Artigo publicado em 26 fev 2013 | Este artigo tem 2 Comentários

A Família e o Desenvolvimento Humano.

Para falarmos sobre desenvolvimento familiar vale ressaltar o complexo de Édipo. O termo complexo de Édipo é bastante conhecido e difundido, porém pouco compreendido. O Complexo de Édipo é a interação do filho com o relacionamento dos pais.

Complexo de Édipo – Conceito em psicanálise.

Complexo de Édipo é um conceito fundamental para a psicanálise, entendido por esta como sendo universal e, portanto, característico de todos os seres humanos. O Complexo de Édipo caracteriza-se por sentimentos contraditórios de amor e hostilidade. Metaforicamente, este conceito é visto como amor à mãe e ódio ao pai (não que o pai seja exclusivo, pode ser qualquer outra pessoa que desvie a atenção que ela tem para com o filho), mas esta ideia permanece, apenas, porque o mundo infantil resume-se a estas figuras parentais ou aos representantes delas. Uma vez que o ser humano não pode ser concebido sem um pai ou uma mãe (ainda que nunca venha a conhecer uma destas partes ou as duas), a relação que existe nesta tríade é, segundo a psicanálise, a essência do conflito do ser humano.

Melanie Klein afirma que o Complexo de Édipo inicia-se nos primeiros anos de vida, e que possui um começo semelhante em ambos os sexos, sendo o seio materno o marco primeiro para a situação edípica. (…). O bebê, após o nascimento, julga ser a mãe um prolongamento do próprio corpo, cuja finalidade é atendê-lo sistematicamente, bastando para isso acionar o desejo-pensamento. (Eu penso e as coisas acontecem). Com o crescimento, esta percepção sofre algumas modificações, a partir do momento em que o bebê percebe que a mãe é um ser independente dele, e não um apêndice funcional e escravizado pelos desejos e necessidades. Essa percepção, juntamente com a observância de que existe um vínculo entre o pai e a mãe, prepara o alicerce para o Complexo de Édipo. 1 (Segal, Hanna. Introdução à Obra de Melanie Klein. Imago Editora, 1975. Pág. 93.).

O objetivo desse artigo em termos gerais é elucidar a forma de como o sujeito encontrou para resolver o seu primeiro interesse amoroso ou interesse sexual.  No entanto, usar o termo interesse AMOROSO é mais simples de ser aceito do que o termo interesse SEXUAL, que normalmente é sentido pelo genitor do sexo oposto. Amor e sexualidade não são coisas distintas nas crianças, elas fazem parte do mesmo sentimento. A forma como a criança lida com essa fase edípica é transportada para seus futuros relacionamentos amorosos. Por isso, é importante uma boa relação familiar. Partindo desse ponto de vista, a relação dos pais influencia o desenvolvimento psico-afetivo de seus filhos.

A família possui um papel primordial no amadurecimento e desenvolvimento biopsicossocial dos indivíduos, apresentando algumas funções primordiais, as quais podem ser agrupadas em três categorias que estão intimamente relacionadas: funções biológicas (sobrevivência do indivíduo), psicológicas e sociais (Osório, 1996).

Quando falamos em interesse sexual infantil não se pode entender como se fosse o mesmo interesse sexual do adulto. As crianças não estão desejando transar com os pais – é um desejo diferente. É a ideia de ter alguém que passa a sensação de proteção. As aplicações e consequências do Complexo de Édipo são encaminhadas para toda vida, e determinam em grande parte a forma de agir e de relacionar-se que o sujeito terá com o mundo, inclusive, com seus parceiros. Por isso, as qualidades da convivência dos pais, provavelmente, vão interferir na vida amorosa dos filhos.

Os pais que têm um entendimento melhor do contexto familiar e/ou que se preocupam mais com os melindres da educação de um filho têm dúvidas sobre como agir nesse período da vida da criança – que ocorre por volta dos 3 e 5 anos de idade. O que acontece geralmente é um afastamento por parte do adulto, ou mesmo, a desaprovação explícita do comportamento da criança, da manifestação do seu amor. Por vezes, reprimi-la e envergonha-la em suas demonstrações de afetos acaba sendo o mais comum.

Com base nessa relação entre pais e filhos: Toda criança espera e necessita da aprovação dos pais para aceitação de si mesma… As consequências de uma educação repressora ou evasiva seguem por toda a vida do indivíduo. E dessa maneira o amor e a sexualidade se transformam em sentimentos completamente distintos.

As famílias bem-sucedidas, que as relações dos adultos são saudáveis – entre mãe e pai – e que ambos reconhecem à sua própria sexualidade e a importância desta na vida do casal, permitem que seus filhos também sejam seres sexualizados e bem-resolvidos. A dificuldade de lidar com a sexualidade do filho – pode surgir dos pais que não conhecem e, não lidam bem, com sua própria sexualidade. De todas as condições possíveis essa relação seria a mais comum. A despeito disso, estando os genitores separados, àquele que se sente carente afetivamente, preenche a ausência do ex-companheiro com a criança, e esta passa ocupar o lugar que era destinado ao companheiro – e não ao filho. Casos muito comuns também são àquelas pessoas que não aceitam a separação, e usam a criança como “escudo” para provocar e se defender do ex-parceiro. Desencadeando, desse modo, diversos transtornos futuros na vida da criança.

