Artigo publicado em 13 jul 2015 | Este artigo tem 5 Comentários

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“Nossa vida nos parece muito mais bonita quando deixamos de compará-la com as dos outros”. (Nietzsche)

Em tempo de redes sociais, o olhar do outro se tornou necessidade básica para existir. O sujeito da era digital faz de tudo para reter em si o olhar do outro. Nas redes sociais existe uma compulsão a repetição. Vemos “aparições efusivas”, com fotos, fatos e vídeos – tudo para ganhar visibilidade. Em tempo de distribuição da imagem, às pessoas estão apelando pela atenção alheia. Prolifera, o desejo de ver a si mesmo, através do olhar do outro – levando o sujeito a uma competitividade, como, por exemplo, “Quem é mais popular nas redes sociais?” Todavia, se todos estão se autoapreciando: existe alguém capaz de reconhecer o outro? Todos nós sabemos que é impossível encontrar uma pessoa completa. Somos seres “furados”. E como diz Lacan: “Somos seres faltantes.” Se não falta é porque a pessoa não enxerga a falta, está simplesmente sonhando e alucinando a sua imagem.

DA AUTOESTIMA NAS REDES SOCIAIS:

Podemos ver uma falsa autoestima nas redes sociais – com um descontrole compulsivo de inúmeras fotos, fatos, vídeos em postagens – tornando-se apelador. Não raro, o sujeito deseja demasiadamente, ou quase como uma euforia receber curtidas em suas postagens. Afinal, ser “curtido” é sinal de afeição, admiração e popularidade. Percebe-se, o quanto o sujeito se expõe para ser “exclusividade de uma vitrine virtual”. Eis que assim, vem o reconhecimento e a popularidade momentânea dos seus desejos cibernéticos.

O outro se torna um espelho, porque não existem tantos amigos reais para dar notoriedade ao sujeito como acontece nas redes sociais. A pessoa tem em suas mãos uma ferramenta para se tornar popular. Isso significa que sendo observado, ele de pronto fique popularmente conhecido. Assim, o famoso da era digital se sentirá admirado e poderoso! Sabendo que seus seguidores estarão sempre atentos a correr para curti-lo. Na ânsia, o “curtido” precisa competir para existir. Isso faz com que essas pessoas se sintam importantes perante a sociedade nas redes sociais. É o desejo de sentir-se com a autoestima gloriosa. Todavia, necessário se faz retroalimentá-la, com novas postagens para manter-se em evidência.

DO AUTOCONTROLE A AUTOESTIMA:

“Roy Baumeister afirma que o autocontrole é mais importante que a autoestima. Defende que o sucesso depende mais da capacidade da pessoa controlar seus impulsos, de adiar o prazer imediato em nome de um objetivo maior no longo prazo. Baumeister considera que a autoestima é mais uma consequência do que uma causa. O autocontrole ajuda as pessoas a serem mais bem sucedidas do que a autoestima. E segundo ele, a força de vontade é um dos ingredientes que nos ajudam a ter autocontrole. É a energia que usamos para mudar a nós mesmos, o nosso comportamento, e tomar decisões.”

Na sociedade digital, vemos inúmeros casos de descontrole das emoções, afetando, inclusive, o equilíbrio psíquico, deixando o sujeito à mercê dos impulsos e obsessões. Surgi, então, uma espécie de (TOC coletivo). O desejo em aparecer para se mostrar bem e feliz. Para tanto, Calligaris diz que, “A máscara que usamos no Facebook é a mesma que usamos na vida. É o mundo da margarina. As pessoas no Facebook têm uma enorme necessidade de demonstrar que são felizes. Assim se mostram também como vencedores. Basta ver as fotos. É difícil ver alguém que não está sorrindo.” Contardo Calligaris (Milão, 1948).

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Em um contexto de valores invertidos, à vida alheia está ficando banalizada. Não é do amor do outro que realmente carecemos, mas do amor próprio. Nós enquanto psicanalistas precisamos nos atentar à realidade atual, para um entendimento daquilo que está se passando nas questões sociais, uma vez que isso reflete direta e/ou indiretamente a realidade psíquica de cada um. Sabemos que o social é papel dos sociólogos, no entanto, enquanto profissionais da condição humana, não podemos ignorar a era digital, posto que essa seja a atual realidade. Só assim, teremos um esclarecimento mais aprofundado dos processos envolvidos nos novos formatos de relacionamentos, com as redes sociais. É relevante nos atentarmos a um novo modo de subjetivar-se, que irá influenciar a globalização de uma sociedade do saber psíquico.

