Artigo publicado em 25 abr 2013 | Este artigo tem 1 Comentário

Terapia Psicanalitica

TERAPIA VIRTUAL.

Muitas pessoas ainda não conhecem, ou ainda, nunca ouviram falar, pois é uma novidade que chegou para ajudar. A terapia virtual é uma orientação psicológica online, ou seja, via Internet, que tem o mesmo propósito da terapia no consultório. A pessoa conversa ao vivo com o psicanalista, psicólogo ou psicoterapeuta, através de conversas digitadas, via Skype e outras ferramentas utilizadas na internet. Por exemplo, existem opções de voz onde a pessoa conversa ao vivo com o psicanalista, psicólogo ou psicoterapeuta – através do áudio e também através de Webcam – a pessoa pode conversar com chat e voz ao mesmo tempo, e ao vivo. O Diferencial é que o analisado pode ter um atendimento de qualquer parte do mundo em que se encontrar.  Não precisará se ausentar da terapia, devido aos compromissos relacionados ao trabalho, viagens e afins.

NA ARGENTINA.

Ao menos 35% dos psicanalistas de Buenos Aires já atendem via Skype ou chat clientes do país com mais psicólogos per capita.

Abrir mão da terapia é um sacrifício que muitos argentinos não estão dispostos a fazer. No país que ocupa o primeiro lugar na Organização Mundial da Saúde (OMS) em número de psicólogos por habitantes – 106 profissionais para cada 100 mil pessoas – a psicanálise faz parte da rotina semanal de milhões de pessoas que, nos últimos anos, começaram a usar novas tecnologias como única alternativa para continuar um tratamento. Após a crise econômica de 2001, alguns pacientes tiveram de rumar para o exílio e precisaram, mais do que nunca, de um acompanhamento terapêutico; outros moram longe dos consultórios e não têm tempo de enfrentar o trânsito cada vez mais infernal da capital Argentina. A lista de obstáculos é grande e levou muitos psicanalistas a flexibilizarem sua metodologia, incluindo uma opção ainda questionada por alguns de seus colegas: a terapia online.

Atualmente, a Associação Psicanalítica de Buenos Aires (APdeBA) estima que 35% de seus membros já se renderam aos encantos da consulta virtual, utilizando programas como Skype, ou algum outro sistema de ligação via computador ou até mesmo de chat.

— Comecei a fazer consultas via Skype há dez anos, e os resultados foram muito bons – conta Adriana Guraieb, que pertence à Associação Psicanalítica Argentina (APA), uma das pioneiras em terapias online.

CONSTANTE MONTANHA RUSSA.

Muitos de seus pacientes abandonaram o país durante os difíceis momentos em que a economia despencava e a taxa de desemprego alcançava mais de 20%.

— Foram tempos terríveis para todos, e contar com a ajuda profissional de um compatriota foi fundamental para muitos exilados – diz Adriana.

Hoje, cerca de 50% de seus pacientes fazem o tratamento online. São pessoas que cuidam de pais idosos, têm filhos pequenos ou estão passando por crises agudas de depressão e ataques de pânico, por exemplo. Quando surge um impedimento maior, Adriana e outros analistas argentinos não hesitam em oferecer um sistema que permita a continuidade do trabalho psicanalítico.

— Viver na Argentina não é fácil, estamos sempre numa montanha russa. Por isso os argentinos precisam tanto dos terapeutas, e por isso somos cada vez mais. Vivemos em constante tensão – afirma Adriana.

— As terapias online são muito interessantes e necessárias num país como o nosso – afirma o psicanalista Miguel Espeche, que também atende pacientes pelo computador.

Segundo ele, o resultado desse tipo de tratamento é surpreendente.

— Conversei com muitos colegas e todos concordamos em afirmar que está dando certo – assegura Espeche.

Ele lembrou que os analistas não foram treinados para realizar este tipo de trabalho, mas estão aprendendo e evoluindo com a prática. Outros profissionais como Adriana Martínez, da Fundação Buenos Aires, são mais cautelosos. Segundo ela, “é importante poder ter sempre um caminho alternativo de contato entre o terapeuta e o paciente”.

CRESCIMENTO TAMBÉM FORA DA REDE.