Às vezes, por cautela e/ou preconceitos de uma educação repressiva, os pais se perdem na educação dos filhos e repetem o mesmo processo de educação que tiveram. E ao separar sexo e amor na infância acaba por desencadear relacionamentos adultos que não são capazes de satisfazer nos dois sentidos. Dessa forma, o sexo é colocado muitas vezes de maneira promíscua. O valor do amor e o sexo deveriam caminhar juntos. Assim, teríamos relacionamentos/casamentos que além de proteção e aconchego dariam prazer sexual adulto. Teríamos relações sexuais que além do prazer envolveria amor e respeito.

É considerável que as abordagens amorosas da criança em relação aos pais sejam de certa forma frustradas, mas que ainda assim: é necessário que os pais reconheçam que seu filho (a) é um Ser sexualizado e capaz de amar. Alguém digno de amor. A criança terá um modelo saudável de como relacionar-se amorosamente com os outros e com os próprios pais. Para isto precisamos de pais que cuidem de nossas necessidades e estimulem nossas capacidades para singrarmos mares. O Navio não foi feito para ficar ancorado no porto. Há muitos indivíduos ancorados inconscientemente. E isso não é raro.

 

 

 

 

 

 

 

Artigo publicado em 15 fev 2013 | Este artigo tem 4 Comentários

Lealdade e humor tonam a relação mais transparente, saudável e duradoura.

Muitos casais reclamam que em relações duráveis há muitas insatisfações. Uma das maiores queixas é que com o tempo, a carência afetiva se torna vilã da relação.

“Os laços construídos ao redor do amor são dos mais precários; os casamentos por amor duram menos, ao que parece, do que os contratos do passado. E, quando duram, podem doer mais (tipo: nossa vida é um inferno, a gente não se entende, mas ficamos juntos porque nos amamos).” Contardo Calligaris.

Ao observarmos casais que ficam juntos por longa data, demonstrando cumplicidade e bom diálogo – parecem viver em um ambiente sólido e estável – com esta suposta estabilidade os anos se passam e, não raro, perdemos a perpetuação dos parceiros de vista. As sensações dos anos que se passaram para quem os reencontram, é que o casal vive um relacionamento de cumplicidade, e ao reaparecerem, amadurecidos pelos anos, por vezes, com filhos encaminhados na vida, continuam juntos com a mesma postura de se relacionar. Não é só a longa duração do casal que os diferencia, mas a qualidade e a dignidade da vivência. Afinal, as mudanças contemporâneas parecem não os incomodar.

Uma relação durável, obstinada, não é um critério para medir seu sucesso ou predominância absoluta. Quantos casais não prolongam a convivência apenas por falta de opção, por questões sociais, religiosas, financeiras, e, ainda, familiares ou por acreditarem na máxima: “ruim com ele (a) pior sem ele (a)”. Aliás, casais que chegam a dar inveja em muita gente, e que levam consigo o segredo da relação durável e amorosa. Entretanto, há uniões, ainda cheias de vigor, que são destruídas de maneira precoce pelo comportamento imoral de um dos parceiros – ou de ambos ao mesmo tempo. Pessoas leais tratam bem tanto o companheiro quanto o relacionamento.

Todo relacionamento entre casais requer muito empenho. Todos sabem que viver a dois, não é somente romance e paixão à vontade dos nossos desejos. Existem na ficção filmes que nos mostram que, não é apenas o desejo sexual, romance, atração e paixão que os faz sobreviver. Há um filme que se “tornou um clássico” – dos desejos e atrações fulminantes: (9 e 1/2 Semanas de Amor), com Kim Basinger e Mickey Rourke. Toda àquela paixão e atração fulminante não os permitiu ficarem juntos. Eis a subjetividade humana. Contudo, para o amor se solidificar não podemos limitá-lo, mas é preciso uma interação muito mais compreensiva, das nossas subjetividades, sejam elas admiração pelo comportamento, temperamento, bom-caráter, tolerância, paciência, dividir, perder e ganhar espaço ao lado do outro. Efetivamente, lealdade e fidelidade são fundamentos básicos de sobrevivência no relacionamento.

Hoje com a globalização, os caminhos estão abertos para seduções, romances e desamores, sem precisar sair de casa, pois estão expostos nas vitrines virtuais, e por que não reais. Poderíamos dizer que os relacionamentos mediados pela Internet são semelhantes aos que antigamente aconteciam por telefone ou carta, porém mais rápidos e intensos. Isso não quer dizer que agora os sentimentos sejam mais profundos: apenas hoje as trocas acontecem de uma forma mais ágil e frequente. Uma das decorrências desse fato é que os relacionamentos se tornam mais rápidos e fugazes. Mas, se não acreditarmos no amor e nas relações duradouras, estamos à mercê da solidão. Relacionamento: entre casais é via de mão-dupla. “Ninguém produz nada sozinho; é necessário que o outro me questione.” O desejo e o amor podem sempre renascer das cinzas, reacendendo a chama inicial, pois, se é verdadeiro, os princípios básicos jamais deixarão de existir.

