Artigo publicado em 11 fev 2016 | Este artigo tem 1 Comentário

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“Perdoe-me os insensíveis. Eu SINTO muito.” Josie Conti

Neste artigo abordaremos a diferença entre a psicopatia estrutural e a psicopatia acidental. Portanto, focaremos na psicopatia acidental.

Todos nós sabemos que o sentimento é inerente à condição humana, mas, nem todos sentem, apesar de saberem. Os psicopatas sabem tudo, mas não sentem nada. Os psicopatas não têm o sistema límbico plugado-conectado no coração do cérebro. O sistema límbico é uma parte do cérebro onde estão nossas emoções. E é no sistema límbico, também, que está à amígdala. A amígdala é considerada o coração do cérebro. Portanto, os psicopatas são insensíveis as emoções.

Esses indivíduos não têm humanidade, pois são somente razão e emoção zero. Eles podem nascer com essa deformidade de estrutura, ou, por alguma eventualidade da vida, ter o sistema límbico lesionado. Por exemplo, um acidente pode lesionar partes do cérebro, sendo uma das partes o sistema límbico –  levando o indivíduo a não sentir mais NADA pelos seus semelhantes. Nesse caso esse indivíduo não nasceu psicopata, ou seja, ele pode ter sido um sujeito de bom caráter, mas após ter sofrido um acidente lesionar as emoções/sentimentos e permanecer com a razão intacta. A razão se mantém perfeita. Outro exemplo, maus tratos dos pais como abusos na infância: pancadas na cabeça, lesionando o cérebro, mais comumente, o sistema límbico.

CITAREMOS BASES BIOLÓGICAS DO FAMOSO CASO DE PHINEAS GAGE, QUE DESENCADEOU O TRANSTORNO DE PERSONALIDADE PSICOPÁTICA APÓS SOFRER UM VIOLENTO ACIDENTE:

Desde o famoso caso de Phineas Gage, lesões do lobo frontal têm sido associadas ao desenvolvimento de comportamento anti-social impulsivo. Este caso é ilustrativo a ponto de justificar uma breve descrição da sua apresentação clínica: Phineas Gage trabalhava na construção de estradas de ferro nos Estados Unidos, em meados do século XIX. Era descrito como equilibrado, meticuloso e persistente quanto aos seus objetivos, além de profissional responsável e habilidoso. Em um acidente nas explosões de rotina para abertura de túneis nas rochas da região, Phineas Gage foi atingido por uma barra de ferro que transpassou seu cérebro, entrando pela face esquerda, abaixo da órbita, e saindo pelo topo da cabeça. Surpreendentemente, Phineas Gage permaneceu consciente após o acidente, sobrevivendo às esperadas infecções no seu ferimento e dois meses após o acidente estava recuperado, sem déficits motores e com linguagem e memória preservadas. A sua personalidade, no entanto, havia se modificado completamente. Phineas Gage transformou-se em uma pessoa impaciente, com baixo limiar à frustração, desrespeitoso com as outras pessoas, incapaz de adequar-se às normas sociais e de planejar o futuro. Não conseguiu estabelecer vínculos afetivos e sociais duradouros novamente ou fixar-se em empregos (Damásio, 1994).

A partir do infortúnio de Phineas Gage, relatos de caso e estudos retrospectivos de veteranos de guerra vêm mostrando a associação entre lesões pré-frontais – mais especificamente lesões nas porções ventromediais do córtex frontal – e a observação clínica de comportamento impulsivo, agressividade, jocosidade e inadequação social (Brower e Price, 2001). “Sociopatia adquirida” é o termo que tem sido frequentemente utilizado para descrever a mudança de personalidade observada em decorrência de danos cerebrais em regiões pré-frontais. Esses dados levaram à sugestão de que um comprometimento do funcionamento do lobo frontal ventromedial poderia contribuir para problemas relacionados ao controle de impulso e personalidade anti-social (Damásio, 2000). A variedade de déficits neuropsicológicos descritos em anti-sociais (Morgan e Lilienfeld, 2000) estaria em consonância com esta hipótese.

