Artigo publicado em 20 nov 2017 | Este artigo tem 0 Comentário

INTRODUÇÃO:

O presente artigo tem por objetivo discorrer sobre os mecanismos de defesa, que, ficarão restritos a dois tipos clínicos: Projeção e Sombra. Falaremos de forma concisa, porém, didática e elucidativa para o entendimento do leitor.

“Algumas pessoas irão te amar e não será porque você é engraçado, será porque eles precisam rir. Algumas pessoas vão te odiar e não será porque você é arrogante, será porque você se parece com os pais delas. As pessoas não odeiam você por quem você é, elas ODEIAM a parte delas que VOCÊ REFLETE. As pessoas vão te amar, as pessoas vão te odiar, e nada disso terá nada a ver com você!” Charlotte de Abraham Hicks.

PROJEÇÃO:

A projeção é um mecanismo de defesa da psique que o sujeito “projeta” seus próprios pensamentos, desejos e sentimentos indesejáveis no outro. Para a psicanálise, trata-se de um mecanismo de defesa muito comum que todas as pessoas utilizam em certa medida.

Para entender o mecanismo de projeção, podemos considerar que determinado sujeito tenha pensamentos de infidelidade durante um relacionamento. Não conseguindo lidar com tais pensamentos indesejáveis de forma consciente, o sujeito os projeta de forma inconsciente no outro – a partir disso, passa a considerar que o outro é quem tem pensamentos de infidelidade ou, até mesmo, que o outro tenha outro parceiro (a). Nesse aspecto, podemos afirmar que a projeção psicológica está relacionada com aquilo que o sujeito recusa em si mesmo, que é o único mecanismo de defesa mais primitivo que a própria projeção. Como todos os mecanismos de defesa, a projeção psicológica fornece uma função para que o sujeito possa proteger sua mente consciente de um sentimento que, de outra forma, seria repugnante.
A partir deste exemplo podemos considerar que PROJEÇÃO são formas em que o EGO continua a dissimular que está no controle em todos os momentos, quando, na verdade, se trata da experiência humana de transferir modos de agir e/ou motivos instintivos e emocionais, com os quais o “eu” não concorda, mas encontra espaço para liberar sua “culpa,” projetando aquilo que abomina em si no outro.

Portanto, “Quando Pedro fala de Paulo eu sei mais de Pedro do que de Paulo”. Sigmund Freud

SOMBRA:

Encontramos nos escritos de Carl Gustav Jung, as melhores definições do mecanismo de defesa denominado sombra. “A sombra é aquilo que o sujeito não tem desejo de ser”. Esta afirmação traduz as repetidas referências à sombra como o lado negativo da personalidade – a soma de todas as qualidades desagradáveis que o sujeito quer esconder, o lado oculto, sem valor, e primitivo da natureza do homem. Seria o outro lado do sujeito, porém, seu próprio lado obscuro. É nítido nos escritos de Jung, a consciência da realidade do mal na vida humana.
Enfatizou que todos nós temos uma sombra, que toda coisa substancial emite uma sombra. O ego, então, está para a sombra como a luz para a penumbra, que é a sombra que nos faz humanos.

Todos nós, segundo Jung, carregamos uma sombra, e quanto menos ela está incorporada na vida consciente do sujeito, mais obscura e densa ela é. Se uma inferioridade é consciente, sempre se tem uma oportunidade de corrigi-la. Além do mais, ela está constantemente em contato com outros interesses, de modo que está continuamente sujeita a modificações. Porém, se é reprimida e isolada da consciência, nunca poderá ser corrigida, e pode irromper subitamente em um momento de inconsciência. De qualquer modo, forma um obstáculo inconsciente, impedindo nossos mais bem-intencionados propósitos.

