Artigo publicado em 25 maio 2012 | Este artigo tem 11 Comentários

Neste artigo abordaremos os diferentes transtornos entre psicopata e psicótico. Presumidamente percebe-se que há uma divergência no entendimento dos dois transtornos de personalidade. Qual diferença entre o psicopata e o psicótico?

Antes de falar sobre definições: “Psico quer dizer mente; Pathos, doença”.
– “O psicopata não é um doente mental da maneira como nós o vemos.” – A mente visivelmente adoecida é a do psicótico, que sofre com delírios, alucinações e não tem ciência do que faz, porque vive uma realidade à parte.

DA PSICOPATIA:

A psicopatia não é visivelmente uma patologia como é o caso explícito da psicose. Os psicopatas ao contrário do que se pensa têm a real consciência do que estão praticando e, sentem prazer, em praticar a maldade/perversão a quem cruza o caminho deles, sem remorso algum. Até profissionais da área, como os médicos psiquiatras, que já estão habituados a todas as armadilhas de quem têm esse tipo de transtorno, podem cair “nos encantos deles”. Eles são os mestres da encenação; são os atores da vida real.

– A psicopatia não tem cura.

Psicopatia é o “câncer da psiquiatria.” É um transtorno grave e não tem cura. Porém, passam tranquilamente como sujeitos sociáveis. Segundo dados internacionais, os psicopatas são 4% da população, 1% serial killers, (os que cometem assassinatos em série). Mesmo os psicopatas mais “brandos”, que fazem pequenas maldades, não têm cura. E definir pequena maldade é subjetivo. Para uma pessoa a atitude e comportamento de um sujeito pode ser uma pequena maldade, na contrapartida, para outra pessoa a mesma atitude pode ser sentida com mais intensidade e causar um dano mais sério.

“Apesar do ainda controverso tema da existência do instinto agressivo em nossa espécie, pelo menos entre as teorias psicanalíticas não há dúvidas sobre a natureza da compulsão à repetição e características sádicas de suas manifestações descritas por Freud no célebre ensaio: Além do princípio do prazer, 1921.”

A maioria das maldades dos psicopatas é de caráter psicológico e não físico. Por isso suas vítimas em potencial são àquelas pessoas generosas. Um exemplo clássico, eles se aproveitam de pessoas bem-sucedidas profissionalmente – com promessas – ganham a confiança da vítima e destroem suas vidas. Uma forma usual de o psicopata golpear as pessoas: pedem dinheiro, prometem pagar, assim que estabelecer o negócio. Depois o que resta a vítima são os transtornos que terão que enfrentar, sobretudo emocionalmente. Às vezes, a dor psicológica dói até mais. Esses seres são monstros em pele de cordeiro e estão em todas as camadas sociais. Eles podem ser desde um falso colega de trabalho oportunista que vive se fazendo de vítima até trapaceiros políticos, empresários, religiosos, filho (a), esposo (a) etc. No entanto, escondem tais características de forma que socialmente são vistos como pessoas normalíssimas, cujos verdadeiros instintos ninguém é capaz de desconfiar.

– Os psiquiatras ainda afirmam que os psicopatas pioram com um tratamento.

Os psicopatas são inteligentes. Eles usam os conhecimentos adquiridos na análise para “melhorar” ainda mais as suas maldades. Com o conhecimento esses sujeitos vão ferir mais intensamente as pessoas que estão à sua volta. Segundo a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa: “O grande tratamento para os psicopatas é a postura que temos com essa pessoa”. A grande arma da sociedade, segundo a médica psiquiatra, é não tolerar a impunidade.

