem no início da idade adulta e permanecem por toda uma vida, se não tratados.

“Aproximadamente 9.6 milhões de adultos americanos foram diagnosticados com sérias doenças mentais, e um novo estudo indica que isso pode ter um impacto maior na expectativa de vida do que fumar cigarros, por um elevado risco de suicidio e outros comportamentos de alto risco. Um time de pesquisadores liderados por Seena Fazel, da Universidade de Oxford chegaram a esta conclusão seguindo uma meta-analise de mais de 400 trabalhos científicos. A sua análise completa foi publicada no World Psychiatry.”

ENUNCIAREMOS ALGUNS TIPOS DE TRANSTORNOS:

Transtorno de Personalidade Paranóide:
Indivíduos desconfiados, que se sentem enganados pelos outros, com dúvidas a respeito da lealdade dos outros, interpretando ações ou observações dos outros como ameaçadoras. São rancorosos e percebem ataques a seu caráter ou reputação, muitas vezes ciumentos e com desconfianças infundadas sobre a fidelidade dos seus parceiros e amigos.

Transtorno de Personalidade Esquizóide:
Indivíduos distanciados das relações sociais, que não desejam ou não gostam de relacionamentos íntimos, realizando atividades solitárias, de preferência. Pouco ou nenhum interesse em relações sexuais com outra pessoa, e pouco ou nenhum prazer em suas atividades. Não têm amigos íntimos ou confidentes, não se importam com elogios ou críticas, sendo frios emocionalmente e distantes.

Transtorno de Personalidade Borderline:
Indivíduos instáveis em suas emoções e muito impulsivos, com esforços incríveis para evitar abandono (até tentativas de suicídio). Têm rompantes de raiva inadequada. As pessoas a sua volta são consideradas ótimas, mas frente a recusas tornam-se más rapidamente, sendo desconsideradas as qualidades anteriormente valorizadas. Costumam apresentar uma hiper reatividade afetiva, em que as situações boas são ótimas ou excelentes, e as ruins ou desfavoráveis são bizarras ou catastróficas.

Transtorno de Personalidade Narcisista:
Indivíduos que se julgam grandiosos, com necessidade de admiração e que desprezam os outros, acreditando serem especiais e explorando os outros em suas relações sociais, tornando-se arrogantes. Gostam de falar de si mesmos, ressaltando sempre suas qualidades e por vezes contando vantagens de situações. Não se importam com o sofrimento que causam nas outras pessoas e muitas vezes precisam rebaixar e humilhar os outros para que se sintam melhor.

Transtorno de Personalidade Anti-social:
Indivíduos que desrespeitam e violam os direitos dos outros, não se conformando com normas. Mentirosos, enganadores e impulsivos, sempre procurando obter vantagens sobre os outros. São irritados, irresponsáveis e com total ausência de remorsos, mesmo que digam que têm, mais uma vez tentando levar vantagens. Podem estabelecer relacionamentos afetivos superficiais, mas não são capazes de manter vínculos mais profundos e duradouros.

Transtorno de Personalidade Histriônica:
Indivíduos facilmente emocionáveis, sempre em busca de atenção, sentindo-se mal quando não são o centro das atenções. São sedutores, com mudanças rápidas das emoções. Tentam impressionar aos outros, fazendo uso de dramatizações, e tendem a interpretar os relacionamentos como mais íntimos do que realmente são.

Transtorno de Personalidade Obsessivo-Compulsiva:
Indivíduos preocupados com organização, perfeccionismo e controle, sempre atento a detalhes, listas, regras, ordem e horários. Dedicação excessiva ao trabalho, dão pouca importância ao lazer. Pertinentes, não jogam nada fora e não conseguem deixar tarefas para outras pessoas.

Transtorno de Personalidade Esquiva:
Indivíduos tímidos (exageradamente), muito sensíveis a críticas, evitando atividades sociais ou relacionamentos com outros, reservados e preocupados com críticas e rejeição. Geralmente não se envolvem em novas atividades, vendo a si mesmos como inadequados ou sem atrativos e capacidades.

Transtorno de Personalidade Dependente:
Indivíduos que têm necessidade de serem cuidados, submissos, sempre com medo de separações. Têm dificuldades para tomar decisões, necessitam que os outros assumam a responsabilidade de seus atos, não discordam, não iniciam projetos. Sentem-se muito mal quando sozinhos, evitando isso a todo custo.

CONCLUSÃO:

Indivíduos com problemas de saúde mental estão entre os mais vulneráveis na sociedade. Percebemos o quão crucial é que estes tenham acesso a atendimento médico e aconselhamento apropriado, o que nem sempre é o caso. Os transtornos psíquicos são tão ameaçadores à expectativa de vida quanto outros problemas de saude pública como é o caso das drogas e o álcool.
O tratamento desses transtornos baseia-se na Psicoterapia e Psicanálise. Algumas vezes deve-se também tratar outros transtornos que se desenvolvem juntamente com esses, o qual chamamos de comorbidades. Comorbidades é um conjunto de patologias. Por isso, quando o indivíduo entra na depressão, isso pode mascarar os significativos transtornos – que estão por detrás da depressão – e também estão ligados à ansiedade associados a esses transtornos. A procura pelo atendimento como já citado acima é comumente estimulada pelos familiares e/ou amigos que sofrem muito mais pelo(s) transtorno(s) que o próprio indivíduo. Não se pode esquecer que muitas dessas características fazem parte dos traços de personalidade normais de muitos indivíduos, e, somente quando esses traços são muito rígidos, e não adaptativos é que constituem um transtorno. Contudo, não se pode fazer julgamentos de determinados transtornos, como sendo um transtorno psíquico. Necessário será buscar um profissional da medicina com especialização para um diagnóstico de caso.

 

Referências:

1. Telles JSS. Psicanálise em debate: transtornos de personalidade. Psiquiatry on-line 1999; 04(11).

2. Freud S. Inibição, sintoma e angústia. In: Freud S. Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Vol. X. Rio de Janeiro: Imago; 1996.

3. OMS. Classificação de transtornos mentais e de comportamentos da CID-10: descrições clínicas e diretrizes diagnósticas. Porto Alegre: Artes Médicas; 1993.