A SOMBRA: refere-se à parte do EGO mais sombrio. A parte animalesca da personalidade humana. Para Jung, esse arquétipo foi herdado das formas inferiores de vida através da longa evolução que levou ao ser humano. A SOMBRA contém todas àquelas atividades e desejos que podem ser considerados imorais e violentos, aquilo que a sociedade não pode aceitar.

Em suma: a SOMBRA é o lado obscuro da pessoa e que ela procura ocultar.
Aquilo que denominamos sombra, é o lado que ninguém ou a maioria das pessoas nunca querem evidenciar. Exemplos têm inúmeros, mas podemos citar o caso da política atual no Brasil, com inúmeros casos de desfalques e enriquecimentos ilícitos. Procurados, nenhum dos acusados querem dar a verdadeira versão dos fatos, salve quando se encontram sob pressão e prisão.

“Conhecer sua própria escuridão é o melhor método de lidar com a escuridão dos outros”. Carl Gustav Jung

CONCLUSÃO:

A partir desta discussão, não podemos negar que a nossa psique é entrelaçada desde nossa geração intrauterina, educação que nos é dada pela família e/ou instituição, e por fim, a nossa essência que está entrelaçada em toda a nossa formação enquanto sujeitos, que é parte integrante da nossa natureza e nunca pode ser simplesmente eliminada.
Sendo assim, conhecer a sombra é essencial para que ela não seja projetada nos outros.

 

REFERÊNCIAS:

Conhecimentos científicos da autora: Luzziane Soprani

Arquétipo, Sombra e Projeção (Beth Sartore)

 

Artigo publicado em 24 out 2017 | Este artigo tem 2 Comentários

Do interior de um território, só conhecemos mesmo nossas próprias fronteiras”. Jacques Lacan

INTRODUÇÃO:

Iniciamos este artigo abordando o fim da relação que leva alguns indivíduos à perversão do amor, seja ele de natureza conjugal ou parental. Se o individuo precisa ser amado para “ser”, a falta de amor do parceiro e o rompimento da relação provocam reações de intensa carga destrutiva. Vemos, por exemplo, crimes passionais e em processos tramitando em Varas de Família que ilustra o “enlouquecimento” diante da perda do amor.

O amor não sobrevive quando somente um dos parceiros quer continuar a relação. No início de um relacionamento amoroso, é comum que as qualidades dos parceiros sejam semelhantes, e o que não for: há quem acredite poder modificar, as características que pareçam indesejáveis.

DA SEPARAÇÃO:

A separação sempre deixa estigmas e questionamentos, para quem não aceita o fim da relação. Há uma expectativa do que pode vir após a separação. Uma das partes terá que deixar a zona de conforto, quando não há o consentimento. Quem não aceita a separação tem maior dificuldade em lidar com a cisão. Para algumas pessoas há, inclusive, “perda da identidade”, que por algum tempo, passou a ser uma identidade unificada – que surgiu a partir do momento que ambos fizeram projetos de vida juntos. Por mais intenso, que seja o sentimento pelo o parceiro, o amor que cada um sustenta dentro de si deve sobrepôr as barreiras da desilusão. A autoestima intensa é o oxigênio que não deve se escassear. Vale lembrar a canção de Paulinho Moska: “Tudo o Que Acontece de Ruim É Para melhorar!” Muito embora, estamos sempre tendo a oportunidade de melhorar, pois somos seres em mutação constante. Por mais que tentamos resistir às mudanças inerentes à vida, não conseguimos frear o ciclo da vida. E dentro dessa “máxima”, que se é capaz de buscar respostas para continuar a caminhada.

“A separação conjugal provoca um desequilíbrio de energia em nosso psiquismo onde toda a libido que era direcionada ao objeto amoroso deverá ser redirecionada a um novo destino.” (NAZIO, citado por FERREIRA, 2010). No entanto, o rompimento de uma relação é impulsionado e vivido de maneiras diferentes em cada indivíduo, posto que somos seres singulares, podendo cada um vivenciar, com maior ou menor grau de intensidade o fim da relação.

