Artigo publicado em 13 dez 2013 | Este artigo tem 3 Comentários

AMOR E SAUDADE

“Muito antes de existir a palavra “saudade”, São Tomás de Aquino falou de um sentimento que é a dor que nasce do amor e que causa prazer ao ser sentida. Considerada por muitos como propriedade única da língua portuguesa, a saudade situa-se entre a melancolia e a esperança.

O amor de forma mais objetiva, mescla dor e prazer. Mas abordaremos nesse artigo a parceria entre Amor e Saudade. Nessa parceria se faz presente a saudade que está mais para perda do que já se foi e a inexistência/carência do que ainda não é. Por um contingente de acontecimentos sentimos saudade. Às vezes, nos encontramos saudosistas ou até melancólicos… Saudade é um sentimento importante, mas como na solidão deveríamos nos favorecer dela e não sermos consumidos por ela. Não raro, existe uma ligação entre saudade, melancolia e a depressão, desencadeando um enredo intitulado quando, na verdade, as causas e consequências são mais intrínsecas. Faz-se presente os sintomas psíquicos. Sendo assim, tudo lhes parece vazio e sem graça – o mundo é visto de forma “monocromática”, sem matizes de alegria. No entanto, ainda que a Saudade seja ambígua, porque geralmente implica dor, poder ter o outro dentro de si, é também prazeroso e saudável, pois é um sentimento inteiro, integrador, e não de desespero e ameaça.

Normalmente quando sentimos a saudade é porque gostamos da pessoa em questão. Mas há vários tipos de “saudade”, isto é, sentimos saudades dos nossos colegas, mas sentimos ainda mais saudade da pessoa que amamos e que partiu dessa existência…

Há um texto de Cecília Meireles sobre a Saudade na coleção – Melhores Crônicas – Cecília Meireles. Editora Global, reimpressão em 2012 da edição de 2003.

Cecília: “… Há uma saudade queixosa: a que desejaria reter, fixar, possuir. Há uma saudade sábia, que deixa as coisas passarem, como senão passassem. Livrando-as do tempo, salvando, a sua essência de eternidade. É a única maneira, aliás, de lhes dar permanência: imortalizá-las em amor. O verdadeiro amor é, paradoxalmente, uma saudade constante, sem egoísmo nenhum. Mas o que a poetisa escreve é sobre uma “saudade sábia”, que reproduz não o egoísmo, mas sim a prevalência de uma relação amorosa, de companheirismo, respeito e parceria.

É tão complexo dizer o motivo porque temos saudade, quanto explicar o que é o amor, pois para enumerar os motivos teria de saber explicar o que é o amor.

Nesse ponto de vista, é impossível explicar o amor na sua essência -, pois é um sentimento – pode-se dizer alterações físicas – mas não seria a resposta correta. Também poderia dizer alegria, felicidade, mas, às vezes, até receber um e-mail de uma pessoa querida nos traz felicidade. Por isso, fica em aberto, para quem quiser e conseguir definir, o que é amor e quais são os motivos que levam a saudade?
Em suma, parafraseando Cecília Meireles, pode-se dizer que o verdadeiro amor é, paradoxalmente, uma saudade constante, sem egoísmo nenhum.