DO DIAGNÓSTICO DE PSICOPATIA:

Para o fechamento de um diagnóstico de psicopatia demanda tempo, pois o médico especialista, geralmente, só pode fechar esse diagnóstico após a adolescência e/ou após os 18 anos de idade, que é o momento em que esses indivíduos já têm todos os traços da personalidade formada -, ou, no caso de acidentes na fase adulta, o diagnóstico ocorre após exames de ressonância e diagnóstico clínico. Porém, para fechar um diagnóstico não é simples.

DAS CARACTERÍSTICAS DE PERSONALIDADE DOS PSICOPATAS:

Muitas das características da personalidade dos psicopatas poderiam ser explicadas por déficits emocionais. Por exemplo, estes revelam pouco afeto pelos outros, são incapazes de amar, não ficam nervosos facilmente e não mostram culpa ou vergonha quando abusam de outras pessoas. Assim, os cientistas têm feito hipóteses (desde há muito tempo) de que os psicopatas têm uma deficiência nas suas reações aos estímulos evocadores do medo e esta seria a causa da sua insensibilidade e também da sua incapacidade de aprender pela experiência.

Muitos testes psicrométricos foram criados para analisar o cérebro e determinar a capacidade mental dos indivíduos. Os testes de Q.I. ajudam os profissionais  avaliarem a inteligência do suspeito e o seu processo de pensamento, enquanto que os testes ajudam a descobrir os mistérios de sua personalidade. Estes examinadores ajudam os psiquiatras forenses a descobrirem as obsessões do indivíduo que pudessem influenciar no seu comportamento.

O mais famoso é o teste de Rorschach – pelo qual são analisadas as interpretações de uma pessoa de alguns desenhos abstratos. Um psiquiatra forense nunca se pode equivocar, pois um diagnóstico errado pode colocar em perigo o andamento de um julgamento.

Os psicopatas não mostram alteração nestes parâmetros quando são submetidos a estresse ou a imagens desagradáveis. Estas alterações também não aparecem quando os sujeitos são avisados, antecipadamente, por um flash de luz, quando vão receber um estímulo estressante (por exemplo, um desagradável sopro de ar nas suas faces). Esta é a razão porque os psicopatas mentem tão bem e porque não são detectados (não registra) à mentira pelos equipamentos de detecção de mentiras (polígrafos).

Segue abaixo ilustração do sistema límbico, onde estão as principais partes das emoções. Nos psicopatas, o sistema límbico não funciona como deveria, pois estes são desprovidos de emoções.

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Isto não significa que os psicopatas não entendam das emoções – eles entendem. Significa, que tudo que fazem são ações pensadas, planejadas, arquitetadas, em benefício próprio. Na relação com outros indivíduos, os psicopatas não sentem remorso, não sentem empatia, não sentem afeto nenhum! O psicopata sente um prazer enorme por assim dizer, em explorar e ver o sofrimento que ele causa no outro.

SÍNDROME DO NARCISISMO, ENCANTO SUPERFICIAL E MANIPULAÇÃO:

A conduta anti-social tem origem no “Narcisismo Maligno”. Os psicopatas, como já dito são incapazes em estabelecer relações que não sejam exploradoras. Não necessariamente todos os psicopatas são encantadores, sedutores, narcisistas, mas é expressiva a quantidade deles que utilizam o encanto pessoal e, consequentemente, a capacidade de manipular os outros. Através do encanto superficial o psicopata acaba usando os outros, “os seres humanos normais” como seu objeto – ele usa as pessoas, quando não o servem mais, descarta-as, tal como um objeto e/ou uma roupa usada. Pode ser esse processo de ver o outro como objeto que lhe serve para aquele momento, a chave para compreendermos a absoluta falta de sentimentos do psicopata para com seus semelhantes -, ou para com os sentimentos daqueles que são seus semelhantes somente na forma, mas nunca nos atos de indiferença. Transformando seu semelhante em objeto que ele usa e descarta.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Concluímos este artigo de forma concisa. Portanto, a chave do assunto em questão é expôr para os leitores de forma clara e objetiva a existência dos diferentes casos de psicopatia: aquele que nasce com ausência de sentimentos e emoções que é estrutural e aquele que se torna psicopata devido uma causalidade da vida. Sabe-se que, para a psicopatia não existe cura. Esperamos que em um futuro próximo, neurocientistas encontrem um meio que “cure essa anomalia cerebral”. Mas, fiquemos atentos, pois os psicopatas não são considerados doentes mentais, (“apesar de o serem”). Contudo, os psiquiatras e cientistas consideram a razão deles perfeita. Por isso, indivíduos com essas características são sempre perigosos, porque, a razão deles funciona muito bem. Tramam tudo e executam com requintes de detalhes e crueldade. Esvaziados de emoções, são capazes de passar por cima de tudo e de todos para satisfazer seus objetivos.

