Artigo publicado em 27 jun 2012 | Este artigo tem 22 Comentários

Amy Wine­house - Boderline

O termo Borderline (Limítrofe) deriva da classificação de Adolph Stern, que descreveu, na década de 1930 – A condição como uma patologia que permanece no limite entre a Neurose e a Psicose. O Borderline encontra-se nos extremos, caminhando numa linha tênue entre “sanidade e loucura”.

Pessoas com personalidade limítrofe/borderline podem possuir uma série de sintomas de transtornos psiquiátricos diversos, tais como: ataques súbitos de ansiedade, humor instável, grande sentimento de entusiasmo para depois sentir um grande vazio, ou dissociação mental, assim, como despersonalização, e tendência a um comportamento encrenqueiro. Tem-se impulsividade muitas vezes autodestrutiva, conduta suicida, manipuladores e chantagistas, bem como sentimentos crônicos de vazio e tédio.
A raiva é possivelmente a única emoção verdadeira ou a principal emoção central do borderline; muitas vezes, esses indivíduos são vistos como rebeldes e problemáticos. O Borderline é por vezes confundido como Depressivo, ou com Transtorno Bipolar.

O Borderline é um grave distúrbio que afeta seriamente toda a vida da pessoa causando prejuízos significativos tanto ao indivíduo borderline/limítrofe, como às pessoas que convivem com o borderline. Com frequência o portador do transtorno necessita estar medicado com antidepressivos, estabilizadores do humor, ou seja, medicamentos prescritos pelo médico/psiquiatra – estabilizando as consequências que a doença traz. Os sintomas aparecem durante a adolescência ou nos primeiros anos da fase adulta. E uma vez desencadeado continuam geralmente por toda a vida. Ao descobrir a doença o paciente e seus familiares podem sentir-se desapontados, mas na maioria das vezes a severidade do transtorno diminui com o tempo. Pelo fato dos sintomas desencadearem principalmente na adolescência – o que leva os pais e/ou familiares acreditarem que é apenas rebeldia própria da idade. No entanto, não fazem ideia que estão diante de uma pessoa com um grave distúrbio.
As perturbações sofridas pelos portadores da doença alcançam negativamente várias facetas psicossociais da vida, como as relações em ambientes escolares, no trabalho, na família – envolvimento com drogas, bebidas alcoólicas, etc.
Nas tentativas de suicídio, o suicídio consumado é quase sempre resultado da falta de tratamento psiquiátrico e terapêutico. A psicoterapia é indispensável.

Os transtornos segundo os estudos indicam uma infância traumática (diversas formas de abusos, sobretudo sexual, emocional; separação dos pais, ou a soma de ambos e outros fatores) como precursora do transtorno. No entanto, os pesquisadores apontam uma predisposição genética, além de disfunções no metabolismo cerebral.
Estima-se que 2% da população sofram deste transtorno, com mulheres sendo mais diagnosticadas do que homens.
Os Borderlines costumam ver coisas inexistentes no comportamento de outras pessoas, o que causa sempre crises de exagero e tempestades em copo d’água. Uma mudança quase imperceptível no comportamento de uma pessoa aos olhos de outros, para o borderline é um enorme motivo para se desesperar e acreditar que a pessoa não gosta mais dele. Por isso, o borderline é excessivamente possessivo, acreditando que após conquistar uma pessoa a pessoa pertence apenas a ele e mais ninguém.
Algumas vezes, essas pessoas podem confundir carência emocional com paixão. Transferem para relacionamentos amorosos a sua instabilidade emocional. Então, são os causadores de brigas excessivas – têm sentimentos possessivos, não raro, o borderline vê o outro como se ele só tivesse a obrigação de estar ali apenas para prover o que o ele deseja. Eles não têm controle de si mesmos, por isso facilmente demonstram irritabilidade e raiva em variadas situações triviais, desde amargura, maus tratos, estupidez, xingamentos e violência. Eles têm baixa capacidade de julgamento e usualmente têm reações grosseiras.