 

REFERÊNCIA:

O livro Willpower, sobre a importância do autocontrole – Autor: O psicólogo americano Roy Baumeiste.

Artigo publicado em 05 jul 2015 | Este artigo tem 1 Comentário


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“O poder é o camaleão ao contrário: todos tomam a sua cor.” Millor Fernandes

INTRODUÇÃO:

O presente artigo pretende abordar o poder do camaleão enquanto sujeito, que busca se reinventar diante os eventos que percorre durante a vida. O sujeito-camaleão ousa tomar várias versões de cores para suportar o vazio existencial, e para se reinventar enquanto sujeito diante às perdas e os aprendizados inerentes à vida. Portanto, a discussão neste artigo será sobre àqueles que usam o poder de forma tirana.

DO PODER:

O sujeito que não se utiliza de maneira pejorativa do poder que fortuitamente adquiriu – será respeitado e admirado pelo que é em essência. Ou seja, do ponto de vista psicanalítico, a essência nesta narrativa representa à parte boa do homem. Não que isso seja regra. Temos inúmeros casos, de pessoas que se aproveitam da posição social, do profissional, do status, do prestígio e do dinheiro, para enaltecer o ego. Ou melhor, para satisfazer seus desejos narcísicos. Tendo em vista, que o sujeito íntegro, não necessita de se enaltecer para ser admirado e/ou respeitado. Mas, se no decorrer da vida, a pessoa não tiver praticado boas ações, certamente, cairá no ostracismo. Desse modo, a rejeição é implacável. E isso ocorre justamente com aqueles que o admiravam e o respeitavam, apenas pelo poder e submissão velada. Acontece com muita frequência, no mundo dos negócios e na política: o sujeito, que deseja tirar proveito de tudo em seu benefício, independente, de quem quer que seja prejudicado com seus atos impensados e perversos. A falta de inteligência emocional e espiritual poderá levar uma Nação inteira à bancarrota.

DAS ESTRUTURAS:

Geralmente, o camaleão-neurótico, ou seja, de estrutura neurótica, quando recai nas suas más investidas, acaba por desencadear doenças psicossomáticas – o contrário dificilmente acontece com o camaleão-perverso, de estrutura perversa (embotada), que, sempre buscará manipular a todos para manter o poder sórdido – mesmo diante às recaídas. Como mencionado acima, é muito frequente e comum vermos exemplos assim, em uma grande maioria de políticos, de empresários e de executivos, que, exercem de forma equivocada o poder; assim, que o perdem não admitem e querem sair isentos de suas más investidas. Retratam-se sempre como vítimas.

“Entendi que não se conhece um ser humano pela doçura da voz, pela bondade dos gestos ou pela simplicidade das vestes, mas tão somente quando se lhe dá poder e dinheiro.” Augusto Cury

DA CAPACIDADE E TALENTO:

Substituir autoridade por alteridade, que em sua visão expandida é a capacidade de se colocar no lugar do outro. O sujeito íntegro, àquele que não se corrompe por trocas de favores, tem a capacidade de reconhecer que na escalada humana, às pessoas não valem menos pela: posição profissional, social, status, prestigio e dinheiro. Muito embora, ele saiba distinguir a capacidade e o talento de pessoas que alcançaram carreiras e ascenderam profissionalmente e economicamente – mas, o fizeram com dignidade e respeito, sem que fosse necessário passar por cima do outro para chegar a tal posição.

CONCLUSÃO:

Por fim, a capacidade digna e justa de um líder, é a grande missão daquele que ocupa o poder. É possível substituir autoridade por alteridade: desenvolver talentos e capacidades, corrigindo a má conduta usual e comum desse tempo. Dessa forma, as experiências negativas necessitam ser corrigidas por experiências positivas. E assim, queira, com força de vontade, determinação, reverter o passado maléfico para um presente positivo e produtivo em prol do todo. Esse é o tipo de conduta de um líder, é em tese, a grande missão daqueles que ocupam o poder.

 

Autoria própria