REFERÊNCIAS:

SILVA, Ana Beatriz Barbosa. Mentes perigosas: o psicopata mora ao lado. P. 151-152.
Entrevista com António Damásio e o caso de Phineas Cage – livro de psicologia 12º ano, Tema I

 

 

Artigo publicado em 17 jan 2016 | Este artigo tem 0 Comentário

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Neste artigo, abordaremos a personalidade e dissertaremos sobre alguns transtornos da personalidade. A Personalidade é definida pela totalidade dos traços emocionais e de comportamento de um indivíduo (caráter). Pode-se dizer que é a “maneira” de ser do indivíduo, o modo de sentir as emoções e/ou a “maneira”de agir. Há indivíduos de diferentes perfis, que se enquadram em diferentes estruturas.

NA PSICANÁLISE TRATAMOS DE TRÊS ESTRUTURAS:

Neurótico-Psicótico-Perverso.

Nos transtornos psíquicos citados abaixo encontraremos estas três estruturas. Mas não é o objetivo deste artigo classificar esses transtornos nas estruturas da personalidade e/ou elucidar quais são os transtornos psíquicos que se enquadram em cada estrutura. As estruturas dentro do conceito da psicanálise já foram abordadas em outros artigos deste blog. Portanto, iremos abordar os transtornos psíquicos mais frequentes.

DOS TRANSTORNOS DA PERSONALIDADE:

Um transtorno de personalidade surgi quando esses traços são muito inflexíveis e desasjustados prejudicando a adaptação do indivíduo às situações que enfrenta, causando ao indivíduo e, também, aos que lhe estão próximos, sofrimento. Geralmente, esses indivíduos são pouco motivados para tratamento, uma vez que os traços de personalidade, perturbam mais suas relações com outros – trazendo sofrimento àqueles que convivem com ele. Os sintomas, geralmente, surgem no início da idade adulta e permanecem por toda uma vida, se não tratados.

“Aproximadamente 9.6 milhões de adultos americanos foram diagnosticados com sérias doenças mentais, e um novo estudo indica que isso pode ter um impacto maior na expectativa de vida do que fumar cigarros, por um elevado risco de suicidio e outros comportamentos de alto risco. Um time de pesquisadores liderados por Seena Fazel, da Universidade de Oxford chegaram a esta conclusão seguindo uma meta-analise de mais de 400 trabalhos científicos. A sua análise completa foi publicada no World Psychiatry.”

ENUNCIAREMOS ALGUNS TIPOS DE TRANSTORNOS:

Transtorno de Personalidade Paranóide:
Indivíduos desconfiados, que se sentem enganados pelos outros, com dúvidas a respeito da lealdade dos outros, interpretando ações ou observações dos outros como ameaçadoras. São rancorosos e percebem ataques a seu caráter ou reputação, muitas vezes ciumentos e com desconfianças infundadas sobre a fidelidade dos seus parceiros e amigos.

Transtorno de Personalidade Esquizóide:
Indivíduos distanciados das relações sociais, que não desejam ou não gostam de relacionamentos íntimos, realizando atividades solitárias, de preferência. Pouco ou nenhum interesse em relações sexuais com outra pessoa, e pouco ou nenhum prazer em suas atividades. Não têm amigos íntimos ou confidentes, não se importam com elogios ou críticas, sendo frios emocionalmente e distantes.

