Artigo publicado em 25 maio 2013 | Este artigo tem 3 Comentários

A mente de um Psicopata.

“O indivíduo psicopata-perverso é uma pessoa que atua somente em benefício e interesse próprio, não se importa com os meios utilizados para alcançar os seus objetivos”. E o que mais intriga na conduta psicopática, é que estes, são indivíduos desprovidos do sentimento de culpa e dificilmente estabelecem laços afetivos com outra pessoa, quando o fazem, é meramente, por puro interesse. 

Os psicopatas geralmente falam muito, expressam-se com encanto, têm respostas espertas e contam histórias, pouco evidentes, mas convincentes, que lhes deixam em uma boa situação perante as pessoas. Não raro, o observador perspicaz vê que esses sujeitos são muito superficiais e nada sinceros, como se estivessem lendo mecanicamente um texto.

Relatam conhecimentos atrativos, mas para os quais não têm preparo, como poesia, literatura, sociologia, filosofia, psicanálise, psiquiatria, economia ou diversos outros assuntos. Não se preocupam que as manifestações de suas histórias sejam falsas, pois é um acontecimento que nem sempre é fácil de ser percebido, considerando o desembaraço e a imaginação com que envolvem os seus relatos.

“O psicopata tem uma autoestima muito elevada, um grande narcisismo, egocentrismo, megalomania fora do comum, uma sensação onipresente de que pode tudo”. Ou seja, sente-se o “centro do universo” e se crê um ser superior regido por suas próprias normas. É compreensível que, com tal percepção de si mesmo, pareça diante do observador como altamente arrogante, dominante e muito seguro de tudo o que diz.

Fica evidente que ele procura controlar os outros e parece incapaz de compreender que haja pessoas com opiniões diferentes das suas, haja vista não há o que argumentar com esse perfil, sendo ele sempre o senhor das suas razões. Um dos traços mais evidentes do psicopata-perverso é o transtorno narcisista como foi mencionado acima: “Quem não tem vaidade não é normal”, afirmou o psiquiatra, psicanalista Guido Palomba. No entanto, o exagero em querer se sentir superior e a necessidade em rebaixar os demais para se sentir bem é um transtorno de personalidade. “Se caracteriza pelo culto à beleza e à aparência”, descreveu.

Alguém assim não precisa envolver-se em metas realistas de longo prazo e, quando estabelece um objetivo, logo se vê que não tem as qualidades necessárias para alcançá-las, nem sabe, na verdade, que é preciso fazer algo. Ele de fato acredita que suas habilidades lhes permitirão conseguir qualquer coisa. Mentir, enganar e manipular são adjetivos mais do que natural para o psicopata. Quando é perceptível à sua cilada, não se embaraçam; simplesmente mudam a sua história ou distorcem os fatos para que se encaixem novamente no seu discurso.

A convicção com a qual o psicopata-perverso argumenta a sua história vem acompanhada da crença de que o mundo se encontra dividido em dois grupos: os que ganham e os que perdem, de tal modo que lhe parece um absurdo não se aproveitar das fraquezas alheias.”

Os psicopatas parecem possuir uma incapacidade flagrante para sentir de modo profundo a categoria completa das emoções humanas. “Às vezes, ao lado de uma aparência fria e distante, manifestam episódios dramáticos de afetividade, que nada mais é que pequenas exibições de falsas emoções.”

Por que, então, podemos perguntar: uma pessoa assim se casa e constitui uma família? “As razões variam, de maneira evidente; mas em geral a resposta é que, quando fez a opção de casar-se ou ter filhos, naquele momento era uma escolha que servia a seus fins imediatos e acerca da qual não adquiriu nenhum tipo de responsabilidade e/ou dissimulam responsabilidade frente à sociedade, para disfarçar as suas facetas.” Na realidade, os psicopatas usam metáforas, já que, em seu comportamento enganoso e manipulador, a linguagem florida e figurativa joga uma parte importante.

Os psicopatas têm uma inquestionável habilidade de estar rodeado de pessoas mau caráter, que lhes facilitam realizar suas ambições.

“O ser humano está cada vez mais isolado, mais sozinho, apesar de poder se comunicar quase instantaneamente com qualquer parte do mundo. Caso aprenda a viver sem necessitar dos outros, aprenderá a não se preocupar com os outros, um traço básico na personalidade psicopática.”

