Artigo publicado em 27 fev 2019 | Este artigo tem 0 Comentário


Depressão, euforia

Este artigo aborda, da euforia a melancolia. Tipos de estados diferentes, porém, pode aparecer de forma isolada um sintoma do outro e/ou ambos associados.

A melancolia é um estado de tristeza vaga, de desgosto da vida, de propensão habitual ao pessimismo. É um estado psíquico de depressão sem causa específica que tem por característica a falta de entusiasmo e de predisposição para atividades em geral. Como todos os estados depressivos a melancoliapode e deve ser diagnosticada por psiquiatras e psicólogos para tratamento correto.

Segundo o DSM IV para diagnosticar a melancolia são necessários:

a) Pelo menos um dos dois sintomas: 1- Falta de prazer nas atividades diárias; 2- Desânimo como reação a um estimulo agradável que em geral causaria prazer.

b) Pelo menos três dos seguintes: 1- A falta de prazer e desanimo não estão relacionadas a um fato real que causaria tristeza natural (como no caso da morte de um próximo); 2- A depressão é agravada na parte da manhã; 3-. O despertar é adiantado pelo menos em duas horas em comparação ao usual; 4- Profunda agitação psicomotora ou languidez intensa; 5- Perda de peso significante ou anorexia; 6- Sentimento de culpa constante e inapropriado.

A euforia, ao contrário, é uma sensação de alegria intensa, agitada, exagerada, expansiva, contagiante.

Uma pessoa eufórica é muito ativa e entusiasmada, ficando sempre ansiosa quando nesse estado.

Podemos mudar instantaneamente de uma sensação, normal, de alegria para uma sensação, normal, de tristeza, e vice-versa. Não acontece o mesmo, porém, quando se trata de um estado típico de melancolia para um estado típico de euforia.Da melancolia à euforia há uma grande distância que implica em fatores e fundamentos complexos, muitos dos quais ainda não explicados cientificamente: a natureza da pessoa, sua formação educacional, seu estilo de vida, suas convicções, relacionamentos, etc.Podemos considerar que: tanto a melancolia como a euforia podem afetar o nosso equilíbrio emocional e prejudicar o nosso bem viver; a superação de uma e de outra depende muito da conscientização a respeito do problema, além de um tratamento adequado.

REFERÊNCIAS

Autora, Luzziane Soprani

FERREIRA, Luiz Gonzaga S.  – Melancolia e Euforia 

DEPRESSÃO, MELANCOLIA E MANIA SOB A ÓPTICA PSICANALÍTICA

Artigo publicado em 31 jan 2019 | Este artigo tem 0 Comentário

INTRODUÇÃO

Este artigo aborda o fim da vida humana, bem como o luto, inerente à condição humana. “A morte em nossa cultura simboliza a perda e a dor. Mas em culturas orientais, e mesmo latinas e ancestrais, como no México, a morte é celebrada, ritualizada, apesar de dolorosa. Ela é, simultaneamente, um tempo e espaço caracterizado por demonstrações de solidariedade e carinho, além de reafirmação de laços entre as pessoas e da coletividade. O luto consegue, dessa forma, cumprir seu papel e seu tempo.”

“Não há problema que uma falta de solução não resolva”. Se para tudo houvesse remédio, seria possível traduzir completamente a essência de cada um no outro, num remédio, numa bula que nos decifrasse perfeitamente, numa tecnologia. A posição psicanalítica é de que a vida não tem remédio para a dor psíquica”. (Jorge Forbes). Isto implica dizer que diante a perda daquele que nos afeta de afeto, não há solução de representação material e/ou física. Assim, nos resta vivenciar a dor do luto pelo tempo que for necessário.

O processo de luto está, inegavelmente, presente na dinâmica entre os dois polos da existência humana: a vida e a morte.
O luto é caracterizado como uma perda de um elo significativo entre uma pessoa e seu objeto, no entanto, é um processo mental natural e constante durante a existência humana.
“O luto é o preço que se paga pelo amor”, está frase esclarece muito bem esse processo de dor do ser humano. Essa dor não deve ser negligenciada, ao contrário, ela precisa ser elaborada para que a pessoa possa atravessar o luto, ressignificar e voltar a investir em sua vida.

