Artigo publicado em 12 dez 2015 | Este artigo tem 1 Comentário

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“Ser homem não é uma questão tão natural como usualmente se supõe”. Assinala Badinter (1992/1993) que para chegar a ser homem é necessário empreender toda uma tarefa. “A virilidade não é algo concedido, deve ser construída, fabricada” (p.17).

No presente artigo abordaremos, o cenário do sujeito Desbussolado. A expressão “Desbussolado” é uma referência ao sujeito da era contemporânea. Não existe um termo e/ou definição esclarecedora para dar significado a palavra Desbussolado.

O objetivo deste artigo não será dissipar todas as peculiaridades do sujeito Desbussolado em benefício de uma normalidade. Vivemos em uma época onde impera a vaidade. Pode se observar que a vaidade é o pecado favorito da maioria dos mortais – quiçá necessitam se sacrificar, pois no seu modo de pensar, só valem o que ofertam.

Parece irresistível a inclinação que o Desbussolado possue para estar sempre voltado para o seu exterior, fugindo daquilo que tem de mais inerente, que é o interior do sujeito, que, não deve ser ignorado, como forma de compensação, bem como negação do self.

Do ponto de vista psicanalítico, o Desbussolamento de gênero: a dependência e a submissão estão intrínsecas no sujeito, diante de suas tomadas de decisões. Considerando o Édipo, que Freud proclamou no sujeito, isto é, à inveja primária que tanto teme, mas que o cerca.

O poder do Desbussolado poderia estar no “falo” mesmo que inconsciente, entretanto, o sujeito do falo pode ser representado por inúmeros objetos, inclusive, pelo poder, o status, o prestígio e o dinheiro.

A palavra “falo” derivada do latim, designa o membro masculino em ereção, simboliza potência e está ligada a religiões pagãs e/ou orientais. O termo raramente surge em Freud. O que encontramos é o adjetivo “falico” ligado à diferenciação sexual e à teoria da sexualidade feminina (ROUDINESCO, 1998).

No lugar de suprimir sintomas, a psicanálise se serve deles como uma via de entrada indireta, a fim de trabalhar para dissipar a dor penosa e inconsciente. A busca da cura cura dói, mas pode ofertar ao desejo o deslizamento de seus nós, trabalho feito no avesso das representações, por isso o desejo resiste. Avaliamos que a análise caminha no sentido da cura. É que cura significa cuidado. Se o objetivo da cura analítica é cuidar do desejo, há um sentido geral no tratamento: o de tratar do desejo, o que se cumpre de diferentes maneiras, de acordo com as diferentes formas de ser de cada paciente (Herrmann, 1991).

O pensamento do sujeito Desbussolado, surge afetado por uma negação. Desse modo, o sujeito pode ser negativo, melancólico, desesperançoso, mas em contrapartida pode ser extremamente fantasioso, na busca de um meio para sobreviver. Mas é a negatividade que comanda o devir criativo do sujeito.

Esse perfil, busca uma completude imaginária na tentativa de abolir a divisão – mediante essa busca Desebussolada – sendo assim, tende repetir sua história de sofrimento, pois se de um lado estão todas as fantasias e imaginações a respeito do futuro em si – por outro, a realidade lhe paralisa diante do acesso a esse objeto desejado.

E é assim que, o sujeito Desbussolado passa a vida – procurando a felicidade, mas ele a coloca em um nível que muitas vezes está fora do seu alcance, às vezes, sob ilusões, deslumbramentos e fantasias, sendo que isso tosa a sua energia e expectativa – acaba frustrando-o e angustiando-o. O que poderá desencadear em mazelas psíquicas e físicas. Muito embora, se o sujeito pudesse tomar consciência que só depende dele a felicidade que vem fortuitamente, não precisaria jamais buscá-la fora de si, pois tudo o que precisamos para responder nossas questões estão tão somente dentro de nós mesmos, assim, se desapegaria desse ideal imaginário.