Para alguns, mesmo percebendo que o amor já se dissipou, que o ex-parceiro quer construir uma nova história, escolhe manter o relacionamento na “vitrine” como penhora de que esse script poderá ser transmutado.

“Em muitos casos, somente no momento em que perdemos esse objeto amoroso ou somos ameaçados de perdê-lo é que nos é “revelado”, de maneira bastante dolorosa, a intensidade dessa ligação”.(FERREIRA, 2010).

Entretanto, ficar negando a realidade só fará sofrer aquele que não aceita o fim do relacionamento. Ficar na ilusão de que algo poderá mudar, só trarão mais desafetos e mágoas sobre o ex-parceiro. O que fazer, então, diante do fim, que o outro impôs?

Busque examinar o que o amarra a um amor que não existe mais. Em muitos casos o indivíduo se vê como um refugo – não acredita ser capaz de refazer a sua história, como se aquele relacionamento fosse alfa e ômega.

DA PERDA, A CULPA E O LUTO:

“Os sujeitos são acometidos por perdas das mais variáveis, difíceis de metabolizar: perdas econômicas, de estabilidade, segurança. Tendo que lidar com a dissolução de vínculos e investimentos feitos no ex-parceiro.” (MATIOLI, 2011). “Podendo — ou não — serem acompanhadas de sentimentos de abandono, culpa, desamparo, falha, fracasso, frustração, impotência, remorso, solidão, entre outros.” (LOSSO, citado por MATIOLI, 2011).

A culpa é como uma ferida narcísica que fica exposta (“ad eternum”) eternamente. É preciso compreender que uma relação não acaba por causa de um só, mas é no espaço entre os dois que se incorporam as diferenças com que uma das partes não queira mais seguir no mesmo caminho. A partir daí surge na consciência, que a história, a parceria, o desejo, e as mesmas visões e projetos que ambos tinham antes acabou, mesmo que seja apenas para uma das partes – resta à outra conviver com a realidade e buscar se reinventar.

Quando um casal se separa, diferentes emoções de intensidades diversas atingem ambos os cônjuges. Lemaire (2005) “constata que alguns sujeitos buscam desesperadamente manter o modelo fusional presente nas etapas precoces da vida em cada relação amorosa que estabelecem e ficam incapacitados de fazer um trabalho de luto após seu rompimento. Quando isto ocorre, vivem a dor de uma ferida narcísica e colocam em questão sua capacidade de ser amado, duvidando de seu próprio valor. O ressentimento e o ódio pela perda das ilusões depositadas no casamento ou no parceiro provocam um desejo de aniquilar o outro”.

Inevitavelmente passamos por muitas fases de luto na vida e, na melhor das hipóteses, esse processo de separação pode representar um convite para nos repensarmos amplamente, reinvestirmos nossa energia e olharmos de forma diferente para nós mesmos.

CONCLUSÃO:

“A capacidade de reparação depende, segundo Cleavely (1994), da maturidade dos sujeitos e de sua possibilidade de separar os conflitos relativos a seus mundos internos dos conflitos decorrentes de experiências compartilhadas. Neste sentido, a ruptura da relação poderá gerar soluções criativas em lugar de intensificar movimentos destrutivos.” É necessário trabalhar a ferida narcísica da culpa, do ódio, da desilusão e do desejo de aniquilar o outro, para que, inevitavelmente, o indivíduo volte a evoluir em uma caminhada sábia e saudável para si.

Por fim, quando o amor acaba de nada adiantará ficar em busca de uma solução. É preciso tomar consciência que para ser feliz não se pode depender do outro. Entender que insistir em prorrogar um relacionamento que já acabou só lhe transportará a mais desgastes.
É como a canção de Paulo Vanzolini: “Levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima”. O amor nem na poesia rima com migalhas.