Transtorno de Personalidade Borderline:
Indivíduos instáveis em suas emoções e muito impulsivos, com esforços incríveis para evitar abandono (até tentativas de suicídio). Têm rompantes de raiva inadequada. As pessoas a sua volta são consideradas ótimas, mas frente a recusas tornam-se más rapidamente, sendo desconsideradas as qualidades anteriormente valorizadas. Costumam apresentar uma hiper reatividade afetiva, em que as situações boas são ótimas ou excelentes, e as ruins ou desfavoráveis são bizarras ou catastróficas.

Transtorno de Personalidade Narcisista:
Indivíduos que se julgam grandiosos, com necessidade de admiração e que desprezam os outros, acreditando serem especiais e explorando os outros em suas relações sociais, tornando-se arrogantes. Gostam de falar de si mesmos, ressaltando sempre suas qualidades e por vezes contando vantagens de situações. Não se importam com o sofrimento que causam nas outras pessoas e muitas vezes precisam rebaixar e humilhar os outros para que se sintam melhor.

Transtorno de Personalidade Anti-social:
Indivíduos que desrespeitam e violam os direitos dos outros, não se conformando com normas. Mentirosos, enganadores e impulsivos, sempre procurando obter vantagens sobre os outros. São irritados, irresponsáveis e com total ausência de remorsos, mesmo que digam que têm, mais uma vez tentando levar vantagens. Podem estabelecer relacionamentos afetivos superficiais, mas não são capazes de manter vínculos mais profundos e duradouros.

Transtorno de Personalidade Histriônica:
Indivíduos facilmente emocionáveis, sempre em busca de atenção, sentindo-se mal quando não são o centro das atenções. São sedutores, com mudanças rápidas das emoções. Tentam impressionar aos outros, fazendo uso de dramatizações, e tendem a interpretar os relacionamentos como mais íntimos do que realmente são.

Transtorno de Personalidade Obsessivo-Compulsiva:
Indivíduos preocupados com organização, perfeccionismo e controle, sempre atento a detalhes, listas, regras, ordem e horários. Dedicação excessiva ao trabalho, dão pouca importância ao lazer. Pertinentes, não jogam nada fora e não conseguem deixar tarefas para outras pessoas.

Transtorno de Personalidade Esquiva:
Indivíduos tímidos (exageradamente), muito sensíveis a críticas, evitando atividades sociais ou relacionamentos com outros, reservados e preocupados com críticas e rejeição. Geralmente não se envolvem em novas atividades, vendo a si mesmos como inadequados ou sem atrativos e capacidades.

Transtorno de Personalidade Dependente:
Indivíduos que têm necessidade de serem cuidados, submissos, sempre com medo de separações. Têm dificuldades para tomar decisões, necessitam que os outros assumam a responsabilidade de seus atos, não discordam, não iniciam projetos. Sentem-se muito mal quando sozinhos, evitando isso a todo custo.

CONCLUSÃO:

Indivíduos com problemas de saúde mental estão entre os mais vulneráveis na sociedade. Percebemos o quão crucial é que estes tenham acesso a atendimento médico e aconselhamento apropriado, o que nem sempre é o caso. Os transtornos psíquicos são tão ameaçadores à expectativa de vida quanto outros problemas de saude pública como é o caso das drogas e o álcool.
O tratamento desses transtornos baseia-se na Psicoterapia e Psicanálise. Algumas vezes deve-se também tratar outros transtornos que se desenvolvem juntamente com esses, o qual chamamos de comorbidades. Comorbidades é um conjunto de patologias. Por isso, quando o indivíduo entra na depressão, isso pode mascarar os significativos transtornos – que estão por detrás da depressão – e também estão ligados à ansiedade associados a esses transtornos. A procura pelo atendimento como já citado acima é comumente estimulada pelos familiares e/ou amigos que sofrem muito mais pelo(s) transtorno(s) que o próprio indivíduo. Não se pode esquecer que muitas dessas características fazem parte dos traços de personalidade normais de muitos indivíduos, e, somente quando esses traços são muito rígidos, e não adaptativos é que constituem um transtorno. Contudo, não se pode fazer julgamentos de determinados transtornos, como sendo um transtorno psíquico. Necessário será buscar um profissional da medicina com especialização para um diagnóstico de caso.