A conclusão é uma população que alberga, cada vez mais, jovens transformados em adultos sem um claro código de valores, que assumem o olhar cínico e desconfiado de uma sociedade em que o sucesso material talvez seja o único bem seguro e tangível. E, fatidicamente, é assim que caminha a humanidade.

O psicopata está livre das alucinações e dos delírios que constituem os sintomas mais espetaculares da esquizofrenia, ou seja, da estrutura psicótica, que sofre com delírios e alucinações. Por exemplo. Os esquizofrênicos vivem numa “realidade a parte, num mundo fora de si” ou em ruptura com o “mundo verdadeiro”, e, exatamente por isso, não têm noção do que fazem. Já os psicopatas aparentam viver uma normalidade, usam uma “máscara de sanidade”, tornando mais difícil de ser reconhecido e, provavelmente, mais perigoso.

“A característica do psicopata é não demonstrar remorso algum, nem vergonha, quando elabora uma situação que ao resto dos mortais causaria espanto”. Os psicopatas são embotados, ausência total de sentimentos. Eles são razão e passam longe da emoção. Portanto, o cálculo para o psicopata é: 100% razão e 0% emoção.

De acordo com o psiquiatra forense Guido Palomba, um indivíduo com transtorno de personalidade tem três defeitos básicos: são altamente egoístas; não se arrependem dos atos; têm valores morais distorcidos; gostam ou não se incomodam com o sofrimento alheio. “Aparentemente, a pessoa é normal e lúcida, mas tem uma conduta deformada”, disse. “O problema foi descrito pela primeira vez em 1835, como insanidade moral. Ao longo dos anos, já foi chamado de psicopatia, sociopatia, condutopatia e transtorno de personalidade”, lembrou Palomba.

A deformação de conduta pode ou não se manifestar, no entanto, não existe cura para o problema, segundo Palomba. “Existe tratamento para controlar”, afirmou o psiquiatra. De acordo com o psiquiatra e psicanalista da Sociedade Brasileira de Psicanálise Leda Beolchi Spessoto, o indivíduo pode ter predisposição aos transtornos, mas o problema está ligado ao ambiente em que ele vive quando criança. “Os traços se formam na infância, mas devem ser bem analisados na adolescência”, disse.

É natural e compreensível que os pais de jovens com características psicopáticas se questionem quase sempre e até com certo desespero: “O que nós fizemos de errado para que nosso filho seja assim?” Os pais se sentem culpados por acharem que falharam na educação dos seus filhos. Isso é um engano! É fato corriqueiro de que a educação, a estrutura familiar e o ambiente social influenciam na formação da personalidade de um indivíduo e na maneira como ele se relaciona com o mundo. No entanto, esses fatores por si só não são capazes de transformar ninguém em psicopata-perverso.

Então, podemos concluir, que a psicopatia é um quadro que começa a se definir na infância. Segundo a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva: A Medicina só pode dar o diagnóstico de psicopatia a partir dos 18 anos. No entanto, ninguém se transforma em psicopata da noite para o dia. O indivíduo já nasce com essa predisposição. É uma condição com forte marcação genética, cujo cérebro é diferenciado das demais pessoas.

Vale ressaltar que para a psicanálise este transtorno de conduta tem a definição de perverso e a psiquiatria o demarca como psicopata. Mas o resultado final é o mesmo.  Essas características mencionadas são apenas genéricas; para um diagnóstico exato, só pode ser firmado por especialistas no assunto. Além do mais, o leitor deve atentar para a frequência e a intensidade com as quais essas características se manifestam.

 

 

Artigo publicado em 13 maio 2013 | Este artigo tem 2 Comentários

MY WEEK WITH MARILYN

Todo tratamento psicanalítico é uma tentativa para libertar o amor recalcado. Sigmund Freud.

Com tantas mudanças no campo das relações sentimentais, podemos prognosticar que amar requer trocas de reciprocidade e harmonia. Quando só um dos parceiros demonstra seu interesse para manter viva a chama do desejo, o próprio tempo faz com que a parte mais esforçada se desencante. Logo se torna um capítulo ultrapassado, páginas amareladas de um livro da vida, de um tempo distante.