 

REFERÊNCIAS:

Tempo Psicanalítico – versão impressa ISSN 0101-4838 – Tempo psicanal. Vol.43 no. 1 Rio de Janeiro jun. 2011

Aulagnier, P. (1990). Observações sobre a feminilidade e suas transformações. In: Clavreuil, J. (org.). O desejo e a perversão (pp. 67-111). São Paulo: Papirus.

NAZIO, J. D. DA DOR E DO AMOR – Tradução Lucy Magalhães

BOTTOLI, C. , ANTONIAZZI, M. P., DENARDI, A. T. e SILVA, L. M. (2012). Separação conjugal: suas implicações e os desafios para psicologia. 5º Interfaces no fazer psicológico: direitos humanos, diversidade e diferença. Psicologia Unifra. pp.01-10.

FERREIRA, E. P. (2010).A separação amorosa: uma abordagem psicanalítica.Psicanálise & Barroco em revista v.8, n.1, jul. pp. 56-97.

 

Artigo publicado em 28 set 2017 | Este artigo tem 0 Comentário

 

“A angústia surge do momento em que o sujeito está suspenso entre um tempo em que ele não sabe mais onde está, em direção a um tempo onde ele será alguma coisa na qual jamais se poderá reencontrar”. Jacques Lacan

O presente artigo apresenta o conceito de compulsão e busca abordar as manifestações de obsessão, compulsão, fobia e pânico enquanto categorias diagnósticas. Indica que a psicanálise e a psicoterapia psicanalítica são abordagens terapêuticas eficazes nessas categorias diagnósticas.

INTRODUÇÃO

Considerando que o artigo tem como tema a compulsão, iniciaremos abordando referido termo para, depois, desenvolver as especificidades propostas para o presente estudo.
Deve-se ter em conta a definição de compulsão como o tipo de comportamento que o indivíduo é levado a realizar por uma coação interna. Um pensamento obsessivo, uma ação, uma operação defensiva, mesmo uma sequência complexa de comportamentos, são qualificados de compulsivos quando a sua não realização acarreta aumento de angústia. (Laplanche & Pontalis, 1983).
Três termos traduzem a complexa noção freudiana de Zwang: a compulsão, para sublinhar a sua origem interior; o constrangimento, para especificar o seu efeito mais imediato; e a obsessão, para descrever uma de suas consequências mais sintomáticas na vida do sujeito.
Freud refere-se à ocorrência de atos compulsivos em dois tempos, sendo o primeiro anulado pelo segundo, e destaca a característica ambivalente presente nesses atos marcados, simultaneamente, por um constrangimento interior e uma luta contra esses impulsos (Freud, 1909/1962).
Após essa breve introdução do termo compulsão, devemos abordar especificamente a obsessão, a compulsão, a fobia e o pânico, que estão presentes no título deste texto. Entretanto, retomo essas noções enquanto categorias diagnósticas, iniciando pelo transtorno do pânico, depois passando aos transtornos fóbicos e finalizando com o transtorno obsessivocompulsivo.

DAS FOBIAS

Entre os transtornos de ansiedade, as fobias são os mais comuns. Elas são divididas em três categorias: 1) agorafobia sem história de transtorno de pânico, 2) fobia específica e 3) fobia social (DSM-IV-TR, 2002).
A compreensão psicanalítica das fobias ilustra o mecanismo neurótico da formação do sintoma. Quando pensamentos sexuais e agressivos proibidos, que podem levar à punição retaliadora, ameaçam emergir do inconsciente, a ansiedade sinal é ativada e leva ao desenvolvimento de três mecanismos de defesa: deslocamento, projeção e evitação (Nemiah, 1981). Tais defesas eliminam a ansiedade, reprimindo, mais uma vez, o desejo proibido. N o entanto, a ansiedade é controlada ao custo da produção da neurose fóbica.