É possível que os perfis Desbussolados da era contemporânea, vivam peregrinando pela aprovação do outro – como se o outro soubesse e/ou se interessasse de fato por ele. Mas em contrapartida, tentar se esconder não apagaria à imagem do espelho de si mesmo: a fragmentação é inerente à condição humana. Somos seres faltantes, falhos, e se não falta estamos simplesmente sonhando e alucinante nossos desejos. O importante é juntar esses fragmentos e buscar evoluir o nosso self.

CONCLUSÃO:

Finalizamos com o seguinte pensamento: sempre é doloroso renascer. Citaremos o exemplo da borboleta – para se tornar borboleta esta passa por várias fases para, então, chegar ao casulo e se tornar borboleta – o casulo, então, é a fase final para a metamorfose e a libertação do voo da borboleta. Mas volte o olhar para trás e pergunte a si mesmo: foi tão penoso o caminho? É possível que sim. Mas se não atravessar a sua dor de existir – não terá sido tão bela a sua história de reconhecimento para, enfim, ter o renascimento.

 

Referências:

FLEIG, M. O dizer poético e a clínica psicanalítica. Revista da Associação Psicanalítica de Porto Alegre: Psicanálise e Literatura. Porto Alegre, 1998.
FREUD, S. (1914) – Sobre o narcisismo. In: _____. Edição standard brasileira das obras psicológicas completas. Rio de Janeiro: Imago, 1974. v. XIV.
FREUD, S. (1932) Conferência XXXI: a dissecção da personalidade psíquica. In: _____. Edição standard brasileira das obras psicológicas completas. Rio de Janeiro: Imago, 1976. v. XXII.
NÁSIO, J. D. A criança magnífica da psicanálise, o conceito de sujeito e o objeto na teoria de Jacques Lacan. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1988.
Freud, S.(1980d). Escritores criativos e devaneio. In S. Freud, Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. (J. Salomão, trad., Vol. 9, pp. 149-158). Rio de Janeiro:Imago. (Trabalho original publicado em 1908)
(ROUDINESCO, 1998).
Lacan, J. (1998). O tempo lógico e a asserção da certeza antecipada. In J. Lacan, Escritos (pp. 197-213). Rio de Janeiro: Jorge Zahar
Herrmann, F. (1991). Andaimes do real: o método da psicanálise. São Paulo: Brasiliense.

Artigo publicado em 27 nov 2015 | Este artigo tem 2 Comentários

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“A situação material em que o homem vive, é o que o cria.” Ludwig Feuerbach

O presente artigo tem por objetivo abordar de forma generalista, o Dia de Ação de Graças e pós Ação de Graças, a “Black Friday”.

DA AÇÃO DE GRAÇAS:

O Dia de Ação de Graças (AO 1945: Dia de Acção de Graças), conhecido em inglês como Thanksgiving Day, é um feriado celebrado nos Estados Unidos e no Canadá, observado como um dia de gratidão a Deus, com orações e festas, pelos bons acontecimentos ocorridos durante o ano.

DA BLACK FRIDAY:

Black Friday é uma ação de vendas anual criada nos Estados Unidos e no Canadá. Acontece todos os anos no mês de novembro, um dia após o feriado de Ação de Graças. Durante a Black Friday, lojas físicas e online oferecem promoções de diversos produtos durante todo o dia.

Nos Estados Unidos e no Canadá o Dia de Ação de Graças é uma forma de conscientização sobre os impactos do consumismo no mundo. (Buy Nothing Day) “Mantenha a calma e não compre”. Entretanto, no dia seguinte esses países voltam a consumir de forma eufórica.

Dessa forma, o Brasil e mais de 60 países, passaram a seguir o modelo de consumo americano e o canadense, após americanos e canadenses passarem o Dia de Ação de Graças se conscientizando sobre o excesso de consumo – muito embora, voltem ao consumo no dia seguinte, com um slogan chamado: BLACK FRIDAY. Esta é uma ferramenta instigante do marketing, com descontos tentadores e, supostamente, os melhores do ano.