Limítrofes/borderlines são pessoas que passam seu tempo a tentar controlar mais ou menos emoções que elas não controlam realmente. São pessoas que, diga-se de passagem, têm duas vidas. Uma vida quando estão na sociedade e outra vida de comportamentos muito diferentes quando estão a sós. Sua capacidade de esconder o transtorno faz com que sejam vistos, superficialmente, como se não tivessem nada, entretanto, suas vidas são sofríveis e um verdadeiro inferno. Pessoas com o transtorno oscilam entre um comportamento ADULTO e um comportamento INFANTIL; entre uma conduta BOA e uma conduta MÁ.
Esses indivíduos são árduos manipuladores. Alguns psiquiatras e terapeutas esclarecem que os borderlines são “pacientes impossíveis”. Sendo manipuladores, que buscam atenção, perturbam e irritam além de não terem capacidade o suficiente para controlar suas condutas. Em suas relações iniciais devido à grande desconfiança que eles mantêm, as palavras não são usadas para comunicar ou exprimir sentimentos. O que existe são manipulações, testes, controles, etc. Eles tendem a defender-se de sentimentos, emoções e lembranças. O Borderline testa as suas relações através de manipulações, a fim de testar as outras pessoas, e ver como elas reagirão a tais testes como agressividade, brigas, chantagens, etc.

O Vazio e o Tédio

O paciente borderline para (viver em paz) precisa encontrar um objeto protetor que nunca o deixe. Para isso, eles testam tais “objetos” (pessoas) para poderem acreditar nisso. Tais testes são manipulações, maus tratos, discussões, etc. Borderlines sentem que estão sempre com um grande sentimento crônico de vazio. Tal sentimento constantemente os incomoda e tendem a achar sempre uma forma de preencher tal vazio, mas com frequência, descrevem que esse sentimento nunca desaparece. Borderlines sentem tudo com uma alta intensidade, sendo que para eles, tudo faz mal, tudo os agride e machuca. Eles ainda têm sentimentos de ser uma eterna “vítima”, incapaz de aceitar suas próprias responsabilidades. São pessoas que não têm uma noção clara de sua identidade. Na realidade, eles não têm uma identidade bem formada, assim, precisam do apoio de outra pessoa, causando um grande medo à perda e rejeição de tal pessoa, cujo borderline o considere.

Alguns boderlines evitam começar um relacionamento, especialmente pelo medo de ser rejeitado ou abandonado mais tarde. Quando em algum relacionamento íntimo, este medo é acompanhado caracteristicamente de esforços frenéticos para evitá-lo. Podem fazer manipulações emocionais, especificamente chantagens. Contudo, caso a manipulação não funcione, eles podem demonstrar explosões de raiva que terminam muitas vezes em autoagressões, como automutilações ou até mesmo héteroagressões. O medo de ser abandonado é tão grande nessas pessoas que casualmente sofrem de dissociações, têm distorções da realidade como ter ideias paranóides ou alucinações e, no extremo, chegar impulsivamente o suicídio completo.
De maneira geral, o Transtorno de Personalidade Borderline é um dos principais distúrbios associados ao suicídio e automutilação. Eles podem tomar muitos medicamentos de uma vez só, com ou sem intenção de suicídio, abusar de drogas e bebidas, automutilar-se fisicamente, colocar-se em risco, entre outros atos impulsivos com notável tendência autodestrutiva.

A Descompensação Emocional no Relacionamento Familiar

Esses indivíduos constantemente não conseguem manter um bom relacionamento entre seus familiares, que convive dia a dia. Por vezes, o ambiente familiar é repleto de discórdias, discussões e brigas, que classificam: hora como bons, hora como maus. Eles têm, por exemplo, mau-humor frequente, sarcasmo, amargura, agressividade constante. Às vezes os borderlines podem ser tidos como pessoas incapazes de demonstrar gratidão, de interessar-se por si mesmo e pelos outros. Os outros, assim como a pessoa que o criou (mãe e pai) podem ser sentidos como estranhos que têm apenas a função de suprir e prover o que ele espera. Eles podem: trair, mentir, criticá-los, pôr sempre a culpa em outros. Contudo, a família quase sempre não entende isto, sendo assim uma tarefa difícil de convencer a família que o borderline, dificilmente aprende com seus erros e punições. Para eles, raramente castigos e punições funcionam. Pelo contrário, quase sempre tais punições são seguidas de mais agressividade e raiva, por parte dos borderlines, que entendem isso como rejeição. Não que o borderline não precise de limites destas atitudes. O borderline submete frequentemente seus familiares a algumas torturas, exigindo e agredindo, embora com isso supostamente estejam apenas tentando reviver experiências passadas nas quais a relação entre ele e seus (cuidadores) não foram capazes de lhe proporcionar boas condições emocionais. Em geral, o borderline tenta refazer o caminho não realizado no início de sua vida, com as mesmas pessoas (pai, mãe e/ou responsáveis), que não foram capazes de fazê-lo anteriormente.