Os consultórios psicológicos continuam se multiplicando em bairros portenhos como Recoleta, Palermo e Belgrano. As faculdades de psicologia têm cada vez mais alunos e hoje, diferentemente de outros momentos, como durante a última ditadura (1976-1983), quando centenas de profissionais foram obrigados a exilar-se, a maioria exerce sua profissão no país. O fenômeno social continua crescendo, mas também adquirindo novos contornos para adaptar-se à realidade dos pacientes. Para muitos argentinos, como Cecilia Bonel, que trabalha a cem quilômetros da capital, ter uma consulta presencial é uma verdadeira missão impossível. Há três anos, ela optou pela terapia online.

— O tempo que perdemos para nos locomovermos causa ainda mais estresse – disse Cecilia. Para ela, se o paciente está realmente comprometido com o tratamento, “a terapia virtual é bastante positiva”.

Psicanálise virtual.

Fonte:  O GLOBO MUNDO.

 

Artigo publicado em 22 abr 2013 | Este artigo tem 4 Comentários

O relacionamento da histérica com o obsessivo.

“É a verdade do que esse desejo foi em sua história que o sujeito grita através de seu sintoma.” (Jacques Lacan, Escritos)

INTRODUÇÃO:

A apresentação deste artigo tem como objetivo abordar a Histeria versus Obsessão. Indicando que a psicanálise e a psicoterapia psicanalítica são abordagens terapêuticas eficazes nessas categorias diagnosticadas.

Para a psicanálise, há três Estruturas Clínicas: Neurose, Psicose e Perversão. Entretanto, a psiquiatria não utiliza a nomenclatura Perversão, mas, sim, Psicopatia, muito embora tenha o mesmo significado, quando abordamos essa estrutura clínica. No entanto, o presente artigo busca elucidar de forma concisa a estrutura Neurótica, que ficará restrita aos dois principais tipos clínicos de neurose: Obsessão e Histeria.

DA HISTERIA X OBSESSÃO:

 “Há quem diga que as pessoas, na verdade, não encontram “o parceiro”, e sim a neurose que as completa”.

“Segundo o psicanalista e psiquiatra, Jorge Forbes: É fato corriqueiro que neuroses se atraem. O mais conhecido é o par mulher-histérica, homem-obssessivo. Ela o alimenta com a sua eterna insatisfação, ele lhe responde com a onipotência servil que ela adora, pois dá nova chance dela reclamar que não é ainda bem isso o que ela queria, o que faz que ele tente uma nova resposta, e assim por diante, até que a morte os separe, ou um deles se trate”.

Com base nesse ponto de vista, o relacionamento da histérica com o obsessivo reproduz o encaixe do parafuso com a porca, que traz a confiança da existência na intensidade entre os sexos, na complementação de um pelo outro. Eis aí o apelo imaginário que sustenta a união, mas eis aí, também, o logro que faz a tormenta do casal. “O domínio de tapar do obsessivo só tem semelhança na angústia de esburacar da histérica.”

Como o obsessivo trata a histérica? O ser da histérica é atraído pela paixão à figura do Mestre, pela paixão e admiração ao seu conhecimento. O sujeito histérico é o objeto perfeito para o sujeito obsessivo. Existe nessa parceria um conluio inconsciente entre o histérico e o obsessivo.

E como a histérica seduz o obsessivo? O ser da histérica é como a abelha rainha que faz seu voo nupcial com zangão e depois mata-o. Sua intenção num primeiro momento, é a de reconhecê-lo, mas, num segundo momento, é a de destituí-lo e/ou destruí-lo ao apontar-lhe a falta. Por exemplo, é como à mulher debochada que “prova” ao seu marido que ele não consegue amá-la da forma como ela deseja.

“O sujeito da obsessão, por seu turno, visa de imediato à destruição do outro na constituição de seu desejo. Trata-se de uma destruição articulada no nível do significante. Isso num primeiro momento. O problema é que a destruição do outro, nesses termos, resulta na destruição do próprio sujeito, pois se trata do sujeito da fala. Como consequência, o obsessivo, num segundo momento, visa à restauração amorosa do outro. O que era ódio se converte em servidão. Tudo para o outro. Na tentativa de reparar o dano causado” (Teixeira, 2010, p. 51-61).

