Artigo publicado em 25 set 2015 | Este artigo tem 0 Comentário

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Abordaremos nesse artigo um breve relato sobre o Consciente e o Inconsciente e suas diferenciações.

A psicanálise possui como característica inicial o determinismo psíquico, sua função é elucidar que nada acontece por acaso. Tendo em vista, que não há descontinuidade na vida mental. Cada acontecimento mental tem explicação consciente e inconsciente, mas esses eventos acontecem tão naturalmente, que Freud os relata vinculando um acontecimento consciente a outro.

A contribuição teórica mais especial de Freud é a de que o comportamento é governado por processos inconscientes e não somente pelos processos conscientes.

– Os níveis da consciência ou modelo topológico da mente.

– Para explicar esse fato, Freud descreve três níveis de consciência [1]:

  • O consciente (al. das Bewusste), que abarca todos os fenômenos que em determinado momento podem ser percebidos de maneira conscientes pelo indivíduo;
  • O pré-consciente (al. das Vorbewusste), refere-se aos fenômenos que não estão conscientes em determinado momento, mas podem tornar-se, se o indivíduo desejar se ocupar com eles;
  • O inconsciente (al. das Unbewusste), que diz respeito aos fenômenos e conteúdos que não são conscientes e somente sob circunstâncias muito especiais podem tornar-se. (O termo subconsciente é muitas vezes usado como sinônimo, apesar de ter sido abandonado pelo próprio Freud.)

 

O CONSCIENTE

A psique humana é observada por Freud como um icebergue, o qual apenas uma parte “minúscula” surge na superfície da água.

A parte que surge na superfície comunica o consciente. No consciente estão contidos: o raciocínio, o pensamento e as percepções que a pessoa é capaz voluntariamente de recordar e controlar segundo as suas necessidades e/ou desejos e interesses da sociedade.

O consciente é uma parte da mente que é possível chegar através da introspecção, ou, através da observação do que se passa no interior da mente humana, dos fenômenos psíquicos que acontecem na consciência. Em contrapartida, no inconsciente, é possível controlar voluntariamente o consciente dependendo das necessidades e exigências do ser humano. O ser humano era definido como um ser racional que controlava as suas ações através do seu desejo. Freud através dos seus estudos descobriu, que a existência apenas do consciente não explicava muitos dos comportamentos humanos, inclusive, muitas patologias, o que levou Freud afirmar a existência do inconsciente.

 

O INCONSCIENTE

Aquilo que se refere à parte submersa é atribuída ao inconsciente, constituído por instintos, pulsões e desejos.  No inconsciente temos o ID como um dos principais mecanismos. O ID é prazer puro – ocorre que para a sociedade muitos dos mecanismos inconscientes são inaceitáveis. O inconsciente é como um vasto contentor, onde estão depositados impulsos e motivos de base biológica. As duas categorias de instintos existentes no inconsciente humano são Eros (deus grego do amor) e Thanatos (deus grego da morte). Eros simboliza o instinto de vida que assegura as necessidades básicas: alimento, bebida, sexo; Thanatos representa o instinto de morte que está presente em todos os comportamentos agressivos e destrutivos.

O conjunto de pulsões e desejos inconscientes, essencialmente os de natureza sexual, possui um dinamismo próprio cujo papel na determinação do comportamento humano é superior aos dos fenômenos conscientes.“Só há inconsciente no ser falante. […] O inconsciente isso fala.” Jacques Lacan (1901 – 1981) Outros escritos, 1969/2003, p.510

A maior parte dos nossos costumes cotidianos é inconsciente, ainda que sejam iniciados de maneira voluntária. Assim, uma vez que tenhamos aprendido a andar, condicionamos esse conhecimento e não necessitamos pensar sobre ele a cada vez que caminhamos. Outras lembranças ficam no nível do inconsciente, porque não julgamos que sejam tão relevantes. Em última análise, observamos que residem no inconsciente memórias de experiências que vivemos, mas, por algum motivo, insistimos em reprimir.

Uma das principais funções do inconsciente é manter o equilíbrio da nossa psique. “É praticamente impossível guardar todas as nossas experiências e ainda ter plena consciência delas. Por isso, existe o inconsciente”. Temos o inconsciente como bagagem de memórias, um depósito que nos alimenta continuamente de imagens e símbolos. O inconsciente interage com a consciência – dependendo de como lidamos com os resultados que essa ação nos traz – pode nos afetar de forma positiva ou negativa.

Segundo Sidarta Ribeiro, quando uma associação entre memórias é muito forte, mas reprimida conscientemente, ela pode escapar ou vazar por meio de um ato falho ou mesmo de um sonho que expressa aquele conteúdo de forma direta ou indireta. E é exatamente por esse fenômeno que os falsos relatos podem não se sustentar por longo tempo. Uma inverdade relatada inúmeras vezes pode se tornar uma verdade, mas na realidade, os fatos da vida cotidiana não são tão simples assim. Um falso relato comentado inúmeras vezes pode vir à tona emergindo o inconsciente, o que fará recair toda a verdade.

Por fim, pode-se afirmar que o consciente não existe sem o inconsciente.

 

Referências:

Psicanálise – Wikipédia, a enciclopédia livre

Freud e o Inconsciente

O Inconsciente 1915