 

Referências:

1. Telles JSS. Psicanálise em debate: transtornos de personalidade. Psiquiatry on-line 1999; 04(11).

2. Freud S. Inibição, sintoma e angústia. In: Freud S. Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Vol. X. Rio de Janeiro: Imago; 1996.

3. OMS. Classificação de transtornos mentais e de comportamentos da CID-10: descrições clínicas e diretrizes diagnósticas. Porto Alegre: Artes Médicas; 1993.

 

 

 

Artigo publicado em 12 dez 2015 | Este artigo tem 1 Comentário

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“Ser homem não é uma questão tão natural como usualmente se supõe”. Assinala Badinter (1992/1993) que para chegar a ser homem é necessário empreender toda uma tarefa. “A virilidade não é algo concedido, deve ser construída, fabricada” (p.17).

No presente artigo abordaremos, o cenário do sujeito Desbussolado. A expressão “Desbussolado” é uma referência ao sujeito da era contemporânea. Não existe um termo e/ou definição esclarecedora para dar significado a palavra Desbussolado.

O objetivo deste artigo não será dissipar todas as peculiaridades do sujeito Desbussolado em benefício de uma normalidade. Vivemos em uma época onde impera a vaidade. Pode se observar que a vaidade é o pecado favorito da maioria dos mortais – quiçá necessitam se sacrificar, pois no seu modo de pensar, só valem o que ofertam.

Parece irresistível a inclinação que o Desbussolado possue para estar sempre voltado para o seu exterior, fugindo daquilo que tem de mais inerente, que é o interior do sujeito, que, não deve ser ignorado, como forma de compensação, bem como negação do self.

Do ponto de vista psicanalítico, o Desbussolamento de gênero: a dependência e a submissão estão intrínsecas no sujeito, diante de suas tomadas de decisões. Considerando o Édipo, que Freud proclamou no sujeito, isto é, à inveja primária que tanto teme, mas que o cerca.

O poder do Desbussolado poderia estar no “falo” mesmo que inconsciente, entretanto, o sujeito do falo pode ser representado por inúmeros objetos, inclusive, pelo poder, o status, o prestígio e o dinheiro.

A palavra “falo” derivada do latim, designa o membro masculino em ereção, simboliza potência e está ligada a religiões pagãs e/ou orientais. O termo raramente surge em Freud. O que encontramos é o adjetivo “falico” ligado à diferenciação sexual e à teoria da sexualidade feminina (ROUDINESCO, 1998).

No lugar de suprimir sintomas, a psicanálise se serve deles como uma via de entrada indireta, a fim de trabalhar para dissipar a dor penosa e inconsciente. A busca da cura cura dói, mas pode ofertar ao desejo o deslizamento de seus nós, trabalho feito no avesso das representações, por isso o desejo resiste. Avaliamos que a análise caminha no sentido da cura. É que cura significa cuidado. Se o objetivo da cura analítica é cuidar do desejo, há um sentido geral no tratamento: o de tratar do desejo, o que se cumpre de diferentes maneiras, de acordo com as diferentes formas de ser de cada paciente (Herrmann, 1991).

O pensamento do sujeito Desbussolado, surge afetado por uma negação. Desse modo, o sujeito pode ser negativo, melancólico, desesperançoso, mas em contrapartida pode ser extremamente fantasioso, na busca de um meio para sobreviver. Mas é a negatividade que comanda o devir criativo do sujeito.

Esse perfil, busca uma completude imaginária na tentativa de abolir a divisão – mediante essa busca Desebussolada – sendo assim, tende repetir sua história de sofrimento, pois se de um lado estão todas as fantasias e imaginações a respeito do futuro em si – por outro, a realidade lhe paralisa diante do acesso a esse objeto desejado.

E é assim que, o sujeito Desbussolado passa a vida – procurando a felicidade, mas ele a coloca em um nível que muitas vezes está fora do seu alcance, às vezes, sob ilusões, deslumbramentos e fantasias, sendo que isso tosa a sua energia e expectativa – acaba frustrando-o e angustiando-o. O que poderá desencadear em mazelas psíquicas e físicas. Muito embora, se o sujeito pudesse tomar consciência que só depende dele a felicidade que vem fortuitamente, não precisaria jamais buscá-la fora de si, pois tudo o que precisamos para responder nossas questões estão tão somente dentro de nós mesmos, assim, se desapegaria desse ideal imaginário.