DO DESAFIO ENTRE HISTÉRICA X OBSESSIVO:

Por isso, a histérica e o obsessivo estão sempre em constante conflito. Razão pela qual o relacionamento da histérica com o obsessivo poderá continuar para sempre até que a morte os separe, mas, em contrapartida, tem tudo para acabar pelos intensos e destrutivos conflitos. Muito embora, esse final não seja objetivo é por conseguinte subjetivo. Não temos como prognosticar.

E qual é a posição da histérica? Basicamente, ela se apresenta como a toda poderosa, sedutora, encantadora, instigante, manipuladora, provocativa sexualmente. Entretanto, existe algo de particular nessa oferta; ela retrocede, ou se retira, quando o conquistador se aproxima. Ela se põe como objeto que se furta de um compromisso.

Mas, essa estrutura, é bem conhecida pela a forma segundo a qual a histérica tem desejo de desejo insatisfeito. Satisfazer o desejo é destruir o desejo; sendo assim, insatisfazê-lo é elevá-lo à sua plenitude. Nada de gozo. A histérica não quer gozar. De forma mais clara, a histérica não quer realizar. A histérica seduz, mas não realiza. Deixando o obsessivo sempre a correr atrás daquilo que quem sabe poderá um dia preencher a sua insatisfação. Nesse aspecto, obsessivo e histérico não encontram o caminho certo para que ambos se entendam. Aliás, entre essas duas estruturas isso é praticamente impossível.

Eis a questão, se o obsessivo anula a histérica – ele destitui o parceiro  como sujeito, ele o reduz à condição de objeto – objeto de seu gozo. A histérica ocupa a posição de objeto com prontidão, nesse aspecto, ela favorece a parceria amorosa com o obsessivo. Por outro lado, o encontro do desejo impossível de um com o desejo insatisfeito do outro é um embaraço previsto dos seus constantes conflitos, porém, instigante e sedutor.

E qual a posição subjetiva do obsessivo em relação à questão do desejo? Para ele, o objeto de desejo é ilusóriamente sustentado pela proibição do outro, ou seja, da histérica. O suplício do obsessivo, então, é este: o desejo desaparece quando o objeto a ele se entrega. De forma mais clara, o obsessivo deseja a conquista, isso o instiga, mas quando ele conquista, corre o risco de perder o desejo, ou vai atrás de algo mais desafiante.
Eis o porquê, a histérica e o obsessivo mantém uma relação de desafios. O desafio os instiga a manter o jogo da conquista.

“Existem pessoas que se deixam atrair tanto pelas qualidades quanto pelos defeitos das outras. E existem pessoas que se deixam atrair mais pelos defeitos. Trazem algo dentro de si, inconscientemente, ou, às vezes consciente, mas por seus dilemas não conseguem “corrigir” a causa, desencadeando nos sintomas”.

CONCLUSÃO:

Segundo o psicanalista Jorge Forbes, “O defeito também é sedutor, atração não segue regra de bom senso algum. Os exemplos são inúmeros, desde os mais banais, da mulher-enfermeira, sempre correndo atrás de um homem problemático que ela vai salvar; ou do homem-professor que quer ensinar a fineza da vida à mulher debochada, como em My Fair Lady. A relação dura enquanto houver o defeito, por isso que muitos namorados ou namoradas não querem que seus parceiros façam análise: têm medo de perde-los”.

Concluímos que a parceria amorosa da histérica com o obsessivo é de tal ordem que os aspectos determinantes da aproximação são exatamente os mesmos que desnorteiam o relacionamento. Dizer que tem tudo para dar certo é tão oriundo como afirmar que tem tudo para dar errado. Mais uma vez, não há regras, não há garantias e não há como se guiar por valores universais. As estruturas e os tipos clínicos são generalizações, são abordagens universalizadoras. Numa experiência psicanalítica, cada parceria, cada sujeito terá uma história e um desfecho que serão da ordem da singularidade, e não há estatística possível quando o caso é singular.

 

Referências

LACAN, J. (1985). O Seminário: livro 3: as psicoses. (1955-1956). Rio de Janeiro: Jorge Zahar.