Números exatos sobre fobia social são difíceis de serem determinados pelo fato de o diagnóstico ser frequentemente aplicado a padrões interpessoais gerais de vergonha e evitação do sexo oposto pelo medo da rejeição. O continuum varia de fobia social, em um extremo, a um estilo caracterológico generalizado de se relacionar, conhecido como transtorno da personalidade evitativa, no outro.
Os estressores como humilhação e crítica por parte de irmãos mais velhos, discussões entre os pais e morte ou separação de um dos pais provavelmente estão entre os principais fatores ambientais que contribuem para o desenvolvimento futuro de fobias. Uma interpretação possível é que as crianças com inibição que prosseguem e desenvolvem transtornos de ansiedade manifestos são aquelas expostas a pais com maior ansiedade, que podem transmitir para elas que o mundo é um lugar perigoso. Além disso, a crítica materna, em particular, parece mediar a relação entre transtorno de ansiedade da mãe e manifestação de inibição da criança, levando ao risco de psicopatologia (Hirshfeld, Biederman, Brody, Faraone & Rosenbaum, 1997).

A fobia social é uma condição com alta taxa de comorbidade. Os pesquisadores demonstraram que, na ausência de comorbidade, a fobia social é raramente tratada por profissionais de saúde mental.
O trabalho clínico com pacientes fóbicos revela que certas relações objetais características estão presentes. Os pacientes possuem representações internalizadas dos pais ou daqueles que exerceram tais papéis ou, ainda, dos irmãos, por quem são criticados, ridicularizados, humilhados, abandonados e constrangidos (Gabbard, 1992). Essas introjeções são estabelecidas cedo na vida e, repentinamente, são projetadas em pessoas do ambiente, que passam a ser evitadas.

Devido às altas taxas de comorbidade do transtorno, a fobia social pode ser identificada quando um paciente busca tratamento por outro problema. O embaraço e a vergonha são os estados afetivos principais. O psicanalista e o psicoterapeuta que se sintonizam com tais afetos podem ter melhor oportunidade de, nas primeiras entrevistas com o paciente, formar uma aliança terapêutica. Explorar as fantasias de como o psicanalista ou psicoterapeuta e outros podem reagir a eles também ajuda os pacientes a começar a perceber que o que acham que os outros sentem em relação a eles pode ser diferente de como os outros, na realidade, sentem-se em relação a eles. A resistência ao tratamento deve ser manejada de forma efetiva, pois sem tratamento os pacientes com frequência evitam a escola ou o trabalho e muitos terminam em benefício social ou incapacidade (Schneier, Johnson, Homig, Liebowitz & Weissman, 1992).

As relações interpessoais dos pacientes com fobias beneficiam-se de uma abordagem psicanalítica. Por estarem presos em casa, indivíduos com grave agorafobia, em geral, necessitam de cuidados de outra pessoa significativa, como um cônjuge ou um dos pais. A avaliação adequada e o tratamento das fobias devem incluir uma avaliação cuidadosa de como a fobia se adapta à rede de relacionamentos do paciente.

(Artigo em construção)

Artigo publicado em 29 ago 2017 | Este artigo tem 3 Comentários


“Cada pessoa é um abismo. Dá vertigem olhar dentro delas”. Sigmund Freud

O presente artigo tem por objetivo discorrer sobre o Transtorno de Personalidade Histriônica. Citaremos outros transtornos que estão no mesmo grupo, portanto, enfocaremos o TPH.

