Artigo publicado em 30 ago 2015 | Este artigo tem 4 Comentários

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O presente artigo tem como objeto de análise o filme iniciado com o livro que se consagrou como best-seller (Cinquenta Tons de Cinza), escrito por E. L. James e lançado em 2011.

“Christian tem uma aversão mórbida por si mesmo.”
E. L. JAMES

No Filme “Cinquenta Tons de Cinza” são exibidas cenas de perversão que surgem com as transformações reveladas no imaginário de Christian Grey a respeito da paixão e sexualidade.

Esta é uma análise contundente sob o olhar de uma psicanalista. A história refere-se à uma “patologia”, sendo esta, a perversão do protagonista: Christian Grey que seduz e leva sua parceira Anastacia  aceitar às suas regras na forma de leis imposta por ele.

Uma das grandes inovações trazidas por Freud (1905) na compreensão da sexualidade é apresentada no clássico “Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade”: as pessoas vista pela sociedade como “normais” não estariam tão longe assim dos perversos. De modo geral, o neurótico reprime os mesmos desejos e fantasias que movem os perversos. Portanto, algo de fluído surge nesses atos, como prazer ao olhar, ao ser visto, ao sentir e/ou provocar uma pequena dose de dor numa carícia. Dessa forma, os perversos obtém o prazer do orgasmo quase que unicamente olhando, sendo vistos, sentindo e/ou causando dor. Mas, o neurótico também, pode ser acometido desses mesmos atos nas preliminares de uma relação sexual ou, ainda, ao atingirem dessa forma o orgasmo, podendo ser acometido por um certo mal-estar, que procede a culpa (associada à ação do superego). Porém, o superego nesse caso é que leva o sujeito neurótico se sentir culpado.

Dentre outras publicações de Freud, há um avanço ao publicar “Fetichismo” (1927), demonstrando como haveria um mecanismo denominado “renegação” nas perversões, pelo qual haveria a convivência simultânea do contato com a castração e a renegação da mesma.

“A psicanálise nos ensina que, o “EU” não é Senhor nem mesmo dentro do seu próprio reduto.”

O livro que se transformou em filme: “Cinquenta Tons de Cinza”, de E. L. James, causou uma enorme comoção mundial e fascínio pela história – que mexeu com o inconsciente e consciente das pessoas – levando seus leitores e telespectadores a ter seus subjetivos insights.

Um ponto importante no filme é que entre Anastacia e Christian não se sustenta, o sadismo politicamente correto – o sadismo entre o casal não foi convincente nessa relação.
Se a história do livro não tivesse ficado tão famosa em um primeiro momento, podíamos até imaginar que estávamos assistindo, ao um clássico filme de um príncipe que aparece na vida da Cinderela, para salvá-la e fazê-la muito feliz!

Anastacia é uma ninfeta que sonhava com seu “príncipe,” e este se manifesta com traços de personalidade de um homem bonito, sedutor, bem-sucedido profissionalmente, mas, muito mais, ele é um milionário com todos os objetos de conquista à sua mão, haja vista Christian Grey tem todos os  atributos para facilmente seduzir, fascinar e instigar, a ninfeta Anastacia. Dessa forma, ficou fácil cair de paixão por esse homem.

Nessa relação, o dominador parece não sentir prazer no controle do outro. Entre uma chicotada e outra, ele pergunta se Anastacia gostou. O que para um sádico é muita cerimônia, e para uma masoquista, ela apenas cede aos desejos dele por estar perdidamente apaixonada e encantada com um mundo de conto de fadas. Mas ela não demostra sentir-se à vontade nos momentos em que Grey satisfaz suas fantasias, pelo contrário, Anastacia se sente acuada na viagem sadica de Christian.

Mas em um desses encontros Anastacia desafia Christian e o deixa torturá-la, para ver até onde ele podia chegar, porque se interessa veementemente pelos segredos ocultos de Christian, porém, ele não consegue dizer sua verdadeira história.

Christian Grey é um sádico, narcisista, triste, lotado de fetiches e mal resolvido emocionalmente. Os traumas de infância o torturam. Na psique regressa de Christian habita uma criança carente e frágil emocionante – não conseguindo elaborar a sua dolorosa infância – traz suas mazelas para à vida adulta. Grey habita um mundo interior sofrível. Mesmo à vida lhe dando uma grande oportunidade. Afinal, ele aparentemente tem tudo, inclusive uma família que o ama.