Mas a realidade é outra. Independente dos rumos que a vida contemporânea tenha tomado, a realidade com a qual tratamos as nossas questões sentimentais, como cada um sente, interpreta e vivencia, é antes traçada de acordo com a própria subjetividade. Se para uns sofrer em uma relação amorosa não condiz com o seu script subjetivo, para outros, essa experiência é atemporal.

Longe de ser tema somente das grandes ficções, se desgastar em uma relação marcadamente infeliz são acontecimentos muito comuns. É o que talvez instigue as produções artísticas, pois a paixão tem estrutura de ficção, é uma construção da fantasia e, portanto, atemporal.

Um dos pontos estimulantes para que o encontro entre duas pessoas dê certo, é o investimento de ambas as partes na relação. Como em uma gangorra de um parque de diversões, se o peso é maior para um lado do que para o outro, o desenrolar dos acontecimentos trava.

Perde-se o equilíbrio e também a harmonia.  Não é incomum que um dos parceiros tome para si as rédeas do relacionamento, deixando o outro numa posição submissa. Só que uma relação de amor não pode se basear no jogo dominador-dominado. Para valer a pena, ela precisa ter harmonia, com poderes, direitos, deveres e em quantidades equivalentes, nunca desiguais.

Mas existem as relações que se mantêm no registro da paixão – palavra que vem do latim passionis e significa passividade, sofrimento intenso e prolongado, afeto violento. São relações que não saíram do registro imaginário. A marca da ambivalência entre amor e ódio oscila como em um pêndulo.

É como se a pessoa tivesse ainda na fase da adolescência e pudesse esperar por longo tempo a outra arrumar à sua vida. Se decidir pelos desafetos, desejos não realizados, situações de relacionamentos antigos ou ainda presentes. Esse perfil de relacionamento traz um déficit enorme para aquele que está na espera e a disposição do outro.

O que é visto nesse “sentimento de amor” é o aprisionamento do outro. O que é buscado já está traçado em uma espécie de roteiro imaginário no qual o parceiro tem a obrigação de corresponder. É um jogo inconsciente em que, para um ficar em uma posição idealizada, precisa manter o outro, que também se mantém em uma posição de carência.

O jogo está armado. Como é possível que algo dessa natureza se sustente? Entra em cena, então, a angústia de esperar. E possível que este tempo de espera seja sofrido, não raro tem como característica não ter solução e, portanto, não ter fim. “Sofro para te fazer atraente” – é a posição do que sofre para, através do sofrimento, manter a relação. Talvez se o sofrimento acabasse a relação terminaria. Mas é o jogo da incerteza que mantém o interesse, o que caracteriza uma maneira destrutiva de se relacionar. O desejo de mudar e esperar pelo o outro, se torna uma devoção.

Desejar alguém nesse contexto, traz em contrapartida, sentimentos conflituosos de rejeição. Uma relação precisa de envolvimento, porque quem não se envolve não se desenvolve. Por isso, basicamente, a necessidade é de se investir na mesma medida e de falar sobre isso, no “tête-à-tête”, sempre que necessário, sem desculpas de que o outro funciona “assim mesmo”. Quem tenta levar um relacionamento adiante achando que o parceiro (a) vai começar a investir mais, por si mesmo, sem ter sido despertado para a importância que essa atitude tem para a relação, pode um dia acordar e ver que o parceiro ou a parceira já partiu há muito tempo, mesmo estando fisicamente lado a lado.

 

 

 

 

 

Artigo publicado em 09 maio 2013 | Este artigo tem 5 Comentários

Psicanalista nega distinção entre vida real e virtual. Luzziane Soprani.

As relações afetivas construídas na internet e a forma como nos mostramos nas redes sociais não são nada virtuais. Ao contrário, são muito reais. Psicanalista que figura entre os mais famosos no Brasil, Contardo Calligaris vai contra discursos que diferenciam relacionamentos ou atitudes na rede dos realizados no mundo “físico”. Para ele, amizades ou romances mantidos na web valem o mesmo que os mantidos fora dela. E comportamentos muitas vezes exóticos assumidos virtualmente são só o reflexo de características já existentes no indivíduo. O espetáculo “O Homem da Tarja Preta” – retrata um homem casado e pai de duas filhas que, na madrugada, assume o papel de travesti em chats.

