Artigo publicado em 28 jul 2018 | Este artigo tem 1 Comentário

INTRODUÇÃO

O presente artigo é uma releitura de um artigo deste blog: http://luzzianesoprani.com.br/site/uma-breve-abordagem-sobre-o-transtorno-de-estresse-pos-traumatico-tept/
No decorrer da vida, somos confrontados com situações, para as quais não estamos preparados. Muito embora, todos nós temos formas diferentes de reagir aos mais diversos acontecimentos, sejam de alegria, tristeza ou mesmo de terror, pois só quando nos deparamos com os obstáculos, é que verificamos como reagimos a esses acontecimentos que ficaram para sempre gravados na nossa história pessoal.

Lacan nos diz que o trauma é o encontro com o Real, o Real da morte, ambas as figuras do impossível. Do impossível de se representar, de fazer existir no simbólico, no mundo das representações, na realidade psíquica, ou seja, o encontro com o Real da castração.
Os estudos sobre o Transtorno de Estresse Pós-Trumáutico, ainda estão em fase inicial, pouco se sabe sobre o transtorno e a predisposição de cada indivíduo. Portanto, algumas pesquisas já indicam que, dentre as pessoas que sofreram um trauma severo, 10% a 50% podem desenvolver o TEPT, sendo as mulheres mais vulneráveis que os homens, bem como as crianças e os idosos.

DO ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO

Na Síndrome do Estresse Pós-Traumático o que acontece é uma experiência realmente dramática. A causa não é necessariamente decorrente do dano físico, mas proveniente da emoção e do susto sofrido. É como se ferisse a memória, um dano infringido.
As causas que levam ao trauma são diversas: sequestro, assalto, estupro, ameaças, atos de terror, perda de ente querido, etc.
– O momento fatídico fica impregnado de forma muito viva na memória, de modo a ser revivido constantemente com a mesma intensidade e igual sofrimento dos momentos vivenciados pela pessoa na ocorrência do evento. É uma forma de condicionamento tão intenso que o sofrimento volta mesmo sem que tenha vivido a mesma situação de fato. O Trauma pode chegar a ser incapacitante pois depois de ocorrer passa a interferir na nossa vida de forma direta e/ou indireta através dos nossos comportamentos e atitudes, limitando muitas vezes a nossa qualidade de vida e de relacionamentos, provocando um empobrecimento do nosso bem-estar e saúde emocional e mental.

DO TRAUMA

Podemos entender o trauma como uma experiência de natureza excepcionalmente ameaçadora ou catastrófica, que põe em risco a segurança ou integridade física do paciente ou da(s) pessoa(s) amada(s), p.ex.: catástrofe natural, acidente, assalto, sequestro, violação (ou outro crime), testemunhar a morte violenta de outros, ser vítima de tortura física ou emocional, sofrer mudança súbita e ameaçadora na posição social e/ou nas relações do indivíduo, tais como perdas múltiplas, etc.” ( Sirley Bittú) Mas para além dos casos denominados na definição indicada, qualquer acontecimento que tenha sido penoso e que de alguma forma nos incapacita de tomar decisões e de viver a nossa vida de forma livre de torturas psicológicas e/ou físicas, é também um trauma que deve ser tratado o mais cedo possível, livrando o sujeito de situações e dores psíquicas a longo prazo ou ainda, um somatório de comorbidade por toda uma vida.

DO TRATAMENTO

Diante a situação é necessário observar como a pessoa vai reagindo, sendo essencial que o indivíduo procure ajuda logo após o trauma. O tratamento deve ser feito com medicação antidepressiva ajudando a “aliviar” a memória, para o trauma não se tornar um ritual, um fantasma do sujeito, fixando sua posição de vida nos momentos sofridos.
Quando a pessoa vai para terapia muito tempo depois e o processo de rememorações já se estabeleceu, a conduta é a de uma terapia interpretativa mais longa com a finalidade de fortalecer a razão delas, além de medicação para aliviar o sintoma de modo a serem capazes de lidar melhor com as lembranças.

CONCLUSÃO

É importante que o médico e o terapeuta nunca percam de vista que o indivíduo adoecido não é simplesmente uma máquina a ser consertada, e que não existe um modelo fixo do que significa uma vida saudável. Cada um de nós é um somatório de corpo físico, mente, emoções, essência original e experiências singulares.
É necessário o apoio familiar e de amigos para que o indivíduo não se sinta desamparado e à mercê dos seus transtornos e angústias. É fundamental o encorajamento, mostrando que os desafios com os quais nos deparamos no decorrer da vida podem trazer mudanças significativas para um novo recomeço. O passado é lição para refletir, não para repetir.

REFERÊNCIAS

Stress Pós-Traumático, 01/2010, Carvalho, Filipa – psicóloga, com Especialidade em Intervenção Psicológica em Crise, emergência e Catástrofe
Mentes Ansiosas – O Medo e a Ansiedade Nossos de Cada Dia, Autor: Silva, Ana Beatriz Barbosa
Estresse e Modernidade, 08/2012, Flávio Gikovate