É possível que os perfis Desbussolados da era contemporânea, vivam peregrinando pela aprovação do outro – como se o outro soubesse e/ou se interessasse de fato por ele. Mas em contrapartida, tentar se esconder não apagaria à imagem do espelho de si mesmo: a fragmentação é inerente à condição humana. Somos seres faltantes, falhos, e se não falta estamos simplesmente sonhando e alucinante nossos desejos. O importante é juntar esses fragmentos e buscar evoluir o nosso self.

CONCLUSÃO:

Finalizamos com o seguinte pensamento: sempre é doloroso renascer. Citaremos o exemplo da borboleta – para se tornar borboleta esta passa por várias fases para, então, chegar ao casulo e se tornar borboleta – o casulo, então, é a fase final para a metamorfose e a libertação do voo da borboleta. Mas volte o olhar para trás e pergunte a si mesmo: foi tão penoso o caminho? É possível que sim. Mas se não atravessar a sua dor de existir – não terá sido tão bela a sua história de reconhecimento para, enfim, ter o renascimento.

 

Referências:

FLEIG, M. O dizer poético e a clínica psicanalítica. Revista da Associação Psicanalítica de Porto Alegre: Psicanálise e Literatura. Porto Alegre, 1998.
FREUD, S. (1914) – Sobre o narcisismo. In: _____. Edição standard brasileira das obras psicológicas completas. Rio de Janeiro: Imago, 1974. v. XIV.
FREUD, S. (1932) Conferência XXXI: a dissecção da personalidade psíquica. In: _____. Edição standard brasileira das obras psicológicas completas. Rio de Janeiro: Imago, 1976. v. XXII.
NÁSIO, J. D. A criança magnífica da psicanálise, o conceito de sujeito e o objeto na teoria de Jacques Lacan. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1988.
Freud, S.(1980d). Escritores criativos e devaneio. In S. Freud, Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. (J. Salomão, trad., Vol. 9, pp. 149-158). Rio de Janeiro:Imago. (Trabalho original publicado em 1908)
(ROUDINESCO, 1998).
Lacan, J. (1998). O tempo lógico e a asserção da certeza antecipada. In J. Lacan, Escritos (pp. 197-213). Rio de Janeiro: Jorge Zahar
Herrmann, F. (1991). Andaimes do real: o método da psicanálise. São Paulo: Brasiliense.

Artigo publicado em 27 nov 2015 | Este artigo tem 2 Comentários

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“A situação material em que o homem vive, é o que o cria.” Ludwig Feuerbach

O presente artigo tem por objetivo abordar de forma generalista, o Dia de Ação de Graças e pós Ação de Graças, a “Black Friday”.

DA AÇÃO DE GRAÇAS:

O Dia de Ação de Graças (AO 1945: Dia de Acção de Graças), conhecido em inglês como Thanksgiving Day, é um feriado celebrado nos Estados Unidos e no Canadá, observado como um dia de gratidão a Deus, com orações e festas, pelos bons acontecimentos ocorridos durante o ano.

DA BLACK FRIDAY:

Black Friday é uma ação de vendas anual criada nos Estados Unidos e no Canadá. Acontece todos os anos no mês de novembro, um dia após o feriado de Ação de Graças. Durante a Black Friday, lojas físicas e online oferecem promoções de diversos produtos durante todo o dia.

Nos Estados Unidos e no Canadá o Dia de Ação de Graças é uma forma de conscientização sobre os impactos do consumismo no mundo. (Buy Nothing Day) “Mantenha a calma e não compre”. Entretanto, no dia seguinte esses países voltam a consumir de forma eufórica.

Dessa forma, o Brasil e mais de 60 países, passaram a seguir o modelo de consumo americano e o canadense, após americanos e canadenses passarem o Dia de Ação de Graças se conscientizando sobre o excesso de consumo – muito embora, voltem ao consumo no dia seguinte, com um slogan chamado: BLACK FRIDAY. Esta é uma ferramenta instigante do marketing, com descontos tentadores e, supostamente, os melhores do ano.