Soler, C. (1993). Fines del analisis. Historia y teoria. In: Finales de Analisis. (p. 29). Buenos Aires: Manantial

Teixeira, A. M. R. (2010, janeiro/julho). As bodas sintomáticas do obsessivo com a histérica. In: Agora: estudos em Teoria Psicanalítica, 13 (1), 51-61

Forbes, Jorge – Conferências. In: Você quer o que deseja?, São Paulo: Editora Best Seller, 2003, p. 63-107

Francisco Paes Barreto – A Direção do Tratamento da Histérica e do Obsessivo

Artigo publicado em 16 abr 2013 | Este artigo tem 4 Comentários

Casamento busca solidez e estabilidade 1
“Quanto maior for a extensão da inconsciência, tanto menor se tratará de uma escolha livre no casamento; de modo subjetivo isto se faz notar pela coação do destino, claramente perceptível em toda pessoa apaixonada” Jung.

A união entre duas pessoas é um acontecimento que, por mais antigo que seja ainda provoca um “estremecer” pelo fato de demandar questionamentos que homem e mulher nunca antes haviam feito. A estabilidade amorosa, reproduzida por uma união, muitas vezes unida pelo sacramento matrimonial diante do altar, já não é mais a mesma para a era contemporânea. Diante de novos perfis de relacionamentos, já não têm mais o mesmo sentido de antes. Pensar que a paixão e o amor são adjetivos de união eterna é uma ilusão que os parceiros já não se submetem a fantasiar. Para alguns especialistas em comportamento humano, o casamento é um exemplo de construção a dois, de um novo modelo, que não pode ser nem de um, nem do outro. De maneira mais específica: é um momento de adaptação de expectativas a um ponto de racionalização entre o irreal e o possível, onde ambos os parceiros deverão aprender a conviver com os pequenos problemas do cotidiano, para viver a realidade do possível.

O articulista Paulo Rebêlo relata em um artigo que, “adultos são tão ou mais crianças do que os próprios filhos”. Segundo Rebêlo é uma verdade tão factual que chega a ser embaraçosa, pois muita gente, quando sai de um relacionamento, mira-se no espelho e percebe o quanto atitudes infantis podem ter influenciado de forma negativa na união.

Homens e mulheres não permanecem mais em um casamento com tanta dependência. Estão mais libertos disto, ou seja, se desvincularam de ter de ficar com o outro mesmo com tantas inseguranças. Já não se sacrificam para permanecer com o parceiro. A mulher está mais segura, e quer um parceiro que a respeite e apoie. Já o homem não aceita uma mulher que não compartilhe com ele suas conquistas. Os dois mantêm-se juntos pela parceria da construção de uma família, que é um relacionamento sustentado em projetos comuns, respeito e um bom relacionamento afetivo.

Gikovate afirma: “Outro fator de peso está nas diferenças de temperamento (generosos e egoístas são bastante diferentes), de gosto e interesses. Na vida prática, no dia a dia, as divergências de opinião e a falta de um projeto comum provocam irritação permanente. E isso não vale só para as grandes diferenças. (…) E assim por diante. São justamente estas pequenas contradições que provocam a irritação, a raiva e, portanto, a maioria das brigas”.

Mas, nos melindres da relação, às mulheres, às vezes, são mais atentas que os homens, numa tentativa de constatar se fizeram realmente a escolha certa. “Quem quer casar-se pode chegar numa terapia de casais, mesmo no caso de namorados. O que é uma decisão muito saudável” – avalia Luiza Ricotta – psicóloga e escritora. O psicanalista carioca Paulo Sternick afirma que é muito comum encontrar dois extremos: os que decidem rápido, com segurança suspeita, como se nada estivesse ocorrendo, negando as preocupações; e aqueles que não conseguem decidir, tomados por incerteza e medo, incapazes de afastar as dúvidas diante do altar. Ele diz, porém, que nenhuma escolha é cem por cento certa. E as pessoas vivem, hoje, numa cultura indeterminista, e, portanto, é preciso adequar o pensamento à situação. O psicanalista Paulo Sternick – recorre à definição dada pelo filósofo Jean Baudrillard – para esclarecer que o ser humano jamais foi exemplo de estabilidade. No passado é que houve, isto sim, um modo de moldá-lo e descrevê-lo como se pudesse ser lógico, coerente e estável.

Em suma, é necessário ter em mente que se valer a pena ficar com o Outro, é importante ser capaz de tolerar as diferenças.