O filme conseguiu a proeza de não rechaçar a temática da submissão. Anastasia aceita e se abre para tomar contato com o que lhe surge como diferente: a sexualidade de Christian Grey. Por outro lado, ela não conseguiu adentrar o mundo obscuro dele. Os desejos de Christian Grey são associados as “patologias” provocadas por um adulto anormal, e não como uma sexualidade livre dos transtornos e problemas emocionais.

E é assim, que o belo e poderoso príncipe encantado, seduz a gata borralheira e a faz se sentir a Cinderela escolhida pelo seu príncipe. Anastacia se deixa levar por essa paixão sem limites, e se depara com essa fera que habita em Christian Grey e o tortura.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Todavia, o que Christian Grey sentia por Anatascia no início da relação – não era amor – o que ele sentia era fixação pelo objeto do desejo. Isso é sequestro emocional, sequestro de identidade e sequestro da alma. Mas, essa não é apenas uma história de ficção que prendeu a atenção de milhões de pessoas, pois, existem milhões de Christians e milhões de Anastacias mundo afora. Por fim, nesse enredo, é explícito o apaixonamento de Christian Grey por Anastacia.

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REFERÊNCIAS:

Os Três Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade (1905), vol. VII.

História de uma Neurose Infantil (1918[1914]), vol. XVII.

O Filme é baseado no primeiro volume da trilogia erótica de E. L. James, “Cinquenta Tons de Cinza”.

(DIREÇÃO Sam Taylor-Johnson).

Artigo publicado em 16 ago 2015 | Este artigo tem 0 Comentário

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“Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade. Carlos Drummond de Andrade

O presente artigo aborda a felicidade compartilhada. A busca pela felicidade é um desejo comum a todos os seres humanos, em todos os tempos da história, portanto, cada um escolhe o estilo de vida que interpreta ser o mais adequado para alcançá-la.

DO PONTO VISTA FREUDIANO:

Sigmund Freud (1856-1939), em “O Mal Estar na Civilização”, afirma que o homem anseia pela felicidade e que esta advém da satisfação de prazeres. Essas buscas pelas coisas que nos fazem bem ocorrem pela satisfação (de uma manifestação imediata) de necessidades represadas em alto grau. Ganhar na loteria diverge, por exemplo, para um indivíduo endividado e um milionário. Na contramão disso, um indivíduo doente aspira por algo que um indivíduo saudável nem imagina.

DA FELICIDADE DO CONSUMO:

O ser humano anda em busca da felicidade compulsiva e individualista. Existe um delírio coletivo pelo poder de uma felicidade do consumo. Se o indivíduo precisa “vender à sua essência” para chegar à felicidade, ele não será feliz, pois ser feliz implica a essência humana. Precisamos compreender que ser feliz não é ter poder, dinheiro, prestígio, status – felicidade não é isso.

Na sociedade do consumo, o prazer é vendido sob rótulos: desejo àquela bolsa da grife tal, o carro X, morar no País Y, e, assim serei feliz, mas isso não é felicidade – isso é bem-estar e prazer. As pessoas confundem prazer com felicidade. O prazer é efêmero por natureza. Por mais intenso que seja o prazer, o prazer é limitado. O ser humano precisa compreender que o caminho para a felicidade é o autoconhecimento.

FELICIDADE DEPENDE DE CADA INDIVÍDUO:

O indivíduo é por vezes muito passivo – espera que o outro lhe dê a direção. Ser feliz não é esperar pelo o outro, porque isso implica em frustração. O mundo não nos dá tudo àquilo que desejamos. Se a espera pela felicidade está ligada ao comodismo e a passividade – esse será o caminho mais rápido para a angústia e infelicidade. Felicidade implica: agir, atuar, errar, acertar, escolher, correr riscos, tomar decisões e encontrar com a felicidade fortuitamente. Mas para isso acontecer implica responsabilidade. Pois se nossos desejos pautam nossas vidas, momentos bons e momentos ruins acontecem fortuitamente também.

Portanto, viver é encarar os obstáculos, o medo, as frustrações, as crises, que são inerentes à nossa evolução. Por mais abissal que nos pareça, faz parte da vida passar por esses momentos – isso implica a evolução humana.

São curiosas as “lições da vida”, porque, por mais que o indivíduo se recuse aprender as “lições da vida”, mais a vida retorna uma situação de aprendizado para sua evolução.

FUNCIONA NESSE RITMO:

– “Você ainda não entendeu a mensagem?”

– “Certo.”

– “Você receberá novamente uma oportunidade para que possa conectar-se com seu caminho.”