DA CONSCIENTIZAÇÃO DO CONSUMO:

O Dia Mundial sem Compras foi criado com o objetivo de incentivar as pessoas a refletirem sobre o consumismo excessivo e repensarem sobre os novos estilos de vida baseados em um consumo consciente e sustentável.

Essa forma de conscientização surgiu em Vancouver, no Canadá, criado pelo artista Ted Dave, em setembro de 1992. Posteriormente, foi promovido pela revista canadense Adbusters. Em 1997, a data foi transferida para a sexta-feira após o Dia da Ação de Graças americano, conhecido como, “Black Friday”, assim como já mencionado acima: é um dos dias mais agitados de compras nos Estados Unidos. Fora da América do Norte, a efeméride passou a ser adotada sempre no último sábado de novembro. Para os ativistas britânicos do Buy Nothing Day, a intenção não é mudar o estilo de vida do planeta num único dia. A ideia é despertar a consciência das pessoas para que percebam os impactos de seu consumo no meio ambiente.

Todo consumo causa impacto – positivo e/ou negativo – na economia, nas relações sociais, na natureza e em cada indivíduo. Ao ter essa consciência, o consumidor pode buscar aumentar os impactos positivos e diminuir os negativos de consumo na hora de decidir pelo o que comprar, de escolher o que comprar, de quem comprar, como comprar, de definir a maneira de usar e, depois, descartar o que não lhes serve mais. O Dia Mundial Sem Compras busca, portanto, contribuir para a construção de uma sociedade que promova um maior sentido de vida para as pessoas e o respeito aos recursos naturais e sociais.

Embora, os impactos de consumo no mundo são muitos, entre eles destacam-se: os impactos ambientais, que têm como exemplo, o lixo cumulativo para o planeta, que demoram muito tempo para se decompor, ou tempo indeterminado – e vem poluindo o planeta de forma pavorosa!

A questão não é necessariamente, as pessoas pararem de consumir, mas sim, ter a conscientização de como o indivíduo gostaria de ser tratado em um presente ampliado, o que chamamos de futuro. Para tanto, precisamos cuidar do planeta, começando com mudanças significativas no cotidiano.

DO CONSUMO A ESCRAVIZAÇÃO DOS PADRÕES:

O consumo, de certa forma escraviza o homem tornando-o submisso a determinados padrões de comportamento previamente estabelecidos pela sociedade, mas que na maioria das vezes não condiz com as classes sociais e, sobretudo, com os valores morais a que deveriam estar ligados. Diante disso, houve grande impacto das relações de consumo no mundo contemporâneo, uma vez que as pessoas se encontram cada vez mais dependentes do consumo (“dos seus afetos”), e o fator vulnerabilidade se encontra ascendente, devido ao desconhecimento da população tendo em vista somente o acompanhamento da mídia e a imposição desta, para que possamos nos adequar aos novos padrões ditos como moda. Enquanto isso, o consumidor é manipulado devido ao desconhecimento, ao fator cultural e a inércia pela busca de seus direitos. O Código de Defesa do Consumidor, Lei nº 8.078 de 11 de setembro de 1990, em consonância com a Constituição Federal de 1988, busca esclarecer e firmar todos esses direitos e deveres a fim de formar um cidadão consciente e ativo no que diz respeito a sua atuação com tal. Mas, ainda nos encontramos muito distantes, na formação de cidadãos conscientes.

CONCLUSÃO:

O Dia de Ação de Graças deveria estar na consciência das pessoas todos os dias. Todavia, esse assunto não se findará por aqui, ficará em aberto para novas discussões.

 

REFERÊNCIAS:

FIGUEIREDO, Fábio Vieira. FIGUEIREDO, Simone Diego Carvalho. Código de Defesa do Consumidor Anotado. São Paulo: Rideel, 2009.

FILOMENO, José Geraldo Brito. Manual de direitos do consumidor. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2007.

HALL, S. (2000). A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A.

