Artigo publicado em 18 mar 2014 | Este artigo tem 4 Comentários

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“A ciência moderna ainda não produziu um medicamento tranquilizador tão eficaz como o são umas poucas palavras bondosas”. (Freud)

INTRODUÇÃO

O presente artigo tem por objetivo abordar a terapia, como um bem maior a nossa qualidade de vida. A psicanálise, leva o sujeito ao autoconhecimento, bem como a se relacionar melhor com o outro – uma vez que parte do princípio que uma pessoa analisada passa a se conhecer melhor.

DA COMPREENSÃO DO EU

Por vezes, sentimos uma angustia sem saber o porquê – o processo analítico, então, ajudará o sujeito a compreender os seus sentimentos, para viver mais livre dos sentimentos que acometem a raça humana, como, a culpa, a angústia e o medo, que, eventualmente, nos acomete de forma negativa, e muitas vezes desencadeia muitas patologias.

DA CAUSA AO SINTOMA

A causa do problema pode ser algo que foi vivenciado na infância e – esquecido -, ou seja, fica armazenado no inconsciente do sujeito, pois aparentemente não obteve um impacto imediato na vida do sujeito –  muito embora, no decorrer da vida os sintomas comecem a gritar dentro da gente – podendo desencadear uma série de patologias. Para tanto, a psicanálise encaminha o sujeito a conhecer a sua história de maneira diferente, pois no decorrer das sessões de análise, o analisante toma conhecimento da causa e os sintomas que o aflige, através dos insights que o analisante vai tendo no decorrer do processo de análise, bem como criando uma nova forma de interagir com àqueles a sua volta. Pode ser um processo longo e doloroso, mas quando nos propomos a dar voz interior, a cura ou a correção dos sentimentos acorrerá.

DA PSICANÁLISE X PSIQUIATRA

É importante ressaltar que a linha da psicanálise é diferente da psiquiatria. A psiquiatria se dispõe a tratar a patologia estrutural psicótica, diferente da patologia estrutural neurótica, sendo a estrutura psicótica mais grave, sendo necessário o uso frequente de medicamentos no tratamento.

Para a Psicanálise, “as pessoas hoje estão fazendo uso de muitos medicamentos”. Talvez as pessoas não queiram enfrentar, ou, reviver o sofrimento passado que de alguma maneira o sujeito negou, assim, a mente humana camufla a dor, levando para o inconsciente – até que em algum momento isso volte à tona. Precisamos entender que, o sofrimento é inerente a condição humana, e em muitos casos é necessário para a nossa evolução enquanto seres humanos. Não queremos dizer com isso, que pacientes estruturalmente neuróticos não necessitem de medicamentos nos momentos de crise. O sujeito em crise, que se dispõe a se tratar em sessões de terapia, necessita, sim, de medicamentos para, então, conseguir reequilibrar os neurotransmissores, que se encontram desajustados, devido à crise existencial. No entanto, o paciente não necessariamente ficará dependente do medicamento para o resto da vida. Diferentemente dos pacientes psiquiátricos que em sua maioria precisam utilizar os medicamentos por toda uma vida. Geralmente, os distúrbios psiquiátricos não têm cura, por isso, o uso da medicação pode ser indicado para o controle da doença. Falamos aqui, de duas estruturas, a primeira Neurótica, que pode ser tratada sem medição no processo terapêutico, caso o paciente não se encontre em crise. A segunda Psicótica, que será necessário o uso de medicamentos para o controle da doença.

DAS LINHAS PSICANALÍTICAS DE ATENDIMENTO

Abordaremos outro questionamento importante: é frequente psicanalistas defenderem de forma quase que absoluta que, para ser psicanalista é preciso ser lacaniano e/ou freudiano. Tendo em vista, o que Freud quis dizer quando afirmou que os psicanalistas eram os principais rivais da psicanálise – quando são muito sectários na dimensão terapêutica. “Pode ser verdadeiramente abominável as sessões muito curtas” – seguidas por determinados lacanianos. Por que imitar Lacan? Para a psicanálise ele foi genial! – Lacan pode ser considerado o mais importante psicanalista depois de Freud. Ele teve a genialidade de dar continuidade a descoberta freudiana, que é o de permitir a cada pessoa saber qual é a sua forma peculiar de desejar, sem ser compelido a entrar nessa plastificação do sectarismo. Fato é que Lacan se tornou lacaniano – criando a sua própria maneira no atendimento analítico. Lacan, enfatiza que, cada profissional coloque um pouco de si na sua conduta profissional.

Sessões curtas era um traço de Lacan, sim, mas ele não fez isso por toda à sua vida como psicanalista. E ele também, não teorizou a ideia de que era necessário fazer sessões muito curtas e tão pontuais. Nesse ponto de vista, a maneira de conduzir uma sessão de análise aos moldes lacanianos – se tornaria uma seita ou religião. As sessões devem ter o tempo necessário, de aproximadamente, 50/60 minutos? Ou ainda, o tempo necessário para o psicanalista e o seu analisante. Também não temos o propósito de condenar  aqueles que seguem a risca o atendimento nos moldes freudiano ou lacaniano.

DA IMPORTÂNCIA DO VALOR DAS SESSÕES

Outro fator importante a ressaltar neste artigo – são as pessoas que buscam a análise acharem caro! E por que acham caro? As pessoas estão usando o dinheiro na relação custo/benefício. E, geralmente, pensam: “É um investimento muito alto!” Assim, acreditam que a melhor opção é fazer uma viagem, fazer àquela cirurgia plástica de que tanto deseja, etc.

Ora, é um investimento que se faz em uma psicanálise. Se você vai a um médico, e, então, o médico diz: “você me paga R$ X, e eu o deixo (a) maravilhoso (a)”, logo, se tem uma relação óbvia de custo/benefício. Mas quando a pessoa vai para o analista, não tem nada padronizado, ou seja, o que está em jogo não é o exterior, a plasticidade física, mas os sentimentos, as dores que muitas vezes são  aparentemente invisíveis a todos, mas que nunca irão se calar – continuarão latentes. Assim, ignoram e pensam, mas vou gastar X ou Y, só para conversar com um analista? No entanto, assim como o tempo, o pagamento é um fator que o profissional utiliza como instrumento terapêutico. Como o cirurgião cobra X ou Y, por uma cirurgia plástica para lhe deixar mais bonito (a), o analista também cobra X ou Y, para que você possa estar melhor e mais mais belo internamente. O primeiro, faz uma cirurgia plástica externa, o segundo, lhe ajuda a corrigir emocionalmente suas experiências negativas.

DA IMPORTÂNCIA DA CURA INTERIOR

Pense: qual é o seu objetivo, quando vai fazer uma mudança no visual externo? E dessa forma, ponha em questão seu referencial de valor. Tendo em vista que o dinheiro é um dos objetivos nos quais a questão do valor predomina.

CONCLUSÃO

Em suma, talvez seja por isso que, as industrias de medicamentos, de cosméticos, as lojas de objetos de produtos de luxo, as clínicas de cirurgiões plásticos e as estéticas estão sempre lotadas. Esquecemos o custo/beneficio do bem-estar interno e preferimos aderir a um narcisismo da globalização e contemporaneidade, com imperativos de consumo. Pois, quando soubermos usar o custo/benefício ao bem-estar interno, será um dos nossos maiores investimentos. Com isso, não queremos menosprezar a aparência física e a autoestima que um tratamento estético pode nos oferecer, bem como às cirurgias plásticas proporcionam as pessoas a autoestima, por exemplo, mas alertar que não devemos menosprezar os nossos sentimentos.

 

Fonte própria