Calligaris diz que é sintoma da web hoje. “Esse foi um dos grandes efeitos civilizatórios da rede. Antes dela, um cara que tivesse uma fantasia desse tipo se sentiria um monstro que precisava de tratamento, pois julgava que só ele tinha isso. E mudou. Na internet, descobre que milhares de pessoas vivem as mesmas fantasias que ele, vê que não está só.”

Diz o psicanalista que isso não é somente para fantasias sexuais. Vale para colecionadores de relógios antigos, quem gosta de botões, enfim, tudo o que pode fascinar um indivíduo e que ele deixa escondido por medo de não ser aceito.

É justamente aí que entra a questão de o personagem no mundo virtual não ser um personagem, mas o mesmo indivíduo do mundo real.

Para Calligaris, o homem que se oferece na web como travesti para machões, na verdade, é tão real como o homem que é casado e pai de dois filhos. “Acontece que ninguém se mostra por inteiro para ninguém. Todo mundo tem diferentes facetas para certos momentos. Mesmo as esposas não sabem tudo de seus maridos”, diz ele, depois usando o repórter como exemplo: “Você entrou aqui, se apresentou como Rodrigo, vi que tinha barba, cabelo estilo anos 60, mas não sei da sua vida, se pratica sexo no Ibirapuera à noite, por exemplo.”

É para essas coisas que se escondem na personalidade, que a web entra de forma libertária, quando o sujeito encontra outras pessoas que compartilham traços. Nos e-mails que o psicanalista recebe pela sua coluna, por exemplo, Calligaris diz que alguns trazem ofensas, até com palavras de baixo calão. “Pessoalmente, o sujeito não diria isso. Mas na web se sente à vontade, pois já está acostumado com o espírito.”

A mesma coisa pode ser notada nas celebridades que surgem na rede mundial, como a maior-cantora, Susan Boyle, que apareceu em um programa de calouros do Reino Unido e recebeu milhões de visitas no YouTube. “Na rede, as pessoas colocam facetas que esconderiam. É o melhor lugar para mostrar o seu talento. Se não der em nada, não deu.”

Da mesma forma como as ações, as relações que nascem na rede não são virtuais, defende. Mesmo com o mito de que se mente mais na rede quando se quer conhecer um parceiro ou amigos, o psicanalista defende que o comportamento é o mesmo do mundo real. “Quando se conhece alguém no mundo físico, é como um baile de máscaras. Você nunca sabe tudo. Mesmo fisicamente, as pessoas fazem cirurgias plásticas.”

Para ele, o jogo de esconde e mostra da internet – tanto na personalidade como fisicamente – faz parte da “parte lúdica”. “Há casais que se conhecem na web e se casam. E outras pessoas que não se conhecem fisicamente, mas mantém uma relação muito real. Não há distinção entre real e virtual.”

Contardo Calligaris é italiano radicado no Brasil: além de psicanalista, é escritor, colunista da “Folha de S. Paulo” e agora dramaturgo. E assina o texto do espetáculo “O Homem da Tarja Preta”.

Fonte: Por Rodrigo Martins.

São Paulo, 06 (AE).

Concordo com o psicanalista Contardo Calligaris. Concluo que relacionamentos virtuais podem dar certo. Da mesma forma que relacionamentos “reais” podem dar errado. Não existe uma fórmula secreta e/ou uma cartilha a ser seguida, se fosse assim, os livros – Best Sellers nos trariam fórmulas mágicas e estaríamos a salvos! Fato é que, devemos tomar cuidado sempre e observar muito antes de qualquer acontecimento, sendo real ou virtual. Não raro, se ficarmos ligados o virtual entrega até mais que o real. Existem inúmeros casos de relacionamentos pela internet que deram certo. Tem muita gente que consegue transformar esses encontros virtuais em namoros reais e até em casamentos. Enfim, não há uma regra, mas sempre devemos ter muito cuidado sendo o relacionamento real ou virtual. Mas que fique claro, nada é tão seguro, enquanto cérebros vivos.Psicanalista nega distinção entre vida real e virtual.

 

Artigo publicado em 02 maio 2013 | Este artigo tem 4 Comentários

O Luto. A finitude do contato físico.