A vida em si do borderline não é estável. Seus relacionamentos bem como comportamentos e sua personalidade em geral não são duradouros. É notável nesses indivíduos constante instabilidade nos seus relacionamentos. Eles podem demonstrar profundos sentimentos de apego e desapego fácil e ambivalente. De repente o borderline que demonstra grande ternura, para em seguida, demonstrar frieza, raiva e crueldade.

Sua identidade sexual é frequentemente marcada por dúvidas e mudanças constantes ou até adeptos à bissexualidade. Por vezes, definem-se a si próprios como “hora uma coisa, hora outra coisa”. Ele sente prazer, por exemplo, em dirigir imprudentemente, dormir em excesso (hipersônia) e praticar sexo inseguro-compulsivo-promíscuo.
Quando estão convictos de algo, de repente, veem-se cercados por dúvidas contrárias novamente, por isso, a indecisão nessas pessoas é comum.
Borderlines geralmente enjoam, desanimam ou desgostam facilmente. Por isso, a vida do limítrofe é uma instabilidade contínua, sejam em seus projetos, relacionamentos, preferências ou comportamentos. Na realidade, a inconstância é a palavra chave da vida do borderline.
Quando alguém é amado por ele, a pessoa merece ser tratada de forma especial, carinhosa e muito querida. Quando alguém é odiado pelo borderline, a pessoa merece vingança, ódio e infinitas crueldades. Em suma, a pessoa amada é vista como um deus e a pessoa odiada, como o demônio.
Em geral, pessoas na qual se relacionam superficialmente ou que apenas estão no início de um relacionamento com um borderline, não fazem ideia das perturbações e relações caóticas que vão ser recebidos em tais relacionamentos. Contudo, apesar de tudo isso, obviamente os indivíduos com o transtorno de personalidade limítrofe frequentemente necessitam de muita ajuda e apoio, embora possam fazer de suas relações um verdadeiro inferno. Eles não têm esse comportamento de forma proposital, pois é notável que sejam pessoas muito conturbadas emocionalmente.

Narcisismo e Agressividade

Essas pessoas têm dificuldade em avaliar as consequências de seus atos e de aprender com a experiência e, então, por isso erram e repetem o erro, nunca aprendendo. São indivíduos tão exigentes e imprevisíveis que assim tendem a afastar todos aqueles que o cercam. Além disso, são pessoas que não têm necessidade, eles têm urgência! Não sabem adiar e não aguentam esperar.
No entanto, eles sempre tendem a contornar a situação e colocam a culpa em outros, seja por suas deficiências, decepções, responsabilidades, ou problemas. Mas, ao mesmo tempo, desejam ter atenção. (Na verdade, são eternas CRIANÇAS em um corpo de ADULTO), porém aparentam estar se fazendo de “vítima”, quando na realidade não estão.

Segundo Kernberg, é a difusão de identidade responsável por tais percepções empobrecidas. Como o próprio borderline não tem uma identidade bem definida, obviamente, eles têm grande dificuldade em enxergar o outro, afinal, não consegue enxergar-se com precisão. Para o borderline, seu vazio é momentaneamente preenchido, entretanto, a outra pessoa existe apenas para satisfazê-lo naquele instante.
Portanto, apesar do borderline conseguir demonstrar certa normalidade em várias situações triviais do cotidiano, com frequência exibem escandalosamente a incapacidade em controlar sua raiva. Geralmente, eles reagem normalmente até o momento em que seu humor radicalmente muda para de repente ter um ataque de raiva e/ou grosseria, brigando com todos – demonstrando assim uma dificuldade em compreender a realidade e os sentimentos alheios. Sua percepção sobre outros é muito instável e distorcida sempre para desconfianças.