Instituto Akatu e site www.akatu.org.br.

Wikipédia, a enciclopédia livre

 

 

Artigo publicado em 24 out 2015 | Este artigo tem 70 Comentários

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“Se eu pudesse, pegava a dor; colocava a dor dentro de um envelope e devolvia ao remetente.” Mario Quintana

RESUMO

O presente artigo tem como objetivo abordar o conceito de fibromialgia, bem como a sintomatologia dolorosa, destacando a relevância desta alteração no campo da saúde. Trata-se de uma revisão, realizada por meio de consulta a artigos científicos. A fibromialgia se caracteriza como uma síndrome que possui como principal sintoma a dor sem causa orgânica especifica. Para um tratamento adequado deve-se buscar um médico especialista. A forma de avaliação da patologia, ocorre através de exames clínicos no consultório médico. Portanto, as pesquisas relacionadas à fibromialgia buscam o entendimento e aprofundamento desta patologia, para que se possa traçar o entendimento mais adequado, a fim de proporcionar qualidade de vida.

“A dor parece uma ofensa à nossa integridade física.” Clarice Lispector

Um corpo sempre será para o sujeito uma “coisa” sua. Assim, para viver cada ser depende habitar um corpo. Desse modo, as paixões, afetos, ideias, são consideradas pelo princípio da filosofia clássica, a localização das mazelas humanas – mencionadas a partir de um corpo – como função de suporte necessário. A análise do corpo constitui uma relação de pertinência entre o existir e sua materialidade. Esse é o âmago de grandes questões que ultrapassam o tempo, a cultura, à vida, o nascimento, à morte e, também, um tema intrínseco à psicanálise: a sexualidade.

Neste artigo abordaremos a dor física e psíquica sem causa orgânica. Enunciaremos aqui, uma síndrome que não se encontra causa orgânica específica – e, assim, a chamaremos de “a doença da alma”. A síndrome cuja as dores crônicas sem causalidade orgânica constatável, são fonte de sofrimento para pacientes e um desafio para os profissionais da medicina. Esta síndrome está localizada na fronteira entre a reumatologia e a patologia psicossomática, com comorbidade de transtornos e uma degradação da qualidade de vida no plano profissional, social e familiar.

“O umbral de estimulação requerido para transformar um estímulo sensorial em uma possível ameaça está significativamente rebaixado na Fibromialgia, sendo uma das características principais do processo neurobiológico, que afeta de forma extensa todo sistema e pode converter informações subclínicas em sensações desagradáveis em diferentes partes corporais.” (Collado, A., 2008, p. 517-518).

A fibromialgia é uma síndrome clínica que se manifesta com dor no corpo todo, principalmente, na musculatura. A síndrome cursa com sintomas de fadiga, intolerância ao exercício e sono não repousante – a pessoa acorda sempre cansada. Os médicos classificam a fibromialgia como uma síndrome, porque caracteriza um grupo de sintomas sem que seja identificada uma causa específica.

Não existe uma causa única conhecida para a fibromialgia, mas existem alguns sinais para identificá-la. Os estudos mais recentes mostram que pacientes com fibromialgia apresentam maior sensibilidade a dor do que outros que não têm a doença. Isso não está relacionado com o fato de se ser “forte” ou “fraco” com relação a dor. Na realidade, funciona como se o cérebro dos fibromiálgicos fosse uma bússola desregulada em que ativasse todo o sistema nervoso para fazer a pessoa sentir mais dor. Sendo assim: nervos, medula e cérebro estariam fazendo que qualquer estímulo doloroso seja aumentado de intensidade.

A dor da fibromialgia é real. Existem estudos experimentais avançados mostrando o cérebro funcionando e os pacientes com fibromialgia sentindo dor. Também foram feitos estudos com o líquido que banha a medula e o cérebro (líquor) e foi visto que as substâncias que levam a sensação de dor para o cérebro estão de três a quatro vezes aumentadas em pacientes fibromiálgicos em comparação com pessoas sem o problema.

