Artigo publicado em 30 jul 2012 | Este artigo tem 8 Comentários

A relação entre homem e mulher é aquela em que as pessoas depositam as suas maiores esperanças. Por isso, talvez seja nela que mais se sentem solitários-fracassados-impotentes. Se o casal estiver bem, os impasses serão menos impactantes e mais administráveis. Mas, se estiver mal, em vez de entender que por vezes o dilema da relação se trata de um problema do casal, é “inevitável”, que o mais suscetível vai culpar o outro, por todas as dificuldades que podem ocorrer, pelas mágoas e distanciamentos – um dos parceiros vai se fechando, sentindo-se só e acaba deixando o outro igualmente sozinho. Vale lembrar a música de Los Hermanos – O Vencedor – “Quem sempre quer a vitória, perde a glória de chorar”.

No fundo, todos sabem que há uma razoável cota de idealização e ilusão no amor, o que seria incompatível com ver a cara-metade espatifada no chão. Na verdade, é contraditório com a essência do amor real. Claro que ninguém aprecia viver com quem só coleciona insucessos – nesse caso, há algo patológico a ser verificado. Perder carrega um leque de significações terríveis. A derrota provoca um estrondo emocional na alma porque derruba a crença de que o indivíduo é infalível, de que é capaz de saber tudo. O fracasso é o real contra o qual se choca nosso desejo de invencibilidade. Mas, aqui entre nós, quem algum dia não sentiu o amargor de uma derrota? É na intimidade de uma relação amorosa que se encontra o melhor cenário para acolher e consolar a dor nessa hora – diante os desafios da vida que segue em frente. Sentir-se compreendido pelo parceiro traz bem-estar e alivia “os insucessos”. Aprender a participar da dor, da “loucura” e da ansiedade do outro sem entrar na mesma angústia também ajuda bastante. Para isso, pequenos comportamentos são fundamentais, como ouvir o que o outro diz, interessar-se por assuntos que o outro gosta, prestar atenção na forma como se expressa, sobretudo, respeitar a subjetividade do parceiro. É preciso deixar claro, que o texto não se propõe a indicar fórmulas de como obter sucesso nas conquistas amorosas. Não há como ditar fórmulas em relacionamentos, nem garantias e padrões de comportamentos no amor, nunca houve.

Os casais que vivem o problema têm a oportunidade de ver sua relação de forma generosa. E até tirar proveito das más situações. O curioso é que pessoas que obtiveram muito sucesso na vida com frequência ressaltam o valor das derrotas. Aliás, pessoas que percebem/reconhecem suas falhas, têm mais oportunidades de evitar erros em relações futuras. Mas é preciso saber extrair lições da derrota, assim, como colocou Friederich Nietzsche: “aquilo que não mata, fortalece”.

A mesma paciência e esperança devem se aplicar à relação do casal: é impossível ser vitorioso o tempo todo. Quem disser o contrário, está blefando. Há momentos em que os parceiros não se entendem, desanimam e têm vontade de desistir diante dos impasses da convivência. O fracasso às vezes é definitivo, porém, não raro, não passa de um momento difícil que pode ser superado, caso haja amor e não se tenha uma visão idealizada e perfeita do que é um convívio, porque, na realidade, o que ocorre nem sempre é um fracasso, mas apenas a frustração resultante de uma expectativa exagerada de sucesso. Afinal, somos humanos e finitos: não podemos triunfar o tempo todo.

O Filme: E Aí, Comeu? Comédia brasileira que retrata os relacionamentos. São três amigos de infância que vivem conflitos nos relacionamentos. Falam sobre seus dilemas e suas experiências no convívio com o sexo oposto. Regado a bebidas, seus contos e suas histórias, relatados numa mesa de um bar. Uma maneira lúdica de ver as vivências nos relacionamentos. Enfim, no fundo todos estão em busca do amor.
Com os atores e atrizes: Bruno Mazzeo, Marcos Palmeira, Emílio Orciollo Netto, Seu Jorge, Dira Paes, Tainá Müller – e os demais que fazem parte do elenco.

Artigo publicado em 10 jul 2012 | Este artigo tem 10 Comentários


“O narcisismo, conceito psicanalítico cujo nome Freud tomou de empréstimo ao mito grego de Narciso, um jovem de beleza tal que se comparava a um deus. Enamorou-se de sua própria imagem espelhada na superfície de um lago. Por isso, repudiou o amor da ninfa Eco e foi punido com a condenação de apaixonar-se apenas pela sua imagem refletida no rio. Sem alcançar o seu ideal, afogou-se nas águas ao tentar atingir o reflexo. O mito ficou associado, em nossa cultura, à ideia de vaidade que, dentre os sete pecados capitais é o mais grave, pois  todos os outros derivariam deste. O narcisismo está vinculada à questão da imagem e esta, por sua vez, à noção de identidade”.

Narcisista: os mestres da negação.

