Artigo publicado em 31 jul 2019 | Este artigo tem 0 Comentário

TRANSTORNO DISSOCIATIVO

INTRODUÇÃO

Para a psicanálise, a dissociação é um mecanismo de defesa primitivo, para se evitar situações de estresse, principalmente situações de conflitos ou discussões… A dissociação, geralmente, ocorre entre mente X afeto.

DISSOCIAÇÃO NÃO PATOLÓGICA

Eventualmente, todos experimentamos falha na integração automática normal de memórias, bem como percepções, identidade e consciência. Por exemplo, uma pessoa pode dirigir para algum lugar e perceber que não se lembra de muitos aspectos do percurso em razão de preocupações com questões pessoais, um programa no rádio ou uma conversa com um passageiro. Especificamente, essa falha, chamada dissociação não patológica, não atrapalha as atividades do dia a dia.
Em relação, indivíduos com transtorno dissociativo podem se esquecer completamente de uma série de comportamentos normais que duraram minutos, horas, dias ou semanas e podem sentir falta de um período de tempo em suas experiências.

DISSOCIAÇÃO PATOLÓGICA

Nos transtornos dissociativos, a integração normal da consciência, memória, percepções, identidade, emoção, representação corporal, controle motor e comportamento é rompida, e a continuidade do self é perdida.
Indivíduos com transtorno dissociativo podem submeter-se consequentemente a:

  • Intrusões espontâneas na consciência com perda da continuidade da experiência, incluindo sentimentos de desprendimento do self (despersonalização) e/ou do ambiente (desrealização) e fragmentação da identidade.
  • Perda de memória em relação a informações pessoais importantes (amnésia dissociativa)

ESTIMATIVA X PERCENTUAL DO TRANSTORNO DISSOCIATIVO

Não se sabe um número preciso de indivíduos que apresentam o transtorno dissociativo de identidade. Em um estudo de pequeno porte, cerca de 1,5% dos indivíduos apresentavam o transtorno em um determinado ano.

O transtorno dissociativo de identidade tem as seguintes formas:

  • Possessão
  • Não possessão

Na forma possessiva, as identidades diferentes da pessoa aparecem na forma de um agente externo, que tomou controle da pessoa. O agente externo pode ser descrito como um ser ou espírito sobrenatural (geralmente um demônio ou um deus, que exige que a pessoa seja punida por ações passadas) mas, às vezes, é outra pessoa (normalmente alguém que já morreu, às vezes de maneira dramática). Em todos os casos, as pessoas conversam e agem de forma diferente da que normalmente fazem.

Portanto, as identidades diferentes são óbvias para as outros indivíduos. Em muitas culturas, estados semelhantes de possessão são uma parte normal da cultura ou religião local e não são considerados um transtorno. Em contrapartida, no transtorno dissociativo de identidade, a identidade alternativa não é desejada, provoca angústia e comprometimento substanciais e surge em horas e locais que são inapropriados para a situação social, cultura e/ou religião da pessoa.
As formas não possessivas tendem a ser menos aparentes aos outros. Os indivíduos podem sentir uma alteração súbita no senso de si próprios, às vezes sentindo como se fossem observados de seu próprio discurso, emoções e ações, em vez de agente.

CONCLUSÃO

Transtornos dissociativos frequentemente se desenvolvem depois de estresses opressivo. Esse estresse pode ser gerado por eventos traumáticos ou conflito interno intolerável. Transtornos dissociativos estão associados a transtornos relacionados a trauma e estresse; (transtorno de estresse agudo e transtorno de estresse pós-traumático), que podem incluir sintomas dissociativos (p. ex., amnésia, flashbacks, entorpecimento, despersonalização/desrealização).

REFERÊNCIAS

Manual MSD para Profissionais – Merck Sharp & Dohme Corp.
Manual MSD – Versão Saúde para a Família – desde 1899.