“Pesquisas feitas pelos brasileiros: O neurologista Ricardo Oliveira e o neurorradiologista Jorge Moll descobriram a prova definitiva dessa diferença da mente psicopata, por meio da chamada ressonância magnética funcional, que mostra como o cérebro funciona de acordo com diferentes atividades. Nesse exame, mostraram imagens boas (belezas naturais, cenas de alegria) e outras chocantes (morte, sangue, violência, crianças maltratadas). Nas pessoas normais, o sistema límbico reagia de forma diversa (o sistema límbico é o responsável pelas nossas emoções). Nos psicopatas, não há diferença. O sistema límbico dessas pessoas não funciona. O pôr do sol ou uma criança sendo espancada geram as mesmas reações. Da mesma forma, não há repercussão no corpo. Eles não têm taquicardia, não suam de nervosos. Em suas cabeças sempre estarão certos e, principalmente, acima do bem e do mal. Por isso passam tranquilamente num detector de mentiras.”

DA PSICOSE (ESQUIZOFRENIA)

Culturalmente e/ou popularmente, o esquizofrênico representa o estereotipo do “louco”, um indivíduo que produz grande estranheza social devido ao seu desprezo para com a realidade. A esquizofrenia é uma doença psiquiátrica que deve ser diagnosticada e tratada rapidamente. Ela se caracteriza por alterações no pensamento, no afeto e na vontade. Os principais sintomas são: delírios, alucinações e retraimento social. Delírios são ideias distorcidas, irreais, que o esquizofrênico percebe como reais. Dividem-se em manias persecutórios, ou seja, eles sentem estarem sendo perseguidos. Mania de grandeza e místicoreligiosos. De repente a pessoa cisma, por exemplo, que o FBI o está perseguindo. Tudo que ocorre a partir de então gira em torno dessa ideia delirante.

O esquizofrênico age como alguém que rompeu as amarras da concordância cultural, menospreza a razão e perde a liberdade de escapar às suas fantasias.

Sintomas da esquizofrenia: é importante ressaltar que os esquizofrênicos se isolam e diminuem à interação afetiva. Esquizofrênicos têm mais dificuldade para interagir socialmente e acabam se isolando. O transtorno cursa com períodos em que os sintomas são mais intensos (episódios psicóticos agudos), mas quando tratados perdem intensidade (fase de estabilidade) e a pessoa leva uma vida praticamente normal. A psicose, geralmente, surge em sujeitos com predisposição genética a desenvolver esquizofrenia. Quem apresenta delírios e/ou alucinações deve ser levado a um psiquiatra para que faça o diagnóstico e estabeleça um tratamento. Quanto mais cedo o transtorno for diagnosticado e tratado, melhor a evolução do tratamento. A rapidez é importante para uma melhor qualidade de vida.

Segundo alguns especialistas, aproximadamente 1% da população são acometidos pela doença, geralmente iniciada antes dos 25 anos e sem predileção por qualquer camada sócio-cultural.

– O diagnóstico se baseia exclusivamente na história psiquiátrica e no exame do estado mental. É extremamente raro o aparecimento de esquizofrenia antes dos 10 ou depois dos 50 anos de idade ocorre que não tem nenhuma diferença na prevalência entre homens e mulheres.

Usualmente o paciente com esquizofrenia mantém clara sua consciência e sua capacidade intelectual com o tratamento. Por isso é necessário ser acompanhado por médico psiquiatra.

DA DIFERENÇA PRINCIPAL ENTRE O PSICOPATA E O PSICÓTICO (ESQUIZOFRÊNICO):

O psicopata tem um déficit no campo das emoções, é incapaz de sentir amor ou compaixão e é indiferente em relação ao próximo – já o esquizofrênico é o oposto, ele tem afeto em excesso, é extremamente sensível e, “de tanto sentir e não se expressar, “surta”. Mas isso não isenta o psicótico (esquizofrênico) de cometer algum tipo de crime, se acaso o esquizofrênico entrar em surto psicótico.

“No caso do psicopata, ele não enlouquece nunca, pois ele não tem afeto é embotado”. Ele não é capaz de se colocar no lugar do outro e tentar sentir a dor que ele provocou. Mas o problema dele não é cognitivo, a razão funciona bem e ele tem a capacidade plena de distinguir o que é certo e o que é errado. Ele tem certeza que está infringindo a lei, mas não se importa com isso e até calcula os danos para saber o custo-benefício da ação.