DO TEMPO: TRISTEZA X DEPRESSÃO

Não é verdade que “tristeza não tem fim”. Não há vida sem tristeza, porque não vivemos sem perder. Aquilo que gostaríamos de guardar perto de nós ou ter sob nosso controle para sempre! Quando perdemos àquele que nos importa somos tomados pela tristeza – entramos no processo de luto, sentimos falta, lamentamos a ausência, ficamos com um vazio, um aperto no coração, uma dor dilacerante que marca no peito.
Não existe um tempo necessário para cumprir o luto. Cada pessoa reage de maneira diversa. A reação ao luto é subjetiva e cada pessoa vai precisar de um tempo diferente para elaborar sua perda. Podemos pensar que há tantos tipos de luto quanto o número de pessoas no planeta. Para o reconhecimento de uma depressão no luto o mais importante é a apresentação psicopatológica, a intensidade dos sintomas e comprometimento da vida pessoal e funcional do enlutado.
Nesse contexto, por se tratar de um evento constante, acaba implicando diretamente no trabalho de profissionais da saúde, tomando-se um conhecimento necessário para o amparo adequado àqueles que sofrem a perda.

O luto é um processo lento e doloroso, que tem como características uma tristeza profunda, afastamento de toda e qualquer atividade que não esteja ligada a pensamentos sobre o objeto perdido, a perda de interesse no mundo externo e a incapacidade de substituição com a adoção de um novo objeto de amor (FREUD, 1915).

O LUTO NA CRIANÇA

O luto na criança pode ser bem diferente. Pode acontecer mudança de comportamento, atitude de oposição, sintomas físicos diversos e fantasias com questões de morte e ideia de abandono, por exemplo. Em hipótese alguma podemos afirmar que a criança atravessa o luto melhor que o adulto, pois isso não é uma verdade absoluta. Geralmente, muito se ouve falar que a criança atravessa mais facilmente o processo de luto em função da idade, e que logo esquecerá, mas isso é um erro grave. As crianças sofrem muito com a perda de um ente querido, muitas vezes silenciadas. A criança enlutada sofre complicações psíquicas com o luto familiar, tornando-se mais intenso quando é de um membro da família, como o pai, a mãe e/ou irmãos. É importante conscientizar o cuidador a relevância de sua mediação para o enfrentamento do luto pela criança. Pois, quando do elo cortado com seu ente querido, há que se observar para não se tornar um adulto melancólico e/ou eufórico, dentre outros sintomas.

CONCLUSÃO

Algumas pessoas reagem melhor que outras, algumas têm um luto muito prolongado, e algumas desenvolvem um luto tardio, desenvolvendo sintomas muito tempo após a perda, e não no início do processo. A dor da despedida inevitavelmente terá que ser vivida durante o processo de luto para que, no decorrer do tempo, a pessoa se reencontre novamente consigo, com a vida e retome a sua história. Mas não podemos esquecer que cada um tem seu tempo.

REFERÊNCIAS

Autora, Luzziane Soprani

FRANCO, José Anibal Torri – A dor do luto não deve ser camuflada, O Globo,
O conceito psicanalítico do luto: uma perspectiva a partir de Freud e Klein – Psicol inf. vol.17 no.17 São Paulo dez. 2013

Artigo publicado em 23 dez 2018 | Este artigo tem 0 Comentário

INTRODUÇÃO

Este artigo, retrata a eterna insatisfação do ser humano. Não há bem que satisfaça a condição humana. Portanto, sabemos que, inegavelmente, as pessoas passarão a vida retroalimentando o que não conseguirão preencher e/ou satisfazer, haja vista todos os dias, gradativamente, estamos envelhecendo e em constante mutação. 

“Lacan dizia que a única coisa da qual se pode ser culpado, pelo menos da perspectiva analítica, é de ter cedido do seu desejo (LACAN, 1991, p. 385). Mas que desejo é esse de que falava Lacan? Será o desejo sexual de que também falava Freud em nossos sonhos, mesmo de maneira camuflada?”

A beleza, por exemplo, está inteiramente ligada à sexualidade. Desde a teoria do recalque, Freud mostra que os humanos não acham belos seus órgãos sexuais, pois a excitação sexual se opõe à finitude e à delimitação da beleza. Por outro lado, sendo a Psicanálise a teoria sobre a sexualidade e o prazer, Freud se viu obrigado a refletir sobre o Belo determinado pelas “qualidades do sentir”, ocupando-se, assim, não apenas com o agradável e prazeroso, mas com o desagradável e aflitivo. Desde o chamado da clínica, Freud se viu levado, como nenhum outro pensador, a confrontar-se com o medo, com a repulsa e com o horror.