E para esses acontecimentos, não temos uma explicação científica.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

O grande desafio é resgatar o autoamor e se apaixonar pelo que você é, pelas suas virtudes e pelas suas imperfeições também. É o autoconhecimento que nos capacidade colaborar com os indivíduos ao nosso redor. E quando se fala em colaboração não necessariamente falamos dos indivíduos ao nosso alcance: filhos, amigos, pai, mãe, irmãos, mas toda espécie humana. Independe de laços e ligação. A felicidade é poder se doar. Se não tivermos essa capacidade de colaboração e entendimento, a humanidade se extinguirá. “Felicidade compartilhada é felicidade redobrada.” Estamos todos interligamos e a humanidade depende de cada um de nós.

 

 

Artigo publicado em 13 jul 2015 | Este artigo tem 5 Comentários

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“Nossa vida nos parece muito mais bonita quando deixamos de compará-la com as dos outros”. (Nietzsche)

Em tempo de redes sociais, o olhar do outro se tornou necessidade básica para existir. O sujeito da era digital faz de tudo para reter em si o olhar do outro. Nas redes sociais existe uma compulsão a repetição. Vemos “aparições efusivas”, com fotos, fatos e vídeos – tudo para ganhar visibilidade. Em tempo de distribuição da imagem, às pessoas estão apelando pela atenção alheia. Prolifera, o desejo de ver a si mesmo, através do olhar do outro – levando o sujeito a uma competitividade, como, por exemplo, “Quem é mais popular nas redes sociais?” Todavia, se todos estão se autoapreciando: existe alguém capaz de reconhecer o outro? Todos nós sabemos que é impossível encontrar uma pessoa completa. Somos seres “furados”. E como diz Lacan: “Somos seres faltantes.” Se não falta é porque a pessoa não enxerga a falta, está simplesmente sonhando e alucinando a sua imagem.

DA AUTOESTIMA NAS REDES SOCIAIS:

Podemos ver uma falsa autoestima nas redes sociais – com um descontrole compulsivo de inúmeras fotos, fatos, vídeos em postagens – tornando-se apelador. Não raro, o sujeito deseja demasiadamente, ou quase como uma euforia receber curtidas em suas postagens. Afinal, ser “curtido” é sinal de afeição, admiração e popularidade. Percebe-se, o quanto o sujeito se expõe para ser “exclusividade de uma vitrine virtual”. Eis que assim, vem o reconhecimento e a popularidade momentânea dos seus desejos cibernéticos.

O outro se torna um espelho, porque não existem tantos amigos reais para dar notoriedade ao sujeito como acontece nas redes sociais. A pessoa tem em suas mãos uma ferramenta para se tornar popular. Isso significa que sendo observado, ele de pronto fique popularmente conhecido. Assim, o famoso da era digital se sentirá admirado e poderoso! Sabendo que seus seguidores estarão sempre atentos a correr para curti-lo. Na ânsia, o “curtido” precisa competir para existir. Isso faz com que essas pessoas se sintam importantes perante a sociedade nas redes sociais. É o desejo de sentir-se com a autoestima gloriosa. Todavia, necessário se faz retroalimentá-la, com novas postagens para manter-se em evidência.

DO AUTOCONTROLE A AUTOESTIMA:

“Roy Baumeister afirma que o autocontrole é mais importante que a autoestima. Defende que o sucesso depende mais da capacidade da pessoa controlar seus impulsos, de adiar o prazer imediato em nome de um objetivo maior no longo prazo. Baumeister considera que a autoestima é mais uma consequência do que uma causa. O autocontrole ajuda as pessoas a serem mais bem sucedidas do que a autoestima. E segundo ele, a força de vontade é um dos ingredientes que nos ajudam a ter autocontrole. É a energia que usamos para mudar a nós mesmos, o nosso comportamento, e tomar decisões.”

Na sociedade digital, vemos inúmeros casos de descontrole das emoções, afetando, inclusive, o equilíbrio psíquico, deixando o sujeito à mercê dos impulsos e obsessões. Surgi, então, uma espécie de (TOC coletivo). O desejo em aparecer para se mostrar bem e feliz. Para tanto, Calligaris diz que, “A máscara que usamos no Facebook é a mesma que usamos na vida. É o mundo da margarina. As pessoas no Facebook têm uma enorme necessidade de demonstrar que são felizes. Assim se mostram também como vencedores. Basta ver as fotos. É difícil ver alguém que não está sorrindo.” Contardo Calligaris (Milão, 1948).