Narcisistas são pessoas perdidas em si mesmas. Não se trata de se acharem lindos apenas. Ser lindo e bonito é apenas uma parte do processo patológico desses indivíduos. O narcisista é um sujeito que recria o mundo apartir de si próprio. Crê que pode bastar-se sozinho e, não precisa de ninguém, não ouve ninguém e, tudo o que pensa e diz, é o que importa. O narcisista é o único e todo-poderoso pelo corpo e pela alma. Mesmo quando algo vai mal, o narcisista não pode dar-se por vencido. O narcisista é aquele tipo de pessoa a quem se dá amor de forma irrestrita, mas ele nunca se sacia e acaba sempre por dar a impressão de que não se tem amor para dar ou não se sabe dar amor. Mas como o termômetro de sucesso é sempre a opinião dos outros, também está enquadrado como portador deste transtorno o (Eterno Insatisfeito), aquele que não consegue ficar contente com suas conquistas, ou melhor, precisa de desafios e está sempre em busca de metas inalcançáveis. Eles esperam ser sempre adulados e ficam desconcertados ou furiosos quando isto não ocorre da maneira como desejam.

As Redes Sociais e Sites de Relacionamentos aguçam o Narcisismo Patológico. “Todo mundo quer ser apreciado”.

As redes sociais e sites de relacionamentos de um modo geral, “seja: Facebook, Twitter, Orkut e os mais variados sites de relacionamentos são ferramentas para o individualismo – instigando o desenvolvimento da personalidade narcísica”. Essa influência vem da televisão, internet e aguçam os transtornos psíquicos. Todos esses meios são terrenos férteis para instigar as pessoas a mostrarem seus sucessos e seus fracassos.

Por exemplo, um dos sites mais acessados, “o Facebook vem sendo alvo de pesquisas e estudos: pesquisadores vincularam o número de atividades no Facebook com a possibilidade do usuário ser um narcisista “socialmente disruptivo”. Comportamentos narcisistas podem ser detectados em pessoas que se autopromovem no Facebook. O primeiro, chamado “exibição grandiosa”, fala sobre pessoas que amam ser o centro das atenções. O outro envolve o quão longe alguém é capaz de ir para conseguir a atenção que supostamente acha que merece incluindo gastos exagerados em festas e viagens apenas para serem admirados ou “curtidos”. Não há uma base de quantos amigos uma pessoa tem ou o quanto ela atualiza o status para qualificar uma tendência narcisista”, afirmou Chris Carpenter, um dos responsáveis pelo estudo na Universidade Western Illinois, nos Estados Unidos.

Confronta-se os extremos: o usuário que sempre publica sua invejável felicidade e o outro internauta que só divulga comentários negativos e de autopiedade – ambos podem fazer desta Rede Social uma ferramenta para aguçar esse transtorno de personalidade cada vez mais presente na vida real. E ainda que sirva de indícios para a influência do narcisismo nos usuários, reconhecer a patologia não é tão simples.

Nos Sites de Relacionamentos, aqueles que buscam um parceiro não têm o controle e a permanência das relações, pois todos são vítimas e ao mesmo tempo desejantes de um consumismo sem fronteiras. O ponto chave nunca é colocado no centro da questão, que é a brutal ansiedade em que vivemos. Há muitos casos que visa apenas à ostentação em todos os aspectos. A “Posse” ou o “Ter” (o deus supremo).  Não generalizando; apenas ressaltando a extrema dificuldade das pessoas em nossos dias em manter um relacionamento sólido. Com tanta oferta nas vitrines virtuais, as relações acabam se tornando de altíssima liquidez. Se fôssemos mais honestos desde o início, a realidade seria menos (vaidade, narcisismo, ostentação); talvez mais pessoas pudessem ter alguma chance de um relacionamento verdadeiramente leal e sólido. Aliás, ninguém sabe lidar com o dilema da solidão versus má companhia e/ou insatisfação. No entanto, ao sair da virtualidade, raramente existe uma verdadeira conquista, sobretudo porque se acredita que o objeto desejado já foi conquistado no mundo virtual. Enfim, muitas dessas relações acabam como o mito de Narciso.

 Narcisista: Amor próprio ou impróprio?

O narcisista tem uma péssima impressão a seu respeito, mas esta ideia está longe da consciência. As pessoas que têm esse distúrbio carregam na sua história pessoal a dor de não terem se sentido adequadamente amadas quando crianças e, a partir disso, desenvolvem uma frieza emocional nos relacionamentos interpessoais. Isso acontece como um mecanismo de defesa para nunca mais sentir a decepção que experimentaram quando crianças. Isso implica dizer que na realidade, os pais foram maus, falharam com ele. E ele acredita que foi impotente para conseguir fazer-se amar. Seu estado narcísico é uma defesa contra sua dor primeira (a infância). É por isso que o narcisista não suporta ser contrariado e nem aceita que lhe digam que tem defeitos. O defeito está sempre nos outros, mas nunca nele. Como todo ditador que se preze, o narcisista é alguém que precisa de público, daqueles que o admirem de forma incondicional e irrestrita. É um dependente.

A busca por ajuda terapêutica se faz necessário. O processo terapêutico levado a sério por um profissional experiente e capacitado, ajuda esses indivíduos a encontrar a busca da realidade no contexto dessas fantasias e desajustes.