DO DESEJO

O desejo e o imediatismo da contemporaneidade, estabelece uma norma de sucesso que inclui o Belo em seu aspecto imediato. A sociedade contemporânea com tecnologias de ponta e tantas outras ofertas – têm a pretensão em evitar: o desprazer, as dores, bem como o desagradável e o repulsivo de envelhecer. Desencadeando uma psicopatologia de “ser proibido envelhecer” – considerado não apenas inútil, como nocivo.

Nessa arte de compor o Belo no qual o corpo aparece cada vez mais insignificante e instável, coloca-se o Belo ao lado do prazeroso – envelhecer, então, é visto como indesejável! – Com as propostas e ofertas midiáticas  pode ser eliminável. Daí os esforços sem medida para modificar os aspectos feios dos corpos e das aparências que vão se modificando ao longo dos anos.

ENVELHERCER DIGNINAMENTE

Envelhecer com dignidade é o mínimo que podemos conceber. Atividades físicas, bem como cuidados com a saúde faz parte de envelhecer saudável. Mas parece que a aparência, e, também, a correção plástica imediata é tão grave e importante para as pessoas como tratar de uma dor de cabeça crônica!

Freud destacou – a teoria das pulsões e a produção do desejo – desse modo, há que se pensar o que são para nós: o Belo, o Feio, o Sublime, mas também o Caricato e, especialmente, a Repulsa.

DA PSICANÁLISE

Os psicanalistas podem ajudar o analisando a encontrar a causa dos seus sintomas, que, causam repulsa, ódio, mágoas, dentre tantos outros sentimentos que os pune. Assim, podemos compreender que o sujeito que passa pelo processo de análise – adentra os meandros da sua psique – desse modo, passam a ter ciência do seu eu subjetivo, que causam os conflitos inconscientes. Entretanto, não existe cura para todas as mazelas humanas, mas no processo de análise as pessoas têm uma experiência emocional corretiva – o que os leva a compreender as suas dores e ressignificá-las.

Em uma sociedade, que se experimenta cortar e eliminar imediatamente o que não é prazeroso de se ver, quando se coloca a aparência à frente da essência – para que se possa acompanhar, sobretudo, a mídia contemporânea – cheias de técnicas e imediatismos – tem que se situar também diante do que é instável, repulsivo e inútil. Assim, o prazer de ser Belo e das aparências, rodeiam-nos, incansavelmente, as sombras que constituem o mal-estar dos humanos.

DO EROTISMO – “ERÓTICA É A ALMA”

“Todos vamos envelhecer… Querendo ou não, iremos todos envelhecer. As pernas irão pesar, a coluna doer, o colesterol aumentar. A imagem no espelho irá se alterar gradativamente e perderemos estatura, lábios e cabelos. A boa notícia é que a alma pode permanecer com o humor dos dez, o viço dos vinte e o erotismo dos trinta anos. O segredo não é reformar por fora. É, acima de tudo, renovar a mobília interior: tirar o pó, dar brilho, trocar o estofado, abrir as janelas, arejar o ambiente. Porque o tempo, invariavelmente, irá corroer o exterior. E, quando ocorrer, o alicerce precisa estar forte para suportar. Erótica é a alma que se diverte, que se perdoa, que ri de si mesma e faz as pazes com sua história. Que usa a espontaneidade pra ser sensual, que se despe de preconceitos, intolerâncias, desafetos. Erótica é a alma que aceita a passagem do tempo com leveza e conserva o bom humor apesar dos vincos em torno dos olhos e o código de barras acima dos lábios. Erótica é a alma que não esconde seus defeitos, que não se culpa pela passagem do tempo. Erótica é a alma que aceita suas dores, atravessa seu deserto e ama sem pudores. Aprenda: bisturi algum vai dar conta do buraco de uma alma negligenciada anos a fio”

CONCLUSÃO

Em suma, para além da dimensão inconsciente de nosso desejo que não nos tira a responsabilidade dele, a questão que nos coloca Lacan, “Agiste conforme teu desejo?”, também nos coloca diante da responsabilidade pelo mal estar que advém da falta e/ou incompletude, a qual nenhum, bem, posse, ou realização humana será capaz de eliminar, pois é a partir dela mesma que nos tornamos humanos.