 

Artigo publicado em 10 abr 2013 | Este artigo tem 2 Comentários

sadomasoquismo-3

Nesse artigo o objetivo é articular a noção de sadismo e masoquismo. Parte-se da hipótese de que as noções de sadismo e masoquismo presentes nos primórdios da obra freudiana indicam uma intuição de Freud a respeito da pulsão de morte, anterior à formulação desse conceito. Psicanálise & Barroco em revista v.9, n.2 : 161-177, dez.2011.

Pontos de vista tradicionais comumente definem que Sadismo e Masoquismo é uma “perversão” onde pessoas têm prazer em atividades sexuais que inflijam dor e/ou humilhação. A pessoa que se excita sexualmente por infligir dor/humilhação é chamada de “sádico”. A pessoa que se excita sexualmente por receber estímulos dolorosos/humilhantes é chamada de “masoquista”. A palavra “perversão” foi originalmente usada dentro da terminologia legal, o equivalente psiquiátrico mais moderno seria “parafilia” ou “desvio sexual” (DSM-IV, ICD-10).

Aqueles que sofreram algum tipo de dor ou frustração e foram submetidos muito cedo, mais provavelmente na infância, se protegem um ferindo e o outro, aceitando o sofrimento que lhe é imposto. Com desprezo ou ameaça, o sádico não consegue amar e é difícil tirá-lo dessa condição. Já o masoquista pode mudar com maior facilidade. Mas é preciso muito empenho para se conscientizar e ter a mesma consideração por si como tem pelo outro.

Quando entre um casal prevalece a dinâmica masoquista e, no outro, a sádica, forma utopicamente, o par perfeito. A questão é que eles não podem celebrar essa perfeição, uma vez que estão aprisionados a seus respectivos sofrimentos.

Vale ressaltar que o que caracteriza o masoquista não é gostar de sofrer. O masoquista escolhe o sofrimento que prefere ter, ou seja, ampara-se no abrigo de um sofrimento conhecido, temeroso de ser dominado por uma dor ainda maior, porém desconhecida. Suas fantasias desastrosas a respeito do outro, da vida e do destino o levam a exercer algum controle sobre essas repetições, mostrando-se inevitavelmente, capaz de suportar frustrações. Com esse movimento, o “outro malvado que infunde medo” é coberto pelo alucinógeno do masoquista, com o qual ele imagina mantê-lo refém.

Na visão psicanalítica o “sadismo” é quase sempre entendido como reação primária e o “masoquismo” como reação secundária ao trauma. O “masoquismo” é secundário no sentido de que o “sadismo” é dirigido para dentro, contra si mesmo. Se a criança tem uma mãe que nega satisfazer suas necessidades, ela pode, quando adulta, procurar vingança em fantasias sádicas e possivelmente realizá-las sexualmente contra mulheres. Sadismo “oral”, “anal” e “fálico” foram postulados. Dessa forma, a vingança pode vir como resultado da angústia de castração na fase edípica (“fálica”). O conflito edípico pode, alternativamente, resultar diretamente em submissão (sendo assim, em masoquismo), como estratégia de fuga. Ele “deixa estar” por desistência.

A compulsão à repetição é notável no pensamento psicanalítico. “Pessoas sádicas” precisam recriar um velho cenário traumático na tentativa e resolver, aqui e agora, o que foi impossível de resolver no passado. Se, por exemplo, a criança foi espancada pela mãe, ela pode precisar repetir esse cenário tendo uma namorada (o) fazendo o mesmo quando adulto. Ou ele pode reverter essa situação espancando e/ou humilhando à sua namorada (o).

Percebemos, portanto, algumas diferenças importantes. O masoquista ao doar-se declara a existência do outro. Esse jeito demonstra sua natureza e sua índole ética e generosa, mesmo quando se considera que ele desonera da reciprocidade e parece sobreviver sem ela. O sádico, ao contrário, não vê o outro como existente, uma vez que de tudo faz para impedi-lo de todo e qualquer tipo de recompensa. O masoquista pode desenvolver por si mesmo consideração semelhante à que ele tem pelo outro. O sádico, excessivamente, não pode desenvolver pelo outro qualquer consideração, porque com isso afirmaria o valor de um objeto prognosticado como muito ameaçador.

 

 

 

 

 

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