“Toda perda grave gera um luto: A perda é uma das situações mais traumáticas da vida de um ser humano. O luto é a perda de pessoas próximas ou de situações que têm uma relação de vínculo conosco; há uma grande carga energética vinculada. É um processo de elaboração para que essa ferida sare. É muito importante a pessoa realizar que de fato a perda ocorreu”. (KOVÁCS, 1998).

O luto é um movimento de afastamento forçado e doloroso do que tanto amamos que não existe mais, somos obrigados a nos destacar dentro de nós, do ser amado que perdemos. Seria como identificar-se (ficar com) com o melhor do objeto perdido dentro de nós e enterrar o resto. Segundo Fernando Ulloa, luto congelado é um luto diferido, adiado, que pode ser mantido por muitos anos e se caracteriza quando é trabalhado na psicoterapia. O luto em processo de negação é uma espécie de estagnação, de sofrimento congelado.

Freud sustenta que a imagem do objeto perdido é a sua “sombra”, que cai sobre o eu e encobre uma parte dele. A dor é uma reação. E ante o transtorno pulsional introduzido pela perda do objeto amado, o eu se ergue: apela a todas as suas forças vivas. Mesmo com o risco de esgotar-se. E as concentra num único ponto, o da representação psíquica do amado perdido.

A dor ocorre cada vez que acontece um deslocamento maciço e súbito de energia. Assim o desinvestimento do eu dói, e o desinvestimento da imagem também dói, o que dói não é perder o ser amado, mas continuar a amá-lo mais que nunca, mesmo sabendo-o irremediavelmente perdido. “Mas é necessário separar-se do ente querido, ou seja, da parte física e isso é possível com o processo do luto”. O luto é um longo caminho que começa com a dor viva da perda de um ser querido e declina com a aceitação serena da realidade, da perda e do caráter definitivo da sua ausência. Durante esse processo, a dor aparece sob forma de acessos isolados de pesar. O luto é desfazer lentamente o que se coagulara precipitadamente”. Costumamos ouvir das pessoas próximas, que com tempo a gente aceita à morte, a verdade é que não há aceitação da morte, e sim, apenas convivemos com a ausência do nosso ente querido. Mas para que isso oconteça é necessário fazer o processo do luto, não entrar no processo de negação.

Freud disse que o luto é uma retirada do investimento afetivo da representação psíquica do objeto amado e perdido. O luto é um processo de desamor, é um trabalho de luta, detalhado e doloroso. Pode durar dias, semanas e até meses, ou ainda toda uma vida…

Quanto mais deixamos a morte de lado, mais ela se aproxima. Quanto mais nos dedicarmos a diminuir nosso egoísmo, mais descobrimos que não só teremos menos medo de morrer como também teremos menos medo de viver.

Atualmente o mundo vem sendo marcado por perdas cotidianas, são dezenas de pessoas que morrem em sinistros desastres, personalidades e familiares acometidos das mazelas da modernidade que nos deixam todos os dias, analisando este panorama que se configura em nossas vidas devemos levar em consideração a necessidade de trabalharmos nossas crenças, filosofias e sentimentos, já que eles são inerentes a qualquer ser humano. Uma vez que somos seres racionais e dotados de subjetividade. Em diversas situações, o aspecto emocional prevalece ao racional. Entendemos que não há como negar nossos sentimentos nos momentos de contato com a morte, precisamos “administrar” os sentimentos e emoções, por mais difícil que isto seja. Pois é algo muito complexo para todos nós lidarmos com o fim de uma existência física, de alguém que construiu uma vida, que fez parte de uma história ou alguém ao qual tinham planos futuros de sua existência.

“Nunca estamos tão mal protegidos contra o sofrimento como quando amamos, nunca estamos tão irremediavelmente infelizes como quando perdemos a pessoa amada”. Assim, o amado me protege contra a dor enquanto seu ser palpita em sincronia com os batimentos dos meus sentidos. “Mas basta que ele morra bruscamente para que eu sofra como nunca”.

Bibliografia:

Material de EFAPO/CEBRAFAPO. Freud, S., Obras Completas. Nasio, Juan-David, O Livro da Dor e do Amor, J. Zahar Editor, Rio de Janeiro, 1997. M. Ramirez.