Artigo publicado em 30 jun 2019 | Este artigo tem 0 Comentário

INTRODUÇÃO

Atualmente, as pessoas têm mais medo de morrer do que no passado. O sujeito da era contemporânea busca incessantemente a fonte da juventude. Estamos vivendo com preocupação exagerada em relação ao envelhecimento – como se envelhecer fosse uma tragédia anunciada! E de pronto, as pessoas compram a fonte da juventude ofertada, inclusive, nas redes sociais. Acreditam com veemência, que se não fizerem os tratamentos anunciados como padrões da juventude pelos profissionais, sobretudo, da beleza estética, se tornaram seres feios, estranhos, repudiados, e não poderão competir junto a “indústria da beleza plástica, com a vida perfeita das mídias sociais”. O pavor de envelhecer soma-se ao medo de acidentes e doenças. É como se o mundo pudesse existir sem essas coisas.

Assim, a ideia de uma vida boa foi substituída pela de uma vida a ser invejada.
Hoje todos falam de sexo com naturalidade, mas ninguém diz nada realmente interessante. Há um diálogo estereotipado. E, apesar de adultos e adolescentes, conviverem com toda essa neurose – os exageros mais nocivos afetam diretamente as crianças, que estão sendo sensualizadas e expostas ao assunto muito cedo. Estamos cada vez mais infelizes e desesperados, com o estilo de vida que levamos.

Vemos, também, a banalização da tristeza provocada pela demanda da vida perfeita, ou seja, qualquer tristeza é chamada de depressão. Há uma epidemia de propagandas com foco na felicidade – ofertadas pelos inúmeros profissionais de coach. As crianças estão vivendo uma vida conectada e, assim, entram na corrida pelo sucesso muito cedo e ficam sem tempo para sonhar.

“No século 14, se as pessoas fossem perguntadas sobre o que queriam da vida, diriam que buscavam a salvação divina. Hoje a resposta é: “ser rico e famoso”. Existe uma espécie de culto que faz com que as pessoas não consigam enxergar o que realmente querem da vida”.

Os pais não conseguem pôr limites ao que a cultura sanciona. Por exemplo: alguns pais e cuidadores procuram fiscalizar a alimentação dos filhos, dizendo que é mais saudável comer verduras do que fast-food, enquanto as propagandas dão a mensagem transversalmente oposta. Na contrapartida da alimentação saudável, vemos muitas pessoas buscando a beleza de corpos esculturais, com dietas perigosas. O mesmo pode ser dito em relação ao comportamento sexual dos adolescentes. Muitos pais procuram argumentar que é necessário ter um comportamento responsável, enquanto a mídia diz que não há limites. Usando jargões, bem como: “Seu corpo, suas regras”.

“Precisamos” instruir as crianças a interpretar a cultura em que vivemos, ensiná-las a ser críticas, mostrar que as propagandas não são ordens e devem ser analisadas.”
“Uma coisa precisa ficar clara de uma vez por todas: embora reclamem, as crianças dependem do controle dos adultos. Quando não têm esse controle, sentem-se completamente poderosas, mas ao mesmo tempo perdidas. Hoje há muitos pais com medo dos próprios filhos”.

CONCLUSÃO

As pessoas não deveriam escolher a profissão, com intuito de enriquecer. A saúde mental e física deveriam ter preços baixos e o serviço, acessível. Ou ainda, a saúde básica não deveria ter custos para a população. A educação deveria ser a primazia maior do mundo, para que pudéssemos evoluir intelectualmente sem ideologias ditatoriais. Deve-se desconfiar de profissionais da saúde que fazem muitas propagandas para divulgar os seus negócios. Vemos uma competitividade acirrada entre profissionais da beleza estética, mas também, da saúde básica. A saúde não pode ser medida pelo padrão consumista, como, por exemplo, “se um produto é caro, então é bom”. As pessoas precisam de um espaço para falar e refletir sobre a própria vida.