Por causa de seu narcisismo, ele considera muito justo que tudo seja para uso próprio (e de preferência, imediato), que tudo esteja voltado para ele – atitudes egoístas. No entanto, os borderlines não somente agridem os outros, como também se auto-agride. A automutilação é uma das principais características do transtorno.
Às vezes, as outras pessoas podem perceber ou questionarem-se sinais evidentes de automutilação em borderlines (ex.: vários arranhões percebidos no braço, hematomas ou cortes). Mas via de regra, eles tendem a apresentar argumentos implausíveis ou pouco explicativos em relação a tais ferimentos, com medo de que descubram seu comportamento autodestrutivo. Por exemplo, podem dizer que não sabem de onde tais hematomas apareceram ou dizer que se machucaram sem querer com uma faca. Pessoas com o distúrbio, também pode haver períodos em que se isolam socialmente.

Reatividade do Humor e Impulsividade

Borderlines têm frequentemente flutuações do humor intensas, imprevisíveis e constantes. De manhã, muito aceitável. À tarde, bruscamente sentem um grande vazio com intensa vontade de se suicidar. E, à noite, radicalmente seu humor novamente muda e sentem uma grande ansiedade com desejo compulsivo de se acabar em guloseimas.
Frequentemente a Depressão e o Transtorno Afetivo Bipolar são confundidos com a desordem Borderline de Personalidade. Contudo, talvez uma das principais diferenças seja que além de todos os outros sintomas típicos de limítrofes, tanto a depressão Unipolar como a da Bipolaridade, se caracteriza por sensação de culpa, inferioridade com uma tristeza de base. Enquanto isso, a depressão do Borderline se caracteriza essencialmente em razão de um vazio existencial, um buraco nunca preenchido, uma vida sem sentido, do tédio diante de seus objetivos e ideias de fracassos de frustração em relação a ideais não atingidos. Na depressão, o sentimento de inferioridade e culpas estão sempre presentes. No borderline, esses sentimentos são inexistentes e são substituídos por raiva constante.

Início dos Sintomas e Estatísticas

Frequentemente, na etapa inicial (começo da adolescência, por volta dos 13 anos de idade) da eclosão dos sintomas do transtorno de personalidade limítrofe, sintomas como: má adaptação social, baixo rendimento escolar, comportamentos anormais. Bem como déficit na regulação dos afetos, agressividade, conflitos no ambiente familiar, tentativas de suicídio e depressão grave são frequentes. A etapa secundária, no fim da adolescência ou início da idade adulta (na faixa dos 18 aos 21 anos), todos os sintomas propriamente ditos ficam evidentes, tendo seu auge por volta dos 25 anos de idade, causando grande prejuízo. Contudo, sabe-se que o transtorno tende a ser atenuado conforme a idade, sobretudo próximo dos 40 anos de idade. Talvez pelo fato de que ao passar do tempo, as pessoas ficam menos enérgicas e mais “maduras emocionalmente”. Assim como todos os transtornos de personalidade, quase nunca borderlines acreditam sofrer de uma patologia ou que sua conduta e comportamentos são muito problemáticos. As estatísticas apontam que 93% das pessoas portadoras do transtorno de personalidade borderline também apresentam um transtorno afetivo concomitante, especialmente Depressão Nervosa e Transtorno Afetivo Bipolar. Além disso, estima-se também que 88% apresentam um Transtorno de Ansiedade, especialmente o Transtorno do Estresse Pós-Traumático e diversas fobias em geral. A conduta suicida no borderline pode ser maior naqueles com história prévia de tentativas de suicídio, história de abuso sexual – e outras comorbidades: abuso de substâncias, depressão nervosa, comportamentos histriônicos e psicopáticos são fenômenos fortemente presentes em borderlines. Muitas vezes, o borderline é confundido com o psicopata e histriônico por apresentarem comportamentos semelhantes e, não raramente, ocorrem simultaneamente. No padrão geral de patologia grave, as famílias de pacientes borderline têm como características: mães intrusivo-dominadoras e pais distantes, sendo que as relações conjugais são predominantemente conflitivas. Em suma, o Transtorno de Personalidade Borderline é tido como um dos transtornos mentais mais devastadores, sobretudo na área de relacionamentos interpessoais, sendo também dos mais difíceis de ser tratado.
Limítrofes tendem a ser aquele tipo que quando querem alguma coisa, ficam ansiando e sentindo uma grande vontade de ter aquilo, contudo, se conseguem, enjoam ou não querem mais.
Eles têm dificuldade em dizer exatamente o que gostam, o que querem, de modo que há uma notável tendência à instabilidade em seus gostos, comportamentos, identidade e autoimagem;
Eles frequentemente não sabem quem são, não sabem o que gostam, mudam de gosto drasticamente de um segundo a outro, não sabem o que querem, ou, então, mudam de opiniões e objetivos a todo o momento.
Borderlines são cheios de imagens contraditórias de si mesmos. Eles relatam geralmente que sentem o vazio interior, que são pessoas diferentes dependendo de com quem estão.