Tanto pacientes quanto médicos parecem entender melhor as causas de dor quando existe uma inflamação, um machucado, um tumor, que estão ali, visíveis, causando a dor. Na fibromialgia é diferente; se tirarmos um pedaço do músculo que está doendo e olharmos no microscópio, não encontraremos nada – porque o problema está somente na percepção da dor.

Dados epidemiológicos apontam uma maior incidência dessa entidade clínica em mulheres jovens, mas, não podemos deixar de abordar os homens, com muita sensibilidade a dor. A sociedade e muitos estudiosos insistem em proclamar que às mulheres são mais sofríveis que os homens, no entanto, sob o olhar de uma psicanalista, que acompanha o caso, o sexo masculino sofre tanto como apontam o sofrimento do sexo feminino. Não podemos generalizar e racionalizar que o sexo feminino é mais suscetível do que o sexo masculino. Os homens ainda hoje, precisam omitir os seus sentimentos para não se mostrarem fracos. Isso é uma condição precária da observação humana.

Independente do sexo, existe nesta síndrome uma ausência de evidências na materialidade do corpo e a presença de fatores psicopatológicos que, dificulta o diagnóstico e tratamento. Face à diversidade e dos fatores envolvidos em determinadas síndromes. Faz-se necessário a indicação de uma abordagem multidisciplinar para um tratamento com resultados mais eficazes.

Neste aspecto, ao mesmo tempo em que os profissionais buscam uma cura para as dores de seus pacientes – os pacientes clamam pelo reconhecimento desta síndrome que causa tanto sofrimento.

DA PSICANÁLISE:

A sugestão é considerar a eventual função da fibromialgia na estruturação psíquica como solução subjetiva. Para o referencial teórico-clínico da psicanálise. A psicanálise fornece elementos para reflexões sobre a dor no corpo e seu lugar na psique.

A partir do estado atual das pesquisas sobre o tema – considerando a escassez de estudos no campo da psicanálise, o ponto nevrálgico para o psicanalista, é poder contribuir para uma abordagem da fibromialgia que sustente o relato da experiência de dor. A psicanálise não tem a pretensão de pôr a fibromialgia a qualquer quadro psicopatológico, como a histeria e/ou a depressão – o foco da psicanálise é sublinhar a posição subjetiva – do sujeito que sofre em seu corpo essa dor “insuportável” para então, termos um diagnóstico junto aos profissionais médicos no tratamento da fibromialgia.

O que a fibromialgia pode ensinar ao psicanalista? Acreditamos que, para além da doença, há um sujeito em questão e que o diagnóstico em psicanálise se produz a partir da posição que este ocupa frente ao seu sintoma. O que, para além da dor, do que o sujeito diz, comporta um falar singular. Se na medicina o diagnóstico se alicerça nos fenômenos comprovados e numa probabilidade estatística, a psicanálise avança, para além dos fenômenos, os modos de enfrentar a singularidade do sofrimento. Da forma como a dor psíquica, implicada na dor física, faz com que a psicanálise avance na subjetividade dos casos sob o olhar clínico. A fibromialgia não pode ser igual para todos, mesmo que haja uma tipologia, uma peculiaridade sintomatológica na doença, o traço único dirá mais sobre aquele que sofre e sobre o uso que faz de sua dor.

DO TRATAMENTO DA FIBROMIALGIA NA TERAPIA:

É importante ressaltar, que nós enquanto psicanalistas e/ou psicólogos não podemos diagnosticar nenhum tipo de doença e/ou patologia. O diagnóstico de qualquer doença é exclusivamente do médico. Psicanalistas e/ou psicólogos não são profissionais da medicina. Portanto, o diagnóstico da fibromialgia está exclusivamente sob o olhar do profissional da medicina. A especialidade mais indicada para o diagnóstico da fibromialgia é a reumatologia. A terapia é eficaz para ajudar o paciente fibromiálgico a se autoconhecer e compreender a condição que está enfrentando.