DO PONTO DE VISTA FORENSE:

– Justiça e Psiquiatria como aliadas:

Segundo o psiquiatra forense, Guido Palomba, aposta na criação de uma “casa cadeia” que ofereça um tratamento psicopedagógico aos criminosos. Dar afazeres e responsabilidades aos presos. A liberdade seria baseada na periculosidade, se ela cessasse, o criminoso poderia ser solto. “É prisão perpétua? É. Você vai por a sociedade em risco? Não”, argumenta.

Outro ponto importante, de acordo com o psiquiatra, é a necessidade da mudança da mentalidade dos juízes, promotores e advogados. Eles precisam agir para que o indivíduo semi-imputável ou psicopata seja encaminhado à medida de segurança, pois a patologia não tem cura. A análise do laudo médico deve vir antes da avaliação da “leiga” opinião pública.

 

DO VÍDEO:

O vídeo com o trailer do filme: Instinto Selvagem 2, postado na matéria é para ilustrar o assunto sobre a psicopatia. O comportamento da personagem, Sharon Stone está perfeito. Os psicopatas agem de maneira fria e calculista. O charme, a sedução é uma postura adotada por eles para atingir as suas presas – e sem perder a arrogância. O tempo todo ela controla e manipula a mente do psiquiatra que se deixa envolver pelo impulso e curiosidade de desvendar a mente perigosa e insana dela. Ele sabia que não era aconselhável ir em frente, pois, ele havia feito um laudo anterior para o julgamento dela na morte do seu namorado (o esportista), que morre afogado em um acidente de carro que ela conduzia em alta velocidade e é revelado, que ele já estava morto por causa de uma overdose de drogas. O psiquiatra um profissional inteligente, perspicaz, equilibrado, perde o controle e se envolve pelo charme e erotismo da psicopata. Na verdade, ela tinha certeza que iria seduzi-lo, e vê nele uma fraqueza que não conseguia mais controlar. (Fazia parte também das fantasias sexuais dele…). O caminho para o psiquiatra era manter a postura firme e profissional desde o início. Entretanto, o filme nos dá a dimensão que, também, os profissionais estão sujeitos cair nas armadilhas perversas deles.

 

Referências:

Mentes Perigosas: O Psicopata Mora ao Lado – Ana Beatriz Barbosa Silva, lançado em 2008. O livro trata da caracterização dos psicopatas e os danos que causam às demais pessoas.

SCHREBER, D.P. Memórias de um doente dos nervos. Rio de Janeiro: Paz

CAETANO, D. Classificação de transtornos mentais e de comportamento da CID-10. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.

Artigo publicado em 21 maio 2012 | Este artigo tem 4 Comentários

 

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“Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura.” Friedrich Nietzsche

Os avanços tecnológicos provocam grandes impactos na sociedade. Pelo lado positivo, a tecnologia resulta em inovações que proporcionam melhor qualidade de vida ao homem.

É incontestável que esse turbilhão tecnológico têm aproximado as pessoas  –  derrubando fronteiras e proliferando o amor no mundo virtualizado. Mas, a distância entre os parceiros, pode implicar em armadilhas. Porém, isso não é  uma verdade absoluta. Não temos pesquisas e/ou estatísticas que comprove essa realidade.

Com a globalização as pessoas se comunicam e se conhecem com muita facilidade. No mundo digital, elas têm a possibilidade de iniciarem relacionamentos com pessoas do mundo inteiro, seja fazendo novas amizades, iniciando um namoro e algumas chegam até ao casamento.