REFERÊNCIAS

Autora Luzziane Soprani 

Este artigo se trata de uma releitura do artigo publicado em 28 de outubro de 2013, com o tema: O Desejo e a Incompletude no Belo

Citação do livro (“Erótica é a Alma”) de Adélia Prado


Artigo publicado em 30 nov 2018 | Este artigo tem 1 Comentário

INTRODUÇÃO:

“Aristofanes nos conta que nossa antiga natureza não era tal como a conhecemos hoje e sim diversa. Os seres humanos encontravam-se divididos em três gêneros e não apenas dois – macho e fêmea – como agora. Havia um terceiro gênero que possuía ambas as características e que era dotado de uma terrível força e resistência e, além disso, de uma imensa ambição; tanto que começaram a conspirar contra os deuses. Zeus e as demais divindades viram-se então tendo que tomar providências para sanar tal insubordinação; tinham a alternativa de extinguir a espécie com um raio, como haviam feito com os gigantes, porém perderiam também as homenagens e os sacrifícios que lhes advinham dos humanos. Por outro lado permitir tal insolência por mais tempo era impensável. Resolveu-se então parti-los ao meio, desse modo não só se enfraqueceriam como também aumentariam de número. Assim foi que até hoje, divididos como estamos, que cada um infatigavelmente procura a sua outra metade”.

DA CARA METADA

“Fizeram-nos acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta. Nós crescemos através de nós mesmos, se estivermos em boa companhia, é mais agradável. Mas o contentamento da vida vem de dentro. Se não formos felizes por si mesmos, jamais iremos fazer o outro feliz. Atraímos pessoas boas, quando estamos de bem conosco! 
Pessoas bem resolvidas sabem o que querem para si. E conseguem sentir e enxergar os corações das pessoas”.

DOS RELACIONAMENTOS INFELIZES X COMODISMO X DECISÕES

Desta primícia, é comum encontrar pessoas infelizes nos relacionamentos. E quando estão em um relacionamento ruim, não se separam por medo de estar sozinhas. Em outras palavras: quer dizer estar na companhia de si mesmas.

Alguém pode ter medo de se separar, porque imagina que será esquecido, abandonado, desprotegido. Indivíduos amedrontados por temer a solidão, não se veem como provedores do necessário para o próprio bem-estar.
Faltam-lhes disposição, impulsos e habilidades, para construir o que os faz feliz. Por esta razão é que confiam mais nos outros (“a cara metade”) do que em si mesmos.

Tudo indica que indivíduos assim, se acomodam esperando sempre que o outro faça o que acha ser correto, ou seja, são incapazes de tomar decisões, passando sempre o poder de decisões ao companheiro. Por isso, são indivíduos que passaram a maior parte da vida respondendo às expectativas do outro. Onde poderiam correr os riscos necessários para realizar os próprios desejos e pensamentos. Muito embora, esses indivíduos: pensam e falam em separ-se muitas vezes ao longo da sua rotina infeliz, mas não tomam uma atitude, porque temem a solidão como se temesse à morte. Eis que surge a pergunta: “Que tipo de companhia essa pessoa quer para si, que acaba por opção, compartilhando à vida com alguém que a faz infeliz?”

Geralmente, quando esses indivíduos acordam, o tempo útil da vida, já passou – e acabam tendo a sensação de ter vivido uma vida que nunca foi genuinamente sua. Desse modo, se torna uma pessoa ineficiente, e nesse lema, pode levar a sua metade a perder a admiração por si – tomando a decisão de dar um basta na relação fragmentada definitivamente. Muito embora, em relações desse nível um enfraquece o outro, mas como todo relacionamento baseado na dependência – quando esses casais estão juntos, se sentem seguros e encorajados para enfrentar os imprevistos da vida. Existe nessas relações um conluio inconsciente. Assim, entende-se o temor que alguns sentem em pensar em divórcio e/ou separação.

CONCLUSÃO

A saída é o autoconhecimento, é fortalecer-se, é procurar por ajuda para desenvolver a parte de si que ficou latente nas fases regressas. Só assim a vida a dois, deixará de ser obrigação e cobranças – feitas por si, e pelo o que os outros irão pensar. Porque a cobrança muitas vezes pelo convívio simbiótico com o parceiro leva o indivíduo à arrastar eternamente uma relação infeliz. Enfim, é preciso perder para sentir a turbulência de viver um vazio necessário – para que a vida compartilhada com quem se encontrar depois deixe de ser obrigação, para tornar-se uma escolha por prazer.

Autora: Luzziane Soprani