DA CONSCIENTIZAÇÃO DO CONSUMO:

O Dia Mundial sem Compras foi criado com o objetivo de incentivar as pessoas a refletirem sobre o consumismo excessivo e repensarem sobre os novos estilos de vida baseados em um consumo consciente e sustentável.

Essa forma de conscientização surgiu em Vancouver, no Canadá, criado pelo artista Ted Dave, em setembro de 1992. Posteriormente, foi promovido pela revista canadense Adbusters. Em 1997, a data foi transferida para a sexta-feira após o Dia da Ação de Graças americano, conhecido como, “Black Friday”, assim como já mencionado acima: é um dos dias mais agitados de compras nos Estados Unidos. Fora da América do Norte, a efeméride passou a ser adotada sempre no último sábado de novembro. Para os ativistas britânicos do Buy Nothing Day, a intenção não é mudar o estilo de vida do planeta num único dia. A ideia é despertar a consciência das pessoas para que percebam os impactos de seu consumo no meio ambiente.

Todo consumo causa impacto – positivo e/ou negativo – na economia, nas relações sociais, na natureza e em cada indivíduo. Ao ter essa consciência, o consumidor pode buscar aumentar os impactos positivos e diminuir os negativos de consumo na hora de decidir pelo o que comprar, de escolher o que comprar, de quem comprar, como comprar, de definir a maneira de usar e, depois, descartar o que não lhes serve mais. O Dia Mundial Sem Compras busca, portanto, contribuir para a construção de uma sociedade que promova um maior sentido de vida para as pessoas e o respeito aos recursos naturais e sociais.

Embora, os impactos de consumo no mundo são muitos, entre eles destacam-se: os impactos ambientais, que têm como exemplo, o lixo cumulativo para o planeta, que demoram muito tempo para se decompor, ou tempo indeterminado – e vem poluindo o planeta de forma pavorosa!

A questão não é necessariamente, as pessoas pararem de consumir, mas sim, ter a conscientização de como o indivíduo gostaria de ser tratado em um presente ampliado, o que chamamos de futuro. Para tanto, precisamos cuidar do planeta, começando com mudanças significativas no cotidiano.

DO CONSUMO A ESCRAVIZAÇÃO DOS PADRÕES:

O consumo, de certa forma escraviza o homem tornando-o submisso a determinados padrões de comportamento previamente estabelecidos pela sociedade, mas que na maioria das vezes não condiz com as classes sociais e, sobretudo, com os valores morais a que deveriam estar ligados. Diante disso, houve grande impacto das relações de consumo no mundo contemporâneo, uma vez que as pessoas se encontram cada vez mais dependentes do consumo (“dos seus afetos”), e o fator vulnerabilidade se encontra ascendente, devido ao desconhecimento da população tendo em vista somente o acompanhamento da mídia e a imposição desta, para que possamos nos adequar aos novos padrões ditos como moda. Enquanto isso, o consumidor é manipulado devido ao desconhecimento, ao fator cultural e a inércia pela busca de seus direitos. O Código de Defesa do Consumidor, Lei nº 8.078 de 11 de setembro de 1990, em consonância com a Constituição Federal de 1988, busca esclarecer e firmar todos esses direitos e deveres a fim de formar um cidadão consciente e ativo no que diz respeito a sua atuação com tal. Mas, ainda nos encontramos muito distantes, na formação de cidadãos conscientes.

CONCLUSÃO:

O Dia de Ação de Graças deveria estar na consciência das pessoas todos os dias. Todavia, esse assunto não se findará por aqui, ficará em aberto para novas discussões.

 

REFERÊNCIAS:

FIGUEIREDO, Fábio Vieira. FIGUEIREDO, Simone Diego Carvalho. Código de Defesa do Consumidor Anotado. São Paulo: Rideel, 2009.

FILOMENO, José Geraldo Brito. Manual de direitos do consumidor. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2007.

HALL, S. (2000). A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A.

Instituto Akatu e site www.akatu.org.br.

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