DA EXISTÊNCIA DE ESTADOS DOLOROSOS CRÔNICOS:

A existência de estados dolorosos crônicos sem substrato orgânico, doenças da dor, é assinalada desde o século XIX. Dentre elas, a fibromialgia (FM), conhecida como fibrosite desde 1904 (Gowers, 1904), tem denominação bastante recente (Smythe e Moldofsky, 1977). Reconhecida pela OMS em 1992, sob a identificação M 79.7 na classificação internacional das doenças (CID), essa síndrome é definida como composta de dores músculo-esquelético acompanhadas, frequentemente, de transtornos do sono e fadiga. A partir dessa classificação, que lhe confere um estatuto de doença, o aumento do interesse sobre a fibromialgia repercute em numerosos estudos (Kahn, 1989; Kochman, 2002; Heymann, 2006; Saltareli, Pedrosa, Hortense e Sousa, 2008). No entanto, sua etiologia permanece obscura e parece remeter a uma origem multifatorial, sem que nenhuma causalidade orgânica tenha sido detectada (Sordet-Guepet, 2004).
A maioria dos textos e estudos sobre o tema indica a possibilidade de uma comorbidades psiquiátrica no que concerne à presença de transtornos de ansiedade e depressão. Sendo assim, apontam a adequação do recurso a tratamentos medicamentosos conforme cada caso é suas comorbidades. Digno de nota, a indicação de tratamento psicoterápico é mencionada no recente estudo brasileiro sobre o tema ao mesmo tempo em que os exercícios de alongamento e assimilados (Heyman et al., Idem). De todo modo, a indicação de uma abordagem multidisciplinar para o tratamento dos casos de fibromialgia parece consenso na maioria dos trabalhos da área médica, figurando tanto no recente estudo Consenso brasileiro do tratamento da fibromialgia (Heyman et al., Ibid) quanto no relatório da Academie Française de Médecine (Menkès e Godeaul, 2007).

Numerosos autores reconhecem o importante e até mesmo preponderante papel dos fatores psíquicos no surgimento da fibromialgia. Ao mesmo tempo, a maior parte deles, rejeitam a assimilação desta a qualquer doença psiquiátrica e somente o componente psicossomático é, em certos casos, evocado. Uma vulnerabilidade psicológica marcada pelo stress (Boureau, 2000), a tendência ao “catastrofismo”, à “victimização”, por vezes uma hiperatividade prévia, um contexto de tensão emocional constante, ansiedade e afetos depressivos vêm esboçar um quadro psicológico do paciente fibromiálgico. Todavia, sublinha-se que as relações de causalidade entre os sintomas psiquiátricos e a fibromialgia são difíceis de confirmar. (Menkès, Godeaul, 2007).

É possível que os transtornos encontrados na fibromialgia (fadiga, transtornos do sono, dores de cabeça, diminuição da atividade cognitiva) faz observar os sinais de depressão, somando a uma síndrome dolorosa. Porém, não se encontram nem as ideias suicidas nem os elementos de desvalorização e autoacusações. Do mesmo modo, se os autores sublinham as relações inegáveis entre a fibromialgia e uma extensa lista de transtornos psicológicos, entre os quais a hipocondria, transtornos funcionais e somatoformes, o critério principal das dores difusas parece, entretanto, separá-los (Kochman, Hatron, 2003). Unicamente a comorbidades entre os estados de stress pós-traumático (SPT) e a fibromialgia, tanto em termos da expressão sintomática como no da anamnese (eventos traumáticos, violência, abusos sexuais etc.) parece confirmada no plano clínico. Geralmente, a fibromialgia inicia-se após um traumatismo psíquico (eventos recentes ou passados, situação prolongada de stress etc.) ou físico, por vezes mínimo (traumatismo, cirurgia, acidente de trabalho, de transito etc.).