Transtorno de Personalidade Histriônica (TPH) é definido pela Associação Americana de Psiquiatria como um transtorno de personalidade caracterizado por um padrão de emocionalidade excessiva e necessidade de chamar atenção para si mesmo, incluindo a procura de aprovação e comportamento inapropriadamente sedutor, normalmente é desencadeado a partir do início da idade adulta. 
Podem ser também inapropriadamente provocativos sexualmente, expressarem emoções de uma forma impressionável e facilmente influenciadas por outros. O TPH é uma desordem de personalidade – incluída no grupo B “dramáticos, imprevisíveis ou irregulares”. Ou seja, dos transtornos classificados no grupo B estão: Borderline, Histriônica, Antissocial e Narcisista. Entre as principais características relacionadas estão egocentrismo, desorganização egoíca, autoindulgência, anseio contínuo por admiração, comportamento persistente, manipulativos, necessidades para suprir suas próprias dramatizações exageradas, sedutoras, flertadoras, alternando seus estados entre entusiástico e pessimista, com tendência a controlar pessoas e circunstâncias para conseguirem o que querem – manipuladores. [1] É um distúrbio de personalidade que pode ocorrer concomitante ao Transtorno de Personalidade Limítrofe (Borderline) e, por isso, compartilham várias características em comum. Entretanto, histriônicos têm probabilidade maior em adquirir depressão em relação à maioria das pessoas. Vale ressaltar que embora o histriônico e o borderline tenham traços similares esses são transtornos diferentes. Uma das divergências entre borderline e histriônico: o Transtorno de Personalidade Borderline (Limítrofe) tende a automutilação – uma agressão contra si mesmo – o que, não ocorre no Transtorno de Personalidade Histriônica.

DOS TRAÇOS MARCANTES:

O indivíduo com transtorno histriônico tem como traço básico da personalidade uma desadaptação às possibilidades existenciais normais, reagindo com exagero, com teatralização para o outro e para si. As vivências do TPH são sempre teatrais.

Dessa forma, o TPH tem grande imaturidade emocional. Esses indivíduos crescem fisicamente, mas por algum motivo, deixam de crescer emocionalmente e se estacionam nessa imaturidade, como se emocionalmente fossem eternas crianças. Contudo, diferente da imaturidade emocional causada por uma “superproteção” que pode ser revertida, nos transtornos de personalidade, onde essa característica imatura está presente (histriônica, borderline, narcisista e antissocial), é muito difícil de ser amadurecida, exatamente porque os traços e modo de viver desses indivíduos são muito inflexíveis e desajustados, causando evidentes prejuízos e caracterizando, assim, um distúrbio de personalidade. Indivíduos dessa natureza podem chegar aos 15, 20, 30 anos, e, mesmo assim, continuam imaturos afetivamente. A idade emocional não é proporcional a idade cronológica

As características mais evidentes de imaturidade emocional encontrada em histriônicos podem ser a impaciência, imediatismo, inconstância, instabilidade emocional, atitudes infantis, impulsividade, baixa tolerância à rotina e monotonia. Assim, deixam-se levar facilmente pelas emoções: intuição, vaidade, ciúmes, necessidade constante de atenção, bem como hedonismo, intolerância às frustrações, decepções, devaneios românticos, relacionamentos superficiais – hipersensíveis, sentem-se facilmente feridos emocionalmente, com tendência a acreditar que todos querem o seu mal. Necessitam de atenção e são indivíduos com emoções à flor da pele, frequentemente, desencadeado por coisas de pouca relevância.

DOS RELACIONAMENTOS:

Nos relacionamentos são mais dramáticos, há mais ciúme, mais inveja, mais mágoa, mais atração, mais sedução. Seus sintomas são mais exuberantes, suas queixas mais contundentes, sua sensibilidade mais exaltada.

O perfil histriônico é teatral e construído para se relacionar com a vida, não é conscientemente determinado, embora tenha certa intencionalidade. Quando o histriônico questiona sobre a origem de seus sintomas perguntando: “Você acha que eu quero estar doente?” Pois, vale lembrar que as atitudes histriônicas são involuntárias e intencionais, ou seja, a pessoa não opta para agir e sentir a vida histrionicamente, isso vem de sua personalidade, no entanto, pode haver um propósito e/ou objetivo inconsciente para sua teatralidade.