Sequelas de Abuso na Infância

Alguns especialistas acreditam que o transtorno de personalidade limítrofe seja uma síndrome consequente de graves sequelas na personalidade, decorrente de abuso na infância. Uma boa parte das pessoas com o transtorno tiveram uma infância traumática, sobretudo foram abusados sexualmente, (porém isto não é regra geral).
Borderlines têm dificuldade em confiar nas pessoas (especialmente se houve abuso), sobretudo nos indivíduos do mesmo sexo do abusador.
Borderlines com histórico de abuso podem repetir o roteiro do passado. Eles tendem a se sentir eternamente vitimados porque estão condicionados a esperar o comportamento cruel das pessoas em que confiam. Quando crianças, podem ter se sentido responsável pelo seu comportamento de ter sido abusado. Podem ter acreditado que algo neles levou as pessoas agirem daquela forma cruel. Então, quando adultos, essas crianças anteriormente abusadas esperam o pior das pessoas, existindo sempre um grande pessimismo. Interpretam o comportamento normal como cruel ou negligente e reage com a raiva, desespero ou humilhação intensa. As pessoas em torno deles ficam confusas porque não podem ver o que realmente provoca o seu comportamento.

Desconfiança e Ideias Paranóides

Têm frequentemente ideias paranóides, estas são maiores em períodos de estresse ou sensação de abandono e solidão;
Borderlines caminham numa linha tênue entre sanidade e a loucura, às vezes se desequilibra e acaba por caminhar francamente na loucura, com alucinações e ideias delirantes, especialmente em situações estressantes, (embora não possam ser diagnosticados como totalmente psicóticos ou esquizofrênicos).
Manias de perseguição e pensamentos paranóides são freqüentes.
Facilmente interpretam as ações de outras pessoas erroneamente como hostis, ameaçadoras, irritantes ou zombadoras, o que causa um gatilho para explosões de irritabilidade e brigas constantes, porque tendem a reagir da mesma forma pela qual acreditaram terem sido tratados.

Despersonalização

Borderlines podem sentir que não são reais, são inexistentes, especialmente quando estão sozinhos.
Em momentos de grande estresse ou quando percebem o abandono real ou imaginado, podem dissociar-se, existindo assim a despersonalização. Eles frequentemente relatam tal fenômeno sendo frequente, mas que aumentam de intensidade nos momentos em que estão a sós ou sentem-se abandonados, ignorados ou rejeitados.
A despersonalização pode ser referida por uma sensação de irrealidade, de que nada mais é real em sua volta, nem eles mesmos. Podem acreditar estar num sonho ou pesadelo, cuja sensação de irrealidade é fortemente angustiante. Ainda podem relatar que estão num filme e veem tudo como se estivessem fora do corpo, como se estivessem se desprendido da sua própria personalidade ou do seu corpo. Tais sensações são tão fortes que frequentemente eles acabam por se sentir deprimidos e angustiados, sendo às vezes um gatilho para a automutilação (podem se mutilar para sentir que são reais).
Quando estão tendo uma crise de despersonalização, as outras pessoas podem perceber um comportamento levemente anormal, por exemplo, uma falta de atenção, como se a pessoa estivesse longe, distante ou “viajando”.
Alguns borderlines podem conviver dias, semanas e até meses com despersonalização, sendo frequentemente pegos a todo instante pela sensação angustiante de irrealidade e de desprendimento do corpo.
Algumas pessoas relatam que olhar-se no espelho bem como se lembrar da despersonalização piora o quadro, pois se sentem irreais ou inexistentes.
Borderlines podem ter problemas com a memória e atenção, especialmente em momentos de dissociações tais como a despersonalização. Eles podem ter brancos, apagões, esquecimentos, sobretudo após as situações de despersonalização.
Após a despersonalização podem sentir ansiedade, causado pela percepção de que realmente estão vivos.
Geralmente a despersonalização é precedida por frequentes indagações e dúvidas a respeito de quem ele é, do que ele gosta. Como o borderline não consegue ter uma identidade concreta e definida, ele não consegue se autodefinir, não tem certeza de quem ele é e possui um grande sentimento de ter se perdido de si próprio ou de que sua identidade é falsa ou copiada. Por isso a instabilidade em suas vidas. Sua identidade é, a todo o momento, construída e destruída, gerando uma inconstância

