Artigo publicado em 18 mar 2014 | Este artigo tem 4 Comentários

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“A ciência moderna ainda não produziu um medicamento tranquilizador tão eficaz como o são umas poucas palavras bondosas”. (Freud)

A psicanálise leva a pessoa a se entender e se relacionar com os outros de uma forma melhor – uma vez que parte do princípio que uma pessoa em análise e/ou analisada passa a se conhecer melhor. Por vezes, sentimos uma angustia sem saber o porquê, o processo analítico, então, ajudará o indivíduo a compreender os seus sentimentos e a viver mais livre dos sentimentos de culpa, angústia… que, eventualmente, ocorrem com a condição humana.

A causa do problema pode ser algo que foi vivido na infância e “esquecido” e, aparentemente, não teve um impacto imediato na vida do sujeito. Assim, a psicanálise permitirá a pessoa, conhecer os sintomas podendo chegar a causa e a reelaborá-los, bem como criando uma nova forma de interagir com a coletividade.

É importante ressaltar que a linha da psicanálise é diferente da psiquiatria. A psiquiatria diz respeito à patologia estrutural, sendo patologias mais graves e utiliza-se de medicamentos no tratamento.

Para a Psicanálise, “as pessoas hoje estão fazendo uso de muitos medicamentos.” Talvez as pessoas não queiram enfrentar o tão bizarro sofrimento, o que é inerente a condição humana. Diferente de pacientes psiquiátricos que em sua maioria precisam utilizar-se de medicamentos.

Abordaremos nesse artigo, outro questionamento importante: é frequente psicanalistas defenderem de forma absoluta, que, para ser psicanalista, é preciso ser lacaniano e/ou freudiano. Tendo em vista, o que Freud quis dizer quando afirmou que os psicanalistas eram os principais rivais da psicanálise – quando são muito sectários na dimensão terapêutica. “Pode ser verdadeiramente condenável as sessões muito curtas” – seguidas por determinados lacanianos. Por que imitar Lacan? Para a psicanálise ele foi genial! – Lacan pode ser considerado o mais importante psicanalista depois de Freud. Ele teve a genialidade de dar continuidade a descoberta freudiana, que é o de permitir a cada pessoa saber qual é a sua forma peculiar de desejar, sem ser compelido a entrar nessa plastificação do sectarismo.

Mas, há muitos lacanianos, que têm tendência a imitá-lo. Na verdade, há muitos psicanalistas sectários. Os psicanalistas deveriam pensar na herança que Lacan e Freud deixaram e seguirem seus modos peculiares de conduzir uma análise.

Sessões curtas era um traço de Lacan. Ele não fez isso por toda à sua vida como psicanalista. E ele também, não teorizou a ideia de que era necessário fazer sessões muito curtas e tão pontuais. Nesse ponto de vista, a maneira de conduzir uma sessão de análise aos moldes lacanianos – forma uma seita. As sessões devem ter o tempo necessário, de aproximadamente – 50/60 minutos.

Outro fator importante: são as pessoas que buscam a análise acharem caro! E por que acham caro? As pessoas estão usando o dinheiro na relação custo/benefício. E, geralmente, pensam: dessa maneira o melhor é fazer uma viagem, fazer compras e, até mesmo, cirurgias plásticas etc.

Ora, é um investimento que se faz em uma psicanálise. Se você vai a um médico, e, então, o médico diz: “você me paga R$ 15 mil e eu o deixo (a) maravilhoso (a)”, logo, se tem uma relação óbvia de custo/benefício. Mas quando a pessoa vai para o analista, não tem nada padronizado, ou seja, o que está em jogo não é exatamente o exterior, mas, sobretudo, os sentimentos… Com isso pensam, mas vou gastar X ou Y, só para conversar com um analista? No entanto, assim como o tempo, o pagamento é um fator que o profissional utiliza como instrumento terapêutico. Como o cirurgião cobra X ou Y, por uma cirurgia plástica para lhe deixar mais bonito (a), o analista também cobra X ou Y, para que você possa estar melhor internamente. O primeiro, faz uma cirurgia plástica externa, o segundo, lhe ajuda a corrigir emocionalmente suas experiências negativas. – Pense: qual é o seu objetivo, quando vai fazer uma mudança no visual externo? E dessa forma, ponha em questão seu referencial de valor. Tendo em vista que o dinheiro é um dos objetivos nos quais a questão do valor predomina.

Parafraseando o psicanalista Jorge Forbes: “será que você quer realmente o que deseja?”

Em resumo, talvez seja por isso, que as industrias de medicamentos, as lojas de objetos de usos glamourosos e as clínicas de cirurgiões plásticos estão sempre lotadas. Esquecemos o custo/beneficio do bem-estar interno e preferimos aderir a um narcisismo da globalização -, sob pena da angústia de suas escolhas. Entretanto, quando soubermos usar o custo/benefício ao bem-estar interno, será um dos nossos maiores tesouros.