Artigo publicado em 30 abr 2016 | Este artigo tem 4 Comentários
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“Às vezes eu tenho vontade de ser menos intensa, só pra poder entender como o resto do mundo aguenta essas coisas que me devoram permanentemente e de uma forma tão absurda…” Clarice Lispector
 

Diversos autores usam o termo Borderline, há mais de um século, para explicar uma alteração na fronteira (ou na borda) entre a neurose e a psicose.O Transtorno de Personalidade Borderline tem uma longa história, passando por diversos conceitos e denominações ao logo do tempo. A primeira vez que aparece o termo borderline é em 1884. Nesse ano, Hughes (psiquiatra inglês) designa assim aos estados borderline da loucura, definindo assim essas pessoas que passaram toda sua vida de um lado a outro da linha da sanidade. Alguns autores da época usavam esse diagnóstico quando havia sintomas neuróticos graves.

O Transtorno de Personalidade Borderline não é tão simples de ser diagnosticado, geralmente, pacientes só são diagnosticados corretamente após anos e anos de peregrinação por consultórios médicos. Somente um médico experiente pode ajudar o Borderline de uma maneira efetiva. Não existem remédios específicos para o mal, mas alguns psicotrópicos, normalmente receitados para outros tipos de transtornos podem ajudar. Todavia, após o diagnóstico, a terapia é baseada na recuperação da autoestima.

As estatísticas indicam que existem mais mulheres do que homens Borderline. Segundo a Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva: “ter os traços da personalidade borderline não é tão ruim assim, pois, são pessoas motivadas, auto-astral, boas para sair e se divertir.” Aliás, ela afirma que, “os traços da Personalidade Borderline, geralmente, “todos nós” já tivemos um dia, por exemplo, quando nos apaixonamos e levamos um fora.” Nesse estado ficamos extremamente tristes! Freud diz, “Fica-se muito louco quando apaixonado. Mas o Transtorno de Personalidade Borderline em si é como um furacão: ora eufórico, ora suscetível demais. O Borderline ao contrário do Psicopata sente demais, ou seja, é 100% emoção e 0% razão, ao passo que o Psicopata é 100% razão e 0% emoção. Por isso, existem tantas Borderlines que se envolvem com Psicopatas.

“O borderline é inseguro demais. Um exemplo clássico é o maníaco do parque, (um serial killer brasileiro) que recebe centenas de cartas na penitenciária, de mulheres apaixonadas por esse sujeito. E, ao interrogar essas mulheres, de o por que um homem com um histórico tão cruel? Elas dizem que pelo menos dentro da penitenciária, ele é só dela(S). Tal é a insegurança do Borderline.”

Embora o Borderline mantenha condutas até bastante adequadas em bom número de situações, ele tropeça escandalosamente em outras triviais e simples. O limiar de tolerância às frustrações é extremamente susceptível nessas pessoas.

O curto-circuito agressivo expresso pelo Borderline sob a forma de crise pode desempenhar várias funções psicodinâmicas, como por exemplo, aliviar o excedente de tensão interna, impedir maior conflito e frustração, ressaltar a presença do paciente, ainda que de forma desagradável e ineficaz, melhorar a auto-afirmação, obrigar o ambiente a reconhecer sua importância, ainda que para se lhe opor ou confrontar.

O borderline também está sujeito a exuberantes manifestações de instabilidade afetiva, oscilando bruscamente entre emoções como o amor e ódio, entre a indiferença ou apatia e o entusiasmo exagerado, alegria efusiva e tristeza profunda. A vida conjugal com essas pessoas pode ser muito problemática, pois, ao mesmo tempo em que se apegam ao outro e se confessam dependentes e carentes desse outro, de repente, são capazes de maltratá-lo cruelmente.

DO RELACIONAMENTO BORDERLINE:

Muitas das melhores amizades que o Borderline inicia, acaba exatamente pelo seu grau de sufocamento com o outro. Ser um amigo esporádico do Borderline pode ser muito divertido, porém manter um relacionamento dia a dia é muito complicado! O borderline se legítima no outro – quer alguém que esteja disponível só para ele – e, se porventura, não conseguir manter a pessoa que ele elegeu a sua disposição – é inviável manter um relacionamento com Borderline. Dessa forma, o Border buscará outra (S) pessoa (S) que o correspondam. É um círculo vicioso – necessita ser retroalimentado. No entanto, são pessoas simpáticas, agradáveis e sedutoras, para aqueles que o conhecem superficialmente, mas na intimidade são explosivas, agressivas, intolerantes, irritáveis, impulsivas, ciumentas com tendência a manipular. Quando não explodem, implodem. Os sentimentos do Border, quando não expressos de maneira explossiva, serão expressos no corpo, como por exemplo, se mutilando. O borderline sofre muito e faz sofrer quem convive com ele.

NO DSM.IV:

Como sempre, a melhor descrição da Personalidade Borderline está no DSM.IV (Manual de Diagnóstico e Estatística das Doenças Mentais, da Associação Norte-Americana de Psiquiatria). Pelo DSM.IV vê-se que a característica essencial do Transtorno da Personalidade Borderline é um padrão comportamental de instabilidade nos relacionamentos interpessoais, na auto-imagem e nos afetos. Há uma acentuada impulsividade, a qual começa no início da idade adulta e persiste indefinidamente.

ALGUNS BORDERLINES FAMOSOS:

A Dra Ana Beatriz Barbosa Silva cita várias personalidades, que, são portadoras de Transtorno de Personalidade Borderline, mas deixa claro serem apenas indicações, baseadas na sua experiência e na observação. São elas:

Amy Winehouse – explosiva, encrenqueira e talentosa;

Marilyn Monroe – bela, sexy e imortal;

Tony Curtiss,

Janis Joplin,

Elizabeth Taylor.

Indiscutíveis talentos, famosos personalidades, porém, difíceis e instáveis.

DA PERSONALIDADE BORDERLINE:

A Personalidade Borderline é uma peça de teatro onde os atores coadjuvantes estão sempre esperando ele, o ator principal. Trata-se de um ego que não tolera o vazio, a separação, a ausência, não sabe superar com equilíbrio os conflitos.

CONCLUSÃO:

Evidentemente existem situações muito mais difíceis de se atestar o grau de responsabilidade da pessoa borderline. Essas se relacionam, basicamente, com os episódios de descontrole impulsivo. Nesses casos estaria em jogo não a questão psiquiátrica (de diagnóstico) mas, a questão psicológica da circunstância. O dilema dessas questões está, exatamente, no fato dessas pessoas entenderem e compreenderem a gravidade de seus atos mas, não obstante, serem incapazes de auto-controlarem suas condutas. Portanto, os atos cometidos pelas pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline são de sua autoria, e, podem ser punidos pela justiça, caso façam contravenções penais.

REFERÊNCIAS:

Ballone GJ, Moura EC – Personalidade Borderline- in. PsiqWeb
Ana Beatriz Barbosa Silva – Corações Descontrolados: Ciúmes, raiva, impulsividade o jeito borderline de ser.