Artigo publicado em 31 jan 2019 | Este artigo tem 1 Comentário

INTRODUÇÃO

Este artigo aborda o fim da vida humana, bem como o luto, inerente à condição humana. “A morte em nossa cultura simboliza a perda e a dor. Mas em culturas orientais, e mesmo latinas e ancestrais, como no México, a morte é celebrada, ritualizada, apesar de dolorosa. Ela é, simultaneamente, um tempo e espaço caracterizado por demonstrações de solidariedade e carinho, além de reafirmação de laços entre as pessoas e da coletividade. O luto consegue, dessa forma, cumprir seu papel e seu tempo.”

“Não há problema que uma falta de solução não resolva”. Se para tudo houvesse remédio, seria possível traduzir completamente a essência de cada um no outro, num remédio, numa bula que nos decifrasse perfeitamente, numa tecnologia. A posição psicanalítica é de que a vida não tem remédio para a dor psíquica”. (Jorge Forbes). Isto implica dizer que diante a perda daquele que nos afeta de afeto, não há solução de representação material e/ou física. Assim, nos resta vivenciar a dor do luto pelo tempo que for necessário.

O processo de luto está, inegavelmente, presente na dinâmica entre os dois polos da existência humana: a vida e a morte.
O luto é caracterizado como uma perda de um elo significativo entre uma pessoa e seu objeto, no entanto, é um processo mental natural e constante durante a existência humana.
“O luto é o preço que se paga pelo amor”, está frase esclarece muito bem esse processo de dor do ser humano. Essa dor não deve ser negligenciada, ao contrário, ela precisa ser elaborada para que a pessoa possa atravessar o luto, ressignificar e voltar a investir em sua vida.

DO TEMPO: TRISTEZA X DEPRESSÃO

Não é verdade que “tristeza não tem fim”. Não há vida sem tristeza, porque não vivemos sem perder. Aquilo que gostaríamos de guardar perto de nós ou ter sob nosso controle para sempre! Quando perdemos àquele que nos importa somos tomados pela tristeza – entramos no processo de luto, sentimos falta, lamentamos a ausência, ficamos com um vazio, um aperto no coração, uma dor dilacerante que marca no peito.
Não existe um tempo necessário para cumprir o luto. Cada pessoa reage de maneira diversa. A reação ao luto é subjetiva e cada pessoa vai precisar de um tempo diferente para elaborar sua perda. Podemos pensar que há tantos tipos de luto quanto o número de pessoas no planeta. Para o reconhecimento de uma depressão no luto o mais importante é a apresentação psicopatológica, a intensidade dos sintomas e comprometimento da vida pessoal e funcional do enlutado.
Nesse contexto, por se tratar de um evento constante, acaba implicando diretamente no trabalho de profissionais da saúde, tomando-se um conhecimento necessário para o amparo adequado àqueles que sofrem a perda.

O luto é um processo lento e doloroso, que tem como características uma tristeza profunda, afastamento de toda e qualquer atividade que não esteja ligada a pensamentos sobre o objeto perdido, a perda de interesse no mundo externo e a incapacidade de substituição com a adoção de um novo objeto de amor (FREUD, 1915).

O LUTO NA CRIANÇA

O luto na criança pode ser bem diferente. Pode acontecer mudança de comportamento, atitude de oposição, sintomas físicos diversos e fantasias com questões de morte e ideia de abandono, por exemplo. Em hipótese alguma podemos afirmar que a criança atravessa o luto melhor que o adulto, pois isso não é uma verdade absoluta. Geralmente, muito se ouve falar que a criança atravessa mais facilmente o processo de luto em função da idade, e que logo esquecerá, mas isso é um erro grave. As crianças sofrem muito com a perda de um ente querido, muitas vezes silenciadas. A criança enlutada sofre complicações psíquicas com o luto familiar, tornando-se mais intenso quando é de um membro da família, como o pai, a mãe e/ou irmãos. É importante conscientizar o cuidador a relevância de sua mediação para o enfrentamento do luto pela criança. Pois, quando do elo cortado com seu ente querido, há que se observar para não se tornar um adulto melancólico e/ou eufórico, dentre outros sintomas.

CONCLUSÃO

Algumas pessoas reagem melhor que outras, algumas têm um luto muito prolongado, e algumas desenvolvem um luto tardio, desenvolvendo sintomas muito tempo após a perda, e não no início do processo. A dor da despedida inevitavelmente terá que ser vivida durante o processo de luto para que, no decorrer do tempo, a pessoa se reencontre novamente consigo, com a vida e retome a sua história. Mas não podemos esquecer que cada um tem seu tempo.

REFERÊNCIAS

Autora, Luzziane Soprani

FRANCO, José Anibal Torri – A dor do luto não deve ser camuflada, O Globo,
O conceito psicanalítico do luto: uma perspectiva a partir de Freud e Klein – Psicol inf. vol.17 no.17 São Paulo dez. 2013