Em muitos casos, as evidencias da doença através do diagnóstico pode permitir ao sujeito certo alívio. Na realidade, o reconhecimento da dor, abre a possibilidade de se ter à mão, como um prêt-à-porter, uma causa que fornece certo sentido aos males somáticos, mas também aos psíquicos. Graças a esta identidade adotada e caracterizada com o selo da fibromialgia, existe o desprazer de sentir dores corporais, mas, também, não há necessidade de ser escondida e/ou omitida.

CONCLUSÃO:

Todavia, às tentativas sempre sem definições e/ou de um diagnóstico exato para descrever um perfil típico do paciente fibromiálgico: correto será obter referências a uma psicopatologia sustentada na consideração do sujeito. Assim, não podemos proclamar que existe a “cura a qualquer preço”, mas pode-se, considerar a eventual função da fibromialgia na estruturação psíquica como solução subjetiva. Nessa ação “esperançosa,” (o médico especialista juntamente com outros profissionais) podem manter o dizer do sujeito em sua tentativa de esboçar uma teoria pessoal de sua doença. É um primeiro passo, uma via para permitir ao sujeito mudar ou, pelo menos, compreender sua posição face ao sofrimento e poder em tempo deixar o remédio . Em alguns casos, isso pode ser um caminho para uma verdadeira mudança subjetiva, uma abertura para a interrogação sobre a maneira de se colocar no mundo – a singularidade de sua relação ao saber da realidade e lidar com sua condição, buscando viver melhor, sem prostração para não se tornar uma vítima da doença.

 

REFERÊNCIAS:

Rev. Mal-Estar Subj. vol.10 no.4 Fortaleza dez. 2010.

Entrevista com Reumatologista Eduardo S. Paiva
Chefe do Ambulatório de Fibromialgia do HC-UFPR, Curitiba.

Fernandes, M. H. (2001). As formas corporais do sofrimento: A imagem da hipocondria. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, 4 (4), 61-80.

Freud, S. (1986). La perturbación psicógena de la visión según el psicoanálisis (Obras Completas Sigmund Freud, Vol. 9). Buenos Aires, Argentina: Amorrortu. (Originalmente publicado em 1910).

Heymann, R. E. (2006). O papel do reumatologista frente à fibromialgia e à dor crônica musculoesquelética. Revista Brasileira de Reumatologia, 46 (1). Recuperado em 1 agosto 2010, da http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0482-50042006000100001&lang=pt

Heymann, R. E., Paiva E. S., Helfenstein, M., Jr. Pollak D. F., Martinez, J. E., Provenza, J. R. et al. (2010). Consenso brasileiro do tratamento da fibromialgia. Revista Brasileirade Reumatologia 50 (1), 56-66. Recuperado em 3 agosto= 2010, da http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0482-50042010000100006Não

 

 

 

 

 

 

Artigo publicado em 25 set 2015 | Este artigo tem 0 Comentário

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Abordaremos nesse artigo um breve relato sobre o Consciente e o Inconsciente e suas diferenciações.

A psicanálise possui como característica inicial o determinismo psíquico, sua função é elucidar que nada acontece por acaso. Tendo em vista, que não há descontinuidade na vida mental. Cada acontecimento mental tem explicação consciente e inconsciente, mas esses eventos acontecem tão naturalmente, que Freud os relata vinculando um acontecimento consciente a outro.

A contribuição teórica mais especial de Freud é a de que o comportamento é governado por processos inconscientes e não somente pelos processos conscientes.

– Os níveis da consciência ou modelo topológico da mente.

– Para explicar esse fato, Freud descreve três níveis de consciência [1]:

  • O consciente (al. das Bewusste), que abarca todos os fenômenos que em determinado momento podem ser percebidos de maneira conscientes pelo indivíduo;
  • O pré-consciente (al. das Vorbewusste), refere-se aos fenômenos que não estão conscientes em determinado momento, mas podem tornar-se, se o indivíduo desejar se ocupar com eles;
  • O inconsciente (al. das Unbewusste), que diz respeito aos fenômenos e conteúdos que não são conscientes e somente sob circunstâncias muito especiais podem tornar-se. (O termo subconsciente é muitas vezes usado como sinônimo, apesar de ter sido abandonado pelo próprio Freud.)