DA MATERNIDADE:

Se for mãe, normalmente, tende a ser negligente e impaciente com os filhos. Costuma ser competitiva, especialmente com a filha mulher e até tentando se vestir de forma jovial (não que seja uma regra). Com alguma frequência tem uma relação conturbada com os filhos por não ter um senso de praticidade ou moralidade estável.

DA SEXUALIDADE HISTRIÔNICA:

Sexualmente, a personalidade histriônica determina um comportamento sedutor, provocante, com tendência a erotizar mesmo nas relações não sexuais do dia-a-dia. As fantasias sexuais com aqueles pelas quais estão envolvidos são comuns e, embora seja volúvel, o arremate final do jogo sexual costuma não ser satisfatório. Essa característica de desempenho sexual problemático faz com que indivíduos histriônicos sejam considerados pseudo-hiper-sexualizados.

Ainda com relação ao comportamento: pode-se descrever o indivíduo histriônico com tendências para ludibriar o outro. O transtorno histriônico de personalidade é caracterizado por um comportamento fantasioso, colorido, dramático, extrovertido e sempre exuberante. Como já mencionado acima está classificado no 2º. grupo dos transtornos de personalidade, onde estão os casos que apresentam comportamento com tendência à dramaticidade, apelação e emoções que se expressam intensamente. Tendem a exagerar seus pensamentos e sentimentos, apresentam acessos de mau humor, lágrimas e acusações sempre que percebem não ser o centro das atenções, quando não recebem elogios e aprovações. Por outro lado, frequentemente são indivíduos animados e dramáticos, tendem a chamar as atenções e podem de início, devido ao seu entusiasmo, encantar aqueles que os conhecem superficialmente. Personalidade Histriônica é sinônimo de Personalidade Histérica e para tanto, o TPH busca atrair os holofotes, necessitando representar sempre um papel interessante, mesmo que isso custe o mal estar de outras pessoas, mesmo que essas pessoas sejam entes queridos. Quando não chama atenção pela doença, o faz através do papel de mártir, de sofredor. A representação teatral como vítimas, menosprezadas, inocentes, enfim, esse papel de “o grande sofredor desinteressado” tem o nome de messianismo.

DA APARÊNCIA FÍSICA:

Preocupados excessivamente com a estética; são vaidosos extremos, geralmente exibem aparência diferente, extravagante, gastam muito tempo e dinheiro com produtos de beleza, bem como maquiagem, acessórios, roupas dentre outros. Podem exibir uma aparência ou comportamento provocante, se vestir de maneira inapropriada, usar roupas ousadas para o trabalho. Obcecado pela beleza e perfeição física, tornando-se fúteis.

DAS REDES SOCIAIS:

O comportamento histriônico nas redes sociais é apelativo e bem visível. Exemplos são vastos: mulheres que postam com frequência suas roupas novas, sapatos, bolsas, jóias, unhas, etc. (Muitas vezes se comparando com pessoas públicas, uma vez que as redes sociais dão as pessoas essa notoriedade). Geralmente, são extremamente exigentes com o corpo. Necessidade excessiva em mostrar-se feliz e perfeita. Mas isso não acontece somente com as mulheres, haja vista a quantidade de homens com os mesmos sintomas, inclusive expondo seus corpos sarados.

CONCLUSÃO:

O marco TPH é tentar controlar o outro através da manipulação emocional e/ou sedução. Por serem extremamente ciumentos, após algum tempo de convivência, o histriônico tende afastar os amigos com as exigências constantes. Todavia, o tratamento para o Transtorno de Personalidade Histriônica deve ser acompanhado com psiquiatra aliado a psicoterapia.

 

REFERÊNCIAS:

KAPLAN, HI, SADOCK, BJ & GREBB, JA – Compêndio de Psiquiatria: Ciências Comportamentais e Psiquiatria Clínica. 6 a ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.
Personalidade Histriônica – Maria Almeida, com nome literário de Mariah Ferry
Sedutor e superficial – Transtorno de personalidade histriônica – Frederico Mattos

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