Artigo publicado em 21 jan 2014 | Este artigo tem 10 Comentários

Marylin

“Eu estou bonita, mas não sou bela.
Tenho pecados, mas não sou o diabo.
Sou boa, mas não um anjo”. Marilyn Monroe.

Marilyn Monroe foi um símbolo sexual que se eternizou e simbolizou o desejo de ser mulher… Marilyn é o simbólico-imaginário no desejo de SER, na maioria das mulheres, e o desejo de POSSUIR, na maioria dos homens. Inspira até hoje, a maior parte das mulheres. Mas no interior daquela diva habitava uma fragilidade emocional e uma personalidade dependente.

Ela possuía uma comitiva que a seguia e a tratava com carinho, satisfazendo seus caprichos e vontades. Dessa forma, era protegida de ser tocada, em sua delicada/fina superfície psíquica. A estrela buscava e exigia o “olhar do outro”, para ter afirmação da sua existência, enquanto uma celebridade. Diante da admiração e veneração do “outro” ela projetava-se e, assim, havia uma transferência de suas necessidades/sentimentos. O objeto de amor para Marilyn era aquele que autorizava a ocupar o lugar de estrela e reconhecimento pela sua carreira.

A diva apresentava um humor que oscilava.

Em seus momentos de queda emocional, ela elege uma pessoa com quem estabelece um protagonismo psíquico, que se assemelha muito a relação analítica dos Borderlines (Transtorno de personalidade limítrofe).

Nessa visão, em vários momentos de sua vida Marilyn causava a impressão, de que portava uma delicada e fina pele psíquica que a protegia do mundo, tal qual um uma criança. “Seus momentos de tensão faziam parecer que Marilyn iria desmanchar-se frente aos olhos, de quem a observava”.

O que é ser Borderline?

Segundo Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva: “Todos nós conhecemos ou já ouvimos falar de pessoas com personalidades “intensas”, aquelas que sofrem demais, são muito ciumentas, têm explosões de raiva ou de desespero, descontrole emocional ou instabilidade de humor. (…) Assim são os borderlines – quando se trata de emoções fortes, eles parecem imbatíveis. Sempre marcam a vida das pessoas com quem convivem, especialmente se esta convivência for íntima. Ser um borderline ou viver com alguém com essas características é sempre difícil e exaustivo”.

“Transtorno de Personalidade Borderline é uma doença? Como se caracteriza o comportamento de uma pessoa com essa desordem? É mais do que uma doença, é um jeito disfuncional de ser. Uma maneira de lidar com a vida que traz um prejuízo significativo para uma pessoa. (…) Por fim, há uma instabilidade emocional, com mudanças de humor várias vezes ao dia, em função dos acontecimentos, especialmente àqueles relacionados à esfera dos relacionamentos. Quem tem transtorno borderline vai mudando de humor de acordo com as ações da pessoa que é o seu objeto afetivo. É diferente de alguém que tem, por exemplo, transtorno bipolar e alterna dois comportamentos opostos e bem marcados”.  Afirma Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva.

Marilyn

Vale ressaltar que o Borderline não suporta críticas. Às vezes em uma amizade e/ou relacionamento a pessoa “chama atenção” do Border sobre um tipo de pensamento que o mesmo cria dentro do seu contexto e/ou forma de viver, que o borderline acredita está acontecendo em sua vida. Ou seja, tudo que o Border ouve/pensa sobre si mesmo é intenso, sendo que por muito pouco, os acontecimentos na vida do Borderline, provocam grandes emoções. Geralmente, sentem-se rejeitados e são totalmente dependentes. Como citado acima sobre Marilyn Monroe: em seus momentos de queda emocional, (crise) o borderline elege uma pessoa com quem estabelece um protagonismo psíquico.

Em suma, segundo estudiosos a diva era BORDERLINE, pois em alguns momentos circulava nos polos de seus humores instáveis, em outros caminhava limítrofe a flor da pele de sua fragilidade. Uma diva que em todo seu carisma e sedução, era muito misteriosa. Talvez, por isso, que a diva Marilyn Monroe era tão desejada como mulher – continuando no simbólico e imaginário – de todos nós. Uma personalidade envolvente que não se consome no tempo.

Referências:

“Corações Descontrolados” , de Ana Beatriz Barbosa Silva, editora Fontanar, 266 páginas.

iG São Paulo.

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