O Filme: “O Diabo Veste Prada”, em que a personagem principal, Miranda (é interpretada pela atriz Meryl Streep) constitui um bom exemplo de uma pessoa que é vítima do Transtorno de Personalidade Narcisista.

 

   
 

 

 

Artigo publicado em 03 jul 2012 | Este artigo tem 10 Comentários

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O homem sério é perigoso, pode transformar-se em tirano.

Simone de Beauvoir.

Toda EMOÇÃO pode ser positiva, mas toda emoção pode trazer resultados bons e ruins. Dependendo de como cada um controla seus sentimentos. A questão é que, ao que parece, “muitos de nós não controlamos os impulsos do ciúme, inveja e projeção”.
É quase impossível na raça humana existir alguém que não sente um pingo de ciúme em um relacionamento a dois. Quando temos um objeto de amor, é comum que não queiramos dividi-lo com outro. O ciúme é uma emoção normal, porém, há variações de intensidade.

No ciúme patológico: o ser humano vive num eterno conflito entre os impulsos (o que deseja realizar) e as normas (o que deve ou pode fazer). Percebemos que em cada situação existem tipos de convivência, por exemplo, “os desajustados”: aqueles que se deixam dominar pelos impulsos, e os que vivem sempre “dentro dos padrões”. Esse último, muito racional, se uniu ao emocional, para viver nele o que reprime em si mesmo, e vice-versa. Quando o ciúme não pode ser controlado racionalmente, temos um desajuste emocional, então, é preciso muito mais que força de vontade para vencê-lo.

A inveja, por sua vez, é um sentimento destrutivo, motivado por outra pessoa possuir e usufruir de alguma situação ou algo que desejamos… Presumi-se, a relação do sujeito com uma só pessoa. Na inveja, somos prisioneiros do outro. Identificamos o objeto do nosso desejo, mas que não nos dá prazer e nos frustra. A inveja é insaciável. A inveja faz do ser humano um inescrupuloso predador.

Quando falamos em projeção é possível perceber que ela aparece desde a infância, encontra-se na base da interação com a realidade, portanto, é comum imputar ao mundo nossos interesses: adjetivos, aptidões e anseios. Vemos as coisas de acordo como somos. Nossa identidade se confunde com a realidade. A projeção se torna um mecanismo de defesa psíquico quando visa nos resguardar de ideias insuportáveis ou sentimentos descabidos. Tem como objetivo preservar a boa imagem que fazemos de nós.

É um mecanismo psíquico pelo qual o sujeito expulsa, rejeita de si mesmo e projeta no outro os seus sentimentos: desejo, raiva, inveja, etc. São traços de personalidade que, frequentemente, desdenha ou recusa em si mesmo.

Por exemplo: uma criança rebelde, que bate em seus coleguinhas e confronta seus cuidadores se assusta ao olhar um cachorro, afirmando que o cachorro é bravo e que tem medo de ser mordida. O que a criança faz? Desloca para o animal aquilo que costumava fazer com os outros. Assim, acontece com os jovens que praticam o bullying, utilizam o mesmo mecanismo psíquico – projetam em pessoas o que odeiam possuir. Perseguem da mesma forma como um Paranoico que se sente perseguido. Essa projeção está na base da Paranóia e na base de todos os preconceitos.

Às vezes é mais fácil a fuga de um perigo externo do que mudar seu impulso interno agressivo, angustiante e/ou inaceitável. Porém, o impulso que é projetado no outro é um processo que se repete. Pois não se trata do que os outros fazem com o paranoico, e sim, o que ele faz, pensa e sente.

Em suma, nos relacionamentos amorosos, o mecanismo é chamado de ciúme patológico e acontece quando a pessoa se defende de seus próprios desejos. Por exemplo: a infidelidade – o sujeito projeta no parceiro a infidelidade. Esse mecanismo de projetar os próprios desejos pode ser tão bem executado que costuma levar alguns parceiros a duvidar deles mesmos. De alguma forma inexplicável, o ciumento patológico consegue juntar situações, lembrar cenas e acusações que aparecem em alguma verdade inconsciente do outro, mas não nos fatos! Assim, ele desloca para o outro aquilo que habita nele, e desvia a atenção do seu próprio inconsciente. Sente-se aliviado, porque, agride o outro para não se agredir. E ao mesmo tempo descarrega os sentimentos proibidos, que causam angústia e ansiedade.

O filósofo Platão comparou o ser humano a uma carruagem: os cavalos são os instintos, o cocheiro é a razão e as rédeas, à vontade. Segundo ele, a maturidade depende de quanto o cocheiro manda nos cavalos. Essas pessoas parecem não conseguir domar seus cavalos, isto é, controlar seus sentimentos. Felizmente, o ciúme é educável e pode ter suas arestas aparadas — para a solidez da relação.

O autoconhecimento e a capacidade de nos conhecer: minimiza a ação desse terrível mecanismo.
A força de vontade não é suficiente para vencer uma compulsão. Ao perceber que não tem o controle da situação, procure ajuda profissional. Do mesmo jeito, que, se tivesse uma dor de cabeça aguda, iria atrás de um neurologista, sem considerar tal providência uma atitude radical.