Genética

A literatura existente sugere que traços relacionados ao Limítrofe (TPL) são influenciados por genes e já que a personalidade é geralmente hereditária, então o TPL também deve ser. No entanto, estudos têm tido problemas metodológicos e as ligações exatas não estão claras ainda. Filhos de pais (de ambos os gêneros) com TPL têm cinco vezes mais chances de também desenvolver o Transtorno de Personalidade Limítrofe (Funcionamento Cerebral).

Tratamento – Psicoterapia

Tradicionalmente há um ceticismo em relação ao tratamento psicológico de transtornos de personalidade, mesmo assim muitos tipos específicos de psicoterapia para TPB, o bipolar foram desenvolvidos nos últimos anos. Os estudos limitados já registrados não confirmam a eficácia desses tratamentos, mas pelo menos sugerem que qualquer um deles pode resultar em alguma melhora. Terapias individuais simples podem por si mesmas, melhorar a autoestima e mobilizar as forças existentes nos borderlines. Terapias específicas podem envolver sessões durante muitos meses ou, no caso de transtornos de personalidade, muitos anos. Psicoterapias são frequentemente conduzidas com indivíduos ou com grupos. Terapia de grupo pode ajudar a potencializar as habilidades interpessoais e a autoconsciência nos afetados pelo TPB.

Dificuldades na Terapia

Existem desafios únicos no tratamento de TPL. (Na psicoterapia, um paciente pode ser bastante sensível à rejeição e pode reagir negativamente. Por exemplo: se mutilando ou abandonando a terapia. Segundo o psiquiatra Daniel Boleira Sieiro Guimarães, do Instituto de Psiquiatria: “Tratar de um borderline é como pilotar um navio numa tempestade. É uma provocação constante. O terapeuta tem que estar ciente disso antes de começar seu trabalho. O transtorno borderline é a AIDS da psiquiatria”, compara o médico. “Não tem cura, mas com o tratamento pode-se diminuir o sofrimento dessas pessoas. Esta é ainda a única forma de ajudá-las a viver um pouco melhor.”
Estatísticas sugerem que, com o devido tratamento, portadores de Transtorno de Personalidade Limítrofe tendem a sofrer recessão dos sintomas em algum momento da fase adulta posterior. Dos que procuram ajuda profissional de uma maneira geral, 75% sofrem remissão da maior parte dos sintomas entre os 35 e 40 anos de idade, 15% entre os 40 e 50 anos de idade e os 10% restantes podem não ter cura, chegando ao suicídio.

 

Sinopse do Filme.

Garota Interrompida – (Winona Ryder) interpreta uma personagem, (Susanna Kaysen) – uma moça que vai parar num hospital psiquiátrico. Diagnosticada por um psiquiatra/psicanalista, vítima de “Ordem Incerta de Personalidade” (Borderline). No Hospital Psiquiátrico se hospedam um contingente de moças para tratamentos com diversos Transtornos de Personalidade. Sendo uma das personagens (Angelina Jolie) (Lisa) com diagnóstico de psicopatia: charmosa e manipuladora.

http://cinecidfilmesonline.blogspot.com.br/2013/04/garota-interrompida-dublado-online.html#.U78UfVYVqT4

 

Referências:

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – DSM).

Azevedo, M.A.S.B. (1983). Psicoterapia breve: considerações so- bre suas características e potencialidade de aplicação na psico- logia clínica brasileira. Arquivos Brasileiros de Psicologia, 35, 92-104.