Quando duas pessoas querem tudo é possível. Mas é importante analisar os indivíduos pelo que eles são, e não somente pelo que eles dizem: ter e ser. Conhecer uma pessoa demanda tempo, ainda mais, quando se trata de pessoas de culturas e costumes diferentes. No entanto, a globalização trouxe verdadeiras teias de romances que cruzam o globo na velocidade de uma libido virtualizada. E é tão instigante conhecer o diferente que, o entusiasmo pode levar as pessoas a ousar muito mais…

Aonde vão as pessoas, o desejo vai à frente, puxando-as. Para o amor não existe fronteiras. E o mundo ficou minúsculo para o trânsito internacional de pessoas. Mais do que em qualquer outra época, hoje se viaja muito pelos vários continentes. Em poucas horas se atinge distantes lugares em voos cada vez mais acessíveis. Em tempo real, os parceiros podem se falar e se ver – via câmeras/web – matando a saudade e continuando vínculos iniciados em algum lugar do mundo. Sem contar que muitas dessas pessoas se conhecem sem ter saído de casa – em redes sociais e sites de relacionamentos. O que facilita essas teias de romances virtualizados

A diferença de idiomas parece obstáculo de menor importância, pois, não raro, há sempre uma língua que ambos falam, senão podem aprender. Aliás, existe uma atração inexplicável, uma linguagem não verbal, sinais, gestos, expressões, que traduzem afetos e sintonias da alma. Sem falar nas opções oferecidas pela internet como os – tradutores de idiomas -, às vezes ajudam um pouco a comunicação. E o contrário do que se pensa: pessoas que falam a mesma língua podem não se entender. Não apenas porque discordam de muitas coisas, mas pelo fato de que as palavras, às vezes têm significados diferentes para cada um. Por exemplo: o que uma pessoa entende por “amor”, “consideração”, “respeito” pode ser diferente do que o outro entende pelas mesmas palavras ditas no mesmo idioma. E isso é fonte de muitos conflitos, que um casal mais afinado, mesmo falando idiomas diferentes, pode não ser acometido. Portanto, é necessário muita sensibilidade e sagacidade com o conto de fadas da era globalizada.

Da mesma forma como é fácil encontrar uma boa pessoa que lhes proporcionem conforto, segurança e uma boa estabilidade, também corre-se o risco de cair em certas armadilhas…

Mas muitas vezes acontece o amor real. Por exemplo: uma viagem, morar um tempo no exterior para estudar e/ou trabalhar e o mais comum e acessível, os encontros no mundo virtualizado. Contudo, as pessoas devem estar conscientes do que enfrentarão pela frente numa relação com alguém de fora. O relacionamento não será impossível, mas certamente, terão que lidar sobre dois universos diferentes. A velocidade e a facilidade com que nos movimentamos e/ou nos comunicamos atualmente, pode nos cegar para a realidade da distância geográfica, das disparidades culturais e entendimentos familiares. Mas nada que um amor ousado não possa ser enfrentado com autenticidade e bom humor.

De forma positiva, poderíamos dizer que a união entre estrangeiros apenas realça diferenças sempre existentes entre duas pessoas, que, por mais que tenham nascido na mesma cidade e morem no mesmo bairro, as pessoas acabam descobrindo que nada têm a ver uma com o outra. A aparente afinidade não passava de um encantamento ou desejo que ambas fossem de verdade afinadas, até pela comodidade. Na realidade, somos sempre estrangeiros uns dos outros, existe sempre um mistério, além das aparências e conveniências, que une duas pessoas e as faz permanecerem juntas. Se pensarmos na problemática da relação entre parceiros de países diferentes, há também, vantagens no estímulo recíproco e no aprendizado mútuo dos diferentes hábitos, tradições e costumes, sem esquecer, é claro, dos sentimentos temperados pelas diferenças culturais.

Dessa maneira, o relacionamento a distância surgiu para facilitar à vida das pessoas, mas jamais uma forma de comunicação substituirá a outra, porque, ambas possuem limitações e relevâncias para os relacionamentos interpessoais.

 

Artigo publicado em 19 maio 2012 | Este artigo tem 6 Comentários

Lacan nos diz que o trauma é o encontro com o Real, o Real da morte, ambas as figuras do impossível. Do impossível de se representar, de fazer existir no simbólico, no mundo das representações, na realidade psíquica, ou seja, o encontro com o Real da castração.

