Artigo publicado em 28 out 2013 | Este artigo tem 3 Comentários

INTRODUÇÃO

Este artigo reporta a eterna insatisfação do ser humano. Não há bem que satisfaça a condição humana. Portanto, sabemos que, inegavelmente, as pessoas passarão a vida em busca da satisfação. 

“Lacan dizia que a única coisa da qual se pode ser culpado, pelo menos da perspectiva analítica, é de ter cedido do seu desejo (LACAN, 1991, p. 385). Mas que desejo é esse de que falava Lacan? Será o desejo sexual de que também falava Freud em nossos sonhos, mesmo de maneira camuflada?”

A beleza, por exemplo, está inteiramente ligada à sexualidade. Desde a teoria do recalque, Freud mostra que os humanos não acham belos seus órgãos sexuais, pois a excitação sexual se o põe à finitude e à delimitação da beleza. Por outro lado, sendo a Psicanálise a teoria sobre a sexualidade e o prazer, Freud se viu obrigado a refletir sobre o Belo determinado pelas “qualidades do sentir”, ocupando-se, assim, não apenas com o agradável e prazeroso, mas com o desagradável e aflitivo. Desde o chamado da clínica, Freud se viu levado, como nenhum outro pensador, a confrontar-se com o medo, com a repulsa e com o horror.

DO DESEJO

No desejo contemporâneo, estabeleceu-se uma norma de sucesso que inclui o Belo em seu aspecto imediato. A sociedade contemporânea com tecnologias de ponta e tantas outras ofertas, tem a intenção de evitar dores e desprazer, bem como o desagradável e o repulsivo de envelhecer. Assim, desencadeia-se uma psicopatologia de “ser proibido envelhecer”, considerado não apenas inútil, como nocivo.

Nessa arte de compor o Belo, no qual o corpo aparece cada vez mais insignificante e instável, coloca-se o Belo ao lado do prazeroso, e envelhecer é visto como o indesejável e eliminável. Daí os esforços sem medida para modificar os aspectos feios dos corpos e da aparência que vão se modificando ao longo dos anos.

Envelhecer com dignidade é o mínimo que podemos conceber… Atividades físicas, bem como o cuidado com a saúde física e mental faz parte de envelhecer saudável. Mas parece-nos que a aparência e, também, a correção plástica imediata é tão grave e importante para o humano como tratar de uma dor de cabeça crônica!

Freud destacou – a teoria das pulsões e a produção do desejo –, há que se pensar o que são para nós: o Belo, o Feio, o Sublime, mas também o Caricato e, especialmente, a Repulsa…

Os psicanalistas podem ajudar o outro (analisando) encontrar a causa dos seus sintomas, que causam repulsa, ódio, mágoas, etc. O sujeito que passa pelo processo de análise – adentra os meandros da sua psique – desse modo, o sujeito passa a ter ciência da sua subjetividade, que causam conflitos inconscientes. Mas que fique claro: não existe cura para todas as mazelas, mas sim, uma experiência emocional corretiva, que levará o sujeito à viver de forma consciente e menos dolorosa.

DO IMEDIATISMO

Em uma época, que se experimenta cortar e eliminar imediatamente o que não é prazeroso de se ver, para as normas da sociedade contemporânea, cheias de técnicas e resultados imediatos que se situam também diante do que é instável, repulsivo e inútil. Assim, o prazer de ser Belo e das aparências, rodeiam-nos, incansavelmente, as sombras que constituem o mal-estar dos humanos.

CONCLUSÃO

Em suma, para além da dimensão inconsciente de nosso desejo que não nos tira a responsabilidade dele, a questão que nos coloca Lacan, “Agiste conforme teu desejo?”, também nos coloca diante da responsabilidade pelo mal estar que advém da falta/incompletude, a qual nenhum, bem, posse, ou realização humana será capaz de eliminar, pois é a partir dela mesma que nos tornamos humanos.

Autora Luzziane Soprani