O relacionamento de um casal é uma oportunidade para assistirmos à magia que há na vida. Não ocorre muitas vezes na vida, mas ocorre. E para todos, até para os que estão patologicamente impedidos de perceber ou acolher o amor. Deparar-se com “o encontro” não é a parte mais difícil. Difícil é mantê-lo.

Artigo publicado em 04 fev 2013 | Este artigo tem 5 Comentários

 
Tristeza ou Depressão

Pra que rimar amor e dor?

Assim, diz o refrão da música do cantor e compositor (Mora na Filosofia) Caetano Veloso. 

A busca por explicações sobre a depressão e outros transtornos da personalidade parece ter mobilizado as mais diversas áreas do conhecimento humano. Desde sempre existe uma tendência em classificar pessoas, e é tão antiga quanto à humanidade. Ninguém, absolutamente ninguém, deixa de classificar as pessoas que conhece, ainda que intimamente, involuntariamente e até inconscientemente. Todos nós temos uma espécie de arquivo subjetivo das pessoas que julgamos explosivas, agressivas, simpáticas, sensíveis, desleais, preocupadas, ansiosas, depressivas, histéricas, mentirosas, obsessivas, amorosas e assim por diante.

Faz parte da nossa construção psíquica, manifestar pólos diferentes de emoções. Tais como as emoções positivas: alegria, felicidade, êxtase, ou seja, o ser humano comporta emoções positivas, mas também negativas (tristeza, raiva, pessimismo…), que manifestam equilíbrio ao nosso saudável funcionamento.

Pesquisadores da Universidade de Harvard desenvolvem a teoria, de que os humores sombrios portam uma conexão com a criatividade. Temos como exemplo os grandes artistas, escritores e músicos que sofrem de depressão ou bipolaridade. Acredita-se que a maioria dos casos de depressão não possa ser considerada uma doença. Mas sim um estado de adaptação psíquico a uma nova discussão da realidade, que causa angustia, porém traz uma reação mais centralizada e útil para solução de problemas mais difíceis.

O questionamento deve surgir muitas vezes na mente das pessoas que se relacionam com pessoas depressivas, e que ao ser diagnosticado descobrem outros casos ainda mais graves. Essa situação em geral requer atenção e solidariedade, mas não basta. É imprescindível estar atento ao comportamento de ambos os envolvidos para que a convivência não se torne insuportável.

Que fique claro, o perfil do depressivo não é o mesmo daquelas pessoas que ficaram “tristes” por uns tempos em função de situações que sofreram, mas, sim, daquelas que estão sempre desanimadas e sem coragem. Há uma controvérsia, pois atualmente quase sempre, quando se fala em momentos mais delicados em que as pessoas passam ao se encontrarem mais tristes, a tendência e se falar em (depressão). As pessoas, então, não têm mais o porquê de estar desanimadas ou ausentes em função de situações inerentes à própria vida, pelas quais podem atravessar. É muito comum ser medicadas e, logo, tomarem um remédio para o problema “ser ultrapassado”. Chega a ser bizarro!

Contudo, num relacionamento não seria comum o parceiro (a) apoiar o outro para que sejam capazes, neste momento, de perceber o que está acontecendo e compreender a momentânea situação?

Mas, quando o outro fica frequentemente depressivo, como conviver com o sintoma? É importante saber que não se trata de insensibilidade, desamor, infelicidade no relacionamento. Existem àquelas pessoas que abominam os sintomas depressivos e não suportam ter que enfrentar estas situações, porque obviamente atrapalha o bom relacionamento e a satisfação do casal. Às vezes estes são os que mais sofrem. É necessário cuidar-se para não se deprimir e/ou adoecer junto, pois o desânimo é realmente viral.

Como fica o amor nessa dinâmica? Nesse caso, ninguém é tão poderoso a ponto de excluir as profundezas psíquicas e até biológicas que estruturam uma depressão. Quem está no desespero, antes de qualquer consolação, espera que sua dor seja reconhecida. Porém, é preciso refletir que não podemos evitar tudo, só pelo fato de estar junto do parceiro (a) e, que, por esta razão, ele (a) não teria o porquê de estar deprimido (a). É possível que ninguém finalize sua vida na angustia – hoje, vivemos uma atualidade, onde há mais probabilidades de uma experiência emocional corretiva. A busca por um profissional é sempre bem-vinda!

Mas, é fato, raríssimas pessoas têm a sorte de sentir-se sempre motivadas – olhando de forma sempre positiva para o futuro, como se a felicidade tivesse que ser eternizada. Ora, por ser um estado tão fatigante, é que à depressão é cruel e, realmente, injusta.