REFERÊNCIAS

Autora, Luzziane Soprani
PHILLIPS, Adam – Louco para Ser Normal – C. Editora Zahar, 2005


Artigo publicado em 30 maio 2019 | Este artigo tem 0 Comentário


“Gostaria que houvesse alguém
que, ouvisse minha confissão:
não um padre – não quero que me digam meus pecados;
não minha mãe – não quero causar tristeza;
não uma amiga – não entenderia o bastante;
não um amante – seria parcial demais;
mas alguém que ao mesmo tempo fosse o amigo, o amante, a mãe, o padre.
e ainda um estranho – não julgaria nem interferiria,
e quando tudo já tivesse sido dito desde o início até o fim,
mostraria a razão das coisas,
daria forças para continuar
e para resolver tudo à minha própria maneira” 


Artigo publicado em 30 abr 2019 | Este artigo tem 0 Comentário


INTRODUÇÃO

Mães narcisistas são verdadeiramente perversas. Geralmente, o relacionamento com as filhas são destemperadas, transtornando a vida de suas crias. 
Ocorre que filhas de mães narcisistas faz o possível para agradar a mãe, para se sentir querida e amada, mas todo esse esforço não surte efeito algum, porque não existe reciprocidade. Nada é suficiente para mães narcisistas. Não há carinho, não há empatia, não há compreensão.
As meninas são as vítimas mais frequentes, mas os meninos também podem sofrer do mesmo mal. Na mesma linha, há pais narcisistas também. Entretanto, neste artigo, vamos nos ater as mães narcisistas. 
Não necessariamente, todos os filhos sofrem os maus tratos – normalmente, a mãe elege um dos filhos. Aquele que na sua psique, a intimida mais, bem como sente mais inveja e ciúme.

DO MITO DE NARCISO 

“O narcisismo, conceito psicanalítico cujo nome Freud tomou de empréstimo ao mito grego de Narciso, um jovem de beleza tal que se comparava a um deus. Enamorou-se de sua própria imagem espelhada na superfície de um lago. Por isso, repudiou o amor da ninfa Eco e foi punido com a condenação de apaixonar-se apenas pela sua imagem refletida no rio. Sem alcançar o seu ideal, afogou-se nas águas ao tentar atingir o reflexo. O mito ficou associado, em nossa cultura, à ideia de vaidade que, dentre os sete pecados capitais é o mais grave, pois todos os outros derivariam deste. O narcisismo está vinculada à questão da imagem e esta, por sua vez, à noção de identidade”.

DO CONCEITO POPULAR REFERENTE A MÃE 

Antigamente e ainda hoje, as pessoas acreditavam/acreditam que amor de mãe é único e incondicional, o que não é uma verdade absoluta, pois existem mães que não amam as suas crias. Ainda assim, além de não amar, ainda praticam todos os tipos de atrocidades que se possa imaginar, como lesões corporais e abusos psicológicos. Em muitos casos praticam abusos sexuais.
Mãe narcisista, geralmente, é um ser sufocante, que só sente prazer com o sofrimento da cria. Dos traços de personalidade são: amargas, perversas, arrogantes, rudes hostis etc.

DA PERSONALIDADE X COMPORTAMENTO

Há um prazer enorme no sofrimento de sua cria. Sempre acaba por dar fim na alegria do filho (a). É a melhor narradora, quando se trata de denegrir à imagem da cria. Não sente receio, vergonha ou remorso. 
A narcisista mãe, atribui a cria todo e qualquer defeito: você é burra; não faz nada direito; não sabe se portar, se comunicar; é incompetente; inconsequente!
Ela não poupa desaforos, no intuito de sempre pôr abaixo a cria, chegando, inclusive, a agredir fisicamente, em alguns casos. Ou seja, o filho é um capacho. Poderíamos descrever ainda inúmeras formas de comportamento desse perfil de mãe.