Os estudos sobre o Transtorno de Estresse Pós-Trumáutico, ainda estão em fase inicial, pouco se sabe sobre o transtorno e a predisposição de cada indivíduo. Portanto, algumas pesquisas já indicam que, dentre as pessoas que sofreram um trauma severo, 10% a 50% podem desenvolver o TEPT, sendo as mulheres mais vulneráveis que os homens, bem como as crianças e os idosos.

Na Síndrome do Estresse Pós-Traumático o que acontece é uma experiência realmente dramática. A causa não é necessariamente decorrente do dano físico, mas proveniente da emoção e do susto sofrido. É como se ferisse a memória, um dano infringido.

As causas que levam ao trauma são diversas: sequestro, assalto, estupro, ameaças, atos de terror, perda de ente querido, etc.
– O momento fatídico fica impregnado de forma muito viva na memória, de modo a ser revivido constantemente com a mesma intensidade e igual sofrimento dos momentos vivenciados pela pessoa na ocorrência do evento. É uma forma de condicionamento tão intenso que o sofrimento volta mesmo sem que tenha vivido a mesma situação de fato. É como se fosse uma fobia que independa de novos fatos para se reabastecer, já que isso acontece por si só. O ideal depois do evento traumático é o de acompanhar a pessoa logo após a vivência traumática, deixando-a falar, exteriorizar sobre o acontecimento, descarregando ao máximo sua dor.
Diante a situação é necessário observar como a pessoa vai reagindo, sendo essencial que o indivíduo procure ajuda logo após o trauma. O tratamento, este deve ser feito com medicação antidepressiva ajudando a “aliviar” a memória, para o trauma não se tornar um ritual, um fantasma do sujeito, fixando sua posição de vida nos momentos sofridos.
Quando a pessoa vai para terapia muito tempo depois e o processo de rememorações já se estabeleceu, a conduta é a de uma terapia interpretativa mais longa com a finalidade de fortalecer a razão delas, além de medicação para aliviar o sintoma de modo a serem capazes de lidar melhor com as lembranças.

Segundo a Dra Ana Beatriz Barbosa Silva – Médica Psiquiatra e autora de vários livros:
É importante que o médico e o terapeuta nunca percam de vista que o indivíduo adoecido não é simplesmente uma máquina a ser consertada, e que não existe um modelo fixo do que significa uma vida saudável. Cada um de nós é um somatório de corpo físico, mente, emoções, essência original e experiências singulares.

É necessário o apoio familiar e de amigos para que o indivíduo não se sinta desamparado e à mercê dos seus transtornos e angústias. É fundamental o encorajamento, mostrando que os desafios com os quais nos deparamos pelas estradas da vida podem trazer mudanças significativas para um novo recomeço. O passado é lição para refletir, não para repetir.

Artigo publicado em 17 maio 2012 | Este artigo tem 5 Comentários

casal

É quase impossível conciliar as exigências do instinto sexual com as da civilização. Sigmund Freud.

Na troca de favores sexuais, que caracteriza a prostituição, elementos sentimentais, como o afeto deve estar ausente em pelo menos um dos protagonistas. Nesta profissão, que é referência como “a mais antiga do mundo”, tem como objetivo trocar sexo por dinheiro. Mas, pode-se cambiar relações sexuais por favores profissionais, informações, bens materiais e muitas outras coisas. Ainda que muitos homens se prostituam, historicamente a prostituição feminina é mais frequente que a masculina.

Sempre existirão profissionais do sexo. Mas, na atualidade, ambos os sexos têm à disposição profissionais do sexo para sem embaraços e complexidade, “preencher a necessidade de alguma coisa básica: falta, carência emocional e desejos insatisfeitos”. No entanto, o que leva a busca de prazer imediato ou consolo? Isso nos faz pensar um sintoma da contemporaneidade, uma vez que, o sexo não é visto com tanto pudor. Na busca pelo prazer imediato existe uma dissociação entre amor profano e sagrado.