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Em um contexto de valores invertidos, à vida alheia está ficando banalizada. Não é do amor do outro que realmente carecemos, mas do amor próprio. Nós enquanto psicanalistas precisamos nos atentar à realidade atual, para um entendimento daquilo que está se passando nas questões sociais, uma vez que isso reflete direta e/ou indiretamente a realidade psíquica de cada um. Sabemos que o social é papel dos sociólogos, no entanto, enquanto profissionais da condição humana, não podemos ignorar a era digital, posto que essa seja a atual realidade. Só assim, teremos um esclarecimento mais aprofundado dos processos envolvidos nos novos formatos de relacionamentos, com as redes sociais. É relevante nos atentarmos a um novo modo de subjetivar-se, que irá influenciar a globalização de uma sociedade do saber psíquico.

 

REFERÊNCIA:

O livro Willpower, sobre a importância do autocontrole – Autor: O psicólogo americano Roy Baumeiste.

Artigo publicado em 05 jul 2015 | Este artigo tem 1 Comentário


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“O poder é o camaleão ao contrário: todos tomam a sua cor.” Millor Fernandes

INTRODUÇÃO:

O presente artigo pretende abordar o poder do camaleão enquanto sujeito, que busca se reinventar diante os eventos que percorre durante a vida. O sujeito-camaleão ousa tomar várias versões de cores para suportar o vazio existencial, e para se reinventar enquanto sujeito diante às perdas e os aprendizados inerentes à vida. Portanto, a discussão neste artigo será sobre àqueles que usam o poder de forma tirana.

DO PODER:

O sujeito que não se utiliza de maneira pejorativa do poder que fortuitamente adquiriu – será respeitado e admirado pelo que é em essência. Ou seja, do ponto de vista psicanalítico, a essência nesta narrativa representa à parte boa do homem. Não que isso seja regra. Temos inúmeros casos, de pessoas que se aproveitam da posição social, do profissional, do status, do prestígio e do dinheiro, para enaltecer o ego. Ou melhor, para satisfazer seus desejos narcísicos. Tendo em vista, que o sujeito íntegro, não necessita de se enaltecer para ser admirado e/ou respeitado. Mas, se no decorrer da vida, a pessoa não tiver praticado boas ações, certamente, cairá no ostracismo. Desse modo, a rejeição é implacável. E isso ocorre justamente com aqueles que o admiravam e o respeitavam, apenas pelo poder e submissão velada. Acontece com muita frequência, no mundo dos negócios e na política: o sujeito, que deseja tirar proveito de tudo em seu benefício, independente, de quem quer que seja prejudicado com seus atos impensados e perversos. A falta de inteligência emocional e espiritual poderá levar uma Nação inteira à bancarrota.

DAS ESTRUTURAS:

Geralmente, o camaleão-neurótico, ou seja, de estrutura neurótica, quando recai nas suas más investidas, acaba por desencadear doenças psicossomáticas – o contrário dificilmente acontece com o camaleão-perverso, de estrutura perversa (embotada), que, sempre buscará manipular a todos para manter o poder sórdido – mesmo diante às recaídas. Como mencionado acima, é muito frequente e comum vermos exemplos assim, em uma grande maioria de políticos, de empresários e de executivos, que, exercem de forma equivocada o poder; assim, que o perdem não admitem e querem sair isentos de suas más investidas. Retratam-se sempre como vítimas.

“Entendi que não se conhece um ser humano pela doçura da voz, pela bondade dos gestos ou pela simplicidade das vestes, mas tão somente quando se lhe dá poder e dinheiro.” Augusto Cury

DA CAPACIDADE E TALENTO:

Substituir autoridade por alteridade, que em sua visão expandida é a capacidade de se colocar no lugar do outro. O sujeito íntegro, àquele que não se corrompe por trocas de favores, tem a capacidade de reconhecer que na escalada humana, às pessoas não valem menos pela: posição profissional, social, status, prestigio e dinheiro. Muito embora, ele saiba distinguir a capacidade e o talento de pessoas que alcançaram carreiras e ascenderam profissionalmente e economicamente – mas, o fizeram com dignidade e respeito, sem que fosse necessário passar por cima do outro para chegar a tal posição.

CONCLUSÃO:

Por fim, a capacidade digna e justa de um líder, é a grande missão daquele que ocupa o poder. É possível substituir autoridade por alteridade: desenvolver talentos e capacidades, corrigindo a má conduta usual e comum desse tempo. Dessa forma, as experiências negativas necessitam ser corrigidas por experiências positivas. E assim, queira, com força de vontade, determinação, reverter o passado maléfico para um presente positivo e produtivo em prol do todo. Esse é o tipo de conduta de um líder, é em tese, a grande missão daqueles que ocupam o poder.

 

Autoria própria

 

 

 

 

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