Organização Mundial de Saúde – OMS (1993). Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10: Descri- ções clínicas e diretrizes diagnósticas. (D. Caetano, Trad.) Porto Alegre: Artes Médicas. (Trabalho original publicado em 1992)

 

 

 

 

Artigo publicado em 18 jun 2012 | Este artigo tem 10 Comentários

“O dominador faz do companheiro um servo dos seus desejos, mas se, desencantar com o objeto do seu amor, deixa de amá-lo.”

O respeito ao companheiro e a capacidade de encarar as dificuldades com bom humor tornam mais simples e iluminam a convivência. Infelizmente, não podemos adquirir essas características ao nosso bel prazer. Dependem da formação psíquica e cultural de cada um. Porém, a consciência de sua importância pode fazer muita diferença em um relacionamento.

Algumas pessoas impõem de tal forma os seus desejos ao companheiro que ele acaba por se anular, tornando-se fraco e desinteressante. Não raro, o comportamento é fruto do medo de perder: tenta-se eliminar do outro tudo que possa atrair os olhares alheios. Com isso, o resultado é que mesmo o próprio olhar dominador vai se desencantar, pois o objeto do amor torna-se desinteressante de ser amado.

Todos nós sabemos que não há receita para um relacionamento a dois. Mas, existem ótimos antixoxidantes, para os radicais livres que, atuam na relação amorosa. São eles: Lealdade e Humor. A lealdade é uma qualidade intrínseca, uma verdadeira compreensão de algo simples: Não se deve fazer mal aos outros. Vem de dentro para fora. Da mesma forma o senso de humor, é uma sofisticação psíquica extremamente saudável.

Uma das armadilhas prediletas do amor-dominador é a exigência de dedicação incondicional do companheiro. De início, a vítima procura resistir, mostrando seus desejos, discutindo, fazendo acordos. Entretanto, se o outro é uma pessoa ardilosa, que manifesta sofrimento diante das frustrações causadas pelos atos afirmativos do companheiro, certamente, o companheiro acaba cedendo, desistindo de seus valores, e de sua maneira de viver. Em nome do amor-dominador torna-se servo. E, quando a mudança acontece, parte do que era atraente nele, bem como os traços de personalidade: a diferença, o desafio, a incerteza, o instigante – sumariamente desaparece. Vale dizer: É chupar a fruta e então cuspir o bagaço!

A pessoa se sente valorizada quando é amada por alguém que admira – e a aprovação dessa pessoa se torna um elemento importante no equilíbrio da relação. Os conflitos muitas vezes surgem do sentimento de que um não está sendo devidamente apreciado pelo o outro. Se o parceiro não tem vontade própria, se concorda com tudo que o outro deseja, desaparece como pessoa e não consegue mais ser admirado. Com isso, o que ele aprova e/ou desaprova deixa de ser importante, pois já não serve mais para sua autoestima e o orgulho de ser um parceiro brioso, pois seus traços de personalidade marcantes sumiram.

É uma situação paradoxal: deseja-se uma pessoa forte, mas se tem medo que essa força atraia outros, provocando abandono. Faz-se então um esforço para dominá-lo até que ele se torne uma criatura fraca, indigna de amor e incapaz de realizar uma parceria produtiva. Isso nos leva a pensar que entre muitos casais a insegurança é um dos componentes que mantêm o relacionamento. Em contrapartida, existe coisa melhor do que viver com uma pessoa leal e bem humorada? Ou estar ao lado de um companheiro que seja capaz de lidar com as chatices da vida com bom humor? Grande qualidade! Poucas coisas valem mais do que isso.

O amor exige concessões de parte a parte. Mas certos princípios e sentimentos básicos pessoais não podem ser abandonados. Sob pena de um desenvolvimento desfavorável da relação e, pior, de uma transformação de um ser humano consistente em uma inconsistência perigosa para o próprio viver.
Pessoas e relacionamentos são de tal forma singulares que não se deve acreditar em receitas prontas. Mas as possibilidades de se preservar e levar adiante uma relação aumentam muito quando a sabedoria e a maturidade emocional a subsidiam.