No entanto, as pessoas que não convivem em seu entorno, a vêem como a melhor mãe do mundo. Sempre alegre, dedicada, gentil, cuidadosa, inteligente, articulada. Uma mãe, esposa e dona de casa exemplar. 
Nesse caso, quando o filho, mais precisamente a filha, que são presas mais acessíveis dessas mães – comentam o seu sofrimento com pessoas que conhecem a família, é vista como uma má filha – tendo em vista todas as narrativas já feitas por esse perfil de mãe àqueles que a conhecem e/ou mesmo àqueles que mal conhecem.
As pessoas não acreditam no sofrimento de suas crias, pois ela transmite uma imagem de mãe perfeita na frente dos outros.
O abuso psicológico e físico da cria, pode chegar no limite de não ter como se defender nem com quem falar. 

DOS TRAUMAS X SINTOMAS

Diante de tamanha rejeição de uma mãe perversa – o ser o qual a criança se relaciona diretamente em primeiro lugar na vida. A pessoa que é tida como o sujeito mais importante na vida de um bebê – no caso a mãe narcisista – pode levar a criança a viver um calvário por toda uma vida. Na realidade, essas mães são algozes em vez de cuidadoras. Portanto, sujeitos que passaram por tamanho maus tratos adquirem traumas intensos, marcantes e dolorosos em sua psique – desencadeando assim: baixa autoestima; complexo de inferioridade; ausência total de confiança em si mesma, inclusive, não confiarão em pessoas que virão fazer parte de suas vidas.
Podendo desencadear, por exemplo, transtorno de conversão, ou seja, quando o sujeito afetado, transforma a dor emocional em dor física, apresentando alguns sintomas que em um primeiro momento serão cogitados como doenças orgânicas, mas que não são encontradas comprovações diagnósticas em exames médicos, como: dores de cabeça constantes, insônia, enjôo, dores no coração, dificuldade de respirar, visão ruim, incapacidade de falar, andar e outras.
Nesses casos existe o sintoma, mas não há doença aparente àquela sintomatologia.
Ainda sobre a sintomatologia desencadeada ao longo da vida, podemos citar outros sintomas, como: transtorno de ansiedade generalizada, síndrome do pânico, depressão e transtorno do estresse pós-traumático.

O sujeito evolui ao longo do tempo com todo tipo de consequência dolorosa em sua psique, pois todos os sentimentos referente aos abusos foram reprimidos. E toda repressão dos sentimentos negativos irão repercutir no decorrer da vida, como: infância, adolescência e vida adulta.
Assim, com baixa autoestima e ausência de confiança em si mesma, em momentos pontuais de sua vida, terá dificuldades em tomar decisões, o que levará a procrastinação e/ou recorrerá sempre a opinião alheia – de uma pessoa próxima – antes de tomar alguma decisão considerada importante para si.
Sujeitos reféns de mães narcisistas, provavelmente, irão se relacionar com parceiros inadequados, justamente pelo fato de se contentar com migalhas de afeto e não se ver merecedora de sentimentos sólidos.
Em psicanálise, falamos em compulsão à repetição, quando há repetição de comportamentos vivenciados na infância, geralmente, o comportamento e vivências se repetem, principalmente com parceiros, ou seja, pessoas assim, continuarão submissas a outros caso não consiga ajuda psicoterapeutica.
Vale ressaltar, que filhas de mães narcisistas têm predisposição a comportamentos autodestrutivos, recorrendo, por vezes, às drogas, bebidas e, em casos mais graves, ao suicídio.

CONCLUSÃO

Precisamos entender que a Personalidade Narcisista é um transtorno complexo. Os reféns de mães narcisistas, provavelmente, não encontrarão grandes soluções para reverter a condição de vida de suas genitoras. Ao tomar conhecimento de suas mazelas, é necessário tomar medidas para modificar sua situação e não permanecer mais sendo a vítima. Não será uma jornada fácil, mas é totalmente possível reverter os abusos psicológicos e emocional, bem como a autoestima estilhaçada. Como toda perda e/ou ferida exposta é preciso tempo para uma experiência emocional corretiva.

REFERÊNCIAS

Autora, Luzziane Soprani

ENGELKE, Michele, Filhas De Mães Narcisistas Conhecimento Cura
MATOS, Giorgia, psicanalista, escritora em ciúme patológico