Ocorre que o sexo pode adentrar os “desejos e estranhezas” que o sujeito não se tem coragem de satisfazer com o parceiro que se tem: apreço, afeto e consideração. Entra no campo a subjetividade cheia de pudores.  Dessa forma, profissionais servem para isso, haja vista é proibido proibir, afinal, não existe desrespeito em um encontro de programa, o objeto é comprado. Às vezes, é um simples desejo de variar, sem se envolver. Evidencia um bom divertimento, sem danos futuros. Percebe-se uma estranheza, mas é uma realidade, pois ainda há homens que, quando amam, não desejam e quando desejam, não amam. No extremo, escolhem profissionais do sexo, pois assim sentem-se livres para satisfazer suas fantasias – e dessa forma – usam essa condição até como um meio para ter mais potência. Existem àqueles que não conciliam amor e excitação.

Muito embora, as mulheres de alguma maneira não se isentam de padecer questões semelhantes. Sobre elas costuma recair maior repressão e advertências para terem cuidado com sexo. O resultado é que uma vez “liberadas” para o sexo, algumas custam se dar conta de que são livres sexualmente. Na contemporaneidade, a mulher tem os mesmos diretos e deveres que o homem – depois que conquistaram o mercado de trabalho -, mas a realidade não é bem assim. O sexo feminino continua a sofrer preconceitos. No limite, há mulheres que não se satisfazem em relações convencionais, até que uma situação de desafio e/ou proibição seja revigorada: um amante, um garoto de programa, alguém que precisam ocultar da sociedade. Semelhante ao caso dos homens, algumas mulheres atualmente se servem de programas para sentirem-se vigorosas e desejadas pelo sexo oposto, pois nesse caso, às mulheres não necessariamente podem estar disponíveis de outra maneira; isso acontece no raciocínio feminino, às vezes por vingança e ressentimento, o que causa a necessidade de êxito onipotente sobre o homem.

Isso é drástico e vazio, pois há uma desvalorização do amor ao sexo – especialmente ao sexo pago -, para além das carências que urgem – reproduz a experiência infantil da criança que é alimentada sem sentir afeto dos pais. É nesse ponto que vem a dissociação entre a satisfação física e a subjetiva. Que pode surgir de uma busca cada vez maior por bens materiais, compulsões sexuais e drogas. Por fim, se a vida não ensinar que o que preenche é a afeição, admiração, respeito, afeto, compreensão, etc. Torna-se impossível a satisfação sexual, pois o sexo só é prazeroso quando ambos são compreensíveis e respeitam um ao outro. Está mais do que comprovado que sexo faz bem à saúde e melhora significativamente o humor. Não é uma crítica a quem exerce essa função, ou quem faz uso dela, mas tem inerente limitação que o programa por si só não é capaz de suprir.

CONCLUSÃO:

Seja como for, refletir sobre a prostituição é aprofundar o debate sobre as relações entre homens e mulheres, o que não pode ser feito sem levar em conta as questões ligadas à posição subjetiva da mulher na sociedade e a hegemonia do discurso masculino dominante.

Independente das razões que o homem procura por este tipo de serviço, quando em uma relação, é preciso tentar entender as questões e razões para que isto aconteça. No relacionamento é importante buscar uma maior intimidade tanto enquanto casal como também uma intimidade sexual, onde os parceiros sintam-se a vontade para expor seus desejos e fetiches, sem julgamentos, de forma que juntos consigam se entender, fortalecendo o vinculo do casal. A relação sexual do casal é vital, sendo um dos aspectos a serem considerados para existir um relacionamento saudável.

 

REFERÊNCIAS:

Prostituição: artes e manhas do ofício. R. Araújo. Cânone Editorial, 2006.

Mente & Cérebro – Sexo, v. 4 (edição especial), dez. 2008

 

 

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