Artigo publicado em 04 jun 2012 | Este artigo tem 1 Comentário

Aristófanes nos conta que nossa antiga natureza não era tal como a conhecemos hoje e sim diversa. Os seres humanos encontravam-se divididos em três gêneros e não apenas dois – macho e fêmea – como agora. Havia um terceiro gênero que possuía ambas as características e que era dotado de uma terrível força e resistência e, além disso, de uma imensa ambição; tanto que começaram a conspirar contra os deuses. Zeus e as demais divindades viram-se então tendo que tomar providências para sanar tal insubordinação; tinham a alternativa de extinguir a espécie com um raio, como haviam feito com os gigantes, porém perderiam também as homenagens e os sacrifícios que lhes advinham dos humanos. Por outro lado permitir tal insolência por mais tempo era impensável. Resolveu-se então parti-los ao meio, desse modo não só se enfraqueceriam como também aumentariam de número. Assim foi que até hoje, divididos como estamos, que cada um infatigavelmente procura a sua outra metade.

Percebemos em nós ou nos outros, carisma, cultura, inteligência para o trabalho e tarefas afins. Admiramos habilidades para as amizades e laços sociais. Mas, quando analisamos os acontecimentos da vida amorosa pregressa, que fatalidade. Há os bem-sucedidos em vários segmentos que tropeçam em escolhas afetivas erradas, mesmo quando desde o início de cada relação percebem estar entrando novamente em escolhas incertas. “A mente desfruta de uma área livre de conflitos”, entretanto, o amor é desencadeado de um núcleo mais complexo e obscuro de onde provêm sentimentos que não escolhemos ou controlamos – vem do inconsciente de nosso Ser. Percebemos, por exemplo, que os objetos de amor, sejam o homem ou a mulher causam no outro intenso e obstinado desejo, mas também são os que mais combinam para contracenar conflitos e desencontros – nós psicanalistas, vemos isso na clínica. Não raro, as pessoas selecionam relações que irão se transformar em confusão ou vazio.

São esses acontecimentos que causam infelicidade, mas são também uma espécie de “caixa preta” que contém os segredos do desastre afetivo. Em vez de só fugir para “relações casuais” e manter casos de “alta liquidez”, é preciso abrir e examinar a “caixa preta” do coração, elucidando as causas dos desencontros e aprendendo com as experiências. Caso contrário, é viver repetindo as mesmas escolhas – a pessoa infeliz, e não analisada, a cada vez desencadeia um padrão inadequado de escolhas, mudando só os personagens da sua história. O que faz com que acabe sempre tendo de contracenar amor e dor. E há os que ainda acham que basta competência, riqueza e de quebra beleza, e o amor lhes cairá do céu.

No entanto, é preciso não se iludir e desenvolver “emoções sábias”, uma mistura de paixão e razão, destinada a intuir escolhas e evitar o fracasso repetitivo nas relações. Mas essa é uma área em que ninguém está livre de enganos e fracassos. Vale dizer: é trágico, se não fosse cômico. Aliás, quando se trata de amor, é sábio guardar uma razoável dose de bom humor, pois a espécie humana é mesmo complicada nessa área.
Devemos nos olhar com suavidade, bom-humor, sem excesso de autopiedade, mas com certo carinho por nossas imperfeições, a fim de deixar a porta aberta para a autocrítica. O que é diferente da condenação cruel e implacável que faz a pessoa se sentir incorrigível, jogando-a para a amargura, e não para a mudança.

Assim como a meta da pulsão é satisfazer-se a meta do amor é encontrar-se. Quando a intuição e/ou experiência não consegue corrigir escolhas: é aconselhável fazer análise, e, investigar, que tipo de paixão nos encontra, para onde nos leva e o que revela sobre nós mesmos? A paixão sem a razão é cega, mas a razão sem a emoção é sinistra: só temos a ganhar com esse equilíbrio.
Mas que ninguém acredite acertar no alvo: o único par amoroso ideal é o par imperfeito. A história de alma gêmea é uma fantástica-fantasia, é certo que, almas foram feitas ao mesmo tempo para o encontro e a discórdia. Só após admitir que seja inviável concretizar sonhos irreais é que estamos mais maduros a conviver e amar alguém real: nosso par imperfeito, singular, consciente que não existe o amor ideal, mas aliado ao desejo recíproco de viver juntos aquilo que é inerente à condição humana – o bom, o mau, o feio e o bonito.