 

O CONSCIENTE

A psique humana é observada por Freud como um icebergue, o qual apenas uma parte “minúscula” surge na superfície da água.

A parte que surge na superfície comunica o consciente. No consciente estão contidos: o raciocínio, o pensamento e as percepções que a pessoa é capaz voluntariamente de recordar e controlar segundo as suas necessidades e/ou desejos e interesses da sociedade.

O consciente é uma parte da mente que é possível chegar através da introspecção, ou, através da observação do que se passa no interior da mente humana, dos fenômenos psíquicos que acontecem na consciência. Em contrapartida, no inconsciente, é possível controlar voluntariamente o consciente dependendo das necessidades e exigências do ser humano. O ser humano era definido como um ser racional que controlava as suas ações através do seu desejo. Freud através dos seus estudos descobriu, que a existência apenas do consciente não explicava muitos dos comportamentos humanos, inclusive, muitas patologias, o que levou Freud afirmar a existência do inconsciente.

 

O INCONSCIENTE

Aquilo que se refere à parte submersa é atribuída ao inconsciente, constituído por instintos, pulsões e desejos.  No inconsciente temos o ID como um dos principais mecanismos. O ID é prazer puro – ocorre que para a sociedade muitos dos mecanismos inconscientes são inaceitáveis. O inconsciente é como um vasto contentor, onde estão depositados impulsos e motivos de base biológica. As duas categorias de instintos existentes no inconsciente humano são Eros (deus grego do amor) e Thanatos (deus grego da morte). Eros simboliza o instinto de vida que assegura as necessidades básicas: alimento, bebida, sexo; Thanatos representa o instinto de morte que está presente em todos os comportamentos agressivos e destrutivos.

O conjunto de pulsões e desejos inconscientes, essencialmente os de natureza sexual, possui um dinamismo próprio cujo papel na determinação do comportamento humano é superior aos dos fenômenos conscientes.“Só há inconsciente no ser falante. […] O inconsciente isso fala.” Jacques Lacan (1901 – 1981) Outros escritos, 1969/2003, p.510

A maior parte dos nossos costumes cotidianos é inconsciente, ainda que sejam iniciados de maneira voluntária. Assim, uma vez que tenhamos aprendido a andar, condicionamos esse conhecimento e não necessitamos pensar sobre ele a cada vez que caminhamos. Outras lembranças ficam no nível do inconsciente, porque não julgamos que sejam tão relevantes. Em última análise, observamos que residem no inconsciente memórias de experiências que vivemos, mas, por algum motivo, insistimos em reprimir.

Uma das principais funções do inconsciente é manter o equilíbrio da nossa psique. “É praticamente impossível guardar todas as nossas experiências e ainda ter plena consciência delas. Por isso, existe o inconsciente”. Temos o inconsciente como bagagem de memórias, um depósito que nos alimenta continuamente de imagens e símbolos. O inconsciente interage com a consciência – dependendo de como lidamos com os resultados que essa ação nos traz – pode nos afetar de forma positiva ou negativa.

Segundo Sidarta Ribeiro, quando uma associação entre memórias é muito forte, mas reprimida conscientemente, ela pode escapar ou vazar por meio de um ato falho ou mesmo de um sonho que expressa aquele conteúdo de forma direta ou indireta. E é exatamente por esse fenômeno que os falsos relatos podem não se sustentar por longo tempo. Uma inverdade relatada inúmeras vezes pode se tornar uma verdade, mas na realidade, os fatos da vida cotidiana não são tão simples assim. Um falso relato comentado inúmeras vezes pode vir à tona emergindo o inconsciente, o que fará recair toda a verdade.

Por fim, pode-se afirmar que o consciente não existe sem o inconsciente.

 

Referências:

Psicanálise – Wikipédia, a enciclopédia livre

Freud e o Inconsciente

O Inconsciente 1915

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